quinta-feira, abril 17, 2008
Semana pela Democracia
Quanto mais se abre a Escola à "comunidade", mais se fecha à comunidade escolar.
Na minha escola são proíbidas as Reuniões Gerais de Alunos e as manifestações não são autorizadas pelo Conselho Executivo (embora sejam feitas à mesma...)
Mas o pior não é isto. O pior é que, à medida que se tira representatividade aos alunos, dá-se a gente que nada tem a ver com a Escola: os municípios e as empresas.
Já agora, o comunicado . da Associação de Estudantes do Ensino Básico e Secundário alerta para uma coisa: ao passo que o Governo acusa a oposição de aproveitamento político de casos específicos e mediáticos, é o próprio Governo que aproveita estes casos para reforçar a autoridade do professor e reformular a gestão das escolas.
Para uma sociedade democrática é necessário uma escola democrática.
quinta-feira, janeiro 10, 2008
Não há Palavras Caras - Testes Intermédios .
Por dois motivos, e mais os que eu não me lembrar, ou pelo meu recente desinteresse, ou pela minha vontade de tapar ou ouvidos tal e qual uma criancinha pequena e começar a cantarolar sempre que tocam no assunto á minha frente .
Ora vamos lá a ver .
Existem cinco áreas Humanísticas no Ensino Secundário, se bem me lembro .
Ciências e Tecnologias
Ciências Socioeconómicas
Ciências Sociais e Humanas
Línguas e Literaturas
Artes Visuais
Destas cinco, quantas é que têm exames no fim do ano, no 11º ano ? Ora bem .. Exacto, as cinco . E quantas é que têm exames intermédios ? Hum ... Ciências, Economia ..
DUAS .
Ainda não encontrei ninguém que me explicasse o porquê desta diferença sem gaguejar .
Outra coisa, esta já mais particularizada (existe ?) á minha professora de Biologia .
O Teste Intermédio de Fisica e Quimica A é dia 16 (para a semana ) e o de Matemática é dia 24 .
Pois qual foi a brilhante ideia que se formou na mente da minha professora ? Teste Global hoje ! Porque até parece que os alunos não precisam de dormir ! Ou, no mínimo dos mínimos, ir á casa de banho, porque o café tem os seus efeitos no sistema urinário .
É questão para se ponderar ..
sábado, outubro 27, 2007
Tempo para lêr?
Mas porque é que os jovens não lêem?
a) Por causa da televisão
b) Por causa da internet
c) Porque querem é divertirem-se
d) Porque lêr dá muito trabalho.
Talvez qualquer uma destas respostas seja verdadeira. A televisão é um meio mais fácil de obter informação e entertenimento. A internet é mais abrangente e rápida de pesquisar que qualquer biblioteca e tem muitas formas de comunicação que ultrapassam a leitura. O divertimento ocupa uma boa parte da vida do ser humano, sobretudo na juventude. Lêr requer esforço e imaginação. Tudo isso é verdade.
Mas há outro motivo que, conjugado com todos os outros, torna a leitura um bicho de sete cabeças: tempo.
O estudante não tem praticamente tempo para desenvolver o intelecto atravéz da leitura.
Por exemplo, no ano passado o meu horário era:
-Segunda, Terça, Quinta e Sexta entrava às 8:30 e saía às 17:15 da Escola
-Às Quartas tinha "tarde" livre: entrava às 8:30 e saía às 13:45
Pegando nos dias em que saio às 17:15: conto 15 minutos para chegar a casa. Chego a casa, tenho que lanchar, por volta das 17:45 estou despachado.
Entre as 18h e a hora a que, de semana, vou para a cama (22h30) há 4 horas e meia. Pelo meio, tenho que jantar, estudar, e já agora... descançar um bocado do dia de trabalho. Isto sem contar com as actividades extra-curriculares.
Eu pergunto: ende é que, aqui, posso arranjar tempo para lêr? Sim, porque lêr implica tempo e alguma tranquilidade. E eu ainda sou dos mais sortudos... na minha turma há quem chegue a casa às 19:30! Na minha escola, há aulas que acabam às 19:30, isto em cursos diurnos normais, para alunos que pretendem chegar à universidade...
Com estes horários, com esta exigência (que requer muito estudo em casa), como é que querem que os jovens leiam? Só com enorme esforço e preserverança é que eu consigo ler um livro por mês, no máximo dos máximos.
