Então, os professores desta casa não viram o debate???
Bem... eu vi-o todo e fiquei a dormir no sofá. Hoje até dormi uma sesta para "acabar a noite", coisa que já não fazia desde o verão...
Eu vou analisar a coisa como um adepto de um clube analisa o jogo da sua própria equipa (que é a equipa que está contra a ministra, diga-se de passagem).
De quem eu gostei mais na equipa: Sindicatos e Professora Fernanda Valez. Eu sei que é inadmissível não vir para aqui dizer que os sindicatos estão mortos. Mas na verdade não estão. Foram muito mais oportunos que o "Movimento Cívico" que lá estava.
A FenProf foi a que argumentou melhor contra o sistema de avaliação, e veio com material do qual a Ministra não estava à espera (acho estranho que ela não soubesse... se calhar não lhe deu jeito saber...).
O último sindicalista, não me lembra o nome nem o sindicato, o que disse que o Novo modelo de gestão ia reforçar a centralidade do sistema, também falou muito bem.
Portanto, temos Mário Nogueira da FenProf a ser o melhor da sala a argumentar contra o sistema de avaliação, e [esse tal que não me lembra o nome, mas que era o último... estão a ver?] a ser o melhor em relação ao NMGE (já merece uma sigla!).
Porque é que estes foram os melhores? Por causa da resposta falaciosa da ministra. Mário Nogueira diz que o sistema de escolha dos professores titulares não avalia necessariamente os melhores, pois os titulares não são os que dão melhores aulas, mas os que "fazem mais coisas giras"... Como é que MLR responde? Tenta pôr na boca do Mário Nogueira que os titulares são os piores professores, quando não foi isso que ele disse. Ele disse é que este sistema não permeia em teoria os professores que dão melhor as aulas, mas sim os que andaram em mais conselhos e direcções.
A ministra podia ter respondido "Pois, mas o objectivo é encontrar líderes e não óptimos educadores". Era mais honesto, porque é essa a realidade. Mas aí caía a suposta justeza desta avaliação.
Além disso, quando ela vem com "O problema aqui não é financeiro", toda a gente ficou "Nããã... que ideia!"
Quanto ao NMGE, [o tal sindicalista... porra, alguém me sabe dizer o nome dele?] diz que, sendo a direcção máxima da escola unipessoalizada, há mais dependência em relação ao poder central ministerial, e não mais autonomia, como se quer fazer passar. E vai daí, MLR responde "O Director é naturalmente dependente do ME" Tudo bem! Agora não me venham é falar de autonomia, e depois dizer frases destas...
Ainda quanto ao NMGE faltou lá quem dissesse "nós não queremos autonomia das escolas. O problema da educação não é a gestão escolar, e o actual modelo de gestão tem dado bons resultados."
O 3º melhor titular foi a professora Fernanda Valez. Deu a carne para canhão, para poder dizer aquilo que todos os professores pensam: "Senhora Ministra, Você é uma Vaca". Não o disse assim, mas disse que ela não tinha perfil, que ela conseguiu unir os professores contra ela, e mais uma data de críticas de maneira abrupta e à bruta!
De resto, muito mal o gajo da t-shirt. Não é só a maneira como disse. É o que disse. O facilitismo não era o tema. Os sindicatos "burocratas" não eram o inimigo. Valeu-lhe a frase "a ministra mente com cara de verdade". Mas perfiro muito mais a serenidade com que a professora Valez atacou. Quanto ao nosso professor do ano, foi usado sempre pela moderadora como água para a fervura. Mas água que ainda assim está morninha, mas que quando lhe perguntam de quem é a culpa vem-se com o "é de todos".
É claro que a maioria dos professores adorou estas duas figuras. O do professor revoltado que "coitado, faltou-lhe a expressividade" e o do professor veterano que era "um sabichão das grécias" (pelo menos os professores com os quais eu falei). Aos sindicatos, já os professores não ligam. A malta quer é "movimentos", greves convocadas por SMS, espontaniedade e nada de burocracias. Os sindicatos são uns chulos, as greves já ningué as faz, as negociações são cedências. Agora, já nem a formação se faz nos sindicatos, por isso de que é que eles valem?... Com essa lógica, a situação dos professores vai ficar ainda pior. É necessário tecnocratas, burocratas, gente chata e com gravata para poder negociar e fazer lobby com o governo. Sim, lobby, meus medricas! Pressão, greves de 15 dias, processos no tribunal, causar 3000€ de prejuízo ao estado!
Meus amigos professores: deixem-se de "movimentos" ou de revoltas sem consequências. Os sindicatos provaram ontém que não há MLR ou Fátima Campos Ferreira que tire razão à causa dos professores. São os melhores a estudar os dossiês, logo são os melhores a argumentar. São os mais burocratas, logo são os que conseguem achar falhas numa lei injusta. São os mais serenos, logo são os que conseguem melhores resultados. São os mais organizados e estruturados, logo são os que conseguem juntar mais professores na luta. São os burocratas que os professores precisam para defender os seus direitos. Eu disse direitos? Então emendo: os seus interesses.
