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domingo, fevereiro 24, 2008

A Escola e os valores

A Escola é uma instituição social. Como tal, é natural que transmita valores. Mas será que esses valores devem estar explícitos no programa oficial?
A minha resposta é: deve estar escrito o valor da liberdade, pois permite adoptar qualquer valor.
Se for dada liberdade de escolha e de expressão, a Escola é neutra, pois permite a adopção dos valores que cada um quiser adoptar. Só existem duas alternativas: ou se transmite o valor da liberdade, ou endoutrina-se os valores que se considere positivos. Deus nos livre da segunda opção...

A liberdade é o primeiro dos valores, pois permite a adopção de todos os outros. E é este o valor que a Escola deve ensinar, com o objectivo de termos futuros cidadãos livres.

É claro que os professores, as famílias e os colegas formam o resto dos valores de cada um. (Quando falo de liberdade de expressão falo em liberdade de expressão por parte de professores, famílias e sobretudo alunos.)

Além disso, a liberdade leva naturalmente à formação de outros valores, que todos consideramos benéficos. Por exemplo, a responsabilidade. Se for dado ao aluno liberdade e ele aproveitá-la mal, terá as respectivas consequências (algumas inerentes ao acto que o aluno praticou, outras através da aplicação de castigos...). Isso desenvolverá nele o sentido de acto-consequência, levando naturalmente à responsabilidade.
A solidariedade também pode nascer naturalmente da liberdade, pois é um valor humano, espontâneo, inato, mas que precisa de contacto com outros humanos para se desenvolver (é este o único argumento contra as aulas de substituição... e chega para torná-las absurdas).

Outros valores nascem do contacto com a liberdade, e os que não vêm daí, são transmitidos pelos familiares, professores, amigos e meio social em geral. Desde que haja liberdade para os adoptar ou não, tudo bem.

Todos os outros valores não deviam estar em nenhum programa, para que fôssem os alunos a ponderar e adoptar os valores pelos quais querem reger a sua vida.

sábado, outubro 06, 2007

Recortes do discurso do Presidente no dia da República

" [Ao longo destes anos] tratámos a escola como um problema de governo e não como um problema de regime. E concentrámo-nos em demasia na relação entre o Estado e a escola, sem atender ao papel e às responsabilidades próprias da sociedade civil."

A Escola é um problema de regime e os valores do regime estão espelhados na Escola. A Escola de hoje é a sociedade de amanhã. Se queremos que o regime seja hoje e amanhã um regime democrático e livre, há que ensinar a democracia e a liberdade.
Isso tem de ser feito na óptica da liberdade de expressão da opinião e com o máximo de neutralidade possível. Respeitar as diferentes opiniões, incentivando-as.

"Encontrar uma estratégia nacional para a educação das novas gerações, que a todos mobilize, é a melhor homenagem que podemos prestar aos valores republicanos."

A Escola tem de ser um regime democrático. E republicano...

"Nesta ocasião, gostaria de propor aos Portugueses um novo olhar sobre a escola, sobre um modelo escolar construído à luz da ideia de inovação social. Não quero dirigir-me especialmente ao Governo e à Assembleia da República. Quero dirigir-me a todos os Portugueses. A ideia de inovação social impõe-nos novas estratégias, conceitos e práticas para a satisfação de necessidades sociais. A ideia de «inovação» não é um exclusivo das actividades empresariais. É possível inovar – e inovar socialmente – nos mais variados campos, incluindo a educação. "

A Escola só consegue ter alunos e professores inovadores quando ela própria inovar, no modo como está estruturada. Menos hierarquia entre professores e alunos estimula um ambiente de trabalho, em vez de um ambiente de guerrilha. Mais liberdade individual para os alunos cria aprendizagem social, que não pode ser ensinada em salas de aula. Formação cívica e democrática produz uma sociedade tolerante, democrática, liberal. Republicana. A Educação centrada no Aluno foca os esforços nos interesses presentes e futuros do aluno, que é, no fundo, o originador da Escola e o futuro cidadão.

"Devemos começar por afirmar que uma escola republicana é uma escola plural e aberta, que cultiva a convivência entre as mais diversas convicções, credos ou ideologias. É também uma escola neutra, no sentido em que não se encontra ao serviço de uma qualquer ideologia oficial patrocinada pelo Estado ou qualquer organização"

Esta é a parte do discurso que gostei mais. Enquadra-se no Tema deste mês: como educar para a democrcia? Resposta do Presidente: cultivar "a convivência entre as mais diversas convicções, credos ou ideologias", nunca esquecendo que a escola é neutra. Ah Grande Cavaco!

