sábado, novembro 25, 2006

TeLEtuBbieS

O que é mais giro nisto das TLEBS é que eu estou a dar coisas novas, difíceis e importantes e, vai-se a ver, e vou ter de reaprender tudo como estava antes. É que as TLEBS para o ministério são uma coisa "experimental". "Experimental"?!?!?!?! Então e quem já está a dar esta nova terminologia? E porque é que é experimental? Porque é que nesta burocratolândia que é Portugal é sempre necessário em tudo um "estudo", depois um "período experimental" e só depois se define (em princípio... se tudo correr bem...) as coisas?
O governo que dialogue, mas em outras coisas mais dialogáveis... uma terminologia linguística ou é ou não é!

Deixo-vos com esta questão levantada por Violante Saramago Matos, no site (Bloco de) esquerda.net: E bactéria? Será um nome comum e contável? Animado ou inanimado? É que há bactérias móveis e outras imóveis. Em que ficamos?

1 comentário:

JOSÉ LUIZ FERREIRA disse...

Vejo com agrado que os intelectuais portugueses começam a sobressaltar-se com os delírios pedagógicos em vigor no nosso país. Vasco Graça Moura, que agora escreve sobre a TLEBS, também já escreveu com igual verve e justeza sobre a despromoção do texto literário nos programas de Poertuguês. E não me esqueço de Alzira Seixo, Maria Filomena Mónica, Nuno Crato e outros que se têm pronunciado sobre estas matérias...

Só lamento que estejam a acordar tarde. A despromoção do texto literário e a TLEBS não são fenómenos isolados, são apenas as manifestações mais recentes de toda uma filosofia educativa que se procura impor há décadas, contra a resistência determinada mas a longo prazo fútil dos melhores professores.

Outras manifestações da mesma filosofia são:

Item, o jargão bárbaro a que Marçal Grilo deu o nome de «Eduquês», composto de fórmulas rituais, conceitos arrevezados, termos sem sentido ou com o sentido invertido, ambiguidades propositadas, solecismos vários, articulações falsas (uma das minhas favoritas é «numa perspectiva de»), que se repete em todos os documentos do Ministério da Educação, por vezes ipsis verbis - quer se trate dos programas, quer dos critérios de correcção dos exames, das matrizes, da legislação ou do Estatuto da Carreira Docente (documento este que num mundo minimamente civilizado seria rejeitado liminarmente pela sociedade em peso por estar redigido numa linguagem ofensiva da Razão e da Língua).

Item, o assassínio da diacronia, mais visível na substituição da História Cronológica pela História Temática, mas presente também nos programas de Português, Filosofia e línguas.

Item, a fragmentação do saber em «competências» avulsas, consequente à desvalorização dos saberes gerais e unificadores que são a razão de ser das Humanidades, nomeadamente mas não exclusivamente da Filosofia.

Item, a tentatva desajeitada de substituir as Humanidades, na sua função de articular os saberes, pelas coerências espúrias da «Área Projecto».

E mais, muito mais. Se os nossos pensadores, intelectuais, literatos, cientistas e artistas estão interessados deveras numa crítica consequente ao nosso sistema educativo, não se fiquem pela TLEBS: consultem os programas, o ECD, a legislação educativa, as teses de mestrado e doutoramento em Ciências da Educação arquivadas nas universidades e nas ESE's. Se estão horrorizados agora, muito mais ficarão depois desta consulta.