Mostrar mensagens com a etiqueta Educação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Educação. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, outubro 01, 2007

Por onde começar?

Na edição de Outubro da revista Blitz, há uma entrevista com Manu Chao. Houve uma pergunta, ou melhor, uma resposta, que me interessou particularmente:

"Blitz: Mas por onde se começa [a anti-globalização]? Por boicotar as gigantescas companhias multinacionais?

Manu Chao: Há muita coisa que podes fazer. Penso que a primeira (e a mais importante) é parar com este consumismo louco. A educação é o que mais preocupa - na verdade, é o grande problema do mundo actualmente - e a solução passa por ela. Acho que o grande problema do mundo é que, nos bairros, não são as famílias que educam os seus filhos, nem as escolas. As crianças são educadas pela televisão. E a única educação que a televisão lhes dá é: «consome, consome, consome; percisas desta última novidade, e desta, e mais desta, porque, se não tiveres esta última novidade, não és ninguém»... E é assim que as crianças são educadas! Acho isso bastante perigoso, não podemos continuar a consumir a este ritmo."
(o negrito foi acrescentado por mim)

É por estas e por outras, que ele é o meu músico favorito. Não me farto de ouvir as suas músicas, não desisto de entender a sua mensagem. Grande Manu Chao!

Para os fãs, mais uma boa notícia nesta entrevista: Manu Chao vai lançar um álbum em português. Deve ser para compensar os portugueses que nunca o fizeram...

segunda-feira, setembro 24, 2007

4º Passo do Plano Tecnológico para a Educação

PC portátil : 150€.
Calculadora Gráfica: 120€

Distinguir o acessório do essencial. Atribuir descontos e fazer acordos naquilo que é mais essencial e estupidamente caro para os estudantes.
Antes do computador, havia a calculadora...

3º Passo do Plano Tecnológico para a Educação:

Apostar numa verdadeira Formação Cívica. Só aparentemente é que isto não tem nada a ver com Plano Tecnológico... E nada de manuais chamados "Aprender a Crescer"...

2º Passo do Plano Tecnológico para a Educação:

Não matar os alunos por hipotermia. Janelas com vidros duplos, ar condicionados e aquecedores. Escolham. Invistam.

1º Passo do Plano Tecnológico para a Educação:

Remover o amianto das escolas. Ter câncro do pulmão devido à profissão já é mau. Se essa profissão for obrigatória, como é o caso dos estudantes, é pior. Na Europa e no século XXI, é inaceitável.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Inicio das Aulas

Ah, de volta ! Que bem que sabe !

Hoje ouvi um comentário que me descreve tão bem ! " Ah, eu até tinha saudades da escola mas agora já fiz "N" testes de diagnóstico , fiquei com aquele stôr que é muita mau, tenho o "nao-sei-quantos na turma .. Inda falta quanto pó Natal ? ! "

Já não me lembrava do sabor da comida da escola ! E eu que tinha a certeza de que era inesquecivel ! Mesmo bom , hein ?

Descobri que fiquei com a minha professora de matemática .. ( Nem tudo pode ser bom ) E que mudei de professor de Química ( Alguma coisinha boa por aí ? Nao ? )

Mudei de DT ( Aaaah, bom ) e de professsor para professora de Inglês ( Aaaaargh ! )

E finalmente há sumos de laranja de copo !

Enfim ..




Nota: Mesmo desgosto , baldassare ..

quarta-feira, setembro 12, 2007

Ensino obrigatório até ao 12º

Foi hoje anunciado o alargamento, daqui a dois anos, do ensino obrigatório, que vai passar a ser até ao 12º.
A Ministra anunciou também que vão haver naturais mudanças no Ensino Secundário. Assim à primeira vista a medida parece boa. Isto partindo do pressuposto que as mudanças vão ser significativas...

Não gostei foi do motivo apresentado. A medida acontece "para manter os alunos na Escola até aos 18". O motivo devia ser outro, talvez a formação de bons profissionais especializados, o desenvolvimento do país etc...
Pela maneira como foi apresentada, esta medida parece mais uma medida que pretende limitar as liberdades dos alunos. Vamos obrigá-los a continuar na escola mais uns anos, vamos tirar algumas liberdades que já existiam no Secundário, vamos banalizar ainda mais o acesso à Universidade (o que irá continuar o desemprego nos licenciados, e até retirar ainda mais credibilidade ao curso superior)... é o que parece, mas talvez não seja esse o caso...
Penso que esta medida tem como verdadeiro objectivo aproximarmo-nos mais do resto da Europa, formar bons profissionais (sobretudo nos cursos profissionais e técnicos), melhorar as qualificações dos portugueses etc... Se fôr esse o caso, temos boa medida.

quarta-feira, junho 06, 2007

E se o professor não deu a matéria?

