quinta-feira, abril 17, 2008

Semana pela Democracia

Associações de estudantes do Básico e Secundário promovem Semana pela Democracia

Quanto mais se abre a Escola à "comunidade", mais se fecha à comunidade escolar.

Na minha escola são proíbidas as Reuniões Gerais de Alunos e as manifestações não são autorizadas pelo Conselho Executivo (embora sejam feitas à mesma...)
Mas o pior não é isto. O pior é que, à medida que se tira representatividade aos alunos, dá-se a gente que nada tem a ver com a Escola: os municípios e as empresas.

Já agora, o comunicado . da Associação de Estudantes do Ensino Básico e Secundário alerta para uma coisa: ao passo que o Governo acusa a oposição de aproveitamento político de casos específicos e mediáticos, é o próprio Governo que aproveita estes casos para reforçar a autoridade do professor e reformular a gestão das escolas.

Para uma sociedade democrática é necessário uma escola democrática.

12 comentários:

Range-o-Dente disse...

"O pior é que, à medida que se tira representatividade aos alunos, dá-se a gente que nada tem a ver com a Escola: os municípios e as empresas."

Os bébés são a pura irresponsabilidade, as crianças absolutamente irresponsáveis e os adolescentes altamente irresponsáveis.

"Para uma sociedade democrática é necessário uma escola democrática."

O Baldassare está a falar de quê?

.

baldassare disse...

Estou a falar de dar mais poder e demonstrar mais respeito pelas associações de estudantes.
Muitas associações de estudantes (eu diria uma grande maioria) são responsáveis e conseguem representar a vontade dos alunos (ou não fôssem elas eleitas pelos alunos). Essa representação está reduzida a três elementos, numa assembleia de escola de uma escola secundária. Os alunos, tendo em conta o seu papel na Escola, estão subrepresentados. Com estes novos modelos, as câmaras municipais, tendo em conta o seu papel na Escola- que não é praticamente nenhum- estarão sobrerepresentadas.

Se começamos a habituar os futuros cidadãos a encarar o voto como algo superficial e fútil, é natural que a abstenção suba (isto para não falar dos votos sem reflexão, baseados no grafismo dos outdoors...).

Range-o-Dente disse...

"Estou a falar de dar mais poder e demonstrar mais respeito pelas associações de estudantes."

O tal PODER que o Baldassare acha que não deve ser dar aos professores? Se bem me lembro acha que é de lhes atribuir mais responsabilidades mas não dar poder.

"Se começamos a habituar os futuros cidadãos"

Falamos de futuros cidadãos que é suposto virem a ter represntatividade e puder. Não é suposto terem-na agora. Por isso não são ainda cidadãos de pleno direito.

Que determinadas forças política (e outros tipos de forças) prometam o absurdo, é verdade. Mas é apenas verdade que prometem o absurdo, o absurdo não se torna verdade por ser prometido.

A única coisa que se vai tornando verdade é que alunos, como o Baldassare, acreditam no absurdo.

.

Range-o-Dente disse...

Ora cá está:

"Não percebo a "relação pedagógica de poder e autoridade"... "Poder" para quê? Não basta aos professores Autoridade? A autoridade é essencial, mas a autoridade é conseguida pelo respeito, pela postura e pela maneira de dar aulas... não pelo "poder", como no tempo do fascismo!"

http://educacaocor-de-rosa.blogspot.com/2007/03/ministra-fala-nao.html

Nesta altura, o Baldassare dizia que ter poder era coisa fascista. Agora, reclamando poder para Associações de Estudantes já não é coisa fascista?

Se calhar aprendeu qualquer coisa, mas parece que ainda é curto.

.

Range-o-Dente disse...

http://videos.sapo.pt/0kzbWM4RFI4oeJZ0dcAN

.

baldassare disse...

Quando se transfere poder da comunidade escolar para a "sociedade civil" (a câmara municipal), sim, sou pelo poder dos alunos e dos professores.

Não fui eu que mudei, foi o panorama. Agora a questão já nem é professores e alunos, mas sim comunidade escolar e municípios.

Quanto ao poder... quando se fala em poder para os profesroes é o poder de se dar a aula como se quer, e não como estabelecem o programa, as normas pedagógicas e a realidade da turma. Quando falei em dar mais poder aos alunos, na assembleia de escola, quero dizer mais representatividade, para que os alunos tenham mais influência nas decisões da escola, como organização de eventos, regulamento interno, ...
Há uma diferença entre "dar poder" e "dar mais poder". Dar poder é delegar funções, dar margem de manobra, librdade de método. No caso da representação em AE é dar mais lugares, mas não a maioria...
É muito diferente...

É a favor do fim de qualquer representação dos alunos nas decisões de cada escola?

Range-o-Dente disse...

Baldassare, o disparate ganha vida ...

