segunda-feira, dezembro 01, 2008

quarta-feira, novembro 26, 2008

E se Obama fosse africano, por Mia Couto

"Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África. Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós.

Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão:habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos
respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.
Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes
africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa?

Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo. Foi então que me chegou às mãos
um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: " E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto. E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?

1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se
tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos
Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.

2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos
Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia. 3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu
próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o
nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.

4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).

5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas tantasvezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.

6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos.. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em
infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores. Inconclusivas conclusões.

Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte. Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos. A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama.

Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa. Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público. No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África.

Nomesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a
desistência e o cinismo. Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia."

terça-feira, julho 15, 2008

domingo, junho 01, 2008

domingo, maio 11, 2008

Há imagens que valem mil palavras...


Hoje confesso que fiquei confuso com a 1ª página do PÚBLICO.

Primeiro pensei que a imagem ilustrava o título maior, a propósito da grande mama dos presidentes da câmara... Isso é que é mamar!

Depois percebi que a imagem era sobre uma coisa que vai abrir em Lisboa para os que precisam de mama. Será porque a câmara de Lisboa é de tão alta rodagem que não permite as reformas que os outros já asseguraram?

E se as "meninas casadas à força começam a pedir divórcios", nós que nos casámos com isto de livre vontade, do que estamos à espera?

Porque hoje é domingo - A 3D Exploration of Picasso's Guernica

segunda-feira, abril 28, 2008

"Lideranças fortes"

Repare-se que o ME não se refere à eficácia ou à qualidade das lideranças. Não: uma liderança tem de ser forte. Isto pode parecer só uma diferença de maneira de dizer, mas não é. Isto incentiva o pequeno poder (o conselho executivo, o conselho geral, os professores titulares...) a exercerem prepotentemente o seu pequeno poder. Isso já está a acontecer em muitas escolas, e com a pessoalização das listas para o Conselho Directivo, acreditem que vai aumentar.

Este espírito da "liderança forte" tem sido aquilo que o governo e particularmente o ME têm andado a pregar. A imagem de "coragem" (no sentido de fazer tudo contra todos), a recusa em se admitir um recuo, o "quem manda aqui sou eu", têm sido imagens associadas a qualidades e não a defeitos. Têm sido exemplos para aplicar nas escolas.

O caminho que foi traçado para a Escola foi este: fim da eleição democrática dos órgãos da escola, pessoalização dos mesmos, para que sejam nomeados pelo poder central, exclusão dos alunos de qualquer influência (ainda que simbólica) nos assuntos da escola, diferentes carreiras para os professores, repressão da actividade sindical (para os professores) e associativa (para os alunos).

Tudo começa por dar mais poder ao pequeno poder, para que este comece a habituar professores e alunos para o que aí vem. A estratégia é boa, e parece estar a resultar.

Para contrariar, fiquem com o descurso de José Soeiro (BE) na comemoração do 25 de Abril.
Parte 1
Parte 2

sexta-feira, abril 25, 2008

quinta-feira, abril 17, 2008

Semana pela Democracia

Associações de estudantes do Básico e Secundário promovem Semana pela Democracia

Quanto mais se abre a Escola à "comunidade", mais se fecha à comunidade escolar.

Na minha escola são proíbidas as Reuniões Gerais de Alunos e as manifestações não são autorizadas pelo Conselho Executivo (embora sejam feitas à mesma...)
Mas o pior não é isto. O pior é que, à medida que se tira representatividade aos alunos, dá-se a gente que nada tem a ver com a Escola: os municípios e as empresas.

Já agora, o comunicado . da Associação de Estudantes do Ensino Básico e Secundário alerta para uma coisa: ao passo que o Governo acusa a oposição de aproveitamento político de casos específicos e mediáticos, é o próprio Governo que aproveita estes casos para reforçar a autoridade do professor e reformular a gestão das escolas.

Para uma sociedade democrática é necessário uma escola democrática.

quarta-feira, abril 02, 2008

Dois vídeos



e



Vejam mais no site dos Incorrigíveis, manifestamente melhor assim do que com apenas dois comediantes por semana...

Desde segunda-feira

já ouvi aí uns 4574 professores dizerem "se fôsse comigo levava logo uma chapada".
Também ouvi (isto só uma vez) que a turma tinha de ser toda expulsa, pois não tentaram resolver a situação (mesmo que isso fôsse verdade, não sabia que éramos obrigados a ser boas pessoas. nem boas pessoas com tomates...). De referir que essa professora deu como exemplo "se virem um pessoa com mais autoridade a levar - por exemplo um polícia a levar de um gatuno - têm que ir lá ajudá-lo, não é!"

segunda-feira, março 31, 2008

Novo vídeo de Björk

Saiu finalmente o novo vídeo de Björk, para o tema Wonderlust, realizado pelos Encyclopedia Pictura. O vídeo foi gravado em 3D com uma mistura de animação digital, modelos em tamanho real de plasticina e, claro, Björk...

sexta-feira, março 28, 2008

Gostava de ter escrito isto:

Vítor Dias, no blogue O Tempo das Cerejas:

"Ontem, na Quadratura do Círculo
O velhíssimo truque

Ontem, na "Quadratura do Círculo", na SIC Notícias, apenas com a participação de Pacheco Pereira e Jorge Coelho discutiram-se fundamentalmente dois assuntos : a liberalização dos horários de comércio, sobretudo a abertura ao domingo reclamada pelos hipermercados e a questão da violência e autoridade nas escolas a propósito do recente e conhecido caso, aliás infindávelmente falado e com a repetição do famoso vídeo até à exaustão ( e «banalização» como muito bem disse Pacheco Pereira).
Repare-se agora no que aconteceu : em matéria de liberalização dos horários dos supermercados (designadamente a sua abertura ao domingo) tanto Pacheco Pereira como Jorge Coelho, cada um no seu estilo, teceram loas a esta possibilidade, sublinharam o enorme apoio que conta entre os consumidores e enfatizaram o seu apoio a tudo o que represente uma maior liberdade para estes e uma maior adequação às suas conveniências ou apetências. Jorge Coelho, referindo-se aos trabalhadores do sector, deu-se mesmo ao luxo de invocar que há muitos sectores sujeitos a horários especiais (ele falou mesmo em serviços de 24 horas) exquecendo-se entretanto da distinção que importa fazer entre serviços públicos essenciais à vida da comunidade (transportes, hospitais, energia, etc) e horários de consumo. E tudo isto e muito mais que disseram não impede que, um dia destes noutra onda, possam convictamente verberar o excesso das derivas consumistas depois de ontem quase terem proclamado a legitimidade de uma espécie de «ditadura dos consumidores» sobre todos os outros valores e interesses. E já que falaram da petição, posta a circular nas grandes superfícies pelos seus donos, e que teria recolhido 250 mil assinaturas, então eu sinto vontade de contar o caso de um amigo meu que, convidado pela caixa de um hipermercado a assinar a petição, se recusou e teve a grata recompensa de receber um sorriso de simpatia e agradecimento da referida empregada.
Entretanto, logo de seguida, Pacheco Pereira e Jorge Coelho (e o moderador Carlos Andrade) passaram ao tema da violência nas escolas e aí, entre muitos outros aspectos, ambos não deixaram de referir como muitas mudanças (relativas ao emprego, aos transportes, aos horários, a feminização da mão-de obra etc.) que vêm de trás modificaram poderosamente as condições para os pais acompanharem devidamente a educação dos seus filhos e o seu comportamento e atitudes na escola.
E a nenhum dos dos dois passou pela cabeça por um segundo que o que tinham dito sobre a liberalização dos horários das grandes superfícies só podia via a agravar, em certa escala e pelo menos quanto aos e às profissionais do sector, o fenómeno que, passados uns minutos, estavam a reputar de muito influente nas situações de indisciplina e outras das escolas.
Bem vistas as coisas, o que ontem aconteceu na "Quadratura do Círculo" foi pura e simplesmente mais uma manifestação de um velhíssimo truque usado por algumas forças políticas (designadamente o PS e o PSD), órgãos de soberania e incontáveis personalidades: ou seja, sempre lamentarem as consequências e contra elas inflamadamente protestarem e sempre generosamente absolverem as causas que as provocam."

quarta-feira, março 26, 2008

Por isto é que eu digo... mandem-nos para a rua!

O vídeo da disputa do telemóvel já foi falado e re-falado. Já serviu para aproveitamento político e para muita demagogia e generalização. Até já deu negócio.

Eu acho que os professores deviam usar mais frequentemente o mandar para a rua como método de evitar estas cenas deploráveis. O aluno é avisado, se volta a abusar simplesmente sai e assim só se prejudica a si próprio, e não aos outros todos. Prejudica-se na matéria que não vai aprender e prejudica-se no número de faltas injustificadas, e possivelmente com processo disciplinar. Mas entretanto, deixa os outros ter a aula...

Mais do que autoridade, falta aos professores credibilidade perante os alunos. Quando há professores que avisam três ou quatro vezes numa aula que mandam o aluno para a rua e nunca o fazem, os alunos deixam de acreditar.

O ir para a rua devia ser o normal para alunos que estão a prejudicar o decorrer da aula, e isto sem nenhum drama. O aluno prejudica, o aluno sai, a aula continua.
Mandar o aluno para a rua é muito mais lógico do que tirar-lhe o telemóvel ou outros métodos que vão, em vez de devolver serenidade à aula, aumentam a tensão.

Eu sei que nos dias de hoje isto vai soar demasiado politicamente correcto para a ditadura do politicamente incorrecto que se instaurou na blogosfera. Vai parecer que eu estou a fazer o jogo do "coitadinha da aluna, que a culpa é da sociedade". Não. A aluna tem culpa e deve ser punida, isso nunca esteve em causa. O que eu estou a dizer é que, se a professora a tivesse mandado para a rua, em vez de lhe tirar o telemóvel, tudo isto se tinha evitado.
E quantas aulas "perdidas" não seriam "perdidas" se houvesse menos burocracia e mais vontade de expulsar da aula quem a perturba...

P.S.: A professora em causa estava numa situação de stress, onde já era difícil agir racionalmente e mandar saír a aluna. O problema é quando temos professores e muita opinião pública e publicada, em sangue frio, a aplaudir a professora. Ou seja, temos muitos professores que numa situação daquelas fariam o mesmo, em vez de mandar a aluna para a rua... é disso que o post trata.

sábado, março 22, 2008

Notícias do Tibete

Recebido por email, de um colega de Torres:
---------- Mensagem encaminhada ----------
From: MIGUEL SACRAMENTO
To:
Date: Fri, 21 Mar 2008 09:30:06 -0800
Subject: URGENTE - NOTICIAS DO TIBETE
Namaste (ou Bom Dia) Caros Amigos,
Acabei de chegar a Kathmandu no Nepal.
Conseguimos sair ha 7 dias de Lassa, no Tibete (um autêntico cenário de guerra). Arranjamos um Land Cruiser e percorremos toda a Friendship Highway, cruzando os Himalaias e fazendo uma escala obrigatória no Everest Base Camp.
Foi uma das viagens mais espectaculares que já fiz, mas ao mesmo tempo uma das mais complicadas e tristes da minha vida.
Fomos o último grupo de estrangeiros a conseguir sair de Lassa sem sermos enviados de volta de avião e também os únicos a conseguir a licença (missão quase impossível) entrar no Everest Base Camp.
A minha viagem ao Tibete deixou-me um sabor muito amargo na boca. Se por um lado realizei um sonho de infância, estar na base do Everest (ainda não foi desta que fui lá cima), por outro, pude ver ao vivo com os meus próprios olhos o medo com que o Povo Tibetano vive e a brutalidade que o governo chinês usa para os controlar, silenciar e oprimir. Para nós, alem de violento psicologicamente, tornou-se mais complicado porque acabou por se saber que Eu e a Clara fomos as duas únicas testemunhas do princípio de tudo (no mosteiro de Drepung, onde estávamos no dia 10 de Março, por acaso). Ficamos imediatamente controlados pela polícia ao ponto de, a caminho para o Nepal, nos dizerem que estávamos presos no hotel. O nosso mail e telefone ficaram, também, imediatamente controlados e as nossas maquinas fotográficas bem inspeccionadas.
Vimos a maior violência policial que podem imaginar, sobre pessoas desarmadas. Não vimos ninguém morrer, mas sabemos que muitos dos monges com quem estivemos durante todo o dia 10 morreram depois, nesse mesmo dia.
A situação que se vive no Tibete é verdadeiramente séria e complicada e testemunhámos pessoalmente situações muito graves e violentas.
Durante estes últimos dias, na viagem de Lasa-Everest-Kathmandu, fomos completamente controlados pelos policias e militares chineses.
No Tibete, como no resto da China, toda a informação é controlada e censurada. Por isso só agora pude enviar este mail.
Peco-vos um grande favor, divulguem o que se está a passar no Tibete a todos os vossos contactos.
A constante violação dos direitos humanos pelas autoridades chinesas, a propaganda, e a manipulação de toda a informação, é algo de inacreditável para nós Portugueses do pós 25 de Abril.
Os Tibetanos, como um dos povos mais pacíficos, acolhedores e generosos que já conheci, merecem ser Livres e Felizes!!!
Volto a referir: por coincidência, estávamos no Mosteiro de Drepung, precisamente no local e hora a que tudo começou e assistimos pessoalmente à forma como os militares chineses trataram os monges que apenas queriam celebrar, pacifica e ordeiramente, o 10 de marco - o mesmo dia em que no ano de 1959 os militares chineses assassinaram centenas de pessoas que se manifestavam pacificamente na praça principal de Lassa pela falta de liberdade de expressão e violação contínua dos Direitos Humanos pelo governo chinês.
Devido aos cortes de energia, tenho muito pouco tempo e a ligacao à net está também muito complicada. Mais tarde contarei mais pormenores,
Muito obrigado pela atenção e também pelos vossos mails e comentários no nosso blog.
Espero que esteja tudo bem com vocês. Nós estamos muito bem, ao contrário dos Amigos que deixámos no Tibete.
Grande Abraço e Beijos
Miguel