Pergunta da Semana: "Se o professor não deu a matéria (toda), como é que os alunos vão a exame? O que é que se faz?"

Resposta do meu co-blogger Ctrl.Alt.Del.: "O professor não dá matéria, segundo o ME é um "facilitador de aprendizagens" e um "criador de situações de aprendizagem"; assim, se há matéria que o aluno não aprendeu, o problema é, obviamente, dele ;-)"

A culpa não é, obviamente, do aluno. A culpa é, obviamente, do professor que não deu a matéria.
Mas essa não era a minha questão. A minha questão é "se o professor não deu matéria, o que é que fazem os alunos?". Não podem fazer nada. Nem os que estiveram nas aulas. Eu, a esta pergunta, queria respostas, não ironias...

Sinceramente não sei. Pode um aluno ser prejudicado pela incompetência de outra pessoa? Não, certamente. Como resolver este impasse? A pergunta da Semana mantem-se.

P.S.: O professor dá matéria. É um facilitador de aprendizagens, é um criador de situações de aprendizagem, é um estimulador do pensamento, mas tem de dar matéria.

sexta-feira, junho 01, 2007

Queremos exames!

"Queremos exames!". Quantas vezes já ouvimos alunos a dizer isto...
Cerca de zero vezes, para ser preciso. Porque é que eu acho que os alunos beneficiam dos exames? Porque é que eu quero ser avaliado por exames?


  • Antes de mais nada, é uma questão de princípio. Eu quero ser avaliado pelos meus conhecimentos, e não quero ser prejudicado pela avaliação subjectiva de um professor. Os professores são humanos, têm sentimentos. E esses sentimentos podem levar a um erro na avaliação, ou a alguma parcialidade. Por isso a avaliação deve ser feita por um exame nacional, igual para todos os alunos. Só assim se pode avaliar objectivamente os conhecimentos dos alunos.

  • Muitos alunos beneficiariam dos exames nacionais como elemento principal da avaliação. Porque existem muitos professores incompetentes, ou que não nasceram para a docência. Mas vivem dela. E porque muitos alunos podem não ter aquela imagem de "estudiosos" que os professores querem, mas realmente estudam. Com os exames, é que se vê quem é que é mesmo "aplicadinho". Não é pela postura corporal e olhar interessado...

  • O exame é nacional, e isso ajuda à justiça.

  • Integrado na Educação centrada no Aluno, os exames como principal instrumento avaliativo fazem ainda mais sentido. Eu acho a "avaliação contínua" uma hipocrisia. Porque defendo um modelo em que as aulas são opcionais até que o aluno deixe de ter boas notas. Avaliação aula a aula é avaliação de nada. É subjectividade, é simpatia e graxismo. Na Escola deve-se avaliar concretamente os conhecimentos, de onde quer que eles venham. Se eu acho que tiro maior proveito de uma hora e meia a estudar na sala de estudo do que a ter aula, e se acho que assim consigo obter mais conhecimentos, e realmente consegui-lo, qual é o problema? O problema é a indepenência e autonomia, que são pouco toleradas na Escola de hoje.

  • Depois, os exames são feitos por uma comissão que deve criar exames adequados à média e com os conhecimentos que ache que os alunos devem ter. Por exemplo, o exame de Matemática do 9º ano do ano passado tinha muito mais de raciocínio do que de matéria. Porque o GAVE achou que era essa a parte mais importante da Matemática. Concordo. Outros discordarão. É por isso que a avaliação tem de ser nacional. Porque uns fazem a avaliação de uma maneira e outros de outra... e isso assim não pode ser...

P.S.: Para que fique claro: defendo exames nacionais no 6º, 9º e 12º, a valer, no mínimo, 50% da nota. E regeito o sistema de há uns anos, em que se podia não ir a exame, se se tivesse boa nota atribuida pelo professor. Vai contra tudo o que ennumerei anteriormente.
Já agora, leiam isto, que mostra que os exames a valer 50% seria mais vantajoso para os alunos, do que o actual modelo, em que contam 30%. É um raciocínio matemático (podia estar na Teuria dus Numaros). Se quiserem comentar, façam-no neste post e não no antigo...

P.P.S.: A próxima Pergunta da Semana será novamente sobre este tema.

segunda-feira, abril 23, 2007

Citação da Semana

É por isso que se mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm de pôr em prática as suas ideias.

Emmanuel Kant
via Citador

segunda-feira, abril 16, 2007

Engenheiros

Já está há alguns dias nas ruas e nas TVs a campanha "Novas Oportunidades".
Até concordo com a mensagem da campanha: valorização da experiência, novas oportunidades de escolaridade, formação profissional etc...

