quarta-feira, maio 16, 2007

Teuria dus Numaros

Vou já direitinha ao assunto...hoje um aluno da turma de hortofloricultura mandou-me...À MERDA!!! E agora perguntem lá..."puseste-o no hospital?"...as pessoas que me conhecem acham que eu tenho essa veia violenta dada a foma como às vezes praguejo (sim, eu praguejo bué...mas em português correcto será: tenho muitas catarzes...uiiiiiiiiiiiii adoro esta palavra!) e, dado o comprimento do meu esqueleto...mas não senhor, não mandei o miudo para o hospital! Ainda tenho os meus sentidos a funcionar correctamente!
É complicado relatar a situação! Aliás, aquelas aulas SÓ MESMO FILMADAS, mas quando correm mal! Porque têm dias. Por exemplo, na semana passada, estava um calor de morrer e como não dava para andar nos jardim da escola a arranjar as cenas da horta, a 2ª parte da aula foi passada a...saltar à corda, à sombra! Exactamente! Ideia aqui da JE! E correu de tal maneira bem que eles hoje queriam outra vez, claro! Dou-lhes "maus exemplos" e depois é que são elas! Mas eu acho que faz falta àquele tipo de miúdos terem umas catarzes fixes de vez em quando...pena não perceberem quando devem parar...mas isso é uma coisa que lhes é inerente dada a sua carência afectiva! E é mesmo muita!
O problema é quando uma gaija, que tenta ser professora de hortofloricultura e silvicultura, diz a um gaijinho de 14 anos, com brinco à cristiano ronaldo, cabelo empastado em gel, a contrariar a lei da gravidade, de calças abaixo do rabo, mal educado a todo o tempo (e podia continuar com os belos adjectivos...), que estava a fazer duma mesa do bar um plinto daqueles onde os atletas chineses nos jogos olimicos fazem NNNNNN acrobacias só com uma mão (sabem o que é? não sei bem como se chama...sei que o camolas estava armado em ataleta...)...já se perderam...eu disse para o camolas muito calma "menino, vamos para a aula, tá!" e ao dizer isto...

(porque tive que o repetir algumas 3 vezes, e à 3ª já estava a desatinar porque ele não largava a bendita da mesa...sabem para que é que estava aquela mesa no pátio? para o juri do concurso do Diabo...aquela cena que rola numa corda...agora é moda!! um filme...entram na aula a rolar aquilo, saem da aula a rolar aquilo, fazem quase tudo a rolar aquilo...parece que estamos no Chapitô, não desfazendo no prestígio e qualidade do ensino do chapitô que é de facto muito bom)

...peguei-lhe no braço!!! BEM, o camolas eriçou-se todo "Você não me agarra"...e eu repeti a ordem... e o camolas vira-se aqui prá Je e responde...estão preparados..é baixo nível...aí vai..."VAMOS PRÁ AULA UMA MERDA!"...bem, eu agora dá-me vontade de rir mas, na altura, tive um vómito e pensei "meu Deus, o que lhe faço?"

Agora lembrei-me daquele episódio em que a amiga da tia Maximiana, interpretado pela Margarida Carpinteiro no Humor de Perdição, vê o Azevedo Perdição , o Hérman, e pensa - mas nós, público, ouvimos em voz alta o que ela pensa - "ai que home tã lindo...parece um leitãozinho da bairrada...que lhe faço?...beijo-lhe a boca ou apalpo-lhe o cu...levo-o mas é de volta comigo pra a merdaleja e até me pode bater 2 vezes por semana...e se se portar bem, até pode bater 3"...

Claro que não era própriamente para a Merdaleja que eu queria trazer o camolas do brinco...bem, terra para lavrar aqui é que não falta...mas não!

Ora virei-me para o camolas e disse-lhe, com um tom de raiva reprimida "És um ordinário mal-educado! Desaparece imediatamente da minha frente!" Nem me cheguei mais...senão havia sangue...e não foi a primeira vez que o camolas se passou comigo e eu com ele...mas nunca me tinha mandado à merda...quando contei à minha presidente, ela virou-se para mim e disse "que pena ele não te ter batido...era logo expulso..."...ó pra mim a fazer de cobaia...e se o camolas pegasse numa naifa? Creeeeeeeeeeeeeeeeeeeeedo!!!