Não tenham medo de estruturas, de burocracias, de chavões. Um movimento é muito mais giro e bonito, mas não vos leva a lado nenhum. Sejam burocratas, lobistas, interesseiros, corporativistas, porque se não, tiram-vos tudo.
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terça-feira, fevereiro 26, 2008
sábado, fevereiro 16, 2008
A Ministra da Educação foi falar à televisão
Após defender entusiasticamente a autonomia das escolas, quando comentava a polémica dos conservatórios, a Ministra disse:
"Os conservatórios foram deixados ao abandono".
"Deixar ao abandono" é o que vai acontecer às escolas se fôr a "comunidade" (ou seja, o presidente da câmara) quem manda na escola.
Neste novo modelo há a destacar a participação de "instituições, organizações e actividades económicas, sociais, culturais e científicas" na gestão escolar, ou seja, descodificado, empresas a mandar nas escolas, como já estão a mandar nas universidades.
"Os conservatórios foram deixados ao abandono".
"Deixar ao abandono" é o que vai acontecer às escolas se fôr a "comunidade" (ou seja, o presidente da câmara) quem manda na escola.
Neste novo modelo há a destacar a participação de "instituições, organizações e actividades económicas, sociais, culturais e científicas" na gestão escolar, ou seja, descodificado, empresas a mandar nas escolas, como já estão a mandar nas universidades.
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quinta-feira, janeiro 31, 2008
A miragem da cidadania
Não dou muita confiança a esta nova moda da “sociedade civil”, ou da “comunidade” ou dos “movimentos cívicos”. Penso que estes últimos são estruturas (disformes, é certo) que estão a tentar tomar o poder, assim como os partidos o fizeram quando nasceu a democracia. Ou seja, são partidos, mas sem dar a cara pelo que defendem... sem terem responsabilidade pelo que defendiam anteriormente, sem aquela chatice da coerência que é exigida aos partidos. Não... neste mundo dos movimentos cívicos tudo é alternativo e tudo vai mudando (ou não fossem eles parte da “sociedade civil”)
Quando se diz que a escola vai ganhar “mais autonomia”, quando se diz que a escola vai passar para as mãos da “comunidade” ou da “sociedade civil”, é de desconfiar. É uma maneira muito mais bonita de dizer que se vai pôr as autarquias a mandar nas escolas, ou que se vai desistir da confusão das colocações para passarem a ser os Conselhos directivos a escolher, por candidatura, os professores. E pior ainda: conjugar Câmaras a mandar nas escolas e escolas a escolher os professores. Primeira pergunta das entrevistas aos candidatos a professor: “De quem é que você é filho?”...
Este novo século traz-nos a política das palavras sonantes. A política spin, slogan, a política.net e a política cunha&vaz. Dão-nos imagens bonitas de um Portugal feliz, jovem e com saúde, dão-nos ilusões de grandeza, dão-nos novas fronteiras e novos conceitos.
De isto tudo, o mais perigoso parece ser a transformação de velhos modelos em novos e apelativos conceitos.
Se por “comunidade” querem dizer “autarca”, se por “autonomia” querem dizer “tirar o poder nas escolas à comunidade escolar”, se por “movimento cívico”, querem dizer “falsa democracia, sem partidos”, vão enganar outro, que eu não me contento com miragens.
Quando se diz que a escola vai ganhar “mais autonomia”, quando se diz que a escola vai passar para as mãos da “comunidade” ou da “sociedade civil”, é de desconfiar. É uma maneira muito mais bonita de dizer que se vai pôr as autarquias a mandar nas escolas, ou que se vai desistir da confusão das colocações para passarem a ser os Conselhos directivos a escolher, por candidatura, os professores. E pior ainda: conjugar Câmaras a mandar nas escolas e escolas a escolher os professores. Primeira pergunta das entrevistas aos candidatos a professor: “De quem é que você é filho?”...
Este novo século traz-nos a política das palavras sonantes. A política spin, slogan, a política.net e a política cunha&vaz. Dão-nos imagens bonitas de um Portugal feliz, jovem e com saúde, dão-nos ilusões de grandeza, dão-nos novas fronteiras e novos conceitos.
De isto tudo, o mais perigoso parece ser a transformação de velhos modelos em novos e apelativos conceitos.
