sexta-feira, março 16, 2007

Educação para a Liberdade

Resposta ao post do Ctrl.Alt.Del:

A educação centrada no aluno nunca foi, até hoje, praticada no ensino público em Portugal.

A escola tem de ser também "escola da vida", "escola da responsabilidade" e "escola da cidadania".
Uma educação centrada no professor ou no conhecimento é uma educação que ensina a matéria programada, que educa no sentido da submissão e da hierarquia injustificada. Não faz nada pela liberdade (antes, oprime-a) nem pela responsabilidade (porque se não se dá liberdade, não se pode pedir responsabilidades).

Mesmo que, para alguns alunos, o sistema do aluno como centro da Escola seja pior (porque não conseguem lidar com a sua liberdade e assumir as suas responsabilidades), isso não é razão para educarmos toda uma geração, ou várias gerações, no sentido da desresponsabilização.
'Deixem os alunos serem alunos!'. Mas ser aluno não é aprender e evoluir? Deixar os alunos ser alunos é dar-lhes espaço para errarem e aprenderem (ou não) com os seus erros.

Os professores devem continuar a ter poder nos conselhos executivos e nas DREs para fazer leis que criem uma educação centrada no aluno (que é melhor para os professores...).
Dentro de uma sala de aula, deverão ter Autoridade na relação pedagógica mutualista com os alunos. O único "poder" dos professores dentro da sala de aula devia ser o de mandar para a rua o aluno que está a perturbar a aula.
Fora da sala de aula, quem deve ter "poder" para disciplinar o aluno deve ser o Conselho Executivo.

A Escola centrada no aluno é a única via para uma sociedade mais liberal e democrática, onde cada um é o responsável de si mesmo.O problema é que todas as previsões apontam para o regresso das sociedades totalitárias e antidemocráticas. É uma tendência que está presente em todo o mundo. As ditaduras do século XXI serão "ditaduras da segurança". O medo será o instrumento para o regresso de velhas ideologias. O medo dos terroristas, o medo dos imigrantes, o medo dos alunos que atacam os professores. A escola é a primeira a demonstrar isso, e a educar a nova geração para os regimes que aí vêm... quanto a mim, continuarei a defender a liberdade e a educação para a liberdade.

4 comentários:

Range-o-dente disse...

Estou com falta de tempo para andar à porrada (vocabulário politicamente incorrecto - como eu gosto) ... mas, é impressão minha, ou há um motim no blog.

Não há espiga, é só fumaça, o povo é sereno.

:-)

Ctrl.Alt.Del disse...

?!
Desconhecia que na EC-d-R tivéssemos "política oficial de blog" para falar a uma só voz. Pois, realmente não temos. Estranho seria que assim fosse, com professores e alunos à mistura...

Alexandre Dias Pinto disse...

Mas que absurdo é este? Então o cavalheiro acha que todo o Ensino Privado é iluminado e sabe centrar a educação nos alunos (nos alunos privilegiados, pasteurizados, padronizados) e que os limitados docentos do público não sabem centrar o ensino nos discentes (que têm problemas sociais, financeiros, cognitivos e em que cada caso é um caso)? Esse absurdo cabe na cabeça de alguém?

Mas deixe-me dar-lhe os parabéns. O seu exercício redutor de generalização dá-nos o calibre da sua inteligência. E o seu conhecimento sério do ensino público é de se lhe tirar o chapéu.

baldassare disse...

Caro Alexandre Dias Pinto,

O meu post não é sobre o ensino público ou privado. É sobre o modelo que deve ser aplicado ao ensino público. Quanto aos privados, apliquem o modelo que quizerem... são privados!
Eu sou um grande defensor do ensino público. Só andei, até hoje, em escolas públicas, e acho que esse é o melhor meio (em Portugal) para a formação do indivíduo.
Bastava que lesse o texto aprtir da segunda linha para perceber isso... eu falo em DREs, falo em Conselhos executivos, e cito um texto de Carlos Fiolhais sobre Escolas Públicas...
Para a próxima, mais atenção senhor professor.