sexta-feira, março 28, 2008
Gostava de ter escrito isto:
"Ontem, na Quadratura do Círculo
O velhíssimo truque
Ontem, na "Quadratura do Círculo", na SIC Notícias, apenas com a participação de Pacheco Pereira e Jorge Coelho discutiram-se fundamentalmente dois assuntos : a liberalização dos horários de comércio, sobretudo a abertura ao domingo reclamada pelos hipermercados e a questão da violência e autoridade nas escolas a propósito do recente e conhecido caso, aliás infindávelmente falado e com a repetição do famoso vídeo até à exaustão ( e «banalização» como muito bem disse Pacheco Pereira).
Repare-se agora no que aconteceu : em matéria de liberalização dos horários dos supermercados (designadamente a sua abertura ao domingo) tanto Pacheco Pereira como Jorge Coelho, cada um no seu estilo, teceram loas a esta possibilidade, sublinharam o enorme apoio que conta entre os consumidores e enfatizaram o seu apoio a tudo o que represente uma maior liberdade para estes e uma maior adequação às suas conveniências ou apetências. Jorge Coelho, referindo-se aos trabalhadores do sector, deu-se mesmo ao luxo de invocar que há muitos sectores sujeitos a horários especiais (ele falou mesmo em serviços de 24 horas) exquecendo-se entretanto da distinção que importa fazer entre serviços públicos essenciais à vida da comunidade (transportes, hospitais, energia, etc) e horários de consumo. E tudo isto e muito mais que disseram não impede que, um dia destes noutra onda, possam convictamente verberar o excesso das derivas consumistas depois de ontem quase terem proclamado a legitimidade de uma espécie de «ditadura dos consumidores» sobre todos os outros valores e interesses. E já que falaram da petição, posta a circular nas grandes superfícies pelos seus donos, e que teria recolhido 250 mil assinaturas, então eu sinto vontade de contar o caso de um amigo meu que, convidado pela caixa de um hipermercado a assinar a petição, se recusou e teve a grata recompensa de receber um sorriso de simpatia e agradecimento da referida empregada.
Entretanto, logo de seguida, Pacheco Pereira e Jorge Coelho (e o moderador Carlos Andrade) passaram ao tema da violência nas escolas e aí, entre muitos outros aspectos, ambos não deixaram de referir como muitas mudanças (relativas ao emprego, aos transportes, aos horários, a feminização da mão-de obra etc.) que vêm de trás modificaram poderosamente as condições para os pais acompanharem devidamente a educação dos seus filhos e o seu comportamento e atitudes na escola.
E a nenhum dos dos dois passou pela cabeça por um segundo que o que tinham dito sobre a liberalização dos horários das grandes superfícies só podia via a agravar, em certa escala e pelo menos quanto aos e às profissionais do sector, o fenómeno que, passados uns minutos, estavam a reputar de muito influente nas situações de indisciplina e outras das escolas.
Bem vistas as coisas, o que ontem aconteceu na "Quadratura do Círculo" foi pura e simplesmente mais uma manifestação de um velhíssimo truque usado por algumas forças políticas (designadamente o PS e o PSD), órgãos de soberania e incontáveis personalidades: ou seja, sempre lamentarem as consequências e contra elas inflamadamente protestarem e sempre generosamente absolverem as causas que as provocam."
sábado, outubro 06, 2007
domingo, junho 24, 2007
Porque amanhã é segunda...
terça-feira, maio 08, 2007
Santana Castilho, hoje no PÚBLICO
"3. Errada está a quebra do consenso secular entre a família e a escola e esta e a sociedade em geral, quanto à orientação das gerações mais novas. A escola não se realiza sem sacrifício, disciplina e trabalho. Mas, fora da escola, a indústria da comunicação e do espectáculo faz a apologia do prazer imediato, do consumo supérfluo, da extravagância e do efémero. Os pais deixaram de ser os aliados primeiros do professor na modelação dos filhos. Hoje, delegam neles todas as responsabilidades, mesmo as indelegáveis. E depois acusam e exigem. Alguns batem nos professores. Em nome de direitos individuais, designadamente da carreira profissional e da fruição da vida e do dinheiro que ganham, têm cada vez menos filhos. E para os que tardiamente decidem gerar, exigem da escola e dos professores, desta feita em nome de direitos sociais, que sejam, cumulativamente, pais e mães por delegação, educadores sexuais, ambientais, rodoviários e cívicos, médicos e psiquiatras e tudo o mais que o relativismo laxista em que caímos despeja na escola.