Se por “comunidade” querem dizer “autarca”, se por “autonomia” querem dizer “tirar o poder nas escolas à comunidade escolar”, se por “movimento cívico”, querem dizer “falsa democracia, sem partidos”, vão enganar outro, que eu não me contento com miragens.
quinta-feira, janeiro 03, 2008
Falta de pudor
O Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) acusou hoje a Direcção Regional de Educação do Centro (DREC) de dispensar cerca de 20 tarefeiros que apoiavam "largas dezenas" de alunos de escolas do primeiro ciclo e básicas com problemas de audição, dificuldades de mobilidade, autismo e trissomia 21, entre outros.
os tarefeiros exercem funções "tão importantes como a prestação de cuidados de higiene e limpeza, segurança, vigilância, apoio à mobilidade, entre outras, dando um insubstituível contributo para a sua inclusão escolar e educativa".
As DREs, assim visto de fora, parece ser o pior que há no sistema nacional de educação.
Os presidentes das DREs, uns são ditadores, outros são simplesmente cruéis... e vão subindo no regime mediocrático da Educação no país cor-de-rosa... cambada de nomeados!
os tarefeiros exercem funções "tão importantes como a prestação de cuidados de higiene e limpeza, segurança, vigilância, apoio à mobilidade, entre outras, dando um insubstituível contributo para a sua inclusão escolar e educativa".
As DREs, assim visto de fora, parece ser o pior que há no sistema nacional de educação.
Os presidentes das DREs, uns são ditadores, outros são simplesmente cruéis... e vão subindo no regime mediocrático da Educação no país cor-de-rosa... cambada de nomeados!
domingo, dezembro 23, 2007
O poder está a mudar de mãos
Acabou a gestão das escolas públicas as we know it. Eis a última medida do Governo Sócrates:
"O futuro órgão máximo de cada agrupamento de escolas, com competência para eleger e destituir o director, não poderá ser presidido por um professor, mas antes por um encarregado de educação ou por um representante da autarquia ou da comunidade local."
E o que é esta figura de "O Director"?
"é criado o cargo de director, escolhido pelo Conselho Geral. Este será coadjuvado por adjuntos (o número vai depender da dimensão da escola) mas constitui um órgão unipessoal e não um órgão colegial. O director tem a seu cargo a gestão administrativa, financeira e pedagógica. Além disso assume a presidência do Conselho Pedagógico. É-lhe atribuído o poder de designar os responsáveis pelas estruturas de coordenação e supervisão pedagógica. "
Ou seja a gestão administrativa, financeira e, pior, pedagógica vai estar atribuída a um director que responde perante um Conselho Geral, cujo presidente não pode ser um professor.
O Conselho Pedagógico será presidido por um professor subalterno a um não-professor, que pode não saber nada de pedagogia... alguns professores podem não ser grandes especialistas em pedagogia, mas a sua experiência enquanto professores dá-lhes capacidade pedagógica... agora um "representante da autarquia"?!?
O poder nas escolas está a ser tomado de assalto pel' "A Comunidade". A comunidade não tem nada que intervir na gestão escolar porque a comunidade não percebe nada disto. Quem deve ter mais poder é a comunidade escolar. Alunos, professores, encarregados de educação são os mais importantes na gestão escolar, porque a escola é o seu local de trabalho.
Ah, pois, já me esquecia que para o PS, a escola deve estar focada nos "interesse público geral" e "na prespectiva (...) das populações"...
"O futuro órgão máximo de cada agrupamento de escolas, com competência para eleger e destituir o director, não poderá ser presidido por um professor, mas antes por um encarregado de educação ou por um representante da autarquia ou da comunidade local."
E o que é esta figura de "O Director"?
"é criado o cargo de director, escolhido pelo Conselho Geral. Este será coadjuvado por adjuntos (o número vai depender da dimensão da escola) mas constitui um órgão unipessoal e não um órgão colegial. O director tem a seu cargo a gestão administrativa, financeira e pedagógica. Além disso assume a presidência do Conselho Pedagógico. É-lhe atribuído o poder de designar os responsáveis pelas estruturas de coordenação e supervisão pedagógica. "
Ou seja a gestão administrativa, financeira e, pior, pedagógica vai estar atribuída a um director que responde perante um Conselho Geral, cujo presidente não pode ser um professor.
O Conselho Pedagógico será presidido por um professor subalterno a um não-professor, que pode não saber nada de pedagogia... alguns professores podem não ser grandes especialistas em pedagogia, mas a sua experiência enquanto professores dá-lhes capacidade pedagógica... agora um "representante da autarquia"?!?
O poder nas escolas está a ser tomado de assalto pel' "A Comunidade". A comunidade não tem nada que intervir na gestão escolar porque a comunidade não percebe nada disto. Quem deve ter mais poder é a comunidade escolar. Alunos, professores, encarregados de educação são os mais importantes na gestão escolar, porque a escola é o seu local de trabalho.
Ah, pois, já me esquecia que para o PS, a escola deve estar focada nos "interesse público geral" e "na prespectiva (...) das populações"...
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