"Por outro lado, importa sublinhar que a educação é a base da verdadeira inclusão social, pois esta encontra-se associada, em larga medida, às qualificações e competências de que cada um dispõe. Mas também num outro sentido se deve salientar o carácter inclusivo da escola: a democratização do ensino e a escolaridade obrigatória são factores de igualdade e elementos de convivência interclassista, interracial ou interconfessional. Para que essa convivência não se limite à superfície da realidade, é necessário que existam condições materiais para uma efectiva igualdade de oportunidades, a qual só pode alcançar-se através de um maior e mais activo envolvimento da comunidade com a escola."

Só falta isto para que os melhores, e não os mais ricos, fiquem com as melhores escolas (as que têm melhores condições materiais e humanas).

"Temos, de facto, de adoptar uma nova atitude perante a escola. Temos de perceber que aí residem os activos mais importantes do nosso futuro. É imperioso ter a consciência de que o investimento mais reprodutivo que poderemos fazer é nas crianças e nos mais jovens."

A última frase é a melhor do discurso. Investir na Escola é investir no futuro.

Depois disto, o Presidente fala dos pais e dos professores. Essa parte já foi muito comentada, sobretudo pelos sindicatos. Por isso, quem quiser ler o discurso integralmente, siga o link

Este foi o melhor discurso presidencial que já ouvi. Cavaco costuma surpreender nos discursos. Fê-lo no último 25 de Abril, mostrando-se bastante à esquerda do governo e fê-lo ontém, com um discurso idealista, muito republicano e com umas frases que ele sabia que iam ser utilizadas contra o governo. Nunca pensei que Cavaco Silva desse um presidente tão bom. Pelo que ele já vetou e pelo que ele já disse ao longo deste mandato, faz-me cada vez mais acreditar que o sistema democrático de escolha do chefe de estado é o melhor. Falo da República.

Um bom discurso. Um bom presidente. Um bom regime. Viva a República!

quarta-feira, outubro 03, 2007

Liberdade de Expressão

Pode/deve a Escola ensinar a democracia? Pode. Deve.

Quando falo em ensinar a democracia não falo em aulas de democracia (nessas aulas ensinava-se o quê? A fazer uma cruzinha?...).

Se deixamos, como diz ali em baixo o Ctrl.Alt.Del, florescer naturalmente a democracia, há um risco: que ela não floresça. (Este post parte do pressuposto que todos queremos que a democracia floresça...)

Então, o que é ensinar a Democracia? É pôr nas escolas os valores inerentes ao sistema democrático, que são, entre outros:

- Liberdade de Expressão
- Direitos do Cidadão
- Deveres do Cidadão
- Respeito pelas minorias/ Tolerância
- Cidadania

Vou, durante as próximas semanas, falar destes temas um a um. A Educação para a Democracia é muito mais difícil de ensinar que a Educação para um sistema totalitário. Por isso, tem de ser feita de uma forma mais continuada e aberta a diferentes pontos de vista. É aí que começa a democracia: nas diferenças. Votamos porquê? Porque existem diferentes projectos que nos são propsostos. As diferenças e individualidades fundaram a democracia. Por isso, há uma coisa sem a qual a democracia não consegue viver: a Liberdade. E dentro da Liberdade, a Liberdade de Expressão. Esse é o primeiro tema que vou analisar.

  • Liberdade de expressão:

A Escola pode educar para a Liberdade de expressão. Pode fazer isso por permitir, nas áreas onde isso é possível, que os alunos formem e tenham uma opinião.

Por exemplo, isso hoje já acontece quando, pelo menos no Ensino Básico, há aquela reunião de final de período com o director de turma, onde os alunos falam do que está mal e bem no funcionamento da escola, ponto por ponto.

Educar para a liberdade de expressão pode ser uma área a melhorar, por exemplo, na disciplina de Formação Cívica (FC). Ups, disse "disciplina". Primeiro passo: a FC ser considerada uma disciplina. Depois, há que abordar temas nessa disciplina, onde os alunos possam fazer pesquisa (como trabalho de grupo, por exemplo) e debate, com toda a turma. Em Português, também se podia fazer uma coisa: permitir diferentes interpretações de um texto, ou de um poema.

Até aqui estive a falar mais do Básico. Quanto ao Secundário: criar a disciplina de Formação Cívica. É essencial que os estudantes, em idade de formação de ideias, tenham um apoio que contextualize e explique um pouco de política, cultura etc... Há jovens que chegam aos 18 anos, sem saber os órgãos de soberania da República. Vão votar, portanto, no que tem outdoors mais fixes... Não é fazer propaganda na Escola. É explicar o que cada teoria defende, e o contexto actual. Isso poderá trazer alguma subjectividade, dependendo do professor. Mas eu prefiro a subjectividade à total ignorância.

Em Filosofia, deixar espaço para a opinião dos alunos para as questões aí analisadas. Ouvir todas aquelas teorias pode parecer muito distante e abstracto. Mas se o aluno se puser a pensar e a questionar o que ouve, percebe melhor o que está a aprender. Há professores que já fazem isto, mas não é algo institucionalizado. É uma opção do professor, não uma opção programática.