4. É a esta luz que as palavras de Cavaco, convidando, no dia da liberdade, os jovens a não se resignarem, soam a ocas de consequências. A via reformista que ele suporta tem estripado da escola tudo o que forma cidadãos livres e autónomos. Amputando a Literatura e a Filosofia, impondo Bolonha, diminuindo o impacto da formação inicial livre e substituindo-a pela que interessa, ao longo da vida, à actividade económica, ter-se-ão, cada vez mais, jovens resignados a salários de 500 euros ou ao desemprego.
5. O mesmo registo permite compreender a triste ideia de o Governo pôr a jornalista Judite de Sousa a vender jornais e o treinador Carlos Queiroz a cortar relva, para publicitar as novas oportunidades e a qualificação dos portugueses. Os cartazes desqualificam e humilham profissões dignas e socialmente úteis, em nome de ideias bacocas de sucesso. A economia moderna explica-os, explicitando o conceito de criação económica de valor: o que dá valor a uma coisa não são os valores que lhe subjazem ou não, mas sim o valor que o público, o mercado, as audiências, lhes atribuem. É triste, mas é assim. Por isso Sócrates ria enquanto Paulo Rangel falava verdade no dia da liberdade. Por isso 70 mil acorreram ao chamamento. Por isso o povo, cada vez mais vigiado e esmifrado, aguenta, resignado, contrariando Cavaco."
sábado, abril 21, 2007
Os contra-sensos da CONFAP
Hoje, no PÚBLICO, Fernando Gomes, presidente da mesa da assembleia geral da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), vem afirmar que isso é "um contra-senso" e que as actividades extracurriculares "têm um papel importante na integração social dos alunos", sobretudo os problemáticos.
Por que motivo deverão alunos que agridem, ofendem, perturbam colegas, professores e funcionários (algumas concretizações do conceito de "aluno indisciplinado") participar nas actividades extra-curriculares, muitas vezes fora da escola, à responsabilidade do professor organizador? Terá a CONFAP noção do risco que muitas vezes significa para o professor levar para fora da escola à sua responsabilidade um aluno que não respeita a sua autoridade? Não será uma aprendizagem significativa para o aluno perceber que primeiro tem o dever de respeitar o grupo em que se integra na escola, para ter o direito de acompanhar o grupo fora da escola?
Para a CONFAP, aparentemente, os direitos devem prevalecer sobre os deveres, em nome da integração politicamente correcta. Sugere-se à CONFAP que organize grupos de acompanhamento e que os disponibilize às escolas para promover a integração dos alunos nestas situações nas actividades extra-curriculares. Talvez depois de acompanhar alguns destes alunos numas saídas mudem de opinião.
sexta-feira, abril 13, 2007
"Novo estatuto do aluno" by baldassare
Ideias do Novo Estatuto do aluno:
"A obrigatoriedade de fazer um exame sobre as matérias da disciplina em que o aluno excedeu o máximo de ausências injustificadas visa apurar o seu grau de conhecimentos, terminando assim o chumbo automático por faltas como acontece actualmente. Na prática, um aluno poderá exceder esse limite e mesmo assim passar à disciplina, se obtiver aproveitamento no exame."
- [ Concordo com o primeiro ponto, porque não fazia sentido nenhum que um aluno pudesse chumbar por dar 3 faltas injustificadas a Moral ou Formação Cívica... ou 6 faltas injustificadas a EF, AP, EA, ET, EV ou outra... Embora seja difícil um aluno ter positiva num exame a uma disciplina à qual faltou muito, não vejo porque não fazer uma lei destas.]