"Não fui eu que mudei, foi o panorama."

O panorama, para si, muda sempre que lhe der jeito, ou melhor, as suas certezas mudam conforme elas se adequarem, ou não, ao que quer, caso a caso. Ontem negava o poder aos professores porque era coisa salazarista, hoje quer dar poder aos alunos porque é progressista, amanhã deturpa a democracia ou a liberdade porque o Baldassare tem um qualquer desígnio que se sobrepõe a tudo e todos. Salazar era igualzinho.

"Há uma diferença entre "dar poder" e "dar mais poder"."

Não há diferença nenhuma. Dar poder é sempre dar mais poder. Dar poder é dar poder, tirar poder é tirar poder. Voltou a escorregar-lhe a pata para a ferradura (evitando a fórmula habitual, que ao Baldassare cheira a coisa Salazarista, 'o pé para a achinela').

"É a favor do fim de qualquer representação dos alunos nas decisões de cada escola?"

Os alunos não devem ter qualquer poder nas decisões de cada escola, como não deve ter a comunidade exterior à escola (abstraindo, neste último caso, assuntos referentes manutenção, etc).

Range-o-Dente disse...

"Quanto ao poder... quando se fala em poder para os profesores é o poder de se dar a aula como se quer, e não como estabelecem o programa, as normas pedagógicas e a realidade da turma."

Os professores (não necessariamente cada um) devem ter o poder de dar a aula como entendem respeitando o programa e devem despejar as normas pedagógicas reinantes (lixo) pela janela.

A generalidade (aparentemente) dos professores concorda com as normas em vigor e isso explica o pantanal em que nos encontramos.

Já agora repare em mais um disparate seu:

"e não como estabelecem o programa, as normas pedagógicas e a realidade da turma."

Então, em que ficamos? Deve dar conforme estabelecem as normas pedagógicas ou em função da realidade da turma?

.

baldassare disse...

Das normas pedagógicas, que estipulam uma adaptação a cada turma. Essa adaptação não é feita conforme o professor quer... se o professor achasse que era adaptável à turma desatar ao murro aos alunos, não o pode fazer.
Quanto a métodos de ensino, os professores têm de se sujeitar às regras pedagógicas. Pena é que uma parte dos professores nunca tenha tido nenhuma formação pedagógica.

E não me diga que não percebe a diferença entre o poder coercivo do professor e dar mais representação aos alunos na AE, que é exercido num quadro de diálogo. Quando o ME fala em "poder dos professores", "lideranças fortes" ... , não se está a referir de todo a diálogo, ao passo que quando se fala em dar mais poder às Ass.Estudantes é apenas considerar que os alunos devem ter alguma (não toda) influência nas decisões da escola.

Range-o-Dente disse...

"Das normas pedagógicas, que estipulam uma adaptação a cada turma. "

O professor tem que ter o poder de decidir por qualquer variante. Tem que ter poder.

"E não me diga que não percebe a diferença entre o poder coercivo do professor e dar mais representação aos alunos na AE, que é exercido num quadro de diálogo."

Não há poder que não seja coercivo, ou então não é poder. Pode ter-se poder e não o querer exercer, mas isso é outra história. Quando se tem poder é suposto que seja exercido.

Dar poder de representação, como o Baldassare o pretende pintar, não é dar poder. É vestir alguém de espantalho.

"que é exercido num quadro de diálogo"

Pois evidentemente, diz muito bem, "exercer". Exercer o poder é exercer o que quem de direito decide dentro dos limites de poder que lhe são conferidos (por isso se diz quem 'de direito'). A história do "quadro de diálogo" é apenas um pó-de-arroz que pretende dar a impressão que não se trata de poder (puro e simples, não há outro).

O Baldassare pretende que qualquer poder que assista ao professor seja necessariamente salazarista. Se for ao aluno, seja apenas exercido num quadro de diálogo.

A "pedagogia" vigente é um monte de lixo que suporta coisas girinas como as tiradas do Baldassare.

.

Range-o-Dente disse...

"Essa adaptação não é feita conforme o professor quer... se o professor achasse que era adaptável à turma desatar ao murro aos alunos,"

Naturalmente. Como não se espera que os alunos, ou o representante deles, vá às reuniões em que de direito tenha (ou não) poder, para defecar em cima da mesa.

.

Range-o-Dente disse...

A propósito de defecar, já alguma vez o Baldassare participou numa 'prova' para ver quem 'ventilava' mais?

Podiam até fazer-se eleições para ver quem, entre as várias turmas de ventileiros, melhor representaria os oprimidos nos diversos conselhos de escola.

Já me foram reportados casos desses. E, evidentemente que os professores foram incompetentes a lidar com o 'caso', porque a forma apropriada seria, evidentemente, chibatada no lombo.

.