Logo a seguir aparece outro colega que estava a beber um sumo e, em ar de provocação, para apoiar o colega, desata a falar comigo e a arrotar...(pior que isto só mesmo FEIOS, PORCOS E MAUS, digam lá?)...ai nha nossa senhora da agrela...dei um berro tão grande que eles até saltaram para trás "desapareçam daqui os dois! já!"
Bem, a seguir a este maravilhoso incidente tive 54219347543 catarzes...para dentro, claro! Para fora é impossivel!!! Claro que fiz uma brutalissima participação disciplinar! Vamos ver no que dá!!!

Isto é um filme...a preto e branco...mas só faltam 5 semanas!!! Quem aguentou até aqui...

Agora vou analisar a "coisa" de uma forma mais pedagógica!
As Instituições de Reinserção Social (o miúdo está sob a vigilância do tribunal de menores devido a uns incif«dentes..) deviam acturar nestes casos! Porque é um caso de reinserção social! O garoto está perdido! Até tenho pena, claro! Mas nós, escola, não podemos fazer mais nada para ajudar aquele rapaz! Os pais dele também não ajudam nada! Mas devem estar à espera que ele, ou outro, matem alguém na escola (que o diabo seja cego, surdo e mudo) para entrar em acção! é um garoto que já deu NNNNN problemas na escola, desde roubo a fumar axixe!!!
E que culpa têm os alunos cumpridores para terem que aturar isto tudo? E nós, professores? e os funcionários? é muito complicado!
Mas fica aberta a discussão...vá, libertem a vossa raiva! Mas não me mandem à merda...sorry!!! Lol

Ps: hoje não houve matemática...mas aqui está mais um "numaro" na indisciplina deste maravilhoso país de turismo à beira mar "aplantado"!!!!

9 comentários:

Range-o-dente disse...

"onde os atletas chineses nos jogos olimicos fazem NNNNNN acrobacias só com uma mão"

Cavalo com arções, suponho.

Range-o-dente disse...

O Baldassare há um tempo perguntava-me algo parecido com 'em que escola estava eu para dizer tanto mal dos alunos'.

Bem, parece que não estou sozinho.

Aqui há tempos um cabeça de bosta insurgiu-se porque eu estava a explicar que água no estado líquido e gelo eram a mesma matéria (o mesmo composto).

Mas mandarem-me à merda, ainda não. Talvez eu não lhes dê tempo. Não querem ir para a aula? Têm falta. Começam a desconversar? Rua. Ainda reclamam? Participação.

Aos mânfios que agora aturo, 15-16 anos, esclareço, ao início de cada aula, que se procuram o infantário não é ali, que eu não sou babysitter.

Quando eu andava na escola (respeitinho, Baldassare) se eu não fosse parar ao hospital pela mão do professor ou do funcionário, por uma coisa dessas, ia pelo cacete de meus pais.

XandraFrô disse...

cavalos com arções, é isso! merci!
e quanto às sugestões para os por na linha...depende da situação...eu estava a falar duma aula que se passa nos jardins da escola e estava-e a referir ao tempo que lhes é proporcionado, a meio do bloco, para irem beber água ou à casa-de-banho!
atenção, range, eu sou durona quando é preciso! mas com estes miúdos é preciso ter um braço de ferro e uma alma grande, ao mesmo tempo, certo?
então o nosso amigo range é professor de fisico-quimica...lávamos descobrindo alguma coisa...gosto buéréré!
"ficar beim!" :-)

XandraFrô disse...

ai meu Deus...não é "lávamos" mas sim "lá vamos"!!! ainda me despedem...mais um bocadinho e era "lava-mos..." ai o nível...lol

Range-o-dente disse...

Um colega comentou comigo que noutra escola os gangs internos tinham começado uma luta de naifa no pátio da escola. A escola foi fechada para evitar que chegasses reforços do exterior porque os imbecis usavam o telemóvel para chamar reforços à luta (externos à escola).

Os reforços foram-se amontoando do lado de fora dos portões. Restantes alunos e professores nem sequer podiam fugir.

