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quarta-feira, novembro 12, 2008
terça-feira, março 11, 2008
Caiu o argumento contra os Exames
O principal argumento contra os exames nacionais é que o estudante tem a sua vida decidida em 2 horas. Pois esse argumento caiu por terra: agora o estudante tem a sua vida decidida em 3 horas.
A avaliação dos alunos deve ter uma grande componente de avaliação nacional. Só assim é possível avaliar com objectividade as competências objectivas. Cabe ao professor avaliar as "outras competências"...
Mas realmente, a avaliação nacional como hoje está feita não é justa. Um exame nacional não sintetiza o trabalho de três anos. Um exame nacional único não mostra necessariamente o que o aluno sabe. Existe naquelas escassas horas de exame muito stress e responsabilidade que desvirtuam a justeza desta avaliação. Imagine-se um aluno de fracos recursos, que sabe que se não tiver nota para entrar para a universidade deixa de poder ir à escola. O peso que este aluno tem sobre as costas pode influenciar muito a sua prestação.
Reconheço que desta maneira, a avaliação nacional restringe a formação e hipoteca o futuro de uma grande parte da população.
Assim sendo, devemos abandonar a ideia da avaliação nacional? Não, pois esta é a mais justa e a mais objectiva.
Uma boa solução seria integrar o exame na avaliação contínua. Ou seja, fazer mais exames ao longo do percurso escolar. Isto não só tiraria peso a cada exame, sendo este distribuído por várias provas, como permitiria que o aluno soubesse mais especificamente qual a matéria onde o exame incide. Estudar para um exame com matéria de 2 ou 3 anos é apostar naquilo que achamos que vai sair. É impossível saber tudo, logo vai-se pela sorte.
Por exemplo, porque não em cada período haver um teste feito pelo professor e um exame nacional a valer a mesma percentagem da nota em todas as escolas?
Já existem os testes intercalares, que são uma preparação para o exame, e que podem ser considerados na nota final consoante cada professor quiser. Podem haver professores que não lhe dêem cotação nenhuma, como podem haver professores que o considerem 70% da nota do trimestre.
Mas o que eu quero é que se defina uma igual percentagem a atribuir a estes mini-exames. E quero mais: quero que, visto que a nota de fim de período teria ponderada a avaliação nacional, esta contasse para a entrada na Universidade.
Essa é outra questão: actualmente na maioria das universidades só é contada a nota do exame. Então, que motivação é que isso dá aos alunos do secundário? Ai eu ando aqui três anos só para ter avaliação superior a 10? Só me vale a nota do exame para entrar na Universidade?
Aqui está outro argumento a favor da avaliação nacional contínua: dá motivação ao aluno durante os anos lectivos e dá utilidade às notas de fim de período e de fim de ano, pois estas passam a ter uma componente objectiva e efectivamente útil na entrada dos alunos na universidade.
A avaliação nacional contínua, ponderada com uma avaliação feita pelo professor e com um exame nacional final com menos peso (para se saber o que ficou no aluno da matéria do 10º, por exemplo), responde à necessidade de uma avaliação que seja nacional e objectiva onde se pretende avaliar conhecimentos nacionais objectivos, subjectiva onde se pretende avaliar competências subjectivas, e que seja contínua de modo a ser mais justa. Quanto às percentagens a atribuir a cada critério (avaliação nacional contínua, avaliação pelo professor e exame nacional final), isso cabe ao ministério e ao GAVE, mas penso que a componente nacional da avaliação nunca devia ser inferior a 50% da nota de fim de ano e da nota de entrada na universidade. 50% no mínimo...
Agora, sinceramente, um exame único de 3 horas deve ser para deixar os alunos em transe e a espumar da boca... Nem quero pensar nisso...
A avaliação dos alunos deve ter uma grande componente de avaliação nacional. Só assim é possível avaliar com objectividade as competências objectivas. Cabe ao professor avaliar as "outras competências"...
Mas realmente, a avaliação nacional como hoje está feita não é justa. Um exame nacional não sintetiza o trabalho de três anos. Um exame nacional único não mostra necessariamente o que o aluno sabe. Existe naquelas escassas horas de exame muito stress e responsabilidade que desvirtuam a justeza desta avaliação. Imagine-se um aluno de fracos recursos, que sabe que se não tiver nota para entrar para a universidade deixa de poder ir à escola. O peso que este aluno tem sobre as costas pode influenciar muito a sua prestação.
