segunda-feira, abril 23, 2007

Citação da Semana

É por isso que se mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm de pôr em prática as suas ideias.

Emmanuel Kant
via Citador

7 comentários:

RioDoiro disse...

Há uma resposta em: http://range-o-dente.blogspot.com/2007/04/escola-que-temos.html

Entretanto, em relação a este post, pode adiantar-se que manter a malta calada é condição fundamental para se começar a aprender. Manter a malta calada significa apenas, garantir que só fala um de vaca vez (seja quem for). Aquilo que se dizia, no meu tempo, "quando um burro fala os outros baixam as orelhas".

Neste momento, o desrespeito por tudo e todos é de tal ordem que nenhum aluno entende como falta de consideração por si próprio estar no uso da palavra enquanto uma boa parte dos restantes palra do que lhe apetece.

..."por em prática as suas ideias"
O Baldassare ainda não percebeu que em termos da sofisticação de ideias necessárias ao tempo em que vivemos, as "ideias" de um adolescente português típico contemporâneo se ficam ao nível do raciocínio do batráquio?

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baldassare disse...

Quando, numa aula, há quem ordena e quem cumpre, estamos a educar para o não exercício da liberdade.
E é verdade que o não exercício da liberdade facilita a apreensão de conhecimentos pela maioria. Mas vai criar uma geração de não-livres e de não-criativos, que vão fazer tudo segundo o que lhes foi ordenado.
Os jovens são tratados como baráquios, até um professor reconhece isso. Têm, desde cedo, que tomar consciência que são batráquios, na família, na hierarquia da escola...
Quem pensa por si próprio (quem é "respondão") está condenado ao fracasso. Então, para quê não ser batráquio?

Estou farto do "anda muito saidinho da casca", do "olha a formiga já tem catarro", do "isso não é para a tua idade" etc...
Educação para a Liberdade, já!

P.S.- quem escreveu isso não foi o Baldassare, mas sim Emmanuel Kant, esse adolescente incorrigivel.

RioDoiro disse...

Um post comentário que aqui tentei colocar, escafedeu-se. Amanhã voltarei.

Nan disse...

O que é giro é que esse «eterno adolescente» foi mandado à escola e não parece ter-se dado mal com o que lá aprendeu, nem a sua passagem pela escola parece tê-lo privado da capacidade de pensar livremente. Este tipo de críticas contra a escola, ao estilo do «teacher leave the kids alone!» é feito por pessoas que passaram pela escola e beneficiaram do que lá aprenderam apesar da tão criticada falta de liberdade. Se deixarmos um pequerrucho fazer tudo o que quer e apenas o que quer, duvido que ele venha a aprender o suficente para elogiar a liberdade de gozou!

baldassare disse...

Eu estou de acordo consigo. A escola é útil. A escola é essencial. A escola ensina e educa. Sem escola não podia haver uma sociedade desenvolvia. Eu amo a escola.
Mas sem dúvida que a escola é uma limitadora das liberdades. Nem podia ser de outra maneira.
A escola, ao ensinar, condiciona. E esse condicionamento é favorável à civilização.
Por admitirmos que a escola é uma condicionante da acção humana, não quer dizer que somos contra a escola. E Kant não era, de certeza, contra a existência da escola. Assume que a escola é inibidora. Assume também que a escola pode ser um instrumento de controlo político. E é.

Nan disse...

Claro que é! Por que motivo pensa que os programas são cada vez mais desarticulados, evitando que as crianaçs cheguem a perceber seja o que for? É que as massas ignorantes e convencidas de que são educadas governam-se muito melhor e não pensam - suprema perfeição!

RioDoiro disse...

Bem dito, Catarina.

Ponhamos a coisa assim, para simplificar:

A escola é limitadora das liberdades, particularmente daquelas em que os alunos insistem em fazer figuras tristes, quando insistem em generalizar sem perceberem que as figuras tristes são (deviam ser!) o grosso da coisa, e as outras a excepção.

Insistindo na conversa niilista, esses alunos não gostam de abordar a coisa do ponto de vista quantitativo (o que é, ou deve ser regra, e o que deve ser excepção), preferindo uma estratégia que consiste apenas numa tentativa de camuflagem do niilismo intrínseco à 'causa'.