- [ Quanto ao ponto nº2, acho que os EE devem ter conhecimento da vida escolar do seu educando, nomeadamente das faltas que ele dá. Sou pelo direito á falta, mas também pelo assumir das responsabilidades dos alunos (isso é que é aprender...). Não percebo é a parte do "em particular durante a escolaridade obrigatória". Não devia ser só na escolaridade obrigatória? Então, se a escolaridade não é obrigatória, porque é que tem de se controlar as faltas? Só lá está quem quer! ]
"Simplificação dos procedimentos para aplicar medidas correctivas aos alunos."
- [ Não sei, no terceiro e quarto pontos, o que são "medidas correctivas" ou "trabalhos". Tudo depende, mas á partida estou contra uma lei que deixa ao critério das escolas as medidas correctivas a aplicar. Há que especificar o que são estas "medidas correctivas" e em que consistem estes "trabalhos". ]
Ah, já me esquecia... este é o estatuto do aluno, não do professor ou do funcionário.
De qualquer maneira, se a "simplificação de processos" consiste em investigações mais curtas e processos disciplinares mesmo sem ter provas conclusivas, acho mal.
quinta-feira, março 15, 2007
Mas alguém ficou realmente surpreendido?
Apesar da democratização do ensino superior nos últimos anos, o acesso à faculdade continua a estar condicionado por factores extra-escolares, como as habilitações académicas, os rendimentos e a ocupação dos pais.
Esta foi uma das conclusões a que chegaram Ana Nunes de Almeida e Maria Manuel Vieira, a partir de um estudo sobre o retrato social dos estudantes inscritos no 1.º ano de cada um dos cursos das sete faculdades da Universidade de Lisboa (UL), em 2003/2004. A tal ponto que é mesmo possível afirmar-se que "os mecanismos de reprodução de posições de privilégio ou desfavor entre gerações funcionam implacavelmente no sistema de ensino português". (...)
A ocupação profissional dos progenitores é outra variável determinante. Em 2003/2004, dois terços dos novos alunos eram oriundos de "agregados familiares detentores de elevados recursos técnico-profissionais". Os filhos de "operários e artífices" e de "trabalhadores não qualificados" representavam 17 por cento. Estudos anteriores demonstraram que esta proporção se agrava ao longo da faculdade, com as classes mais elevadas a ganharem peso entre os que concluem o curso e as restantes a diminuírem. "O que parece indicar selectividade social dos fenómenos de insucesso e abandono escolar no interior do próprio ensino superior", lê-se no estudo, que será debatido amanhã na reitoria da Universidade de Lisboa."
terça-feira, março 06, 2007
Será que o leram?
Será que a Confederação das Associações de Pais conhece realmente o estatuto disciplinar mais laxativo dos últimos tempos?Melhor ainda é a resposta da representante da Confap a propósito da possibilidade da introdução de multas aos pais dos alunos com comportamentos violentos, à imagem do que acontece em Inglaterra (até 1450€):
- "Para a Confap uma medida semelhante não faz sentido em Portugal pois muitos pais não poderão pagar."
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
São estes os pais que vão avaliar os professores...
Como serão os outros?
Por irregularidades e incumprimento de prazos
Eleições da Confederação Nacional das Associações de Pais foram suspensas
19.02.2007 - 14h58 Lusa
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Uniformização ou escolha. Das duas, uma.
Nos meus posts (este) e Perguntas da Semana (esta e esta), tenho apontado para um problema que afecta inevitavelmente qualquer sistema de ensino: as diferenças de escola para escola.
Não existe em Portugal iguais infra-estruturas de ensino, nem iguais recursos humanos (nem em termos de qualidade nem em termos de quantidade de pessoal docente e não docente), nem mesmo iguais regulamentos.
Perante esta situação só existem, a meu ver, duas saídas possíveis: Uniformização ou Escolha.
Ou criamos iguais condições de aprendizagem (e convívio) para todas as escolas, ou damos possibilidade às famílias de escolher qual a escola a frequentar (num sistema de vagas em que entram primeiro os melhores alunos... em vez do actual critério, em que entram primeiro os alunos que vivem na boa/má zona da cidade ou na boa/má região do país...)