Quando ouvimos falar em liberdade de expressão a primeira coisa que pensamos é imprensa. Em algumas escolas já há clubes de jornalismo. Haver um jornal da escola, com espaço para opinião era bom. Ou um fórum...

Para além disto, há muitas mais coisas que se podem fazer. Cabe a cada escola arranjar métodos aplicados aos seus alunos, para aplicar a liberdade de expressão.

Não me revejo no argumento do Ctrl.Alt.Del, quando diz que a falta de liberdade faz nascer a democracia. Se calhar, é por termos vivido quarenta e tal anos em ditadura que somos uma das democracias mais avançadas da Europa... Não! Países como a França ou a Inglaterra, que não entraram na "moda" nazi-fascista que varreu o resto da Europa Ocidental, são hoje as democracias mais aprimoradas da Europa. Basta ver o parlamento inglês ou a laicidade francesa, para constatar isso. Na Escola, a mesma coisa: quanto mais democrática fôr a Escola, mais democrática será a sociedade. Claro que a Escola não poderá, talvez, tornar-se 100% democrática. Talvez por isso não haja nenhuma democracia perfeita...

sábado, setembro 15, 2007

Uma questão de Liberdade, mas sobretudo de Igualdade

Ontém, no Expresso:


Sob a presidência de Maria Barroso, realizou-se no passado fim-de-semana em Lisboa, na Universidade Católica, o Simpósio Internacional da OIDEL, associação europeia de escolas independentes, dedicado ao tema 'A escolha da escola face à justiça social: dilema ou miragem?' É difícil exagerar a importância da iniciativa e a profunda actualidade do tema.

Parece-me particularmente feliz que o tema da escolha da escola tenha sido directa e explicitamente ligado à justiça social. Na minha opinião, seguramente falível, a escolha da escola é uma daquelas pequenas mudanças estratégicas que pode ter enormes consequências melhoristas: na qualidade do ensino e na justiça social.

Hoje, as famílias têm de recorrer à escola estatal da residência ou local de trabalho. Se pudessem escolher independentemente desse constrangimento, isso introduziria concorrência entre as escolas do Estado para atrair os seus alunos. Teriam de melhorar a qualidade e anunciar essas melhorias aos seus potenciais clientes: as famílias. Quanto menos alunos tivessem, menos recursos teriam, e vice-versa. Está aqui um dos mais poderosos incentivos para melhorar.

Se, além disso, a escolha fosse alargada às escolas particulares que preenchessem certos requisitos básicos, os efeitos benéficos da concorrência seriam ainda mais fortes. Na Suécia, este já é o caso. O Estado fixa um custo por aluno e paga-o integralmente à escola, estatal ou privada, que a família escolher. Para beneficiarem deste sistema, as escolas privadas têm de aceitar não cobrar ao aluno mais do que aquilo que recebem do Estado. Desta forma, o ensino continua gratuito para o aluno, mas é fornecido em regime de concorrência por entidades estatais e privadas. (Outras escolas independentes podem cobrar propinas mais altas, mas não beneficiam do pagamento do Estado).

Ganha-se com isto eficiência e justiça social. Um dos grandes problemas actuais é que os mais pobres ficam 'acorrentados' às escolas locais, muitas vezes mais problemáticas e menos boas. Isso perpetua o ciclo da pobreza e restringe as oportunidades de vida dos mais desfavorecidos. A escolha da escola libertá-los-ia dessa armadilha de pobreza. Para facilitar a deslocação às famílias com menos posses, o Governo inglês, por exemplo, está a introduzir autocarros escolares para transportar alunos dentro de limites razoáveis.

Um pouco por toda a Europa a ideia da escolha da escola pelas famílias vai fazendo o seu caminho. Era tempo de podermos discuti-lo serenamente em Portugal. Foi isso que aconteceu no simpósio da OIDEL.


João Carlos Espada


Concordo em parte com esta posição de João Carlos Espada. A utopia irrealista da suposta igualdade de recursos materiais e humanos entre as escolas públicas, em vez de criar igualdade, cria desigualdades. Os melhores bairros ficam com as melhores escolas. Porquê? Porque os professores, quando são colocados, colocam como opção prioritária as escolas em zonas menos problemáticas. Se o critério fosse o aproveitamento em vez da área geográfica, haveria, certamente, mais justiça. Um aluno, por muito bom que seja, se for obrigado a ficar numa escola má (porque, repito, existem boas e más escolas públicas, quer queiramos quer não), dificilmente consegue aproveitar as suas capacidades.

