segunda-feira, maio 21, 2007

Perfeito, perfeito...

Tropecei por acaso no site da DGRHE no novo (Outubro de 2006) regulamento da "prova de domínio perfeito da língua portuguesa como requisito para a docência da Educação Pré-Escolar e dos Ensinos Básico e Secundário, Regular e Artístico Especializado", para professores e educadores que não tenham a nacionalidade portuguesa.

Achei deliciosa a designação de "domínio perfeito" da língua portuguesa, o que, a ser aplicado à generalidade dos actuais docentes portugueses, certamente que mandaria boa percentagem para casa...

Não tendo o Português como língua materna, parece-me bem que se exija a educadores, professores do 1º ciclo e professores da área de línguas o nível C2, o mais elevado do quadro comum de referência para as línguas (utilizador proficiente).

Já a exigência do domínio do nível B1 (utilizador independente) para os grupos de Artes Visuais, Música e Educação Física me parece francamente pouco:

  • B1 - É capaz de compreender as questões principais, quando é usada uma linguagem clara e estandardizada e os assuntos lhe são familiares (temas abordados no trabalho, na escola e nos momentos de lazer, etc.) É capaz de lidar com a maioria das situações encontradas na região onde se fala a língua-alvo. É capaz de produzir um discurso simples e coerente sobre assuntos que lhe são familiares ou de interesse pessoal. Pode descrever experiências e eventos, sonhos, esperanças e ambições, bem como expor brevemente razões e justificações para uma opinião ou um projecto.
Será suficiente que um professor seja capaz de compreender apenas "as questões principais" na sua interacção com os alunos?! De se limitar a "produzir um discurso simples e coerente sobre assuntos que lhe são familiares" para ensinar uma turma, mesmo que se trate de disciplinas com uma maior componente prática?! (E não representa isto uma menorização destas disciplinas?)

Será isto uma escola de qualidade? Ou será uma maneira simples de preparar um dumping educativo, preparando terreno para importar mão-de-obra barata para "dar aulas", mesmo com um domínio sofrível da língua portuguesa?

7 comentários:

XandraFrô disse...

Quais são os requisitos do nível C2?

XandraFrô disse...

Concordo plenamente! Mas para que tal pudesse ser exequível, teriam que ser alteradas as habilitações para a docência...só assim o professor deixava de ser versátil às mudanças e poderia especializar-se na área da sua formação! Assim teríamos ensino de qualidade! Claro que eu contra mim falo...

XandraFrô disse...

E isto não é auto-comiseração...apenas uma rasteira pregada pelo sistema!!!

XandraFrô disse...

Ok, o sistema somos nós que o formamos...por isso não adianta culpabilizá-lo...no próximo ano "amando" umas pedradas a umas gaijas do grupo de Matemática para fazer juz àquilo que sei, que gosto e que me dá gozo ensinar...mainada!

XandraFrô disse...

Aliás, aliás, aliás...eu devia estar a dar era aulas de Contabilidade, Geral e analítica, Cálculo Financeiro, Informática de Gestão...mas isso é uma coisa que nunca mais irá acontecer...

Ctrl.Alt.Del disse...

Níveis Comuns de Referência: escala global
http://www.linguanet-europa.org/pdfs/global-scale-grid-pt.pdf

Range-o-dente disse...

"Será suficiente que um professor seja capaz de compreender apenas "as questões principais" na sua interacção com os alunos?"

É um belo atestado de incompetência ao próprio ministério pelos resultados que as 'directivas' emanadas pelas sapiências pardas têm gerado.

Em boa verdade me vejo todos os dias obrigado a repetir coisas simples mela simples razão de serem 'intangíveis' para a maioria dos alunos.

Basta ouvir como os alunos falam para perceber o que basta hoje. Nota-se, aliás, que uma boa parte dos professores já fala como os alunos ... evidentemente ... ou passam a vida a repetir para se fazerem perceber.

Viva a línguagem "prontos, assim tipo coiso".