Sinceramente, acho mais exequível a segunda opção.
Neste momento parte-se do pressuposto que todas as escolas são iguais, todos os professores são iguais, todas as famílias são iguais, todos os bairros são iguais e, portanto, não faz sentido escolher as escolas. Isto não é verdade.
Basta conhecer minimamente o sistema nacional de escolas para se chegar a esta conclusão: os alunos dos bairros “finos” ficam com as melhores escolas (que estão nos bairros “finos”, onde moram os filhos dos autarcas e ricalhaços lá da terra), ao passo que os outros todos, por muitas capacidades que tenham, ficam sempre com as piores infra-estruturas, com a pior qualidade de ensino e com todos os professores que não conseguiram entrar na escola do bairro “fino”.
A crença na igualdade de todas as escolas é muito bonita, mas não é real. Existem diferenças e, para as combater, temos que arranjar novos critérios de entrada nas melhores escolas públicas, e eu prefiro que o critério seja o das notas da pauta do que o das notas no bolso do pai...
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Grécia proíbe telemóveis nas escolas
Agora com a generalização dos telemóveis com vídeo, e os disparates daí decorrentes, ainda mais. Teremos que esperar por uma violação ou espancamento em directo no YouTube, aparentemente...
08.12.2006, PÚBLICO
O Ministério da Educação grego decretou ontem a proibição de uso de telemóveis nas escolas, considerando que perturbam o normal funcionamento das aulas. A ordem, assinada pela ministra da Educação, Marietta Giannakou, foi distribuída nas escolas primárias e do secundário de todo o país e tem aplicação imediata.
"Para todos os estudantes, o uso e posse de telemóvel não é permitido no espaço escolar", especifica o texto. "A posse de telemóvel só será autorizada em circunstâncias especiais e o aparelho deverá ser mantido desligado e guardado na mochila do aluno."
Esta proibição surge na sequência do alegado ataque sexual a uma rapariga de 16 anos perpetrado por quatro rapazes numa escola da ilha de Evia, em Outubro. As autoridades suspeitam que o incidente terá sido filmado por um outro estudante, utilizando o seu telefone portátil.
quinta-feira, novembro 30, 2006
Os pais e a escola
"(...) a maioria dos pais deve sentir-se confortável por saber que os seus filhos estão, de facto, na escola e não em qualquer lugar -, mas é suficiente para se perceber até que ponto o espírito de resistência a tudo o que implique esforço, disciplina e rigor continua vivo. Entre a reivindicação de mais e melhores condições para o exercício das aulas de substituição e a vontade dos adolescentes em lutar pelas delícias dos "furos", os pais, ou melhor, alguns pais, preferem a segunda via. Os pais, ou melhor, uma boa maioria dos pais, são hoje os principais responsáveis pelo desastre educativo que nos envergonha e nos tolda o futuro. Não acompanham os filhos, não participam no quotidiano e olham para escola como um edifício simpático, porque é onde podem depositar os filhos. Para muitos, o sucesso educativo é tão ou menos relevante que a vitória do clube do coração no fim-de-semana futebolístico.
Quando todas as responsabilidades pelo fracasso se dirigem para as escolas, era bom que se reconhecesse que os professores nada podem fazer, se os flancos da sua actividade não estiverem devidamente protegidos pelos pais. Era, por isso, bom que, juntamente com o novo Estatuto da Carreira Docente, o Governo pudesse aprovar um estatuto da carreira de pais. Não pode, como é óbvio, mas podia e devia eleger o tema como uma das suas principais mensagens políticas. O alheamento dos pais em relação ao desempenho educativo é um problema grave que exige outras respostas e mais energia. Como o comprovam as entrelinhas do discurso de Rosa Novo, o estatuto dos professores é apenas uma pequena parcela do problema da educação."
PS: Por que motivo a CONFAP, sempre pronta a criticar, ainda não se pronunciou sobre a implementação da TLEBS? Um dos argumentos recorrentes é a posição dos pais, mas a sua confederação parece ocupada com outros problemas maiores...