Acusar-me-ão de querer uma escola elitista. De certa maneira é verdade: não tenho nada contra um sistema elitista, do ponto de vista das capacidades. Um sistema onde os melhores alunos ficam com as melhores escolas, em oposição ao sistema actual, onde os mais ricos ficam com as melhores escolas (pessoas com dinheiro moram nos melhores bairros onde existem boas escolas... pessoas sem dinheiro moram nos piores bairros, onde existem más escolas.)

Ou se uniformiza as condições e recursos humanos de todas as escolas do país- o que me parece completamente impossível- ou se introduz um sistema de vagas, onde o critério são as capacidades, não o salário dos pais.

A minha divergência em relação à posição de João Carlos Espada é a penas uma: ele defende que as escolas privadas devem entrar nesta equação. Eu defendo que este é um sistema que só deve incluir escolas públicas. Os melhores alunos (e os outros) têm de estar no sistema público, onde os critérios e o programa são claros, objectivos e controlados pelo Estado. Quem quer privados, que pague. Esse é o critério da Escola Privada. Não pode ser o critério da Escola Pública.




quinta-feira, setembro 13, 2007

Propaganda Socialista (2)



Como diz Vital Moreira e muito bem, devia ser impossível uma imagem destas num país constitucionalmente laico.
Uma das coisas de que me orgulho enquanto português é de Portugal ser um dos dois países da Europa Ocidental (UE-15, pelo menos) que não reconhecem nenhuma religião ou influência religiosa na constituição nacional. (O outro país é a França).

Há estados, como o Reino Unido, em que o chefe de estado é também chefe de uma religião nacional, neste caso a Igreja Anglicana. Há outros estados que dão à ICAR o estatuto de Religião Nacional, outros reconhecem uma origem judaico-cristã. Portugal é laico, ou seja, não existe nenhuma religião favorecida ou reconhecida como "nacional". Há liberdade religiosa, mas o Estado é neutro. Este é um princípio fundamental de um Estado republicano e baseado na liberdade individual.

Lembro-me quando estava na Escola Primária, onde havia um crucifixo em cima do quadro, sei que existem escolas onde há a benção das pastas, mas isso ainda é remotamente tolerável, pois parte de um hábito, de uma tradição inofensiva. O grave é quando isto acontece num acto propagandista de um Governo, na presença do PM e de uma Ministra.

Os valores que a Escola deve incutir são os valores da República, da tolerância, da igualdade, da liberdade de escolha e de credo. Os valores de uma instituição religiosa devem ser incutidos pela instituição religiosa aos seus fiéis. O primeiro a cumprir a lei devia ser o Estado e os que foram eleitos para o governar.

P.S.: Se este tipo de propaganda, com uma autêntica Revolução cultural (tecnológica) pelo país, parecia digna deste, digamos que com esta imagem, já se parece mais com o "Marxismo-Leninismo Cristão" deste. E dizem que ele é de direita...

segunda-feira, julho 09, 2007

sexta-feira, maio 25, 2007

Resposta ao bom post

Bom post de Range-o-Dente. Claro, argumentativo e convincente.

A minha resposta:

A Educação centrada no Aluno não dá assim tanta margem de escolha aos alunos. Os alunos não podem escolher se querem ou não estar na Escola. Nem as famílias. Porque não cabe só aos alunos e às famílias a educação.

Tem de ser a Escola a educar. E tem de educar segundo os valores que quer que a sociedade futura tenha. Quais são esses valores? Para mim, tem de se educar à liberdade, responsabilidade, cidadania, democracia, respeito pelos outros etc...
Como é que se educa para a liberdade? Dá-se liberdade. Dá-se rédea. Dá-se espaço ao aluno. Se o aluno gerir bem essa liberdade, tudo bem. Poderá, inclusivamente, dar-se ainda mais liberdade. Se, pelo contrário, o aluno não corresponder, retira-se a liberdade e passa-se a exigir responsabilidades. Essas responsabilidades poderão passar (em casos graves) por expulsão, multas, internato etc...

A Educação centrada no Aluno implica uma mudança de atitude em relação à escola. O Aluno não é um meio. É um fim. É o objectivo da Escola.

Voltando à questão da liberdade: um aluno que não queira estar na sala de aula é muito prejudicial.
Um aluno que não quer estar na aula e não vai, prejudica-se (ou não). Um aluno que não quer estar na sala de aula e é obrigado a ir, prejudica-se a si e prejudica todos os outros, mesmo aqueles que querem lá estar. Então, damos prioridade aos interesses do aluno que não quer ir à aula, por obrigá-lo a ir? Ou damos prioridade aos interesses do aluno que quer estar na aula?
Temos de ter prioridades. Segundo este modelo, ajuda-se o aluno que quer estar na aula, por dar-lhe uma aula onde só lá está quem quer.
Ajuda-se também o que quer faltar às aulas. Como? Bem, em primeiro lugar porque lhe fazemos a vontade... Depois, por exigir as responsabilidades, que incluem aulas de apoio, ajudamo-lo a compreender que tem de acordar para a vida. Mas atenção: claro que este sistema dá prioridade aos interesses do aluno que quer estar na aula. Os interesses do que usa mal (ou não) a sua liberdade estão postos em segundo plano. Mas ainda assim constituem um plano.