A coisa acabou com a intervenção da polícia de choque.

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Há tempos, os gangs da minha e de outra escola resolveram espancar e assaltar toda a gente que passasse em determinada rua. Os alunos mais pequenos eram especialmente apetecíveis. Acabou com a intervenção da policia de choque. No dia seguinte a polícia foi à escola, como fotos deles, para identificação dos artistas.

... em França, também tem sido assim. Pois, coitados ... desemprego ... queixam-se eles.

Chama-se a isto, sistema de ensino multicultural. Nós (os velhos do Restelo) é que não os compreendemos. Coitados. São uns incompreendidos.

Range-o-dente disse...

... em boa verdade não sei bem o que é que ensino. Sei o que digo, mas aquilo que, de facto, ensino, é intangível.

Atrevo-me a dizer que os alunos em geral são tão broncos (pois, Baldassare), que entre o bom dia inicial (inclusive) e o até amanhã (inclusive), tudo é ensino. Falar com eles em português corrente é, para eles, a decifração de códigos de extraterrestre - uma violência. Tudo o que vá além dos vocábulos "prontos, assim, tipo, coiso", é semântica camoniana.

... e que dizer da selvajaria das praxes?

Range-o-dente disse...

XandraFrô said...

"eu sou durona quando é preciso! mas com estes miúdos é preciso ter um braço de ferro e uma alma grande, ao mesmo tempo, certo? "

Digo que sim, o problema é que eles sabem que o braço pode parecer de ferro mas não é. Não basta que pensemos que o nosso braço é de ferro para ele o ser: é preciso que aconteçam coisas que o demonstrem, e essas coisas não acontecem.

Quanto à alma, o problema ainda é maior: ter alma para quem a não reconhece torna a alma um espantalho (se calhar não sou suficientemente claro).

Digo de outra forma: a alma grande, neste contexto, é a confirmação de que o braço não é de ferro.

[isto complica-se]

Se o braço for (efectivamente) de ferro a alma grande resulta em coisas palpáveis. De outra forma é entendida como a confirmação do bluff.

... o braço de ferro tem ainda que ser dado por, ou conquistado aos idiotas que enxameiam o ministério da educação(?). Perguntar-se-ia: "e não se pode exterminá-los?"

Range-o-dente disse...

... e ainda cá volto. Que chaga.

Diz este blogueiro:
http://o-lidador.blogspot.com/2007/05/macacos-e-roupas-dior.html

"Sou da opinião que muitos dos aspectos plásticos do poder estão relacionados com sinais de força que são inconscientemente aceites por se fundamentarem em arquétipos colectivos de longínqua ancestralidade e que nada têm a ver com inteligência ou racionalidade."

Talvez se possa dizer que os antigos aspectos plásticos do poder foram atirados às urtigas, sem substituição por outros, adequados.

Não era racional, foi fora, mas nada de racional e adequado (funcional no mundo do real) foi entretanto adoptado.

... e então? O poder caiu à rua.

.

Helena disse...

Amiga... eu sei bem o que sofreste este ano. tu, eu, e mais alguns que partilhamos este grupo de miudos. chamo-os de miudos pois eles não queriam ser alunos. Nós é que para além de "setores" é que ainda tentamos ser mães, pais, tias, avós!!! qualquer grau de qualquer coisa que eles pudessem ouvir... mas não queriam....
Já passou o ano, eles passaram de ano!!! pois passaram, se calhar foi o melhor!!?? será que foi!!??? pelo menos fizeram o sexto ano... se um dia mudarem de ideias ainda podem vir a fazeer um curso profissional e tentar aprender alguma coisa....
ao longo do ano passei por várias fazes: 1º vamos conseguir cativá-los e fazer um bom trabalho; 2º socorro, tirem-me dete filme, juro que tive medo de ser agredida!!! eles usavam martelos, serra electrica, berbequim (um deles partiu um dente com um martelo)... e finalmente 3º - quero aguentar-me viva até ao fim do ano!!!
O ano acabou, eles partiram, já não vão voltar a ser nossos alunos, mas vão continuar a ser filhos, netos, sobrinhos, ... das familias que os tornaram assim, para o resto da vida...
Jocas e boas férias