Reconheço que desta maneira, a avaliação nacional restringe a formação e hipoteca o futuro de uma grande parte da população.
Assim sendo, devemos abandonar a ideia da avaliação nacional? Não, pois esta é a mais justa e a mais objectiva.
Uma boa solução seria integrar o exame na avaliação contínua. Ou seja, fazer mais exames ao longo do percurso escolar. Isto não só tiraria peso a cada exame, sendo este distribuído por várias provas, como permitiria que o aluno soubesse mais especificamente qual a matéria onde o exame incide. Estudar para um exame com matéria de 2 ou 3 anos é apostar naquilo que achamos que vai sair. É impossível saber tudo, logo vai-se pela sorte.
Por exemplo, porque não em cada período haver um teste feito pelo professor e um exame nacional a valer a mesma percentagem da nota em todas as escolas?
Já existem os testes intercalares, que são uma preparação para o exame, e que podem ser considerados na nota final consoante cada professor quiser. Podem haver professores que não lhe dêem cotação nenhuma, como podem haver professores que o considerem 70% da nota do trimestre.
Mas o que eu quero é que se defina uma igual percentagem a atribuir a estes mini-exames. E quero mais: quero que, visto que a nota de fim de período teria ponderada a avaliação nacional, esta contasse para a entrada na Universidade.
Essa é outra questão: actualmente na maioria das universidades só é contada a nota do exame. Então, que motivação é que isso dá aos alunos do secundário? Ai eu ando aqui três anos só para ter avaliação superior a 10? Só me vale a nota do exame para entrar na Universidade?
Aqui está outro argumento a favor da avaliação nacional contínua: dá motivação ao aluno durante os anos lectivos e dá utilidade às notas de fim de período e de fim de ano, pois estas passam a ter uma componente objectiva e efectivamente útil na entrada dos alunos na universidade.
A avaliação nacional contínua, ponderada com uma avaliação feita pelo professor e com um exame nacional final com menos peso (para se saber o que ficou no aluno da matéria do 10º, por exemplo), responde à necessidade de uma avaliação que seja nacional e objectiva onde se pretende avaliar conhecimentos nacionais objectivos, subjectiva onde se pretende avaliar competências subjectivas, e que seja contínua de modo a ser mais justa. Quanto às percentagens a atribuir a cada critério (avaliação nacional contínua, avaliação pelo professor e exame nacional final), isso cabe ao ministério e ao GAVE, mas penso que a componente nacional da avaliação nunca devia ser inferior a 50% da nota de fim de ano e da nota de entrada na universidade. 50% no mínimo...
Agora, sinceramente, um exame único de 3 horas deve ser para deixar os alunos em transe e a espumar da boca... Nem quero pensar nisso...
terça-feira, fevereiro 26, 2008
O debate
Então, os professores desta casa não viram o debate???
Bem... eu vi-o todo e fiquei a dormir no sofá. Hoje até dormi uma sesta para "acabar a noite", coisa que já não fazia desde o verão...
Eu vou analisar a coisa como um adepto de um clube analisa o jogo da sua própria equipa (que é a equipa que está contra a ministra, diga-se de passagem).
De quem eu gostei mais na equipa: Sindicatos e Professora Fernanda Valez. Eu sei que é inadmissível não vir para aqui dizer que os sindicatos estão mortos. Mas na verdade não estão. Foram muito mais oportunos que o "Movimento Cívico" que lá estava.
A FenProf foi a que argumentou melhor contra o sistema de avaliação, e veio com material do qual a Ministra não estava à espera (acho estranho que ela não soubesse... se calhar não lhe deu jeito saber...).
O último sindicalista, não me lembra o nome nem o sindicato, o que disse que o Novo modelo de gestão ia reforçar a centralidade do sistema, também falou muito bem.
Portanto, temos Mário Nogueira da FenProf a ser o melhor da sala a argumentar contra o sistema de avaliação, e [esse tal que não me lembra o nome, mas que era o último... estão a ver?] a ser o melhor em relação ao NMGE (já merece uma sigla!).