Mas acho inaceitável os anúncios e cartazes onde parece que quem não acaba os "estudos" não tem hipótese na vida e é um falhado.
Em Portugal, acabar os "estudos" é fazer um curso universitário para já lhe poderem chamar doutor, engenheiro, senhor advogado... mesmo que isso não lhe sirva para nada na sua actividade profissional.

Deve continuar a estudar quem pensa trabalhar realmente como médico, professor, engenheiro, enfermeiro...
Quem assim não pensa, não deve ser pressionado ou censurado pela sociedade (e pelos pais).
"Quem vai para a escola técnica (ou profissional) é burro". Isto ouve-se muitas vezes.
Mas, quando já só houverem doutores e engenheiros, os poucos electricistas, canalizadores, pintores etc... poderão ganhar muito mais dinheiro do que alguns licenciados (sobretudo se estes estiverem desempregados...)

Todos devem procurar qualificações, até fora das universidades.
Respeito muito mais uma pessoa que se qualificou para uma profissão que vai exercer, do que um licenciado por uma universidade privada, que trabalha a lavar roupa na 5àSec.

Como mostra o Daniel Oliveira neste e neste post, não há problema nenhum em não ir para a universidade, ou em não a acabar. E isso não é sinal de estupidez ou de que a vida vai-lhe correr mal. Afinal, se até o Sócrates chegou a primeiro-ministro...

Citação da Semana

"Ensinar é aprender duas vezes"
Joseph Joubert

Via Citador

sábado, abril 07, 2007

A Escola Educa.

Post do Range-o-Dente, no seu blogue:

Em sequência a vários assuntos levantados pelo Baldassare, volto à carga.
Volto a afirmar que a escola, na sua faceta mais visceral, se resume a um triângulo: Matéria, professor, aluno (deixo a discussão sobre a ordem apropriada para quem gosta de discutir o sexo dos anjos).
O professor ensina a matéria, o aluno aprende a matéria. A matéria é o elo de ligação.
Os alunos mais novos (pelo menos até ao 9º ano) não podem ter voto quando se trata de escolher o que querem ou não aprender. A partir daí e até determinado ponto, poderão apenas escolher o ramo a que queiram mais dedicar-se (por sua exclusiva responsabilidade).
Já agora, contrariamente ao que algumas luminárias do Ministério da Educação(?) pensam, a educação deve, fundamentalmente, ser dada pela família. À escola cabe primordialmente ensinar e, só depois de o conseguir fazer eficaz e eficientemente pode pensar noutros voos (não quer dizer que não tenham lugar uns laivos de educação, mas a coisa fundamental é ensinar matéria – coisas relativas ao mundo em que vivemos, como mortais que somos). Aliás, o Ministério deveria chamar-se Ministério do Ensino.
Já se sabe que as famílias são uma manta de retalhos que, a existirem com alguma solidez, se reúnem à volta do maior caixote de lixo da história, a televisão, snifando gases putrefactos. Ou se reúnem ou se isolam, cada um por sua conta, frente a TVs ou ainda a computadores onde a Internet, manancial fonte de copy+paste e chats imbecis, domina a educação caseira.
Entre os alunos instalou-se um clima em que é rejeitado (pelo grupo, de comportamento cada vez mais acarneirado), todo o aluno que não “curte”, na totalidade (pois claro) a estupidez reinante.
Paralelamente à instalação deste clima, as tais luminárias do ministério foram criando um novelo de absurdos, capitaneado pelas Ciências da Educação.
Esse novelo foi começando simplesmente por se tornar um estorvo ao ensino (aquela coisa que na escola se espera que aconteça), para, paulatinamente, ir tentando desmanchar o tal triângulo das tripas. Ir tentando, quer dizer, escaqueirando.
Á medida que das luminárias foram vertendo paradigmas (héhé), a escola foi começando a conseguir ensinar cada vez menos.
O aluno não aprende? Porque o método não é correcto.
O aluno não aprende? Porque não lhe foram feitas as perguntas correctas.
O aluno não aprende? Porque lhe faltam os equipamentos adequados.
O aluno não aprende? Porque há muita indisciplina, perdão, porque os alunos são problemáticos, perdão, são originários se bairros problemáticos. (Parece que 95% do país é composto por bairros problemáticos)
O aluno não aprende? Porque as aulas não são “apelativas”.
O aluno não aprende? Porque “a matéria sugerida não é a que lhes interessa”.
...
Qualquer mortal percebe que, implicitamente, está em jogo a autoridade e o poder do professor.
Já sei que o Baldassare não gosta da palavra ‘poder’, mas isso é um problema dele. Não há autoridade sem poder, a não ser na cabeça(?) das tais luminárias – não só mas também, já se percebeu. À guisa de sugestão sugiro que o Baldassare, antes de dormir, repita 50 vezes a frase “autoridade e poder são duas faces do mesmo todo”, e medite o seu significado. Se mesmo assim não for lá, problema dele. Esta coisa de aprender quase nunca acontece sem suor.
Voltando às aulas, a escola tem-se transformado numa espécie de prolongamento do jardim de infância, uma coisa destinada a fazer passar o tempo sem se dar por isso. Uma alternativa à ida à revista, onde o aluno, coisas passiva, assiste e gosta ou não.
O novelo de absurdos criado à volta do triângulo, acabou por absorvê-lo, tendo-se entrado no reino do disparate total. Pretende-se que os alunos aprendam, sem esforço, coisas que lhes são sugeridas como mera hipótese de diversão.
Há pessoas que supõem que alunos desta idade têm “crenças” que o professor não deve contrariar: a aula certificadora do bom selvagem.
Como é de esperar, o resultado é patente. Cada vez se aprende menos, sobre o que quer que seja. A estatística não ajuda, a culpa é da estatística, escaqueira-se a estatística. O aluno continua a não aprender, naturalmente porque a matéria é inadequada. Curiosamente nunca é substituída, apenas removida.
A fasquia que, em cada momento, cada aluno tem pela frente vai sistematicamente baixando e, mesmo assim, a estatística não melhora.
As luminárias ficam perplexas (palavra que eles adoram), mas insistem em negar a realidade. As intenções deles são as melhores, logo, o mundo está errado.
As luminárias, munidas de uma verborreia do politicamente correcto, levam a arte ao zénite do nada.
Os alunos continuam sem aprender, entretanto em segunda geração: os papás respectivos despejam os rebentos na escola como se esta os substituísse.
Já sei que o Baldassare acha que eu defendo coisas do tempo da outra senhora (coisas de Velho do Restelo – percebendo-se que, de Velho do Restelo, o Baldassare nada percebe). Sugiro que ele leia este artigo, do Pacheco Pereira, em que ele explica a origem do politicamente correcto. [Não consegui link para o original do Abrupto, converti o artigo em PDF].
A cambada continua a sair da escola cedo demais e, mesmo quando lá fica mais uns tempos, a aprender pouco.
Os programas vão sendo dizimados de matéria e os canudos lá vão sendo distribuídos, como se isso tivesse alguma importância no mundo real: aquele em que as pessoas decidem, frente a uma prateleira de supermercado, por determinado produto em função da relação preço qualidade.
O Ministério continua a supor que o copy+paste é suficiente.
A malta não aprende o suficiente para se aguentar face a americanos, japoneses, ingleses, franceses, alemães e agora, blasfémia, indianos e chineses. Não bastava já estes dois ganharem menos que a malta e, ainda por cima, parecem trabalhar melhor que nós. Porque será? Será que nas escolas chinesas se ensina pelas mesmas bitolas que aqui?
O Velho do Restelo avisou: vejam lá onde se vão meter.
Descobrimos o caminho de água para a Índia, mas os proveitos foram esbanjados em sumptuosidade. Quem ganhou?
Pouco depois o ouro do Brasil. As riquezas eram trocadas por quinquilharia mais ou menos vistosa no Mar da Palha – nem chegava a terra. Quem ganhou?
Nas colónias de África nem tanto. Não f...... nem saímos de cima.
Na Comunidade, uma parte significativa do cacau foi refundida em BMWs. Os alemães agradeceram. De outra parte fizeram-se infra-estruturas que agora nos vemos à rasca para manter. Do que sobrou fizemos formação, mas esquecemo-nos, mais uma vez, de chamar à atenção dos alunos que a parte que lhes competia era a parte em que era suposto aprenderem (e, se calhar, a história vai repetir-se brevemente).
Milhares e milhares de gajos fizeram formação em quantidades industriais. Tudo servia. Qualquer gajo se inscrevia em cursos de cabeleireiro após ter terminado um de informática. Tiravam-se cursos em chouriço. Resultados?
Os centros de formação que pretendiam manter padrões mais elevados aplicavam o chumbo sem tibiezas, mas logo apareciam umas luminárias chamando a atenção que a estatística (os ‘ratios’ como eles gostam) estavam demasiado baixos e, portanto, havia que alinhar na balda generalizada - ou os subsídios seriam capazes de escassear.
...
Já com o lodo pelo pescoço, aparece uma ministra que não sabe muito bem para que lado se há-de virar. Globalmente tem feito um trabalho razoável, mas ainda está para se ver o que pretende ela parir em relação à matéria e à disciplina.
A história da TLEBS não abona em favor dela. A história da disciplina também não se percebe muito bem. Um leitor habitual deste blog chamou a atenção para que possa ser provável que ela retroceda o caminho que tem vindo a ser seguido (desautorização do professor) apenas por lhe parecer uma coisa inevitável (dai mais poder ao professor e mais responsabilidade à família) mas ele chama a atenção de que isso pode ser uma decisão a contra-gosto.
A disciplina é um valor fundamental de qualquer sociedade que se preze. Disciplina em tudo. Horas de chegada, de estudo, de ir para a cama (dormir o suficiente), etc.
Exercitando a imbecilidade generalizada, curte-se o canudo do 12º com uma viagem a Espanha onde se apanham bebedeiras em cascata, ao som de música chunga. Só se acorda quando o Sol se põe, vai-se para a cama mal ele desponta. Fornica-se muito também.
Conhecer, de facto, o local para onde se vai? Só se for as reives lá do sítio. Que outra coisa poderia ser?
... e por aqui, provavelmente, me fico. Já teclei mais do que suponha ser necessário para explicar o óbvio.