Que tipo de sociedade esta Escola está a produzir? Pessoas que até sabem muito sobre uma determinada área, mas não têm (não conseguem ter) capacidade intelectual para se desenvolverem e desenvolverem a sociedade. Especialitas que só sabem falar de um assunto, sendo ignorantes em relação a tudo o resto. Cidadãos passivos democraticamente, sem opiniões nem uma visão global do que os rodeia. Já para não falar de pessoas com problemas de vista, por causa da exposição aos píxeis ;-)
Não há tempo para nada, num tempo em que devia haver tempo para tudo. A juventude devia ser uma época de aprendizagem de tudo um pouco, de formação do indivíduo segundo as suas experiências pessoais, de descoberta de vocações e de cultivo intelectual. Não uma época de stress, montes de estudo, horários apertados e falta de descanço.
Os estudantes não são uma mercadoria!
E agora o momento neo-luddista de hoje:
Via 5dias
Mais informação sobre o estudo que deu origem a este vídeo aqui
sexta-feira, setembro 28, 2007
Provas Orais: o regresso
De acordo com uma portaria do Ministério da Educação, que aguarda publicação em Diário da República, a oral a Português valerá 25 por cento da nota, enquanto a mesma prova na disciplina de língua estrangeira terá um peso de 30 por cento."
Sinceramente, nem sei o que é uma prova oral. É um questionário que se tem de responder falando, em vez de escrever, suponho...
Porquê a Português e Inglês? Talvez porque são línguas... mas por exemplo, em Inglês: vão avaliar o nosso accent? É que se vão, não se esqueçam que o Inglês tem muitos sotaques pelo mundo inteiro. No RU, nos EUA, na Índia, na Austrália, em vários países de África etc... Se querem brittish accent, escolham melhor os professores que nos põem à frente, que alguns...
Parece-me que isto das provas orais é mais um stress. Não traz nada a não ser preocupação e stress acrescido aos alunos, por saberem que conta 25% da nota. Nem sequer é muito justo, porque muita gente tem dificuldade em expressar-se oralmente, e pode parecer que não sabe as respostas, embora saiba, se tivesse tempo para pensar e escrever.
Eu por mim, continuo a defender os exames nacionais como a forma mais objectiva, imparcial e justa de avaliar os conhecimentos objectivos adquiridos ao longo do ano.
sexta-feira, setembro 21, 2007
Escravos da banca
Texto publicado no Centro de Média Independente (negritos acrescentados por mim):
"Na Europa dos 15 não existem propinas na Dinamarca, Grécia, Luxemburgo, França, Finlândia e Suécia. Na Alemanha, o Tribunal Federal colocou um ponto final na gratuitidade, remetendo a questão para os governos locais. A esmagadora maioria das faculdades continua sem propinas. Portugal é o quinto país da União Europeia onde as propinas são mais elevadas, 900 euros, e o segundo em que o Estado investe menos dinheiro por aluno, 6000 euros. Pior só a Grécia, com 4285 euros anuais. Aqui ao lado, a Espanha despende 8399¤, a Itália 10161 e a França 10332. Em nenhum país escandinavo a despesa fica abaixo dos 13 mil euros, valor também atingido pela Alemanha, Irlanda e Dinamarca. Na acção social escolar o panorama não é mais animador. O nosso país fica em penúltimo lugar na percentagem de dinheiro destinada ao apoio dos estudantes mais desfavorecidos, com 6,7% do investimento total. Mais uma vez, pior só a Grécia, com 5,8%. A França investe 8,1% em bolsas, a Espanha 8,5%, Alemanha e Reino Unido à volta de 10%. A Holanda ultrapassa os 20% e a Dinamarca gasta 33% do total. A bolsa média em Portugal é de 49 euros mensais - refere o Público de sexta-feira, citando o Eurostudents 2005 - enquanto as despesas se ficam pelos 575. Perante este cenário o que faz o Governo? Investe na acção social? Não, corta no investimento no ensino superior público (só na Universidade de Lisboa, os cortes anunciados para 2008 ascendem a 10%) e introduz um regime de empréstimos, com um spread baixo, mas taxas de juro superiores ao que já existe no mercado e que os jovens terão que começar a pagar mesmo que não tenham emprego. O ministro Mariano Gago resume este novo convite ao endividamento das famílias, dizendo que quem não tem a certeza que poderá pagar não deve contrair o empréstimo. Num país com 56 mil licenciados no desemprego, pressupõe-se que só sabe que pode pagar o empréstimo quem já não precisa dele porque tem os pais como avalistas. José Sócrates, primeiro-ministro socialista, defende o sistema de empréstimos dizendo que a Acção Social Escolar não vai acabar. Há dez anos, António Guterres, outro primeiro-ministro socialista, dizia que o dinheiro das propinas seria destinado para aumentar a qualidade do ensino e nunca para gastar em salários e despesas de funcionamento, um facto há muito negado por todos os reitores. A história repete-se; primeiro como tragédia, depois como farsa."
