Repare-se que o ME não se refere à eficácia ou à qualidade das lideranças. Não: uma liderança tem de ser forte. Isto pode parecer só uma diferença de maneira de dizer, mas não é. Isto incentiva o pequeno poder (o conselho executivo, o conselho geral, os professores titulares...) a exercerem prepotentemente o seu pequeno poder. Isso já está a acontecer em muitas escolas, e com a pessoalização das listas para o Conselho Directivo, acreditem que vai aumentar.
Este espírito da "liderança forte" tem sido aquilo que o governo e particularmente o ME têm andado a pregar. A imagem de "coragem" (no sentido de fazer tudo contra todos), a recusa em se admitir um recuo, o "quem manda aqui sou eu", têm sido imagens associadas a qualidades e não a defeitos. Têm sido exemplos para aplicar nas escolas.
O caminho que foi traçado para a Escola foi este: fim da eleição democrática dos órgãos da escola, pessoalização dos mesmos, para que sejam nomeados pelo poder central, exclusão dos alunos de qualquer influência (ainda que simbólica) nos assuntos da escola, diferentes carreiras para os professores, repressão da actividade sindical (para os professores) e associativa (para os alunos).
Tudo começa por dar mais poder ao pequeno poder, para que este comece a habituar professores e alunos para o que aí vem. A estratégia é boa, e parece estar a resultar.
Para contrariar, fiquem com o descurso de José Soeiro (BE) na comemoração do 25 de Abril.
Parte 1
Parte 2
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segunda-feira, abril 28, 2008
quinta-feira, abril 17, 2008
Semana pela Democracia
Associações de estudantes do Básico e Secundário promovem Semana pela Democracia
Quanto mais se abre a Escola à "comunidade", mais se fecha à comunidade escolar.
Na minha escola são proíbidas as Reuniões Gerais de Alunos e as manifestações não são autorizadas pelo Conselho Executivo (embora sejam feitas à mesma...)
Mas o pior não é isto. O pior é que, à medida que se tira representatividade aos alunos, dá-se a gente que nada tem a ver com a Escola: os municípios e as empresas.
Já agora, o comunicado . da Associação de Estudantes do Ensino Básico e Secundário alerta para uma coisa: ao passo que o Governo acusa a oposição de aproveitamento político de casos específicos e mediáticos, é o próprio Governo que aproveita estes casos para reforçar a autoridade do professor e reformular a gestão das escolas.
Para uma sociedade democrática é necessário uma escola democrática.
Quanto mais se abre a Escola à "comunidade", mais se fecha à comunidade escolar.
Na minha escola são proíbidas as Reuniões Gerais de Alunos e as manifestações não são autorizadas pelo Conselho Executivo (embora sejam feitas à mesma...)
Mas o pior não é isto. O pior é que, à medida que se tira representatividade aos alunos, dá-se a gente que nada tem a ver com a Escola: os municípios e as empresas.
Já agora, o comunicado . da Associação de Estudantes do Ensino Básico e Secundário alerta para uma coisa: ao passo que o Governo acusa a oposição de aproveitamento político de casos específicos e mediáticos, é o próprio Governo que aproveita estes casos para reforçar a autoridade do professor e reformular a gestão das escolas.
Para uma sociedade democrática é necessário uma escola democrática.
quarta-feira, março 26, 2008
Por isto é que eu digo... mandem-nos para a rua!
O vídeo da disputa do telemóvel já foi falado e re-falado. Já serviu para aproveitamento político e para muita demagogia e generalização. Até já deu negócio.
Eu acho que os professores deviam usar mais frequentemente o mandar para a rua como método de evitar estas cenas deploráveis. O aluno é avisado, se volta a abusar simplesmente sai e assim só se prejudica a si próprio, e não aos outros todos. Prejudica-se na matéria que não vai aprender e prejudica-se no número de faltas injustificadas, e possivelmente com processo disciplinar. Mas entretanto, deixa os outros ter a aula...
Mais do que autoridade, falta aos professores credibilidade perante os alunos. Quando há professores que avisam três ou quatro vezes numa aula que mandam o aluno para a rua e nunca o fazem, os alunos deixam de acreditar.