É como digo: o sistema está podre, e tem de ser substituído por outro, que incuta os valores que queremos para o futuro. É aqui que o seu modelo (desculpe lá... não sei como lhe chamar) e o meu divergem. Nos valores que queremos para o futuro.

Nota: quando digo "prejudica-se (ou não)" e "usa mal (ou não) a sua liberdade", utilizo o "ou não" porque um aluno que falta a algumas aulas pode ter boa nota. Hipoteticamente.
A avaliação contínua é uma hipocrisia e as aulas deviam contar muito pouco na nota do aluno. Os conhecimentos devem ser avaliados por testes, provas e exames. Vou escrever sobre isso para a semana, e a Pergunta da Semana de Terça-Feira vai ser sobre isso.

terça-feira, abril 24, 2007

Pergunta da Semana

O que mudou na Escola desde o 25 de Abril de 1974?


segunda-feira, abril 23, 2007

Citação da Semana

É por isso que se mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm de pôr em prática as suas ideias.

Emmanuel Kant
via Citador

sábado, abril 07, 2007

A Escola Educa.

Post do Range-o-Dente, no seu blogue:

Em sequência a vários assuntos levantados pelo Baldassare, volto à carga.
Volto a afirmar que a escola, na sua faceta mais visceral, se resume a um triângulo: Matéria, professor, aluno (deixo a discussão sobre a ordem apropriada para quem gosta de discutir o sexo dos anjos).
O professor ensina a matéria, o aluno aprende a matéria. A matéria é o elo de ligação.
Os alunos mais novos (pelo menos até ao 9º ano) não podem ter voto quando se trata de escolher o que querem ou não aprender. A partir daí e até determinado ponto, poderão apenas escolher o ramo a que queiram mais dedicar-se (por sua exclusiva responsabilidade).
Já agora, contrariamente ao que algumas luminárias do Ministério da Educação(?) pensam, a educação deve, fundamentalmente, ser dada pela família. À escola cabe primordialmente ensinar e, só depois de o conseguir fazer eficaz e eficientemente pode pensar noutros voos (não quer dizer que não tenham lugar uns laivos de educação, mas a coisa fundamental é ensinar matéria – coisas relativas ao mundo em que vivemos, como mortais que somos). Aliás, o Ministério deveria chamar-se Ministério do Ensino.
Já se sabe que as famílias são uma manta de retalhos que, a existirem com alguma solidez, se reúnem à volta do maior caixote de lixo da história, a televisão, snifando gases putrefactos. Ou se reúnem ou se isolam, cada um por sua conta, frente a TVs ou ainda a computadores onde a Internet, manancial fonte de copy+paste e chats imbecis, domina a educação caseira.
Entre os alunos instalou-se um clima em que é rejeitado (pelo grupo, de comportamento cada vez mais acarneirado), todo o aluno que não “curte”, na totalidade (pois claro) a estupidez reinante.
Paralelamente à instalação deste clima, as tais luminárias do ministério foram criando um novelo de absurdos, capitaneado pelas Ciências da Educação.
Esse novelo foi começando simplesmente por se tornar um estorvo ao ensino (aquela coisa que na escola se espera que aconteça), para, paulatinamente, ir tentando desmanchar o tal triângulo das tripas. Ir tentando, quer dizer, escaqueirando.
Á medida que das luminárias foram vertendo paradigmas (héhé), a escola foi começando a conseguir ensinar cada vez menos.
O aluno não aprende? Porque o método não é correcto.
O aluno não aprende? Porque não lhe foram feitas as perguntas correctas.
O aluno não aprende? Porque lhe faltam os equipamentos adequados.
O aluno não aprende? Porque há muita indisciplina, perdão, porque os alunos são problemáticos, perdão, são originários se bairros problemáticos. (Parece que 95% do país é composto por bairros problemáticos)
O aluno não aprende? Porque as aulas não são “apelativas”.
O aluno não aprende? Porque “a matéria sugerida não é a que lhes interessa”.
...
Qualquer mortal percebe que, implicitamente, está em jogo a autoridade e o poder do professor.
Já sei que o Baldassare não gosta da palavra ‘poder’, mas isso é um problema dele. Não há autoridade sem poder, a não ser na cabeça(?) das tais luminárias – não só mas também, já se percebeu. À guisa de sugestão sugiro que o Baldassare, antes de dormir, repita 50 vezes a frase “autoridade e poder são duas faces do mesmo todo”, e medite o seu significado. Se mesmo assim não for lá, problema dele. Esta coisa de aprender quase nunca acontece sem suor.
Voltando às aulas, a escola tem-se transformado numa espécie de prolongamento do jardim de infância, uma coisa destinada a fazer passar o tempo sem se dar por isso. Uma alternativa à ida à revista, onde o aluno, coisas passiva, assiste e gosta ou não.
O novelo de absurdos criado à volta do triângulo, acabou por absorvê-lo, tendo-se entrado no reino do disparate total. Pretende-se que os alunos aprendam, sem esforço, coisas que lhes são sugeridas como mera hipótese de diversão.