--
Miguel Sacramento

www.historiasdomundo.blogspot.com
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sexta-feira, março 21, 2008

Telemóveis fora das escolas, já!

A 8 de Dezembro de 2006, num post a propósito da proibição dos telemóveis nas escolas da Grécia (Grécia proíbe telemóveis nas escolas), perguntava-me o seria preciso acontecer por cá para alguém com tomates tomar a mesma medida.

Parece que não chega a "brutalização de uma professora" e os piercings são certamente uma ameaça mais séria para a segurança pública.

Lá teremos que esperar mais um pouco pela violação. Ainda bem que não tenho filhas...

segunda-feira, março 17, 2008

Até quando?

Os funcionários públicos que solicitem a licença extraordinária para trabalhar no sector privado vão manter o direito ao sistema de saúde ADSE. A informação é avançada pelo Diário de Notícias, que cita um despacho assinado pelo secretário de Estado da Administração Pública.

Esta lei tem como objectivo incentivar a saída de pessoas do sector público, que passam a poder continuar a beneficiar da ADSE.
O que muitos funcionários estarão a pensar é "Sim senhora, boa medida. Mas até quando é que esta licença extraordinária vai manter-se ?"

O Estado, quando a onda era contratar e não despedir funcionários públicos, prometeu segurança social, progresão automática, reformas mais cedo, entre outros. Era essa a vantagem do sector público em relação ao sector privado. O sector privado oferecia possibilidade de se subir mais na carreira, mas tinha mais riscos. O sector público pagava menos, mas dava mais segurança.

O Estado mentiu. Mexeu nos projectos das pessoas, a meio das carreiras, rompendo o laço de confiança que fazia do Estado uma "pessoa de bem". Por isso agora é normal haver desconfiança em relação ao que o Estado diz. Esta lei parece atractiva, mas nada garante que não seja desrespeitada daqui a uns anos, até por governos da mesma cor política.

É este um dos males das políticas que mudam contratos a meio do seu cumprimento: deixa de haver confiança em tudo o que o Estado disser ou assinar.

Pior ainda é quando parece que a lei já foi feita a pensar na sua futura anulação.

sexta-feira, março 14, 2008

Alistarem-se, diziam eles...

Via Jumento, para ler na íntegra:

"Oferta de emprego para um arquitecto:

Oferta de emprego para operador de supermercado:

Vale a pena consultar as ofertas de emprego no Instituto de Emprego, deixo aqui duas para se meditar o estado a que chegou a economia portuguesa. Quase aconselho os licenciados a irem para as novas Oportunidades, sempre ganham um computador barato e ainda poderão encontrar um emprego remunerado com menos desrespeito do que aqueles que conseguem encontrar mostrando um diploma universitário.

Às vezes tenho vergonha de ser português!"

Encontrada a solução para a relação dos professores com a ministra

"O Divórcio na Hora (www.divorcionahora.com/) consiste num requerimento electrónico de divórcio que permita a dois cidadãos regularmente casados pela lei portuguesa requerer a qualquer conservatória de registo civil o seu divórcio por mútuo consentimento, outorgando-o por via electrónica e fazendo uso das tecnologias já existentes e do CC (Cartão do Cidadão), tendo igual valor legal que o requerimento em papel com aposição das assinaturas pelo próprio punho."

terça-feira, março 11, 2008

Caiu o argumento contra os Exames

O principal argumento contra os exames nacionais é que o estudante tem a sua vida decidida em 2 horas. Pois esse argumento caiu por terra: agora o estudante tem a sua vida decidida em 3 horas.

A avaliação dos alunos deve ter uma grande componente de avaliação nacional. Só assim é possível avaliar com objectividade as competências objectivas. Cabe ao professor avaliar as "outras competências"...
Mas realmente, a avaliação nacional como hoje está feita não é justa. Um exame nacional não sintetiza o trabalho de três anos. Um exame nacional único não mostra necessariamente o que o aluno sabe. Existe naquelas escassas horas de exame muito stress e responsabilidade que desvirtuam a justeza desta avaliação. Imagine-se um aluno de fracos recursos, que sabe que se não tiver nota para entrar para a universidade deixa de poder ir à escola. O peso que este aluno tem sobre as costas pode influenciar muito a sua prestação.
Reconheço que desta maneira, a avaliação nacional restringe a formação e hipoteca o futuro de uma grande parte da população.

Assim sendo, devemos abandonar a ideia da avaliação nacional? Não, pois esta é a mais justa e a mais objectiva.
Uma boa solução seria integrar o exame na avaliação contínua. Ou seja, fazer mais exames ao longo do percurso escolar. Isto não só tiraria peso a cada exame, sendo este distribuído por várias provas, como permitiria que o aluno soubesse mais especificamente qual a matéria onde o exame incide. Estudar para um exame com matéria de 2 ou 3 anos é apostar naquilo que achamos que vai sair. É impossível saber tudo, logo vai-se pela sorte.

Por exemplo, porque não em cada período haver um teste feito pelo professor e um exame nacional a valer a mesma percentagem da nota em todas as escolas?
Já existem os testes intercalares, que são uma preparação para o exame, e que podem ser considerados na nota final consoante cada professor quiser. Podem haver professores que não lhe dêem cotação nenhuma, como podem haver professores que o considerem 70% da nota do trimestre.
Mas o que eu quero é que se defina uma igual percentagem a atribuir a estes mini-exames. E quero mais: quero que, visto que a nota de fim de período teria ponderada a avaliação nacional, esta contasse para a entrada na Universidade.