Pôr os alunos como "Escravos da banca" assim que saem da universidade é tudo menos Acção Social. Os alunos, sem garantias de emprego, vão ser "obrigados" a contraír um empréstimo a instituições privadas para poderem estudar (têm a certeza que o "s" de PS é sigla de "socialista"?) .
Juntamente com as propinas e o processo de Bolonha, esta nova medida faz parte do conjunto de políticas que pretendem elitizar o acesso a estudos superiores. E essa elite não é constituída pelos melhores (isso não me chocaria), mas pelos mais ricos, pelos que podem pagar.
Para se entrar com bolsas é preciso ser-se muito muito bom, e mesmo assim, a bolsa é das mais baixas da U.E.
Será que temos de voltar, como diziam os Ladrões de Bicicletas, à velha frase "Acção Social não interessa ao Capital"?
domingo, setembro 16, 2007
Início do ano lectivo
O dia de início do ano lectivo é uma época de stress, quer para os alunos, quer para os professores. É uma altura do ano que eu acho muito bonita (esta frase...). Todos prometem esforçar-se e ninguém entra com baixas espectativas. Ninguém, ainda, está chumbado. Uns partem mais à frente que outros, mas todos acreditam que vão chegar à meta.
Além disso, é uma altura do ano em que uma parte dos alunos não se conhecem. Criam-se amizades, inemizades, e pior que tudo, indiferênças. Até na relação professor-aluno existe este tipo de experiência. Não sabemos se o professor que acabámos de conhecer é bom, nem ele sabe se nós somos bons. É aqui que acaba a beleza do início de ano: nos testes de diagnóstico.
A maior parte das vezes ninguém estuda para estes testes, pois "não contam para a nota". Na verdade, penso que contam muitíssimo na nota. São os mais importantes do ano. A partir daqui, os professores já têm uma ideia de quem são os bons alunos, os alunos normais e os que possivelmente vão chumbar.
Portanto um conselho para todos os alunos (e também para mim mesmo...): estudem muito para os diagnósticos, esforcem-se nas primeiras semanas, que já vão muito mais à vontade para o resto do ano. É injusto e é triste, mas dificilmente um professor muda a primeira opinião que tem de um aluno. Nós também não a mudamos, mas nós não avaliamos os professores... nem somos pagos...
Desejo sorte para todos, sobretudo para mim.
P.S.- Amanhã começo com Educação Física às 8:30 da madrugada. Achei que tinha que partilhar isto com o mundo. Por uma vez na vida, espero que seja aula teórica...
P.S.2- O tag "Violência nas Escolas" foi colocado propositadamente...
quarta-feira, setembro 12, 2007
Ensino obrigatório até ao 12º
A Ministra anunciou também que vão haver naturais mudanças no Ensino Secundário. Assim à primeira vista a medida parece boa. Isto partindo do pressuposto que as mudanças vão ser significativas...
Não gostei foi do motivo apresentado. A medida acontece "para manter os alunos na Escola até aos 18". O motivo devia ser outro, talvez a formação de bons profissionais especializados, o desenvolvimento do país etc...
Pela maneira como foi apresentada, esta medida parece mais uma medida que pretende limitar as liberdades dos alunos. Vamos obrigá-los a continuar na escola mais uns anos, vamos tirar algumas liberdades que já existiam no Secundário, vamos banalizar ainda mais o acesso à Universidade (o que irá continuar o desemprego nos licenciados, e até retirar ainda mais credibilidade ao curso superior)... é o que parece, mas talvez não seja esse o caso...
Penso que esta medida tem como verdadeiro objectivo aproximarmo-nos mais do resto da Europa, formar bons profissionais (sobretudo nos cursos profissionais e técnicos), melhorar as qualificações dos portugueses etc... Se fôr esse o caso, temos boa medida.
quinta-feira, julho 12, 2007
Roma e Pavia não se fizeram num ano
Mau resultado, deveras. Maus alunos, maus professores, mau GAVE, que não faz um exame adequado ao que temos. Mau para todos; bom para o ME, agora com mais desculpas para "lixar" os professores, nomeadamente os de matemática. É tão fácil dizer ao GAVE "façam um exame muito difícil para a maioria, para podermos aplicar as medidas que de outra maneira seriam inaplicáveis."