Há pessoas que supõem que alunos desta idade têm “crenças” que o professor não deve contrariar: a aula certificadora do bom selvagem.
Como é de esperar, o resultado é patente. Cada vez se aprende menos, sobre o que quer que seja. A estatística não ajuda, a culpa é da estatística, escaqueira-se a estatística. O aluno continua a não aprender, naturalmente porque a matéria é inadequada. Curiosamente nunca é substituída, apenas removida.
A fasquia que, em cada momento, cada aluno tem pela frente vai sistematicamente baixando e, mesmo assim, a estatística não melhora.
As luminárias ficam perplexas (palavra que eles adoram), mas insistem em negar a realidade. As intenções deles são as melhores, logo, o mundo está errado.
As luminárias, munidas de uma verborreia do politicamente correcto, levam a arte ao zénite do nada.
Os alunos continuam sem aprender, entretanto em segunda geração: os papás respectivos despejam os rebentos na escola como se esta os substituísse.
Já sei que o Baldassare acha que eu defendo coisas do tempo da outra senhora (coisas de Velho do Restelo – percebendo-se que, de Velho do Restelo, o Baldassare nada percebe). Sugiro que ele leia este artigo, do Pacheco Pereira, em que ele explica a origem do politicamente correcto. [Não consegui link para o original do Abrupto, converti o artigo em PDF].
A cambada continua a sair da escola cedo demais e, mesmo quando lá fica mais uns tempos, a aprender pouco.
Os programas vão sendo dizimados de matéria e os canudos lá vão sendo distribuídos, como se isso tivesse alguma importância no mundo real: aquele em que as pessoas decidem, frente a uma prateleira de supermercado, por determinado produto em função da relação preço qualidade.
O Ministério continua a supor que o copy+paste é suficiente.
A malta não aprende o suficiente para se aguentar face a americanos, japoneses, ingleses, franceses, alemães e agora, blasfémia, indianos e chineses. Não bastava já estes dois ganharem menos que a malta e, ainda por cima, parecem trabalhar melhor que nós. Porque será? Será que nas escolas chinesas se ensina pelas mesmas bitolas que aqui?
O Velho do Restelo avisou: vejam lá onde se vão meter.
Descobrimos o caminho de água para a Índia, mas os proveitos foram esbanjados em sumptuosidade. Quem ganhou?
Pouco depois o ouro do Brasil. As riquezas eram trocadas por quinquilharia mais ou menos vistosa no Mar da Palha – nem chegava a terra. Quem ganhou?
Nas colónias de África nem tanto. Não f...... nem saímos de cima.
Na Comunidade, uma parte significativa do cacau foi refundida em BMWs. Os alemães agradeceram. De outra parte fizeram-se infra-estruturas que agora nos vemos à rasca para manter. Do que sobrou fizemos formação, mas esquecemo-nos, mais uma vez, de chamar à atenção dos alunos que a parte que lhes competia era a parte em que era suposto aprenderem (e, se calhar, a história vai repetir-se brevemente).
Milhares e milhares de gajos fizeram formação em quantidades industriais. Tudo servia. Qualquer gajo se inscrevia em cursos de cabeleireiro após ter terminado um de informática. Tiravam-se cursos em chouriço. Resultados?
Os centros de formação que pretendiam manter padrões mais elevados aplicavam o chumbo sem tibiezas, mas logo apareciam umas luminárias chamando a atenção que a estatística (os ‘ratios’ como eles gostam) estavam demasiado baixos e, portanto, havia que alinhar na balda generalizada - ou os subsídios seriam capazes de escassear.
...
Já com o lodo pelo pescoço, aparece uma ministra que não sabe muito bem para que lado se há-de virar. Globalmente tem feito um trabalho razoável, mas ainda está para se ver o que pretende ela parir em relação à matéria e à disciplina.
A história da TLEBS não abona em favor dela. A história da disciplina também não se percebe muito bem. Um leitor habitual deste blog chamou a atenção para que possa ser provável que ela retroceda o caminho que tem vindo a ser seguido (desautorização do professor) apenas por lhe parecer uma coisa inevitável (dai mais poder ao professor e mais responsabilidade à família) mas ele chama a atenção de que isso pode ser uma decisão a contra-gosto.
A disciplina é um valor fundamental de qualquer sociedade que se preze. Disciplina em tudo. Horas de chegada, de estudo, de ir para a cama (dormir o suficiente), etc.
Exercitando a imbecilidade generalizada, curte-se o canudo do 12º com uma viagem a Espanha onde se apanham bebedeiras em cascata, ao som de música chunga. Só se acorda quando o Sol se põe, vai-se para a cama mal ele desponta. Fornica-se muito também.
Conhecer, de facto, o local para onde se vai? Só se for as reives lá do sítio. Que outra coisa poderia ser?
... e por aqui, provavelmente, me fico. Já teclei mais do que suponha ser necessário para explicar o óbvio.

