segunda-feira, abril 28, 2008

"Lideranças fortes"

Repare-se que o ME não se refere à eficácia ou à qualidade das lideranças. Não: uma liderança tem de ser forte. Isto pode parecer só uma diferença de maneira de dizer, mas não é. Isto incentiva o pequeno poder (o conselho executivo, o conselho geral, os professores titulares...) a exercerem prepotentemente o seu pequeno poder. Isso já está a acontecer em muitas escolas, e com a pessoalização das listas para o Conselho Directivo, acreditem que vai aumentar.

Este espírito da "liderança forte" tem sido aquilo que o governo e particularmente o ME têm andado a pregar. A imagem de "coragem" (no sentido de fazer tudo contra todos), a recusa em se admitir um recuo, o "quem manda aqui sou eu", têm sido imagens associadas a qualidades e não a defeitos. Têm sido exemplos para aplicar nas escolas.

O caminho que foi traçado para a Escola foi este: fim da eleição democrática dos órgãos da escola, pessoalização dos mesmos, para que sejam nomeados pelo poder central, exclusão dos alunos de qualquer influência (ainda que simbólica) nos assuntos da escola, diferentes carreiras para os professores, repressão da actividade sindical (para os professores) e associativa (para os alunos).

Tudo começa por dar mais poder ao pequeno poder, para que este comece a habituar professores e alunos para o que aí vem. A estratégia é boa, e parece estar a resultar.

Para contrariar, fiquem com o descurso de José Soeiro (BE) na comemoração do 25 de Abril.
Parte 1
Parte 2

7 comentários:

Jorge disse...

Está fantástico.
Este é um brilhante retrato do nosso actual ensino. Este país está cada vez melhor!

http://cavalheirosdoapocalipse.blogs.sapo.pt/22266.html

João Fernandes disse...

Colegas,
gostava de deixar um link para um comunicado de imprensa para o qual peço a vossa colaboração na divulgação:

http://ruby.dcsa.fct.unl.pt/moodle/file.php/212/docs/uk/comunicado_de_imprensa_professoras_portuguesas.pdf

Professoras portuguesas em terras de Sua Majestade
Jovens licenciadas seguem carreira de ensino no sistema educativo inglês

Desde 2006, já quatro jovens licenciadas em Ensino de Ciências da Natureza pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCTUNL) se mudaram para Inglaterra, seguindo o sonho de serem professoras de ciências. Uma está actualmente colocada numa escola pública e as restantes estão a preparar-se
para isso.

Inglaterra, 1 de Maio de 2008

Grato pela atenção, subscrevo-me
João Fernandes

Range-o-Dente disse...

Aqui está:

http://fiel-inimigo.blogspot.com/2008/05/chulos.html

.

Range-o-Dente disse...

Baldassare, está salvo. Pode queimar os livros.

A ministra e o BE têm solução:

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=91243

A ministra lembrou-se agora que chumbos são coisa de antes do 25 de Abril.

.

Range-o-Dente disse...

http://fiel-inimigo.blogspot.com/2008/05/democracia.html

Lideranças fortes, utópicas e em democracia total.

jmagalhaes disse...

Sinto-me envergonhado como professor.

Já me tinha cheirado que isto da avaliação dos professores, por tão complicada e confusa que era, acabaria por ser um negócio. Foi assim com as iníquas acções de formação, com os almoços e prendinhas de propaganda dos manuais escolares e assim acabou por ser com a complicada e confusa avaliação dos professores. Custa 200 euros um curso de avaliação para professores administrado pelo Instituto Nacional de Administração.

Que haja esta sensibilidade à iniquidade por parte do Ministério, não estranho. O que estranha é, depois de toda uma contestação a uma avaliação iníqua e injusta, surgir professores que querem frequentar esses cursos.

Mas será que os professores não conseguem definir critérios para avaliar?!.. E precisam de um curso no fim da sua carreira?!... È uma vergonha!!!

MFerrer disse...

Nem valeria pena dizer que o post está repleto de falsidades ou que é de um alarmismo que reconhecemos. Dizer isso é pouco. Há que desmenti-lo pois é desleal e repete mentiras para passar a acreditar nelas:
Liderança forte quer dizer isso mesmo. Que o responsável,eleito entre os professores e que responde perante os pais, a comunidade escolar e civil, pelo projecto da Escola e frente aos seus pares, é um lider com projecto e com responsabilidades a todos os níveis. Disciplinar, organizativo e pedagógico. Será ainda responsável pela autonomia da Escola.
O que é que isto tem a ver com a ausência de democracia? Democracia não é irresponsabilidade e sermos todos iguais, alinharmos todos pelo mínimo denominador comum.
Sim, vai ser precisa corqagem para enfrentar estes atavismos que conduziram a escola pública a um beco sem saída e a resultados inversamente proporcionais aos investimentos dos contrbuintes. Fim da participação dos alunos? Mas se se pede que sejam os pais a envolverem-se mais e mais na escola...e se sobre cada falta, ou negativa dos alunos se passará a considerar um apoio específico, isso não implica maior envolvimento dos alunos? Ou o envolvimento agora"perdido" é o ambiente geral de descrédito na autoridade do professor e da própria escola, a que conduziu osistema d eque alguns já têm tantas saudades? Não é esta visão que produz os efeitos, que vemos nos jornais, de profundo desrespeito por tudo e por todos? As escolas onde os professores, por serem todos iguais, têm medo dos aluno, dos pais e não sentem qq apoio do C. Directivo, tem os dias contados. Como terão acabado as destruições do equipamento escolar. Poque conheço, posso afirmar que havia escola onde durante as aulas os alinos saíam livremente das salas e sem precisar de abrir sequer a porta...que, ou tinha sido arrancada, ou tinha um buraco tão grande por onde se passava...Basta olhar de fora as fachdas da maioria das escolas para entender a profundidade da democracia. Há espíritos maldosos que dizem que o que há é um zero de rigor ou de responsabilidade a todos o sníveis . São pessoas mal intencionadas!
Repressão da actividade sindical? Mas a lei foi alterada? Os professores continuam a ter os mesmos direito e deveres quanto à actividade sindical Não têm é só direitos. Isso não. Até seria bom que os sindicatos da educação fossem isso mesmo: Participassem da vida das escolas e da solução dos seus problemas. O sindicalismo sem responsabilidade e que apenas exige mais e mais do erário público, sem garantir uma escola pública de qualidade ( leia-se com resultados!),anda a cavar a sua própria esquizofrenia.
Tanto alarido só pode explicar-se por medo da avaliação do desempenho. É que esta avaliação vai ter consequências a vários níveis e nomeadamente na própria comunidade.
MFerrer
http://homem-ao-mar.blogspot.com