Essa é outra questão: actualmente na maioria das universidades só é contada a nota do exame. Então, que motivação é que isso dá aos alunos do secundário? Ai eu ando aqui três anos só para ter avaliação superior a 10? Só me vale a nota do exame para entrar na Universidade?
Aqui está outro argumento a favor da avaliação nacional contínua: dá motivação ao aluno durante os anos lectivos e dá utilidade às notas de fim de período e de fim de ano, pois estas passam a ter uma componente objectiva e efectivamente útil na entrada dos alunos na universidade.

A avaliação nacional contínua, ponderada com uma avaliação feita pelo professor e com um exame nacional final com menos peso (para se saber o que ficou no aluno da matéria do 10º, por exemplo), responde à necessidade de uma avaliação que seja nacional e objectiva onde se pretende avaliar conhecimentos nacionais objectivos, subjectiva onde se pretende avaliar competências subjectivas, e que seja contínua de modo a ser mais justa. Quanto às percentagens a atribuir a cada critério (avaliação nacional contínua, avaliação pelo professor e exame nacional final), isso cabe ao ministério e ao GAVE, mas penso que a componente nacional da avaliação nunca devia ser inferior a 50% da nota de fim de ano e da nota de entrada na universidade. 50% no mínimo...

Agora, sinceramente, um exame único de 3 horas deve ser para deixar os alunos em transe e a espumar da boca... Nem quero pensar nisso...

segunda-feira, março 10, 2008

100 mil na rua

E só Camacho é que se demitiu!
Hombre! Podias ficar, não era contigo!
Mas já que te vais, podes levar a Milú!

sábado, março 08, 2008

A falta de descaramento

No momento exacto em que os professores estão a ter imensas e prolongadas reuniões sobre o processo de avaliação, a ministra diz que "muitos professores não sabem do que estão a falar".
São completamente competentes para, sem nenhuma formação, avaliarem pares, mas são uns estúpidos que não percebem o que estão a ler horas a fio...

Esta afirmação é um insulto maior que qualquer lei. Insulta os professores na sua inteligência, numa tentativa de retirar legitimidade à manifestação e aos protestos dos professores. É política baixa.

Se a ministra pode insultar os professores eu também posso difamá-la e insultá-la: Maria de Lurdes Rodrigues só faz estas medidas porque detesta os professores, pois era uma péssima aluna, que já em criança bebia vinho de pacote. 'Tá bem que perdi toda a legitimidade do post, mas irra que soube bem!

Parafraseando Luís Delgado:

A tábua mais rija é a primeira a partir.

Indignados!


É hoje: Get Up, Stand Up

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Faltam 9 dias

8 de Março
Manifestação Nacional de Professores
Lisboa, 14h30, M.Pombal

terça-feira, fevereiro 26, 2008

O debate

Então, os professores desta casa não viram o debate???

Bem... eu vi-o todo e fiquei a dormir no sofá. Hoje até dormi uma sesta para "acabar a noite", coisa que já não fazia desde o verão...
Eu vou analisar a coisa como um adepto de um clube analisa o jogo da sua própria equipa (que é a equipa que está contra a ministra, diga-se de passagem).

De quem eu gostei mais na equipa: Sindicatos e Professora Fernanda Valez. Eu sei que é inadmissível não vir para aqui dizer que os sindicatos estão mortos. Mas na verdade não estão. Foram muito mais oportunos que o "Movimento Cívico" que lá estava.
A FenProf foi a que argumentou melhor contra o sistema de avaliação, e veio com material do qual a Ministra não estava à espera (acho estranho que ela não soubesse... se calhar não lhe deu jeito saber...).
O último sindicalista, não me lembra o nome nem o sindicato, o que disse que o Novo modelo de gestão ia reforçar a centralidade do sistema, também falou muito bem.
Portanto, temos Mário Nogueira da FenProf a ser o melhor da sala a argumentar contra o sistema de avaliação, e [esse tal que não me lembra o nome, mas que era o último... estão a ver?] a ser o melhor em relação ao NMGE (já merece uma sigla!).

Porque é que estes foram os melhores? Por causa da resposta falaciosa da ministra. Mário Nogueira diz que o sistema de escolha dos professores titulares não avalia necessariamente os melhores, pois os titulares não são os que dão melhores aulas, mas os que "fazem mais coisas giras"... Como é que MLR responde? Tenta pôr na boca do Mário Nogueira que os titulares são os piores professores, quando não foi isso que ele disse. Ele disse é que este sistema não permeia em teoria os professores que dão melhor as aulas, mas sim os que andaram em mais conselhos e direcções.
A ministra podia ter respondido "Pois, mas o objectivo é encontrar líderes e não óptimos educadores". Era mais honesto, porque é essa a realidade. Mas aí caía a suposta justeza desta avaliação.
Além disso, quando ela vem com "O problema aqui não é financeiro", toda a gente ficou "Nããã... que ideia!"
Quanto ao NMGE, [o tal sindicalista... porra, alguém me sabe dizer o nome dele?] diz que, sendo a direcção máxima da escola unipessoalizada, há mais dependência em relação ao poder central ministerial, e não mais autonomia, como se quer fazer passar. E vai daí, MLR responde "O Director é naturalmente dependente do ME" Tudo bem! Agora não me venham é falar de autonomia, e depois dizer frases destas...
Ainda quanto ao NMGE faltou lá quem dissesse "nós não queremos autonomia das escolas. O problema da educação não é a gestão escolar, e o actual modelo de gestão tem dado bons resultados."

O 3º melhor titular foi a professora Fernanda Valez. Deu a carne para canhão, para poder dizer aquilo que todos os professores pensam: "Senhora Ministra, Você é uma Vaca". Não o disse assim, mas disse que ela não tinha perfil, que ela conseguiu unir os professores contra ela, e mais uma data de críticas de maneira abrupta e à bruta!

De resto, muito mal o gajo da t-shirt. Não é só a maneira como disse. É o que disse. O facilitismo não era o tema. Os sindicatos "burocratas" não eram o inimigo. Valeu-lhe a frase "a ministra mente com cara de verdade". Mas perfiro muito mais a serenidade com que a professora Valez atacou. Quanto ao nosso professor do ano, foi usado sempre pela moderadora como água para a fervura. Mas água que ainda assim está morninha, mas que quando lhe perguntam de quem é a culpa vem-se com o "é de todos".
É claro que a maioria dos professores adorou estas duas figuras. O do professor revoltado que "coitado, faltou-lhe a expressividade" e o do professor veterano que era "um sabichão das grécias" (pelo menos os professores com os quais eu falei). Aos sindicatos, já os professores não ligam. A malta quer é "movimentos", greves convocadas por SMS, espontaniedade e nada de burocracias. Os sindicatos são uns chulos, as greves já ningué as faz, as negociações são cedências. Agora, já nem a formação se faz nos sindicatos, por isso de que é que eles valem?... Com essa lógica, a situação dos professores vai ficar ainda pior. É necessário tecnocratas, burocratas, gente chata e com gravata para poder negociar e fazer lobby com o governo. Sim, lobby, meus medricas! Pressão, greves de 15 dias, processos no tribunal, causar 3000€ de prejuízo ao estado!