O ir para a rua devia ser o normal para alunos que estão a prejudicar o decorrer da aula, e isto sem nenhum drama. O aluno prejudica, o aluno sai, a aula continua.
Mandar o aluno para a rua é muito mais lógico do que tirar-lhe o telemóvel ou outros métodos que vão, em vez de devolver serenidade à aula, aumentam a tensão.
Eu sei que nos dias de hoje isto vai soar demasiado politicamente correcto para a ditadura do politicamente incorrecto que se instaurou na blogosfera. Vai parecer que eu estou a fazer o jogo do "coitadinha da aluna, que a culpa é da sociedade". Não. A aluna tem culpa e deve ser punida, isso nunca esteve em causa. O que eu estou a dizer é que, se a professora a tivesse mandado para a rua, em vez de lhe tirar o telemóvel, tudo isto se tinha evitado.
E quantas aulas "perdidas" não seriam "perdidas" se houvesse menos burocracia e mais vontade de expulsar da aula quem a perturba...
P.S.: A professora em causa estava numa situação de stress, onde já era difícil agir racionalmente e mandar saír a aluna. O problema é quando temos professores e muita opinião pública e publicada, em sangue frio, a aplaudir a professora. Ou seja, temos muitos professores que numa situação daquelas fariam o mesmo, em vez de mandar a aluna para a rua... é disso que o post trata.
Eu acho que os professores deviam usar mais frequentemente o mandar para a rua como método de evitar estas cenas deploráveis. O aluno é avisado, se volta a abusar simplesmente sai e assim só se prejudica a si próprio, e não aos outros todos. Prejudica-se na matéria que não vai aprender e prejudica-se no número de faltas injustificadas, e possivelmente com processo disciplinar. Mas entretanto, deixa os outros ter a aula...
Mais do que autoridade, falta aos professores credibilidade perante os alunos. Quando há professores que avisam três ou quatro vezes numa aula que mandam o aluno para a rua e nunca o fazem, os alunos deixam de acreditar.
O ir para a rua devia ser o normal para alunos que estão a prejudicar o decorrer da aula, e isto sem nenhum drama. O aluno prejudica, o aluno sai, a aula continua.
Mandar o aluno para a rua é muito mais lógico do que tirar-lhe o telemóvel ou outros métodos que vão, em vez de devolver serenidade à aula, aumentam a tensão.
Eu sei que nos dias de hoje isto vai soar demasiado politicamente correcto para a ditadura do politicamente incorrecto que se instaurou na blogosfera. Vai parecer que eu estou a fazer o jogo do "coitadinha da aluna, que a culpa é da sociedade". Não. A aluna tem culpa e deve ser punida, isso nunca esteve em causa. O que eu estou a dizer é que, se a professora a tivesse mandado para a rua, em vez de lhe tirar o telemóvel, tudo isto se tinha evitado.
E quantas aulas "perdidas" não seriam "perdidas" se houvesse menos burocracia e mais vontade de expulsar da aula quem a perturba...
P.S.: A professora em causa estava numa situação de stress, onde já era difícil agir racionalmente e mandar saír a aluna. O problema é quando temos professores e muita opinião pública e publicada, em sangue frio, a aplaudir a professora. Ou seja, temos muitos professores que numa situação daquelas fariam o mesmo, em vez de mandar a aluna para a rua... é disso que o post trata.
domingo, fevereiro 24, 2008
A Escola e os valores
A Escola é uma instituição social. Como tal, é natural que transmita valores. Mas será que esses valores devem estar explícitos no programa oficial?
A minha resposta é: deve estar escrito o valor da liberdade, pois permite adoptar qualquer valor.
Se for dada liberdade de escolha e de expressão, a Escola é neutra, pois permite a adopção dos valores que cada um quiser adoptar. Só existem duas alternativas: ou se transmite o valor da liberdade, ou endoutrina-se os valores que se considere positivos. Deus nos livre da segunda opção...
A liberdade é o primeiro dos valores, pois permite a adopção de todos os outros. E é este o valor que a Escola deve ensinar, com o objectivo de termos futuros cidadãos livres.