Resposta:

Começa por estabelecer que a matéria é o elo de ligação entre o professor e o aluno. Eu considero que o professor é o elo de ligação entre a matéria e o aluno. Cabe ao professor explicar da melhor maneira possível a matéria estipulada pelo ME.

Eu nunca disse que queria que os alunos decidissem a matéria a ser leccionada/aprendida. Isso não era uma Educação centrada no Aluno, mas uma Educação feita pelo Aluno (tal como acontecia pouco tempo depois do 25 de Abril, quando os alunos quase mandavam nos professores...).
O conceito de Educação centrada no Aluno é muito mais simples: deve ser o aluno o principal considerado nas decisões relativas à Escola, porque é o aluno o centro natural da Escola.

A Escola, mais do que ensinar, deve educar. Não podemos deixar às famílias a responsabilidade de criar toda uma geração. Até porque há famílias e famílias... Se assim fosse, havia muitos que tinham uma má educação, só porque vêm de uma família que não educava bem. Era injusto. (e perdoe-me se a Justiça é um conceito demasiadamente politicamente correcto)

A Escola deve educar.
É daqui que parte a minha posição da Escola centrada no Aluno. Se a escola deve educar, que tipo de educação damos para obtermos, no final, que tipo de sociedade?
Há que definir que tipo de sociedade queremos para o novo século: se uma sociedade mais livre, democrática, justa e responsável, ou se uma sociedade de hierarquia injustificada, repressão, injustiça e “respeitinho”.
Se optarmos pela primeira, queremos, naturalmente, uma Educação que incuta estes valores na futura geração.

Para incutir a liberdade, nada melhor que dar liberdade. Para incutir democracia e justiça, nada melhor que estabelecer um modelo de ensino em que a relação professor-aluno e aluno-aluno seja mais democrática. Para incutir a responsabilidade, nada melhor que requerer responsabilidade (o que só pode ser feito se houver liberdade...).

A Sociedade de amanhã vai reflectir a Escola de hoje.
A desresponsabilização do aluno é fruto da Educação centrada no Professor. Se acreditamos que é o professor o elemento principal da Escola, é porque achamos que ele deve ser o responsável pelo sucesso dos alunos. A lógica da Educação centrada no Aluno é:

O Aluno não aprende? Culpa dele. O que interessa é educá-lo para a liberdade, responsabilidade, democracia e justiça.

segunda-feira, abril 02, 2007

Citação da Semana

"O cansaço físico, mesmo que suportado forçosamente, não prejudica o corpo, enquanto o conhecimento imposto à força não pode permanecer na alma por muito tempo"

Platão in "A República"

Via Citador

sexta-feira, março 23, 2007

O bom exemplo de Torres Vedras

Mas afinal, o quem é o bom exemplo de Torres Vedras???
Nem mais nem menos que a minha turma(e do baldassare). Ontem, dia mundial da água a minha turma, no âmbito da disciplina de Geografia A, foi assistir a uma palestra de três técnicas dos SMASTV,a falar sobre a água e a sua importâcia, assim como jogos interactivos, e tivemos a assistir e a filmar, imaginem só... a SIC e a fotografar o fotógrafo do Boletim Municipal de T.V.
A notícia
O video

sexta-feira, março 16, 2007

Educação para a Liberdade

Resposta ao post do Ctrl.Alt.Del:

A educação centrada no aluno nunca foi, até hoje, praticada no ensino público em Portugal.

A escola tem de ser também "escola da vida", "escola da responsabilidade" e "escola da cidadania".
Uma educação centrada no professor ou no conhecimento é uma educação que ensina a matéria programada, que educa no sentido da submissão e da hierarquia injustificada. Não faz nada pela liberdade (antes, oprime-a) nem pela responsabilidade (porque se não se dá liberdade, não se pode pedir responsabilidades).