Meus amigos professores: deixem-se de "movimentos" ou de revoltas sem consequências. Os sindicatos provaram ontém que não há MLR ou Fátima Campos Ferreira que tire razão à causa dos professores. São os melhores a estudar os dossiês, logo são os melhores a argumentar. São os mais burocratas, logo são os que conseguem achar falhas numa lei injusta. São os mais serenos, logo são os que conseguem melhores resultados. São os mais organizados e estruturados, logo são os que conseguem juntar mais professores na luta. São os burocratas que os professores precisam para defender os seus direitos. Eu disse direitos? Então emendo: os seus interesses.
Não tenham medo de estruturas, de burocracias, de chavões. Um movimento é muito mais giro e bonito, mas não vos leva a lado nenhum. Sejam burocratas, lobistas, interesseiros, corporativistas, porque se não, tiram-vos tudo.

domingo, fevereiro 24, 2008

A Escola e os valores

A Escola é uma instituição social. Como tal, é natural que transmita valores. Mas será que esses valores devem estar explícitos no programa oficial?
A minha resposta é: deve estar escrito o valor da liberdade, pois permite adoptar qualquer valor.
Se for dada liberdade de escolha e de expressão, a Escola é neutra, pois permite a adopção dos valores que cada um quiser adoptar. Só existem duas alternativas: ou se transmite o valor da liberdade, ou endoutrina-se os valores que se considere positivos. Deus nos livre da segunda opção...

A liberdade é o primeiro dos valores, pois permite a adopção de todos os outros. E é este o valor que a Escola deve ensinar, com o objectivo de termos futuros cidadãos livres.

É claro que os professores, as famílias e os colegas formam o resto dos valores de cada um. (Quando falo de liberdade de expressão falo em liberdade de expressão por parte de professores, famílias e sobretudo alunos.)

Além disso, a liberdade leva naturalmente à formação de outros valores, que todos consideramos benéficos. Por exemplo, a responsabilidade. Se for dado ao aluno liberdade e ele aproveitá-la mal, terá as respectivas consequências (algumas inerentes ao acto que o aluno praticou, outras através da aplicação de castigos...). Isso desenvolverá nele o sentido de acto-consequência, levando naturalmente à responsabilidade.
A solidariedade também pode nascer naturalmente da liberdade, pois é um valor humano, espontâneo, inato, mas que precisa de contacto com outros humanos para se desenvolver (é este o único argumento contra as aulas de substituição... e chega para torná-las absurdas).

Outros valores nascem do contacto com a liberdade, e os que não vêm daí, são transmitidos pelos familiares, professores, amigos e meio social em geral. Desde que haja liberdade para os adoptar ou não, tudo bem.

Todos os outros valores não deviam estar em nenhum programa, para que fôssem os alunos a ponderar e adoptar os valores pelos quais querem reger a sua vida.

Mas, afinal, quem pôs o SMS a circular?


Não sabemos quem foi.
Fomos todos.

Porque hoje é domingo - How to View the World 80x Slower

sábado, fevereiro 23, 2008

"Alistarem-se, diziam eles..:"


Estudo "A procura de emprego dos diplomados com habilitação superior", divulgado ontem pelo Ministério da Ciência e Ensino Superior, dá a indicação (para a maioria da população) do curso e escola que frequentaram.
  • "Globalmente, em Dezembro de 2007, estavam registados nos centros de emprego 39.627 diplomados do ensino superior, o equivalente a 4,5 por cento da população entre os 15 e os 64 anos que tem esta formação. O número de desempregados deste nível será, no entanto superior, já que nem todos se inscrevem nos centros. As últimas estimativas do INE apontavam para um valor próximo dos 60 mil."
E ainda, conta o PÚBLICO:
  • "Pelo menos 43 mil licenciados desempenhavam em 2007 trabalhos de baixa qualificação ou não qualificados, como limpezas ou construção civil, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Sem emprego nas suas áreas, dizem-se "dispostos a tudo" para sobreviver."

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Portáteis a 150 Euros, mesmo, um dia destes

Segundo a SapoTek, a fabricante britânica de PCs Elonex prepara-se para apresentar no fim do mês aquele que será, pelo menos até agora, o PC de baixo custo dirigido à Europa mais barato.

Dirigido ao segmento da educação este portátil, com apresentação marcada para uma feira da educação que decorre no fim de Fevereiro no Reino Unido, irá custar cerca de 99 libras (cerca de 132 euros), muito abaixo das 500 libras (666 euros) estimadas para a edição Classmate que resultará de uma parceria entre Intel e um fabricante britânico cujo nome ainda não foi revelado (ver notícias relacionadas).

A Elonex já adiantou que o novo One será baseado em Linux, terá uma autonomia de três horas, suporte para Wi-Fi, memória flash e um peso inferior a um quilo. Será comercializado dentro de uma mala. Para já, a empresa não revela mais pormenores.

A empresa explica que a opção pelo Linux, em detrimento do Windows, permitiu baixar os custos do One e acrescenta que vem no seguimento das recomendações do Governo britânico, que apontam para a necessidade de evitar o monopólio Microsoft, cita a ZDNet.

As informações disponibilizadas pela imprensa internacional não permitem perceber se é intenção da fabricante britânica fazer chegar o One a outros países europeus.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Ele há coincidências giras...

É impressão minha, ou nesta notícia do DN sobre a reunião de Sócrates com professores do PS, está escrito "Deveria ter sido uma "simples reunião de trabalho partidário" entre o secretário-geral do Partido Socialista e um grupo de Lixo industrial perigoso"?


Boa noite a todos

sábado, fevereiro 16, 2008

A ministra da Educação foi falar à televisão II

Primeira frase, primeira mentira: "Eu penso que (...)" O que quer que ela tenha dito depois, é automaticamente mentira...

A Ministra da Educação foi falar à televisão

Após defender entusiasticamente a autonomia das escolas, quando comentava a polémica dos conservatórios, a Ministra disse:

"Os conservatórios foram deixados ao abandono".

"Deixar ao abandono" é o que vai acontecer às escolas se fôr a "comunidade" (ou seja, o presidente da câmara) quem manda na escola.
Neste novo modelo há a destacar a participação de "instituições, organizações e actividades económicas, sociais, culturais e científicas" na gestão escolar, ou seja, descodificado, empresas a mandar nas escolas, como já estão a mandar nas universidades.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Quando as palavras custam a sair...