É claro que os professores, as famílias e os colegas formam o resto dos valores de cada um. (Quando falo de liberdade de expressão falo em liberdade de expressão por parte de professores, famílias e sobretudo alunos.)
Além disso, a liberdade leva naturalmente à formação de outros valores, que todos consideramos benéficos. Por exemplo, a responsabilidade. Se for dado ao aluno liberdade e ele aproveitá-la mal, terá as respectivas consequências (algumas inerentes ao acto que o aluno praticou, outras através da aplicação de castigos...). Isso desenvolverá nele o sentido de acto-consequência, levando naturalmente à responsabilidade.
A solidariedade também pode nascer naturalmente da liberdade, pois é um valor humano, espontâneo, inato, mas que precisa de contacto com outros humanos para se desenvolver (é este o único argumento contra as aulas de substituição... e chega para torná-las absurdas).
Outros valores nascem do contacto com a liberdade, e os que não vêm daí, são transmitidos pelos familiares, professores, amigos e meio social em geral. Desde que haja liberdade para os adoptar ou não, tudo bem.
Todos os outros valores não deviam estar em nenhum programa, para que fôssem os alunos a ponderar e adoptar os valores pelos quais querem reger a sua vida.
A minha resposta é: deve estar escrito o valor da liberdade, pois permite adoptar qualquer valor.
Se for dada liberdade de escolha e de expressão, a Escola é neutra, pois permite a adopção dos valores que cada um quiser adoptar. Só existem duas alternativas: ou se transmite o valor da liberdade, ou endoutrina-se os valores que se considere positivos. Deus nos livre da segunda opção...
A liberdade é o primeiro dos valores, pois permite a adopção de todos os outros. E é este o valor que a Escola deve ensinar, com o objectivo de termos futuros cidadãos livres.
É claro que os professores, as famílias e os colegas formam o resto dos valores de cada um. (Quando falo de liberdade de expressão falo em liberdade de expressão por parte de professores, famílias e sobretudo alunos.)
Além disso, a liberdade leva naturalmente à formação de outros valores, que todos consideramos benéficos. Por exemplo, a responsabilidade. Se for dado ao aluno liberdade e ele aproveitá-la mal, terá as respectivas consequências (algumas inerentes ao acto que o aluno praticou, outras através da aplicação de castigos...). Isso desenvolverá nele o sentido de acto-consequência, levando naturalmente à responsabilidade.
A solidariedade também pode nascer naturalmente da liberdade, pois é um valor humano, espontâneo, inato, mas que precisa de contacto com outros humanos para se desenvolver (é este o único argumento contra as aulas de substituição... e chega para torná-las absurdas).
Outros valores nascem do contacto com a liberdade, e os que não vêm daí, são transmitidos pelos familiares, professores, amigos e meio social em geral. Desde que haja liberdade para os adoptar ou não, tudo bem.
Todos os outros valores não deviam estar em nenhum programa, para que fôssem os alunos a ponderar e adoptar os valores pelos quais querem reger a sua vida.
sábado, fevereiro 09, 2008
(com uns dias de atraso) Tema do Mês de Fevereiro: A Escola e os Valores
A Escola é um veículo de transmissão de valores. São transmitidos por manuais, professores, colegas, funcionários etc...Dependendo das épocas, essa transmissão de valores foi mais ou menos explícita, e os próprios valores transmitidos foram-se alterando.
Hoje, temos disciplinas como a Educação Moral e Religiosa, áreas como a Educação Sexual, Formação Cívica e os planos pedagógicos, que muitas vezes também pretendem transmitir valores (o da minha escola é o rigor).
Além disso, em muitos manuais existem valores explicita ou implicitamente transmitidos. Se a isto tudo juntarmos o que dizem professores e colegas, a Escola é uma autêntica metrelhadora de considerações éticas às quais os alunos são expostos, no que isso pode trazer de bom e de mau.
Este é um tema importante para a Escola e determinante para a sociedade. Que valores a escola transmite? Devia transmitir valores? Se sim, quais? Como? Que papel têm os pais na decisão do que deve ser transmitido aos seus filhos?
É isto que tentaremos analisar durante o (que resta do) mês de Fevereiro.
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