Resposta:

Começa por estabelecer que a matéria é o elo de ligação entre o professor e o aluno. Eu considero que o professor é o elo de ligação entre a matéria e o aluno. Cabe ao professor explicar da melhor maneira possível a matéria estipulada pelo ME.

Eu nunca disse que queria que os alunos decidissem a matéria a ser leccionada/aprendida. Isso não era uma Educação centrada no Aluno, mas uma Educação feita pelo Aluno (tal como acontecia pouco tempo depois do 25 de Abril, quando os alunos quase mandavam nos professores...).
O conceito de Educação centrada no Aluno é muito mais simples: deve ser o aluno o principal considerado nas decisões relativas à Escola, porque é o aluno o centro natural da Escola.

A Escola, mais do que ensinar, deve educar. Não podemos deixar às famílias a responsabilidade de criar toda uma geração. Até porque há famílias e famílias... Se assim fosse, havia muitos que tinham uma má educação, só porque vêm de uma família que não educava bem. Era injusto. (e perdoe-me se a Justiça é um conceito demasiadamente politicamente correcto)

A Escola deve educar.
É daqui que parte a minha posição da Escola centrada no Aluno. Se a escola deve educar, que tipo de educação damos para obtermos, no final, que tipo de sociedade?
Há que definir que tipo de sociedade queremos para o novo século: se uma sociedade mais livre, democrática, justa e responsável, ou se uma sociedade de hierarquia injustificada, repressão, injustiça e “respeitinho”.
Se optarmos pela primeira, queremos, naturalmente, uma Educação que incuta estes valores na futura geração.

Para incutir a liberdade, nada melhor que dar liberdade. Para incutir democracia e justiça, nada melhor que estabelecer um modelo de ensino em que a relação professor-aluno e aluno-aluno seja mais democrática. Para incutir a responsabilidade, nada melhor que requerer responsabilidade (o que só pode ser feito se houver liberdade...).

A Sociedade de amanhã vai reflectir a Escola de hoje.
A desresponsabilização do aluno é fruto da Educação centrada no Professor. Se acreditamos que é o professor o elemento principal da Escola, é porque achamos que ele deve ser o responsável pelo sucesso dos alunos. A lógica da Educação centrada no Aluno é:

O Aluno não aprende? Culpa dele. O que interessa é educá-lo para a liberdade, responsabilidade, democracia e justiça.

quinta-feira, março 29, 2007

Não há palavras caras - Liberdade

Como nova utilizadora deste blog tenho o prazer de me dar as auto-boas vindas e de comunicar o teor dos meus posts que vão passar a ser editados ás quintas e que será... tcharam! Filosofia! Essa minha querida disciplina! Como o nome dos posts indica, não são para gente que queira ver altos palavrões... Para esses temos o baldassare o o Ctrl.Alt.Del. que dão bem conta do recado.
Ora começando, o tema de hoje será a liberdade e o que ela é, para mim...
Hoje em dia este é um dos assuntos mais discutidos em todo o lado, juntamente com os impostos, o Iraque e os saldos da estação Outono-Inverno. Mas é dos temas que não perdem o interesse porque ainda não existe um significado universal. Sempre que se fala nesta tema surge a típica frase: “A liberdade de uns acaba onde começa a dos outros”. Até aqui tudo bem, todos entendem que somos livres para darmos a nossa opinião sobre, por exemplo, o estado da política (de mal a pior), não podemos é impedir uma outra pessoa de dar a sua opinião. Este é o fio condutor que nos traz de volta á verdadeira questão: ” Então o que é a liberdade?”. Se a liberdade consiste em sermos livres para fazermos o que quisermos e, se ao impedir o outro senhor de dar a sua opinião não estamos a respeitar a liberdade, nesse caso a liberdade não existe! Para existir uma liberdade absoluta só podia existir uma única pessoa, e essa sim, seria livre de fazer tudo o que lhe apetecesse sem prejudicar ninguém, simplesmente porque não haveria ninguém para prejudicar! Esta é a verdade, segundo a minha opinião (não quero impedir ninguém de dar a sua!), incómoda sobre a liberdade! Não pode existir liberdade absoluta para ninguém pois existe mais do que uma pessoa no Mundo! Mas isso não é, necessariamente, uma coisa má! Todos precisamos de todos para existirmos! Para que exista liberdade tem que existir pelo menos uma pessoa e, como para existir uma pessoa é necessária a presença de mais pessoas, a liberdade absoluta é inviável! Ninguém pode dizer que é absolutamente livre se tiver mais gente á sua volta.
Em suma, a minha opinião é que a liberdade é um conceito inviável e não existente.
Aqui fica o primeiro post...