Quando as palavras custam a sair, agradecemos a quem as diz por nós. obrigado, Paulo Guinote, a quem ainda vai dando para pôr cá para fora o que custa a engolir:

"É verdade que eu estou mais irritado, menos macio, eventualmente mais cáustico ou corrosivo (adjectivos com os quais já me habituei a conviver).

Só que essa é a evolução natural de quem, também quotidianamente, se sente massacrado por uma enxurrada quase ininterrupta de novos encargos, sem qualquer compensação material ou simbólica. De quem vê serem tomadas, com o maior desplante, sucessivas medidas perfeitamente ao arrepio de qualquer lógica ou de qualquer fundamentação empírica. De quem vê detentores de cargos públicos defenderem o desrespeito pelo sistema judicial. De quem vê o mais absoluto despudor nas declarações da tutela sobre o desempenho dos docentes, a organização das escolas e a qualidade do trabalho realizado, argumentando sistematicamente com distorções dos factos e falsidades.

De quem vê pessoas amigas irem desanimando cada vez mais, submersas num labirinto kafkiano do qual se sentem incapazes de se libertar.

Não me digam que a Educação e as Escolas estão melhores com as decisões desta equipa ministerial. Estão pior, em termos de ambiente e mesmo de capacidade de trabalho consequente em prol dos alunos.

Só os muito distraídos não percebem o que tudo isto pretende alcançar: quebrar o ânimo dos docentes, desrepeitando-os a todo o momento, e levá-los a aderir a um sistema laxista, academocamente facilitista e burocraticamente pesadão e desencorajador de qualquer rigor efectivo.

Tudo está construído para que as pessoas optem por trabalhar para o Sucesso Estatístico, para não terem problemas na sua vida profissional."

Leia o post completo

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Como disse?

Jornalista da SIC, numa reportagem sobre os vencedores do ano passado do Campeonato Nacional da Língua Portuguesa:

"O vencedor da categoria Menores de Quinze Anos, foi (...), com treuze anos"

E na categoria "ironia involuntária"?

domingo, fevereiro 10, 2008

Não há Palavras Caras - Futebol

Percebo muito pouco, fica o aviso .

Onze jogadores por cada equipa, um deles numa baliza .
Duas equipas .
O estádio .
O publico .
Os árbitros .
E a bola . Ah, para esta ha' pano para mangas . Tem que ter um certo peso (entre 410g e 450g), um diametrozinho jeitoso (22cm), uma marca que custa dinheiro só de pensar nela e que não pode sair á rua sem segurança . É pior que as exigências para ser modelo, mas no fim serve para andar ao pontapé . E bem, no campo estão 22 homens dispostos a isso . Afinal é um emprego como outro qualquer, passar os dias a jogar á bola . Mas eu nunca vi 90 minutos de um homem de talho cortar bifes passar em horário nobre na TVI .
É este jogo (o futebol, não os bifes) que faz com que o país páre para olhar, é o que todos os portugueses têm em comum, aquela bola cheia de mariquices . E liga classes sociais !
Para o futebol ser vivido a sério há dois adereços . O cachecol e a cerveja . Quem é o homem que, se não está no estádio com uma grade, não está no sofá com uma na mão e o cachecol ao pescoço a gritar para os árbitros ? Ou numa esplanada para ouvir os bitaques dos companheiros ? Já se tornou numa questão de masculinidade e quem não gosta de futebol não é homem, pura e simplesmente . É crónico, deve vir no cromossoma Y ou assim .
Mas depois há as corrupções, as mentiras, os erros no desporto rei, e é aí que se prova que jogar á boa deixou de ser um desporto . É já um negócio de milhões e os jogos são como reuniões de negócios . Agora desporto é que não, por amor de Des, nem nós queremos cá disso .

Porque hoje é domingo - Yes We Can

It was a creed written into the founding documents that declared the destiny of a nation.

Yes we can.

It was whispered by slaves and abolitionists as they blazed a trail toward freedom.

Yes we can.

It was sung by immigrants as they struck out from distant shores and pioneers who pushed westward against an unforgiving wilderness.

Yes we can.

It was the call of workers who organized; women who reached for the ballots; a President who chose the moon as our new frontier; and a King who took us to the mountaintop and pointed the way to the Promised Land.

Yes we can to justice and equality.

Yes we can to opportunity and prosperity.

Yes we can heal this nation.

Yes we can repair this world.

Yes we can.

We know the battle ahead will be long, but always remember that no matter what obstacles stand in our way, nothing can stand in the way of the power of millions of voices calling for change.

We have been told we cannot do this by a chorus of cynics...they will only grow louder and more dissonant ........... We've been asked to pause for a reality check. We've been warned against offering the people of this nation false hope.

But in the unlikely story that is America, there has never been anything false about hope.

Now the hopes of the little girl who goes to a crumbling school in Dillon are the same as the dreams of the boy who learns on the streets of LA; we will remember that there is something happening in America; that we are not as divided as our politics suggests; that we are one people; we are one nation; and together, we will begin the next great chapter in the American story with three words that will ring from coast to coast; from sea to shining sea --

Yes. We. Can.

sábado, fevereiro 09, 2008

(com uns dias de atraso) Tema do Mês de Fevereiro: A Escola e os Valores

A Escola é um veículo de transmissão de valores. São transmitidos por manuais, professores, colegas, funcionários etc...

Dependendo das épocas, essa transmissão de valores foi mais ou menos explícita, e os próprios valores transmitidos foram-se alterando.

Hoje, temos disciplinas como a Educação Moral e Religiosa, áreas como a Educação Sexual, Formação Cívica e os planos pedagógicos, que muitas vezes também pretendem transmitir valores (o da minha escola é o rigor).

Além disso, em muitos manuais existem valores explicita ou implicitamente transmitidos. Se a isto tudo juntarmos o que dizem professores e colegas, a Escola é uma autêntica metrelhadora de considerações éticas às quais os alunos são expostos, no que isso pode trazer de bom e de mau.

Este é um tema importante para a Escola e determinante para a sociedade. Que valores a escola transmite? Devia transmitir valores? Se sim, quais? Como? Que papel têm os pais na decisão do que deve ser transmitido aos seus filhos?

É isto que tentaremos analisar durante o (que resta do) mês de Fevereiro.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Mais um tiro no porta-aviões...

Fazemos eco de um protesto que nos chega por email:


"AGORA QUEREM ACABAR COM O CONSERVATÓRIO NACIONAL

Já se suspeitava, mas agora é público: o Ministério da Educação quer mesmo acabar com a Escola de Música do Conservatório Nacional.

Se depender do Governo, a instituição de quase 180 anos, que já nos deu Maria João Pires, Bernardo Sassetti e tantos outros, tem os dias contados.