Mesmo que, para alguns alunos, o sistema do aluno como centro da Escola seja pior (porque não conseguem lidar com a sua liberdade e assumir as suas responsabilidades), isso não é razão para educarmos toda uma geração, ou várias gerações, no sentido da desresponsabilização.
'Deixem os alunos serem alunos!'. Mas ser aluno não é aprender e evoluir? Deixar os alunos ser alunos é dar-lhes espaço para errarem e aprenderem (ou não) com os seus erros.

Os professores devem continuar a ter poder nos conselhos executivos e nas DREs para fazer leis que criem uma educação centrada no aluno (que é melhor para os professores...).
Dentro de uma sala de aula, deverão ter Autoridade na relação pedagógica mutualista com os alunos. O único "poder" dos professores dentro da sala de aula devia ser o de mandar para a rua o aluno que está a perturbar a aula.
Fora da sala de aula, quem deve ter "poder" para disciplinar o aluno deve ser o Conselho Executivo.

A Escola centrada no aluno é a única via para uma sociedade mais liberal e democrática, onde cada um é o responsável de si mesmo.O problema é que todas as previsões apontam para o regresso das sociedades totalitárias e antidemocráticas. É uma tendência que está presente em todo o mundo. As ditaduras do século XXI serão "ditaduras da segurança". O medo será o instrumento para o regresso de velhas ideologias. O medo dos terroristas, o medo dos imigrantes, o medo dos alunos que atacam os professores. A escola é a primeira a demonstrar isso, e a educar a nova geração para os regimes que aí vêm... quanto a mim, continuarei a defender a liberdade e a educação para a liberdade.

quarta-feira, março 14, 2007

There's no business like school business...


+


=

$$$$$$
("O ministério quer ainda valorizar o uso das secundárias, criando "áreas de negócio como lojas de conveniência para estudantes e aluguer de pavilhões para baptizados", exemplos destacados hoje pela ministra que possam permitir aumentar as verbas para a manutenção dos edifícios.")

Mas que programas é que a ministra anda a ver e em que companhias?!


Agostinho da Silva e a educação centrada no aluno:


Aconcelho todos a lerem este artigo de Helena M. Briosa e Mota, referente ao conceito de educação de Agostinho da Silva (em especial o ponto 2.2): Cidadania e Educação: sonho e realidades
Também o artigo de Natércia Belo, Agostinho da Silva: a pedagogia da razão. Deste último gostaria de destacar:

"Podemos ler em “Educação de Portugal”: “A primeira tarefa essencial que existe para todos os portugueses não é a de política; ela seguirá, nos próximos tempos, rumos em que pouco poderemos influir (…) o grande trabalho, o tal imenso desafio que se nos apresenta é o de educar o povo, insistindo em que educar não é levar ninguém a ser isto ou aquilo, não é tentar influir de qualquer modo em sua orientação futura, mas dar meios de expressão à sua capacidade criadora e de comunicação, quer ela se exerça lendo e escrevendo quer manualmente num ofício, e sem que se separe uma actividade da outra.
Criou deste modo, o primeiro princípio de um verdadeiro ensino: o de que nada pode ser ensinado por imposição; o de que, um professor não é um capataz mas um auxiliar e um guia cuja função é sugerir e não impor. Na verdade, ele não educa a inteligência do aluno; limita-se a mostrar a forma de aperfeiçoar os seus instrumentos de conhecimento, encorajando o instruendo ao longo da sua aprendizagem e desenvolvimento. Transmite conhecimentos mas, mais importante do que isso, mostra como adquiri-los."

(os negritos foram acrescentados por mim)

Créditos à Associação Agostinho da Silva.

terça-feira, março 13, 2007

Por uma educação politicamente correcta II

Disse Range-O-Dente neste contexto:

«
A Escola centrada no aluno? "Disparate! Tretas!", diz você.
Nunca disse tal coisa, como acima demonstrei.
Mas repare: uma educação com foco no aluno, seria uma Educação em que se adapta o que se ensina e como se ensina ao ponto mais individual possível. Seria uma educação que iniciava desde cedo a educação para a cidadania e para a democracia, dando mais liberdade ao aluno. E claro, se se dá mais liberdade, os alunos têm de ser responsabilizados pelos seus actos. Uma escola baseada no aluno seria uma escola onde, naturalmente, os professores tinham mais autoridade (e menos "poder" absoluto).
Mais palavreado politicamente correcto. O que você propõe é uma colecção de absurdos. No limite, você corre o risco de acabar propondo que os alunos só aprendam o que lhes apetecer.
Você continua engasgado com a questão do poder. É um problema que você terá que resolver com a sua cabeça.
Só se nos focarmos no receptor da mensagem é que podemos fazer com que o conhecimento lá chegue melhor.
Você, mais acima, escreveu: “... ignorando os interesses, deveres e direitos de alunos e professores, desde que a mensagem seja bem dada.