Mas enfim... contra o poder não há argumentos, já dizia o outro...
Também fiquei impressionado com a reação da Sociedade Portuguesa da Matemática e do seu líder Nuno Crato: "Nuno Crato diz mesmo que estes exames revelam um fracasso do Plano de Acção da Matemática. «Isto não funcionou. Os professores fazem o melhor que fazem», afirma."
O PAM foi iniciado há um ano. Nuno Crato queria que, num ano, o PAM revolucionasse a Matemática e o ensino da matemática em Portugal. E qual é a solução? 'Deixemo-nos de eduquês e de politicamente correcto... voltemos ao que havia antigamente...' suponho que é esse o plano de Nuno Crato e da SPM... só pode ser.
Se um plano pedagógico não resulta no espaço de um ano, fracassou - segundo esta lógica (?), nenhum plano é bom, porque nenhum plano pedagógico resulta num ano. É matematicamente impossível.
Conjugando o pensamento de NC sobre o ensino e as suas declarações sobre o PAM temos que:
- Um plano pedagógico tem que resultar num ano
...logo...
- Se não resultar num ano, foi porque falhou
...logo...
- Quando um plano pedagógico ou um sistema de ensino falha, o que é que se faz? Deixamos de investigar e voltamos ao sistema anterior, mesmo que esse sistema também falhasse.
A SPM iliba os professores de qualquer responsabilidade neste resultado. O PAM, que foi aplicado há um ano, tem a culpa do resultado negativo. Os professores, que ensinam há dezenas de anos, muitos deles com os mesmos métodos, apesar dos maus resultados constantes, não têm culpa nenhuma...
Última nota: gosto quando se fala das "dificuldades a matemática" ou "o problema da matemática em Portugal"...
Só chega à população os maus resultados a Matemática porque só há exames nacionais a matemática e português. Se houvesse exames a Ciências, História ou FQ, também haveriam muitos problemas e muitas negativas... Todos os professores ganham o mesmo (consoante o escalão), têm as mesmas turmas, os mesmos horários, mas só os de LP e matemática têm de "preparar para o exame" e só estes levam com o carimbo da incompetência, embora a incompetência exista também (arrisco-me a dizer "sobretudo")nas outras disciplinas.
E os alunos? Existem alunos que são melhores a outras disciplinas, mas só vão a exame às que, nalguns casos, têm maior dificuldade... Poder-se-á dizer que é uma questão de prioridades. Desde quando é que fazer exames a todas as disciplinas tirava importância ou prioridade a Matemática e Português?
O que tirava prioridade a estas disciplinas era acabar com o Plano Nacional de Leitura e com o Plano de Acção para a Matemática...
Não é num ano que um plano pedagógico mostra os seus frutos. De qualquer maneira, se realmente o plano não funcionar, há que fazer outro, que funcione.
sábado, julho 07, 2007
Em 150 minutos, um aluno foi destruído
07.07.2007, Mariana Oliveira Fernanda Pires de Lima corre as pautas com os olhos, já sem a azáfama das primeiras horas da manhã. Professora de Desenho na Escola Secundária de Rodrigues de Feitas, no Porto, quer saber que notas os exames nacionais reservaram aos seus alunos. "Um estudante exemplar, em 150 minutos, foi destruído", atira, num tom de desalento.
Bons ou maus, milhares de estudantes do 12.º ano ficaram ontem a saber os resultados dos exames nacionais. Mas, para muitos, este ainda não é o ponto final no currículo do secundário.(...)"
quinta-feira, junho 28, 2007
Blink! e mais um argumento pró-exames
O objectivo do livro é mostrar que o subconsciente não é só um lugar obscuro, onde colocamos aquilo que não temos a coragem de pensar conscientemente. É o subconsciente para além de Freud...
Quase todo o livro fala de um conjunto de experiências feitas por investigadores, que provam que existem decisões das quais não temos (quase) controle. Mais do que isso: muitas vezes as decisões ou avaliações feitas num piscar de olhos (Blink, em inglês), são melhores que as que duram meses ou anos...
Entre os capítulos do livro, chamou-me a atenção o capítulo "O Erro de Warren Harding". Este capítulo mostra-nos que nem tudo são rosas nas decisões feitas num piscar de olhos. Gladwell diz-nos que as avaliações feitas nos primeiros instantes de uma relação podem estar erradas, mas dificilmente saem-nos da cabeça. Mesmo que conscientemente mudemos a opininião sobre alguém, o primeiro pensamento que nos vem à cabeça quando ouvimos o nome da pessoa é aquele que tivémos no primeiro segundo do primeiro contacto com essa pessoa.