Já não se trata de destruí-la devagarinho, como até aqui – deixando-a cair aos bocados, com o órgão do século 18 a deteriorar-se ou o Salão Nobre quase a ruir sobre a plateia.

Desta vez, a Ministra quer fazer o serviço de uma só vez. Com três golpes tão rápidos e certeiros que, espera ela, ninguém vai sequer perceber o que se passa.

O primeiro golpe é acabar com os Cursos de Iniciação. Crianças dos 6 aos 9 anos de idade vão deixar de ter acesso às 6 horas semanais de instrumento, orquestra, formação musical, coro e expressão dramática hoje ministradas pelo Conservatório.

O segundo golpe é matar o Ensino Articulado. Adolescentes com talento musical já não poderão conciliar a formação artística de alto nível do Conservatório com a frequência às outras matérias da sua escola habitual. Quem quiser ser músico, a partir de agora, tem que decidir profissionalizar-se aos 10 anos de idade – sem poder voltar atrás.

Por fim, o golpe de misericórdia é dar cabo do Ensino Supletivo – o regime que tem formado, ao longo dos anos, a maior parte dos músicos portugueses. De Alfredo Keil a Pedro Abrunhosa, passando por centenas e centenas de outros.

Sem músicos, sem público educado para a música, já se vê o que a Ministra pretende: reduzir-nos ao silêncio.

Mas você não vai aceitar, pois não?

No dia 11 de Fevereiro, o Conservatório será visitado pela comissão nomeada pelo Ministério para aplicar estes 3 golpes ao ensino da música. Querem fazê-lo à boa moda deste Ministério: rápida e discretamente, como um facto consumado.

Contamos consigo para recebê-los com música. E com muito barulho.

Segunda feira, dia 11 de Fevereiro, às 10 da manhã, junte-se ao Coro de Protestos do Conservatório Nacional. Se é músico, traga o seu instrumento. Se é pai de aluno, traga os seus filhos (sabemos que o dia é mau e a hora incómoda, mas ficar sem o Conservatório ainda seria pior). Se é um simples amante da música, traga a sua voz.

Vamos gritar tão afinados que até a Ministra, que faz o género surda, vai ter que ouvir."

terça-feira, fevereiro 05, 2008

quinta-feira, janeiro 31, 2008

A miragem da cidadania

Não dou muita confiança a esta nova moda da “sociedade civil”, ou da “comunidade” ou dos “movimentos cívicos”. Penso que estes últimos são estruturas (disformes, é certo) que estão a tentar tomar o poder, assim como os partidos o fizeram quando nasceu a democracia. Ou seja, são partidos, mas sem dar a cara pelo que defendem... sem terem responsabilidade pelo que defendiam anteriormente, sem aquela chatice da coerência que é exigida aos partidos. Não... neste mundo dos movimentos cívicos tudo é alternativo e tudo vai mudando (ou não fossem eles parte da “sociedade civil”)

Quando se diz que a escola vai ganhar “mais autonomia”, quando se diz que a escola vai passar para as mãos da “comunidade” ou da “sociedade civil”, é de desconfiar. É uma maneira muito mais bonita de dizer que se vai pôr as autarquias a mandar nas escolas, ou que se vai desistir da confusão das colocações para passarem a ser os Conselhos directivos a escolher, por candidatura, os professores. E pior ainda: conjugar Câmaras a mandar nas escolas e escolas a escolher os professores. Primeira pergunta das entrevistas aos candidatos a professor: “De quem é que você é filho?”...

Este novo século traz-nos a política das palavras sonantes. A política spin, slogan, a política.net e a política cunha&vaz. Dão-nos imagens bonitas de um Portugal feliz, jovem e com saúde, dão-nos ilusões de grandeza, dão-nos novas fronteiras e novos conceitos.
De isto tudo, o mais perigoso parece ser a transformação de velhos modelos em novos e apelativos conceitos.
Se por “comunidade” querem dizer “autarca”, se por “autonomia” querem dizer “tirar o poder nas escolas à comunidade escolar”, se por “movimento cívico”, querem dizer “falsa democracia, sem partidos”, vão enganar outro, que eu não me contento com miragens.

domingo, janeiro 27, 2008

Uma boa novidade para os professores

Professores: A inovação tecnológica não é só acções de formação, aprender a trabalhar com moodle, magicboards e encontrar vídeos das vossas aulas no YouTube... Até que enfim surge uma novidade boa para os professores: O TeachersTube!

Este site inclui aulas planeadas (é só traduzir para português), vídeos para usar em aulas, blogues de professores from all arround the world, enfim... um mundo de opções para que estejam a exercer a vossa profissão 24 h por dia! Não é espectacular?!!

Fiquem com este vídeo, através do qual descobri o site:



Via Videosaver.net

Porque hoje é domingo - Learn Where The Smurfs Came From

sábado, janeiro 26, 2008

Apesar das campanhas...

"Professores são profissão em que portugueses mais confiam e a quem dariam mais poder"

Esta é uma sensação que eu já tinha há um tempo: apesar das tentativas de descredibilização e até difamação dos professores (lembram-se daquilo dos não-sei-quantos milhões de horas de faltas?), os portugueses continuam a ter respeito pela classe dos professores.

Isto talvez aconteça devido ao papel marcante que alguns professores têm na vida de cada um. Também porque os professores são vistos como um exemplo (ainda no outro dia um colega meu que fuma ficou admirado de ver um professor a fumar... porque os alunos vêm o professor como exemplo do que se deve fazer. É normal que esse sentimento fique presente depois dos alunos sairem da escola...)

E a quem é que os portugueses dão menos confiança? Aos que tentam difamar os professores: os políticos. "Professores ao poder!"?

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Grafismo FrontPage?

Ontém, estava a pesquisar o site do GAVE para este post, e encontrei um link para a Editorial do Ministério da Educação, que é a editora das cadernetas do aluno, folhas de justificação de faltas, exames, publicações minesteriais etc...

Chamou-me à atenção o incrível grafismo do site (porque o site pouco mais tem...) Reparem lá:

Tudo isto foi feito por uma empresa de web-design que orgulhosamente ostenta um link no fim da página inicial... ups, mas parece que o site da empresa NetGate já não existe... pois.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Testes Intermédios

Hoje a maioria dos estudantes do 11º ano tiveram teste intermédio de Matemática... digo a maioria porque cada escola pode optar por ter ou não este "pré-exame" (aliás, cada professor decide se conta com o teste intermédio para a nota e qual a percentagem que lhe atribui)

O teste é constituído por dois grupos: um de cinco exercícios de escolha múltipla a valer 50 pontos e outro de 2 exercícios (com várias alíneas cada) a valer 150 pontos.