Porque é que estes foram os melhores? Por causa da resposta falaciosa da ministra. Mário Nogueira diz que o sistema de escolha dos professores titulares não avalia necessariamente os melhores, pois os titulares não são os que dão melhores aulas, mas os que "fazem mais coisas giras"... Como é que MLR responde? Tenta pôr na boca do Mário Nogueira que os titulares são os piores professores, quando não foi isso que ele disse. Ele disse é que este sistema não permeia em teoria os professores que dão melhor as aulas, mas sim os que andaram em mais conselhos e direcções.
A ministra podia ter respondido "Pois, mas o objectivo é encontrar líderes e não óptimos educadores". Era mais honesto, porque é essa a realidade. Mas aí caía a suposta justeza desta avaliação.
Além disso, quando ela vem com "O problema aqui não é financeiro", toda a gente ficou "Nããã... que ideia!"
Quanto ao NMGE, [o tal sindicalista... porra, alguém me sabe dizer o nome dele?] diz que, sendo a direcção máxima da escola unipessoalizada, há mais dependência em relação ao poder central ministerial, e não mais autonomia, como se quer fazer passar. E vai daí, MLR responde "O Director é naturalmente dependente do ME" Tudo bem! Agora não me venham é falar de autonomia, e depois dizer frases destas...
Ainda quanto ao NMGE faltou lá quem dissesse "nós não queremos autonomia das escolas. O problema da educação não é a gestão escolar, e o actual modelo de gestão tem dado bons resultados."
O 3º melhor titular foi a professora Fernanda Valez. Deu a carne para canhão, para poder dizer aquilo que todos os professores pensam: "Senhora Ministra, Você é uma Vaca". Não o disse assim, mas disse que ela não tinha perfil, que ela conseguiu unir os professores contra ela, e mais uma data de críticas de maneira abrupta e à bruta!
De resto, muito mal o gajo da t-shirt. Não é só a maneira como disse. É o que disse. O facilitismo não era o tema. Os sindicatos "burocratas" não eram o inimigo. Valeu-lhe a frase "a ministra mente com cara de verdade". Mas perfiro muito mais a serenidade com que a professora Valez atacou. Quanto ao nosso professor do ano, foi usado sempre pela moderadora como água para a fervura. Mas água que ainda assim está morninha, mas que quando lhe perguntam de quem é a culpa vem-se com o "é de todos".
É claro que a maioria dos professores adorou estas duas figuras. O do professor revoltado que "coitado, faltou-lhe a expressividade" e o do professor veterano que era "um sabichão das grécias" (pelo menos os professores com os quais eu falei). Aos sindicatos, já os professores não ligam. A malta quer é "movimentos", greves convocadas por SMS, espontaniedade e nada de burocracias. Os sindicatos são uns chulos, as greves já ningué as faz, as negociações são cedências. Agora, já nem a formação se faz nos sindicatos, por isso de que é que eles valem?... Com essa lógica, a situação dos professores vai ficar ainda pior. É necessário tecnocratas, burocratas, gente chata e com gravata para poder negociar e fazer lobby com o governo. Sim, lobby, meus medricas! Pressão, greves de 15 dias, processos no tribunal, causar 3000€ de prejuízo ao estado!
Meus amigos professores: deixem-se de "movimentos" ou de revoltas sem consequências. Os sindicatos provaram ontém que não há MLR ou Fátima Campos Ferreira que tire razão à causa dos professores. São os melhores a estudar os dossiês, logo são os melhores a argumentar. São os mais burocratas, logo são os que conseguem achar falhas numa lei injusta. São os mais serenos, logo são os que conseguem melhores resultados. São os mais organizados e estruturados, logo são os que conseguem juntar mais professores na luta. São os burocratas que os professores precisam para defender os seus direitos. Eu disse direitos? Então emendo: os seus interesses.
Não tenham medo de estruturas, de burocracias, de chavões. Um movimento é muito mais giro e bonito, mas não vos leva a lado nenhum. Sejam burocratas, lobistas, interesseiros, corporativistas, porque se não, tiram-vos tudo.
Bem... eu vi-o todo e fiquei a dormir no sofá. Hoje até dormi uma sesta para "acabar a noite", coisa que já não fazia desde o verão...
