sábado, novembro 18, 2006

A guerra da TLEBS

A guerra da TLEBS conheceu ontem mais desenvolvimentos, com jogadas de peões e movimentos de bispos. Interessante.

No PÚBLICO, Helena Soares, Doutoranda de Linguística Portuguesa, numa carta ao director intitulada "Está aberta a caça à TLEBS", tenta mostrar serviço, porque afinal sendo doutoranda ainda não acabou o doutoramento. Anuncia que afinal "a TLEBS é um dicionário que qualquer pessoa pode ter no seu computador"! Opps! Uma terminologia é um dicionário?! E não é um documento que substitui a Nomenclatura Gramatical Portuguesa de 1967?! Um documento é um dicionário?!

Movidos os peões, registe-se a jogada do bispo das brancas: João Costa, presidente da Associação Portuguesa de Linguístas, saiu em defesa da dama, também em carta ao director do PÚBLICO (que deve estar a tornar-se no português mais informado sobre o assunto) e na revista Visão desta semana: "qualquer comentário à TLEBS é, portanto, inútil se não tomar como referência uma comparação com a NGP (nomenclatura gramatical portuguesa, de 1978). Ora aí está, calem-se os ignorantes, só quem tiver arcaboiço para linguística comparada é que está habilitado a dar palpites, o resto é ruído de fundo! Este é aliás um tom recorrente nos seus textos, o que contribui em muito para a irritação que a TLEBS causa em tanta boa gente...

Queixa-se que a TLEBS não revoga os programas foi "despejada" nos manuais, mas esquece-se que foi igualmente "despejada" na grande maioria das escolas, praticamente sem materiais de apoio do ME...

Recorda ainda João Costa que "qualquer leitor informado sobre teoria linguística [sim, esses que podem realmente intervir] não reconhece na TLEBS a assunção de um modelo teórico específico". Pois, se calhar esse é mesmo um dos problemas, a salganhada de perspectivas...

Termina dizendo "cabe aos professores fazer a transposição didáctica desses saberes" - mas quais professores? A resposta está por todo o artigo: os professores que falam comparando a TLEBS com a NGP (os outros são inúteis), os professores informados sobre teoria linguística e aqueles que têm "alguma informação sobre o trabalho que os linguistas fazem" (carta ao PÚBLICO). Ora se nas nossas escolas só temos incompetentes, que nos fazem descer nas médias internacionais, restam, portanto, e notem bem o alcance desta revelação vindo de quem vem: os professores de linguística! A TLEBS aos professores de linguística, já!

Finalmente, Eduardo Prado Coelho, que leu o Graça Moura e o João Costa, mostra-se "inteiramente de acordo com este excelente artigo de Vasco Graça Moura" e confessa que "este texto de João Costa não me convenceu minimamente"... Jura pelo ensino dos "usos da língua, e por exemplo a sua dimensão argumentativa" e termina pedindo à "senhora ministra, minha cara amiga, suspenda este processo e repense tudo"... Caro Eduardo, a TLEBS não mete contas nem poupança de dinheiro, não vale a pena bater a essa porta...

2 comentários:

Paulo G. disse...

Bom sumário da situação ue hoje tem novo desenvolvimento no Expresso.

(e abram lá isto a utilizadores que não sejam do Blogger)

Paulo G. (educar.wordpress.com)

lourinhã disse...

Este post é um belíssimo exemplo de demagogia.
Tenho acompanhado os vários textos e parece-me que este é um exemplo de "tresleitura". Não me parece que João Costa diga que se devem calar os ignorantes. o que ele diz e bem é que a discussão em torno da TLEBS não deve desviar-se daquilo que a TLEBS é. Isso não tem nada a ver com linguística comparada. Tem a ver com a necessidade de comparar os dois documentos em causa.
Os que argumentam contra a TLEBS vão mudando os argumentos conforme dá jeito. Não me lembro de haver materiais de apoio de jeito por parte do ME para ensinarmos gramática até aqui. Será que é mesmo obrigação do ME produzi-los só para a TLEBS.
Sou professora e faço a transposição didáctica da TLEBS, em cumprimento dos programas. Se calhar, se estes fossem conhecidos e seguidos, a TLEBS não estava a causar tanta guerra. Não leio, portanto, em nada do texto de João Costa, um ataque aos professores.
É bom que esta guerra seja séria e não pautada pela demagogia.