terça-feira, janeiro 16, 2007

Professor único?! Professor tutor?!

Parece que a fúria legislativa do ME não tem limites. Sem deixar o pó assentar nas recentes ilegalidades, disparam mais rápido do que a própria sombra, desta vez contra o 2º Ciclo. Como noticia o Diário Económico hoje:
  • "Este sistema prevê a existência de “um professor tutor que tenha capacidade para leccionar as áreas básicas (Português, Matemática, Ciências da Natureza, História, Geografia de Portugal e Expressões) apoiado por docentes de outras áreas profissionais” acrescentou o governante [Valter Lemos]."
A confirmação de que o Ministério vive num estado distópico, se alguém precisava ainda de uma, será certamente esta. Mesmo com todas as boas vontades em formar a próxima geração de professores nestes moldes, a questão é, ao ritmo a que as novas colocações se vão dar (redução de lugares + aumento da idade de reforma) esses novos professores só entrarão no sistema lá para 2020...

Ora isto deixa a implementação desta medida aos professores de 2º ciclo existentes. Como se passará a formação desta gente? Terão cursos à pressão, como os complementos de licenciaturas em 6 meses para os bacharéis, há uns anos, para ir dar as áreas que não são da sua formação de base? Estarão daqui a 1 ano professores de matemática recauchutados a dar português e a implementar a TLEBS? Ou será que a fava vai calhar aos de Educação Visual?

Depois ainda temos de gramar com a cara de sonso de Valter Lemos a justificar na TV que "temos os resultados mais baixos da Europa neste ciclo, temos que fazer alguma coisa"... Por que não começar por mandar às urtigas as áreas não curriculares? Só aí reduzia-se logo em 3 o número assustador de disciplinas e professores...

E já agora, porquê "professor tutor"?! Porque não ensina nada, é um "facilitador de aprendizagens"?! Tenham vergonha...

5 comentários:

Mexilhão disse...

Começo a recear que o frenesim inovador no ministério da educação faça mais estragos do que proveitos. Tanta alteração repentina pode ser contraprodecenente. Ponham travões na ministra. Primeiro avaliem o que foi feito depois logo se parte para novas alterações.

Anónimo disse...

A solução passaria apenas por ensinar ,REALMENTE, A SÉRIO, a escrever, ler ,contar,falar,as crianças do 1º ciclo !....Agora é assim: a prof. conta uma história e depois os meninos fazem....um desenho !!! ( nada tenho contra os desenhos ,note-se, pelo contrário,também se aprende a desenhar...)

XandraFrô disse...

Vejamos as vantagens:
- só temos que fixar de 20 a 40 nomes
- só temos que fixar o numero de 1 ou 2 salas
- só temos que reunir com mais 4 pessoas
...ou seja, o número de referencias é muito mais reduzido que o actual! Excelente, certo?
Agora as desvantagens:
- aquela frase que alguém um dia disse "cada homem é uma ilha" vai ser posta em prática pois a educação (ou o entretenimento!!!) de um grupo de crianças vai depender apenas de uma a cinco pessoas, reduzindo o seu (das crianças) potencial de adaptação social a novas identidades;
- a passagem para o terceiro ciclo pode ser equiparada à entrada de um meteoro na atmosfera terrestre..coitadinhas..
- e nós...professores...hã, não me lembro..exactamente, os casos de alzheimer, infelizmente, aumentarão...limitem os movimentos cerebrais (se bem que alguns já são bem limitados, mas por opção, ou por indulgência...) a um adulto de 40 anos e vão ver o que acontece!
...como é que eu me chamo????
...isto é grave! e eu não estou a brincar.

paulo g. disse...

Eu ao secretário de Estado "facilitaria" a saída pela porta baixa do ME, por exemplo.

Anónimo disse...

já repararam que as medidas do ME são anunciadas por VL?

quanto à monodocência coadjuvada ainda consigo imaginar os professores do 2º ciclo em formação e quando os novos professores entrarem no sistema, lá para 2020, têm de ser reciclados porque já está tudo mudado outra vez.

querem melhor sistema para manter as ESE´s?