Eu vou analisar a coisa como um adepto de um clube analisa o jogo da sua própria equipa (que é a equipa que está contra a ministra, diga-se de passagem).
De quem eu gostei mais na equipa: Sindicatos e Professora Fernanda Valez. Eu sei que é inadmissível não vir para aqui dizer que os sindicatos estão mortos. Mas na verdade não estão. Foram muito mais oportunos que o "Movimento Cívico" que lá estava.
A FenProf foi a que argumentou melhor contra o sistema de avaliação, e veio com material do qual a Ministra não estava à espera (acho estranho que ela não soubesse... se calhar não lhe deu jeito saber...).
O último sindicalista, não me lembra o nome nem o sindicato, o que disse que o Novo modelo de gestão ia reforçar a centralidade do sistema, também falou muito bem.
Portanto, temos Mário Nogueira da FenProf a ser o melhor da sala a argumentar contra o sistema de avaliação, e [esse tal que não me lembra o nome, mas que era o último... estão a ver?] a ser o melhor em relação ao NMGE (já merece uma sigla!).
Porque é que estes foram os melhores? Por causa da resposta falaciosa da ministra. Mário Nogueira diz que o sistema de escolha dos professores titulares não avalia necessariamente os melhores, pois os titulares não são os que dão melhores aulas, mas os que "fazem mais coisas giras"... Como é que MLR responde? Tenta pôr na boca do Mário Nogueira que os titulares são os piores professores, quando não foi isso que ele disse. Ele disse é que este sistema não permeia em teoria os professores que dão melhor as aulas, mas sim os que andaram em mais conselhos e direcções.
A ministra podia ter respondido "Pois, mas o objectivo é encontrar líderes e não óptimos educadores". Era mais honesto, porque é essa a realidade. Mas aí caía a suposta justeza desta avaliação.
Além disso, quando ela vem com "O problema aqui não é financeiro", toda a gente ficou "Nããã... que ideia!"
Quanto ao NMGE, [o tal sindicalista... porra, alguém me sabe dizer o nome dele?] diz que, sendo a direcção máxima da escola unipessoalizada, há mais dependência em relação ao poder central ministerial, e não mais autonomia, como se quer fazer passar. E vai daí, MLR responde "O Director é naturalmente dependente do ME" Tudo bem! Agora não me venham é falar de autonomia, e depois dizer frases destas...
Ainda quanto ao NMGE faltou lá quem dissesse "nós não queremos autonomia das escolas. O problema da educação não é a gestão escolar, e o actual modelo de gestão tem dado bons resultados."
O 3º melhor titular foi a professora Fernanda Valez. Deu a carne para canhão, para poder dizer aquilo que todos os professores pensam: "Senhora Ministra, Você é uma Vaca". Não o disse assim, mas disse que ela não tinha perfil, que ela conseguiu unir os professores contra ela, e mais uma data de críticas de maneira abrupta e à bruta!
De resto, muito mal o gajo da t-shirt. Não é só a maneira como disse. É o que disse. O facilitismo não era o tema. Os sindicatos "burocratas" não eram o inimigo. Valeu-lhe a frase "a ministra mente com cara de verdade". Mas perfiro muito mais a serenidade com que a professora Valez atacou. Quanto ao nosso professor do ano, foi usado sempre pela moderadora como água para a fervura. Mas água que ainda assim está morninha, mas que quando lhe perguntam de quem é a culpa vem-se com o "é de todos".
É claro que a maioria dos professores adorou estas duas figuras. O do professor revoltado que "coitado, faltou-lhe a expressividade" e o do professor veterano que era "um sabichão das grécias" (pelo menos os professores com os quais eu falei). Aos sindicatos, já os professores não ligam. A malta quer é "movimentos", greves convocadas por SMS, espontaniedade e nada de burocracias. Os sindicatos são uns chulos, as greves já ningué as faz, as negociações são cedências. Agora, já nem a formação se faz nos sindicatos, por isso de que é que eles valem?... Com essa lógica, a situação dos professores vai ficar ainda pior. É necessário tecnocratas, burocratas, gente chata e com gravata para poder negociar e fazer lobby com o governo. Sim, lobby, meus medricas! Pressão, greves de 15 dias, processos no tribunal, causar 3000€ de prejuízo ao estado!