Não lhe parece estar a dar uma no cravo e outra na ferradura? E você continua a esquecer-se dos deveres de todos. A responsabilidade de cada um.
E qual é o papel do aluno? Mero microfone desligado? Experimente escrever a coisa de outra forma: “Só quando o aluno se focar na mensagem que lhe é transmitida poderá chegar ao conhecimento”.
Está a ver? Você continua na senda da desresponsabilização do aluno.
Você, em boa verdade, é que centra a coisa no papel do professor. Então e o aluno não é gente? Não assume as suas responsabilidades (tento em atenção as respectivas idades, já se vê)? Nunca mais assume a sua responsabilidade? Nunca mais se percebe que se tem, paulatina e sistematicamente, vindo a desresponsabilizar o aluno de todo o processo? E como quer você, por essa via, que ele chegue à lenga-lenga da cidadania?
Volto à história dos 3 pilares: Professor, matéria, aluno. O que você defende é um ensino (?) centrado num aluno voluntariamente amorfo. Depois claro: as cabeças de abóbora são cada vez mais.
Os professores são, a meu ver, um elemento importante no Ensino, mas não são "O Elemento" mais importante do Ensino. A qualidade da mensagem não deveria nunca depender do professor ser bom ou não... nem sequer o professor deve ser um exemplo a seguir pelo aluno(porque nesse caso, há professores que sinceramente...)
O professor deve ser um elemento de ligação entre o programa e o aluno e mais nada.
Isso que você descreve é um computador, não é um professor.
A desierarquização da Escola seria fundamental para que se estabelecesse uma nova relação professor/aluno, mais mutualista e mais propiciadora a um ambiente de trabalho, não de guerrilha.
Não há nova relação a estabelecer, como não há nova roda a inventar. E o ambiente de guerrilha não é gerado por aqueles que você próprio defende deverem ser corridos da sala de aula?
Mas eu percebo a sua teoria. Também é válida.
Depois do que você escreveu, essa frase é um mistério.
Aliás é a que predomina na opinião pública e no ministério, sobretudo com esta conversa velho-do-restelista da desautorização dos professores e do fim dos "bons costumes"...
É bom costume ir-se à escola. Quer abdicar? Se tudo o que se deve aprender é coisa do velho do Restelo, porque aprendeu você a falar e a escrever? E a comer? E a andar?
Contudo, e como já disse, acho que a Escola do século XXI devia ser uma escola mais democrática e mais aberta, ou se quiser, mais politicamente correcta.
O politicamente correcto é puro lixo.
A escola deve ser mais aberta a quem estiver disposto a assumir as suas responsabilidades. E quem não estiver, só tem dois caminhos: ou aprende “seringado” ou terá que saltar fora da carroça.
Você acha que alguém trabalharia se não tivesse que ser? Se não houvesse algum tipo de ameaça/consequência implícita? Em que nuvem vive você?
O que você descreve em relação aos direitos, direitos, direitos, é o parasita.
Quem foi que lhe meteu na cabeça que aprender era assim como quem apanha banhos de sol?
Você vê o aluno como o “coisa” que veio ao mundo, obrigado (não veio de livre vontade), e a quem depois, ainda por cima, querem obrigar a aprender.
O que você procura é um computador, a que você se ligue, e que lhe transfira as matérias para o cérebro.
Meu caro. Se você ainda não percebeu que aprender dá trabalho, é difícil, requer insistência, dedicação de muito tempo (pouca borga), etc, você foi entregue ao planeta errado, na galáxia errada, no universo errado. Mas isso, mais uma vez, é um problema que você terá que resolver consigo próprio: não espete com o seu problema aos costados dos outros. Assuma-o porque, vir ao mundo (a este), implica isso.»

A minha resposta:

«Quando eu disse “... ignorando os interesses, deveres e direitos de alunos e professores, desde que a mensagem seja bem dada.” estava a falar dos que defendem que a escola deve estar centrada na mensagem, o que não é a minha posição.

Eu sou por uma escola focada no aluno.

Eu não sou, como diz, pela desresponsabilização do aluno. Pelo contrário eu sou pela maior autonomia do aluno e maior disciplina caso o aluno abuse da sua liberdade: A isto chama-se responsabilização. A isto chama-se Educação para a cidadania.

O sistema actual é um sistema onde o aluno é educado ao "respeitinho" (essa autêntica instituição nacional), não ao diálogo e á democracia (que palavras tão politicamente correctas!).

