quarta-feira, novembro 01, 2006

A imergência da TLEBS


A TLEBS (terminologia linguística para o ensino básico e secundário) avança inexoravelmente no seu processo de asfixia mental dos professores de português.

"Na Visão de 5ª feira passada foi Maria Alzira Seixo, hoje no Diário de Notícias é Vasco Graça Moura." E também Paulo Guinote se sente menos desacompanhado para desabafar.

A emergência (do Lat. emergentia, s. f., acto de emergir, não confundir com o sentido figurado sucesso casual; conjuntura, ocorrência, incidente; situação crítica;), a emergência da TLEBS, dizia, era inevitável por várias razões:

1: a saída de inúmeros licenciados em linguística das faculdades de letras, com saídas profissionais limitadas e fechadas (ensino), levou a que se fossem acomodando em gabinetes e direcções gerais, onde foram urdindo em segredo a teia que lançam agora.

2: a sonolência pateta dos poetas e artistas das letras em geral, que nos mesmos gabinetes e direcções gerais aceitaram de bom grado o voluntarismo dos linguístas para fazerem as tarefas necessárias para ter a máquina em movimento para ler mais um romance, não dando sequer conta do trabalho de minagem em curso.

3: a obsessão da ministra em não deixar pedra sobre pedra do que encontrou, recrutando os trabalhadores mais formiguinhas implacáveis do mercado (os linguístas), dando-lhes carta branca para (des)fazer.

4: o sentimento vago de que havia a necessidade de harmonizar a terminologia linguística para os ensinos básico e secundário, de maneira a andarmos todos a chamar os mesmos bois pelos mesmos nomes.

Resultado: generalização progressiva da TLEBS em todos os níveis de ensino até 2008-09, supostamente acompanhada de formação para todos os professores (que tanto quanto me dizem saem de lá aperceber ainda menos), com materiais de apoio fraquíssimos, complexa de mais para as necessidades reais, feita sem falar com os linguístas brasileiros (só para nos afastarmos um pouco mais...), cozinhada no Olimpo dos departamentos de linguística, sem ouvir os professores.

Entretanto, nas escolas regista-se o entusiasmo moderado dos foram estudar a TLEBS e vêem vantagem em algumas das propostas (o fim dos Complementos Circunstanciais, por ex.), a incrudelidade dos que ainda pensam que a generalização não vai chegar ao fim e, pasme-se dos que afirmam alto e bom som que vão continuar a fazer exactamente o que faziam ("afinal ninguem vai saber..."!!).

Resumindo: (mais) uma oportunidade perdida, de harmonizar as termonologias portuguesa e brasileira, ao encontro (em vez "de encontro"...) às necessidades das escolas e dos professores.

Será tarde de mais para imergi-la?

2 comentários:

Paulo G. disse...

Ai, ai...
Eu não sou utilizador do Blogger, mas lá tenho de recorrer à identidade fictícia.
Vá lá... podem ser restringidos os comentários, mas não obrigando a malta a registar-se no Blogger.

Adiante...

Era só para dizer que eu tinha especial estima pelos Complementos Circunstanciais.
Chamem-me arcaico, mas tinham o seu charme e clareza.
E era das coisas que a miudagem entendia mais depressa.

Eu percebo as necessidades de harmonização, modernização e tal, mas por favor, que culpa têm disso os miúdos do 1º e 2º ciclos?

E a formação e os materiais de apoio são risíveis.
A experimentação tem sido work in progress e depois logo se vê.

Assim não.

(http://educar.wordpress.com)

baldassare disse...

eu só concordo com esta nova terminologia se se confirmar o que me disseram: deixa de haver aquela confusão toda das orações. subordinadas, subordinativas, coordenadas, coordenativas que depois se dividiam em blá blá blá nhaki nhaki nhaki mai' não sei quantas.
Isso é que era penoso para os alunos do 2º e 3º ciclo... e eu que o diga.

Mas é verdade que há muita gente a fazer dinhirinho com estas mudanças quase diárias à gramática... espero que estabilize de uma vez por todas!