Meus amigos professores: deixem-se de "movimentos" ou de revoltas sem consequências. Os sindicatos provaram ontém que não há MLR ou Fátima Campos Ferreira que tire razão à causa dos professores. São os melhores a estudar os dossiês, logo são os melhores a argumentar. São os mais burocratas, logo são os que conseguem achar falhas numa lei injusta. São os mais serenos, logo são os que conseguem melhores resultados. São os mais organizados e estruturados, logo são os que conseguem juntar mais professores na luta. São os burocratas que os professores precisam para defender os seus direitos. Eu disse direitos? Então emendo: os seus interesses.
Não tenham medo de estruturas, de burocracias, de chavões. Um movimento é muito mais giro e bonito, mas não vos leva a lado nenhum. Sejam burocratas, lobistas, interesseiros, corporativistas, porque se não, tiram-vos tudo.
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sábado, dezembro 22, 2007
O poder (político) na Escola- PCP
Ao contrário dos partidos analizados até agora, o site do PCP não tem uma lista de posições políticas sobre o ensino, que mostre qual a visão deste partido para a Escola.
No entanto, há uma secção "Educação" nas posições políticas do PCP. Essa secção está organizada por artigos e propostas concretas, segundo a data de publicação.
Dando uma vista de olhos nessa secção, é fácil perceber a orientação do PCP nesta matéria.
Destaco um ponto, que dá um bom debate: o PCP é contra a existência de exames nacionais.
O argumento do PCP até faz sentido: a vida dos estudantes fica decidida em duas horas, em vez de haver uma avaliação contínua.
O problema de não haver exames nacionais é a avaliação passar a ser feita só pelos professores, o que pode criar situações de injustiça (todos sabemos que há professores mais exigentes que outros...). A vantagem da avaliação nacional é que todos os alunos estão a ser avaliados da mesma maneira, com os mesmos critérios. Problema: nem todos foram ensinados da mesma maneira (também toda a gente sabe que há professores mais competentes que outros...).
Estamos num dilema: os exames têm critérios mais objectivos e que são aplicados a todos, logo, são mais justos. Por outro lado, percisamente porque os critérios são aplicados a todos os alunos, não se tem em conta as diferenças de qualidade de ensino entre escolas e professores.
Eu sou pela existência de exames nacionais que avaliem objectivamente os conhecimentos, mas compreendo os argumentos contra. Penso que as diferenças na qualidade de ensino superam-se com a existência de aulas de apoio gratuitas nos Centros de Recursos e Salas de Estudo das escolas. Pena é que os bons alunos que vivem perto de más escolas sejam obrigados a frequentar as más escolas e não possam optar pelas que preferem...
O argumento do futuro decidido em 2 horas é mais complicado. É verdade que a nota do exame pode não corresponder aos reais conhecimentos do aluno. Por isso, não me oponho à ideia de haver mais do que um exame nacional por ano, para tornar a avaliação nacional mais contínua.
Para mim, o importante é haver avaliação nacional, com as mesmas perguntas, com os mesmos critérios e com programa adaptado à realidade nacional. Se se alcança mais justiça por haver, por exemplo, três exames (um para cada período), tudo bem.
Voltando ao PCP: em matéria de Educação, o PCP defende medidas só aplicáveis numa sociedade comunista. As medidas podem ser boas e justas, mas muitas delas não fazem sentido na sociedade actual. Outras fazem, como a gestão democrática das escolas, o fim do processo de Bolonha, a redução das propinas etc... Já a média de 9,5 para entrar em qualquer curso é apenas exequível no sistema comunista, e mesmo assim...
As mudanças propostas pelo PCP só são possíveis se conjugadas com mudanças na sociedade. Sem essas mudanças, sou contra a maioria das propostas para política educativa.
Próximo post: CDS-PP.
No entanto, há uma secção "Educação" nas posições políticas do PCP. Essa secção está organizada por artigos e propostas concretas, segundo a data de publicação.
Dando uma vista de olhos nessa secção, é fácil perceber a orientação do PCP nesta matéria.
Destaco um ponto, que dá um bom debate: o PCP é contra a existência de exames nacionais.
O argumento do PCP até faz sentido: a vida dos estudantes fica decidida em duas horas, em vez de haver uma avaliação contínua.