quarta-feira, março 28, 2007

A Escola Centrada no Aluno e a Educação mais competitiva

Se se dá maior liberdade aos alunos, como fazer para que eles obtenham bons resultados escolares?
Competitividade. Concorrência. A Escola, se quer ser mais democrática tem de ser, naturalmente, mais competitiva.

1 Como já disse aqui e aqui, sou a favor da escolha de escolas. Se é notório que todas as escolas têm condições diferentes, tem de haver a possibilidade de escolha para os alunos e para as famílias. Dessa maneira, não ficam os dos “bons bairros” com a boa escola e os dos “maus bairros” com a pior escola. E se todos quiserem ir para a mesma escola? Tem de haver um sistema de vagas, onde o critério é o aproveitamento escolar. Prefiro este critério do que o critério do dinheiro que os pais têm... Os alunos são pressionados a ter melhor aproveitamento para poderem escolher a escola que querem. A Escola Pública tem de se basear neste princípio: somos todos iguais, mas temos apetências diferentes, que têm de ser estimuladas.

2 Se existe maior autonomia por parte dos alunos, naturalmente existe maior independência. Se há maior liberdade na gestão do tempo, os alunos tomam consciência que têm de lutar por eles próprios, aproveitando as ajudas dos professores.

3 Sou a favor da redução da carga horária obrigatória e do aumento das horas de apoio, que seriam aulas obrigatórias para os que têm mais dificuldades e facultativas para os outros (ver este texto, ali em baixo). Os alunos que não quisessem de maneira nenhuma ir a estas aulas (para aproveitarem melhor o tempo, para se divertirem, para fazerem o que quisessem), ir-se-iam esforçar para terem bons resultados, a fim de não serem obrigados a ir às aulas de apoio...
Actualmente, o bom aluno não tem recompensa. Ao bom aluno, pelo contrário, exige-se-lhe maior participação, ajudar os colegas, mais trabalho...
Uma Educação Centrada no Aluno premiaria os melhores com menos horas obrigatórias.

sexta-feira, março 16, 2007

Educação para a Liberdade

Resposta ao post do Ctrl.Alt.Del:

A educação centrada no aluno nunca foi, até hoje, praticada no ensino público em Portugal.

A escola tem de ser também "escola da vida", "escola da responsabilidade" e "escola da cidadania".
Uma educação centrada no professor ou no conhecimento é uma educação que ensina a matéria programada, que educa no sentido da submissão e da hierarquia injustificada. Não faz nada pela liberdade (antes, oprime-a) nem pela responsabilidade (porque se não se dá liberdade, não se pode pedir responsabilidades).

Mesmo que, para alguns alunos, o sistema do aluno como centro da Escola seja pior (porque não conseguem lidar com a sua liberdade e assumir as suas responsabilidades), isso não é razão para educarmos toda uma geração, ou várias gerações, no sentido da desresponsabilização.
'Deixem os alunos serem alunos!'. Mas ser aluno não é aprender e evoluir? Deixar os alunos ser alunos é dar-lhes espaço para errarem e aprenderem (ou não) com os seus erros.

Os professores devem continuar a ter poder nos conselhos executivos e nas DREs para fazer leis que criem uma educação centrada no aluno (que é melhor para os professores...).
Dentro de uma sala de aula, deverão ter Autoridade na relação pedagógica mutualista com os alunos. O único "poder" dos professores dentro da sala de aula devia ser o de mandar para a rua o aluno que está a perturbar a aula.
Fora da sala de aula, quem deve ter "poder" para disciplinar o aluno deve ser o Conselho Executivo.

A Escola centrada no aluno é a única via para uma sociedade mais liberal e democrática, onde cada um é o responsável de si mesmo.O problema é que todas as previsões apontam para o regresso das sociedades totalitárias e antidemocráticas. É uma tendência que está presente em todo o mundo. As ditaduras do século XXI serão "ditaduras da segurança". O medo será o instrumento para o regresso de velhas ideologias. O medo dos terroristas, o medo dos imigrantes, o medo dos alunos que atacam os professores. A escola é a primeira a demonstrar isso, e a educar a nova geração para os regimes que aí vêm... quanto a mim, continuarei a defender a liberdade e a educação para a liberdade.