O ambiente de guerrilha é fomentado por alunos e professores. Isto aqui não é uma "luta de classes". Eu não estou a defender os alunos ou a atacar os professores. Estou-lhe a apresentar um modelo de educação diferente que, a meu ver, seria melhor, e a seu ver seria pior. O ambiente de guerrilha nas salas de aula (ou campo minado, como quiser), é reflexo da relação professor/aluno que é (manifestamente) má. Você e a ministra acham que o professor devia ter mais poder, eu acho que o professor deve ter mais autoridade para expulsar o aluno da aula e prosseguir a lição com os alunos que querem realmente aprender e que estavam a ser prejudicados por uma minoria (e agora, fui politicamente incorrecto?).

Mas, como já disse, percebo a sua teoria. Compreendo-a, não a partilho. Qual delas a melhor? Não sei, só sei é que isto (a escola) até agora não tem estado a resultar lá muito bem...
A perda de autoridade por parte do professor e o fim dos bons costumes é uma conversa falsa! Nunca, desde o 25 de abril, os professores tiveram tanto poder. Se calhar a culpa é dos alunos, que são insolentes, e os professores são obrigados a mostrar o seu poder. Ou se calhar é o sistema que está mal...

"A escola deve ser mais aberta a quem estiver disposto a assumir as suas responsabilidades." Eu defendo uma escola com mais responsabilidades para os alunos. E defendo, obviamente, o ensino obrigatório até (pelo menos) ao 9ºano! E defendo planos especiais para alunos que não estão a conseguir o 9º ("uma educação com foco no aluno, seria uma Educação em que se adapta o que se ensina e como se ensina ao ponto mais individual possível.").

Quando se disse que se ia acabar com a disciplina física nas aulas também houve quem dissesse "e agora, como é que os alunos vão aprender sem ser à porrada!? Em que mundo é que vives?!?" . As revoluções levam sempre tempo a entrar nas cabeças.

E sabe, o século XIX teve as suas doenças (tuberculose...), o seu tipo de sociedade (a belle epoque) e o seu tipo de Educação (Dura, disciplinada).
Depois, veio o século XX, com novas doenças (Sida, malária etc...), novas sociedades (comunismo, social-democracia, capitalismo) e uma nova Educação.
O século XXI também será um século com as suas próprias doenças (H5N1 e outras que virão), a sua próprea sociedade (mais liberal, espero) e a sua própria Educação, que, tal como a sociedade, espero vir a ser mais liberal e democrática. Mais arriscada e elitista, quer queiramos quer não. Talvez eu esteja totalmente errado e a Educação fique na mesma (no mesmo planeta, se quiser) ou mude para uma educação ainda mais autoritária. Não sei. Ninguém sabe. Mas foi daí que nasceu a Educação Cor-de-Rosa, que pretende, pelos menos da minha parte, ver se a Escola muda para um lado ou para o outro, neste início de século XXI.
De qualquer maneira, quero dizer que estou a apreciar este debate consigo, que me dá uma outra perspectiva do que poderá vir a ser a Educação do século XXI.»

quinta-feira, março 01, 2007

Como resolver o concurso a professor titular

Em Brighton, Inglaterra, as vagas para algumas escolas secundárias vão ser atribuídas por sorteio. Não seria esta a melhor solução para o concurso a professor titular? No espírito do país recordista do euromilhões, e na medida em que já se percebeu que o mérito não é afinal premiado, este é um critério tão bom como qualquer outro...


Sorteios para escolher alunos em escolas de Brighton
01.03.2007, PÚBLICO
As reacções foram muito elogiosas ou muito críticas. a medida é ousada: as vagas em algumas escolas secundárias da cidade inglesa de brighton vão ser atribuídas por sorteio. o factor "código postal" será o primeiro a ter em conta. quando as escolas tiverem mais candidatos do que vagas, ou quando houver duas escolas para o mesmo código postal, o sorteio decidirá.
em alguns outros locais do reino unido algumas escolas tinham já recorrido aos sorteios para algumas das vagas. mas, segundo a bbc, esta será a primeira vez que o sorteio é adoptado como política habitual. a escolha dos critérios de admissão das escolas no reino unido está a cargo da administração local e dos próprios estabelecimentos, desde que seja cumprido um código de conduta.

fiona millar, jornalista do guardian especialista em educação, diz que a medida era "corajosa" já que "corta todos os mais queridos (ou detestados, depende do lado em que se está) aspectos das admissões escolares". mas muitos pais estão contra: pelo menos 4 mil pessoas assinaram uma petição contra os sorteios, diz a bbc. "podemos não conseguir a escola mais próxima", queixou-se tracey-ann ross, que disse que o seu código postal separará a sua casa da escola mais perto.