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sábado, outubro 27, 2007

A acompanhar...

O Bloco de Esquerda está a organizar um fórum sobre Educação, e disponibiliza os conteúdos na internet. Vale a pena ver alguns artigos deste fórum, que mostram a preocupação desta força política com as questões da Educação.

Até agora, a única força à Esquerda que fazia alguma coisa sobre Educação era a JCP, com uma boa estrutura de luta e defesa dos direitos dos alunos.

Com este fórum, esperemos que o Bloco passe a encarar este tema como o grande tema deste século. Quanto mais esta questão fôr discutida, melhor.

Relacionado com o tema deste mês (Como educar para a democracia?), ver esta entrevista com Sérgio Niza, com o tema "A Construção de uma Democracia na Acção Educativa".

Também gostei do texto de Maria José Araújo, que vou aqui transcrever:

Actividades de tempo livre sem tempo nem liberdade

"Pela sua imaturidade bio-social e dependência dos adultos, as crianças têm, nas nossas cidades, direitos limitados: não podem correr à vontade, gritar, escrever nas paredes, saltar, cantar alto, fazer barulho, pendurar-se nos espaços exteriores, subir às árvores, saltitar, nem sequer esconder-se dos adultos para pensar, quando estes não as entendem.

Texto de Maria José Araújo:

Os lugares de brincadeira e esconderijo, lugares que estimulam a exploração e a transgressão de todo o tipo de limites, possibilitando formas de transformar o mundo, estão em extinção nos grandes centros urbanos. As crianças, submetidas a pressões educativas, pragmáticas e intelectuais excessivas, "rebentam" pelo comportamento.

A hiper-escolarização, a institucionalização do tempo livre e a existência mais ou menos generalizada de instituições para acompanhamento escolar, fora da escola, como é o caso dos Centros de Actividades de Tempo Livre constitui em si mesma um fenómeno social gerador de transformações no modo de vida das crianças, nos seus hábitos, na sua maneira de pensar, conviver e crescer. Os adultos têm tido dificuldade em encontrar fórmulas interessantes que lhes permitam dar conta de uma coisa tão simples e complexa como é entender as crianças e fazer da sua vida uma infância de agradáveis lembranças.

As crianças acomodam-se ou resistem a um quotidiano preenchido por tarefas, em espaços fechados com gente de todo o tamanho e de todos os jeitos, que supostamente as "entretêm". Numa sociedade em que "incessantemente se afirma o primado do trabalho (produtivo) sobre o lazer (inútil) e da razão (objectiva) sobre a fantasia (irreal) não admira, pois, que as sucessivas aquisições que são proporcionadas às crianças em vez de constituírem novos apelos ao imaginário, sejam o contrário, novas pontes para o real", como refere Agostinho Ribeiro*


Da visão das crianças sobre o mundo monstruoso, apopléctico, tentacular, atropelante e todavia sedutor já nos falava o Amadeu de "Cinco Réis de Gente", da capacidade de sonhar, imaginar e aventurar no tempo livre fala-nos o Zézé de "O Meu Pé de Laranja Lima". E nós? Nós inventamos uma solução nova: fazemos de conta que não vemos.

Neste sentido, e para recuperar a criatividade das crianças, é preciso encontrar um diálogo produtivo junto das crianças e jovens, das escolas e professores, dos pais e encarregados de educação e do público em geral, pois que me parece absolutamente necessário e urgente reabilitar o brincar e sobretudo o brincar com os outros (os amigos), o "brincar
com". "Brincar e sonhar (ou brincar sonhando) é algo que nos permite crescer e encontrar ideias, novas acções educativas ou reeducativas, quer se trate de crianças ou adultos, na área do conhecimento, do auto-conceito ou da interacção social, devemos começar por estabelecer as condições para se poder brincar" *

Notas
* RIBEIRO, Agostinho (1988) Brincar, Sonhar e Criar: Para uma psicopedagogia da Criatividade. Porto: FPCE-UP.

Maria José Araújo é investigadora do centro de investigação e intervenção educativas da FPCEUP"

(link)

quarta-feira, junho 20, 2007

Mais um tiro na credibilidade da imprensa escrita

Título do DN: "Ladra, Nelly Furtado foi filmada a roubar jóias" (via 31 da Armada, o único blogue da direita democrática. Da direita que não mete nojo)

Isto vem atestar este post que eu fiz há uns dias... quanto mais os blogues crescem (então agora, com o blogger em Português...), mais os jornais perdem a credibilidade.

É que nem um tablóide inglês faria um título destes...

sábado, junho 16, 2007

E depois são os blogues...

Ontém, no suplemento «Ípsilon» do Público havia uma notícia com o título "Jim Carrey apaixonado por um companheiro de cela." Olha, e eu que nem sabia que ele estava preso...
Pois, só que a notícia depois mostra-nos que "Jim Carrey vai interpretar o papel de um homem casado que se apaixona, ao ponto da obcessão, pelo seu companheiro de cela"
Isto nem o The Sun fazia. Porque é que o Público, que é o Público, põe um título destes?

Os títulos enganosos são muito manipuladores, porque muitas vezes lê-se só o título. Já há umas semanas o Correio da Manhã pôs como título "Fisco penhora Sá Fernandes", referido-se não ao Zé, mas ao Ricardo Sá Fernandes...

Já nem os jornais têm credibilidade. E depois não se esqueçam de culpar os blogues da queda da imprensa escrita... A única maneira de os jornais sobreviverem é terem a credibilidade que a net não tem e apostarem em bons comentadores e bons suplementos. E o DVD grátis também ajuda...