O problema de não haver exames nacionais é a avaliação passar a ser feita só pelos professores, o que pode criar situações de injustiça (todos sabemos que há professores mais exigentes que outros...). A vantagem da avaliação nacional é que todos os alunos estão a ser avaliados da mesma maneira, com os mesmos critérios. Problema: nem todos foram ensinados da mesma maneira (também toda a gente sabe que há professores mais competentes que outros...).
Estamos num dilema: os exames têm critérios mais objectivos e que são aplicados a todos, logo, são mais justos. Por outro lado, percisamente porque os critérios são aplicados a todos os alunos, não se tem em conta as diferenças de qualidade de ensino entre escolas e professores.
Eu sou pela existência de exames nacionais que avaliem objectivamente os conhecimentos, mas compreendo os argumentos contra. Penso que as diferenças na qualidade de ensino superam-se com a existência de aulas de apoio gratuitas nos Centros de Recursos e Salas de Estudo das escolas. Pena é que os bons alunos que vivem perto de más escolas sejam obrigados a frequentar as más escolas e não possam optar pelas que preferem...
O argumento do futuro decidido em 2 horas é mais complicado. É verdade que a nota do exame pode não corresponder aos reais conhecimentos do aluno. Por isso, não me oponho à ideia de haver mais do que um exame nacional por ano, para tornar a avaliação nacional mais contínua.
Para mim, o importante é haver avaliação nacional, com as mesmas perguntas, com os mesmos critérios e com programa adaptado à realidade nacional. Se se alcança mais justiça por haver, por exemplo, três exames (um para cada período), tudo bem.
Voltando ao PCP: em matéria de Educação, o PCP defende medidas só aplicáveis numa sociedade comunista. As medidas podem ser boas e justas, mas muitas delas não fazem sentido na sociedade actual. Outras fazem, como a gestão democrática das escolas, o fim do processo de Bolonha, a redução das propinas etc... Já a média de 9,5 para entrar em qualquer curso é apenas exequível no sistema comunista, e mesmo assim...
As mudanças propostas pelo PCP só são possíveis se conjugadas com mudanças na sociedade. Sem essas mudanças, sou contra a maioria das propostas para política educativa.
Próximo post: CDS-PP.
quarta-feira, novembro 21, 2007
Markting
Se o crítério para a avaliação de um professor for as notas dos alunos, é provável que o professor dê melhores notas. Se esse critério é na avaliação de escolas, então é provável que as escolas façam pressão para que os professores dêm boa nota.
Se a primeira situação é deplorável, a segunda é inadmissível. Os Conselhos Executivos não podem pressionar um professor a dar boas notas, porque só o professor sabe o que merecem os alunos...
Mas sabem o que é ainda pior? É quando o Estado usa inspecções estrategicamente feitas nesta altura e critérios absurdos para tentar aumentar as estatísticas, com o objectivo de ganhar suporte para as suas medidas educativas. E é isso que está a acontecer: o governo decidiu que os professores e as escolas devem ser avaliados pelas notas dos alunos (um critério absurdo e incompreensível), e coloca inspecções na altura em que se começa a pensar nas notas dos alunos.
Assim, garante que, ou os professores vão subir as notas para terem melhor classificação, ou porque são a isso coagidos pelos Executivos, que também querem uma boa classificação.
Tudo isto para quê? Para que os portugueses no fim pensem "Custou, mas valeu a pena".
Se a primeira situação é deplorável, a segunda é inadmissível. Os Conselhos Executivos não podem pressionar um professor a dar boas notas, porque só o professor sabe o que merecem os alunos...
Mas sabem o que é ainda pior? É quando o Estado usa inspecções estrategicamente feitas nesta altura e critérios absurdos para tentar aumentar as estatísticas, com o objectivo de ganhar suporte para as suas medidas educativas. E é isso que está a acontecer: o governo decidiu que os professores e as escolas devem ser avaliados pelas notas dos alunos (um critério absurdo e incompreensível), e coloca inspecções na altura em que se começa a pensar nas notas dos alunos.
Assim, garante que, ou os professores vão subir as notas para terem melhor classificação, ou porque são a isso coagidos pelos Executivos, que também querem uma boa classificação.
Tudo isto para quê? Para que os portugueses no fim pensem "Custou, mas valeu a pena".
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