Haver apenas dois exercícios que valem 75% da nota do teste é um problema, porque basta não compreender um, para ser muito mais difícil a positiva... Se, com o mesmo número de alíneas, houvessem mais exercícios com enunciados diferentes, tornava-se um teste mais justo.

Além disso, havia várias alíneas que valiam 25 pontos, ou seja, 2.5 valores em 20, o que é muito para uma questão...

Está-se mesmo a ver que o GAVE está a preparar mais uma razia nos exames deste ano, para que o Governo possa usar os resultados dos exames como pretexto para continuar as suas reformas.

novas oportunidades...


via (notícias da aldeia)

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Ah grande gente do Norte!

Via Educação do meu Umbigo ficámos a conhecer a tomada de posição do Agrupamento Vertical de Escolas de Gueifães sobre a avaliação:

"A Comissão Provisória e o Conselho Pedagógico deste Agrupamento de
Escolas entendem manifestar a V. Ex.ª a sua apreensão pelo facto de ser evidente a
impossibilidade de dar cumprimento aos procedimentos estabelecidos no Decreto
Regulamentar nº 2/2008 de 10 de Janeiro, nos termos e nos prazos nele
estabelecidos.
(...)
Por último, e porque consideram muito importante, não podem os órgãos
signatários deixar de referir que a enorme quantidade de legislação recentemente
publicada e as inúmeras solicitações dos Organismos de Administração Central, a que
o Agrupamento tem que dar resposta num curto espaço de tempo, estão já a colidir
não só com a capacidade de reflexão necessárias à concepção de respostas
adequadas como também com o tempo necessário à preparação eficiente das aulas e
do trabalho delas decorrente."

Emainada!

Texto completo a não perder!

terça-feira, janeiro 15, 2008

APELO PARA UMA DISCUSSÃO PÚBLICA ALARGADA DO MODELO DE GESTÃO DAS ESCOLAS PÚBLICAS

Apoiando a iniciativa de Paulo Guinote, divulgamos o texto da petição para uma discussão pública alargada do modelo de gestão das escolas públicas:

"Está em período de debate público apenas por um mês o Regime Jurídico de Autonomia, Administração e Gestão dos Estabelecimentos Públicos da Educação Pré-Escolar e dos Ensinos Básico e Secundário.

Não apenas como profissionais da Educação, independentemente de qualquer filiação organizacional, mas também como cidadãos e encarregados de educação atentos, queremos manifestar o nosso desejo de um debate digno e alargado sobre um assunto tão importante como este que não pode ficar circunscrito a gabinetes ou a algumas reuniões longe do escrutínio público de todos os interessados.

Fazemos este apelo porque temos consciência de que estas mudanças terão repercussões profundas na qualidade do ensino ministrado nos estabelecimentos do ensino público e que nem todas essas repercussões se encontram devidamente avaliadas neste momento.

Para além disso, este projecto de alteração do regime jurídico ainda em vigor não se apresenta como resultante de uma necessidade pública, claramente sentida e demonstrada na e pela sociedade civil e comunidades educativas, de reformar o modelo em vigor. Pelo contrário, surge na sequência de uma profusão legislativa que se tem norteado por alguma incoerência entre as intenções manifestadas e as condições concretas existentes no nosso sistema educativo, o que desde logo nos suscita as maiores reservas quanto à sua validade.

Não esqueçamos que:
• No sistema educativo português os alunos têm sido alvo de reformas sobrepostas, mal preparadas e pior implementadas.
• Tais reformas sucedem-se sem serem devidamente avaliados os resultados das reformas anteriores,
• A não avaliação aprofundada de todas as medidas e do seu efeito no sistema leva a que os actores institucionais e a cidadania se interroguem sobre as razões destes sucessivos fracassos.
• Apesar de todas essas reformas, os índices de literacia (global ou funcional) continuam dos mais baixos, enquanto que as taxas de insucesso e de abandono escolar são das mais altas, não apenas em termos europeus, como até mundiais.
• Com um novo modelo de gestão, insuficientemente fundamentado e imposto em nome de uma desejável autonomia e abertura da gestão dos estabelecimentos de ensino às comunidades, corre-se o risco de um agudizar das disfunções que o sistema vem demonstrando, com consequências imprevisíveis não só em termos pedagógicos como da coerência, integridade e solidariedade do sistema público de ensino.

Perante este panorama, que aconselha a maior prudência em novas alterações na arquitectura do sistema público de ensino e perante as incoerências internas do projecto do Ministério da Educação em termos operacionais e a sua aparente inadequação quanto ao quadro legislativo em que se insere, nomeadamente quanto à Lei de Bases do Sistema Educativo, os signatários deste manifesto, reivindicam, por isso, ao Governo e ao Ministério da Educação que:
a) Exista um prazo suplementar de dois meses para discussão da proposta governativa;
b) Se promovam debates públicos em todas as escolas do país, mobilizando as comunidades educativas para a discussão das qualidades e óbices do novo modelo proposto;
c) Se faça a divulgação de todas as análises dos dados estatísticos e outros estudos de departamentos do Ministério da Educação, com especial relevo para a Inspecção Escolar relativos ao desempenho das Escolas em matéria de gestão que justificam a necessidade de mudança do modelo existente.
Apelamos ainda a que todos os intervenientes das comunidades educativas (alunos, encarregados de educação, docentes, funcionários não docentes, autarquias) se mobilizem para uma discussão alargada da Escola Pública.

Só com o activo envolvimento de todos na preparação de reformas com esta dimensão e impacto numa área crítica como a Educação é possível garantir que a mudança se transformará em algo positivo e não meramente instrumental.

Os órgãos de gestão das escolas e os Centros de Formação estarão, naturalmente, vocacionados para organizar e dinamizar este debate.
Os autores deste manifesto reiteram que não representam quaisquer organizações socio-profissionais de professores ou profissionais de educação actualmente existentes ou em processo de formação, sejam elas de natureza sindical, profissional, científico-profissional ou outra. Desejam afirmar, porém, que as organizações acima referidas são organizações da sociedade civil com legitimidade própria para se pronunciarem sobre as questões respeitantes ao sistema de ensino e à governação das escolas;

Deste modo, num contexto em que o poder político afirma a necessidade de envolver a sociedade civil na governação das escolas, a eventual limitação da intervenção no debate destas organizações e/ou movimentos independentes constituídos especificamente para este efeito, comprometerá gravemente a legitimidade dessa governação e das políticas que a determinam, gerando inevitavelmente fenómenos de inércia na sua aplicação, em grande parte resultantes da forma como a informação e o debate (não) se realizaram."

ASSINAR A PETIÇÃO