E o mesmo se passa com os preconceitos. O livro fala do Teste de Associação Implícita, ou IAT, que "mede" os nossos preconceitos em relação ao género ou etnia. O que é mais engraçado é que toda a gente tem maior facilidade em, por exemplo, associar "branco" a "bom" e "preto" a "mau", do que o contrário, o que mostra o racismo inconsciente de cada um. Mesmo o próprio Malcolm Gladwell, que é mestiço, ou os próprios afro-americanos têm esse resultado no teste.
Neste capítulo existem outros testes que mostram que se associa mulheres e pretos a menor inteligência do que homens brancos. E isto feito por pessoas que não são assumidamente racistas ou machistas... mas quando viram uma mulher ou um preto, todos os preconceitos vieram ao inconsciente.
E atenção: neste caso falava-se de raça e sexo, que são maneiras mais fáceis de distinguir as pessoas. No estanto, estas ideias imediatas que temos ao ver alguém estendem-se a outras características físicas, etárias ou comportamentais, e estão por vezes erradas.
Isto para dizer o seguinte (em relação à minha posição sobre os exames): quando eu falo na subjectividade que existe na avaliação feita por um professor ao longo do ano, falo disto. Destes preconceitos implícitos, involuntários e muitas vezes errados, que são cometidos em qualquer relação. Mas tudo isto é multiplicado numa relação professor-aluno. Porquê? Porque muitas vezes o professor e o aluno nunca conversaram fora da aula, ou seja, não existe reconhecimento da real personalidade e esforço da pessoa. O professor avalia por aquilo que vê, por aquilo que parece que vê, ou vislumbra, no meio da sala de aula.
Para qualquer professor que esteja a ler este post: lembrem-se do vosso ex-aluno Fábio (escolhi este nome aleatoriamente... espero que todos tenham tido alunos de nome Fábio...). Repararam na quantidade de informações e ideias que vos vieram à mente sobre esse aluno Fábio? Veio-vos logo à ideia que tipo de aluno era, que notas tinha, a sua participação na sala de aula, a sua postura e interesse etc etc etc... Se calhar não repararam, mas foi isso que aconteceu no vosso inconsciente e é isso que vos vem à cabeça quando corrigem o teste ou dão a nota a qualquer aluno.
Muitas vezes essa avaliação é injusta. Quando estes erros acontecem, são, na maioria das vezes, involuntários. Mas acontecem.
A vantagem do exame nacional é que o professor não sabe quem é o aluno. Não existe nada a atrapalhar a objectividade da avaliação (a não ser o tipo de letra, ou a maneira de escrever, mas isso não se compara com a chamada "avaliação contínua", em termos de subjectividade...).
E repito: o exame é a avaliação objectiva, e portanto deve avaliar a parte objectiva do que é ensinado na escola. Essa parte objectiva é, essencialmente, a matéria dada, os conhecimentos. Eu proponho exames a valer 50%, porque acho que 50% é o mínimo de conhecimentos objectivos que a escola deve ensinar. E já estou a ser muito liberal, pois atribuo 50% da nota às "outras competências"... Exames a valer 50% é mesmo o mínimo dos mínimos...
Blink! mostra-nos que o que nos fica de alguém é a avaliação feita nos primeiros segundos do contacto com a pessoa. E não podemos combater o que nos fica na cabeça. O que podemos combater é o que fica na pauta, que deve ser o mais justo e objectivo possível. Mais exames é mais objectividade e mais objectividade é mais justiça na atribuição de notas...
P.S.: Já agora: se quiserem fazer o teste IAT, façam-no aqui e descubram que são uns porcos racistas e sexistas...
quarta-feira, junho 27, 2007
domingo, junho 24, 2007
Porque amanhã é segunda...
sexta-feira, junho 15, 2007
Estou oficialmente de férias
Como já tinha dito, existem dois sistemas:
1. Poucas e pequenas férias intercalares e grandes férias de Verão.
2. Muitas férias intercalares e menores férias de Verão.
Na minha opinião, o melhor sistema é o sistema 2. Porquê?
- As férias servem para descansar do tempo de trabalho. Muitas vezes, em Setembro, parece que servem para descançar das férias...
- Férias intercalares aumentam a productividade.
- O que é que dá mais sensação de descanço: uma semana no meio das férias ou uma semana entre os tempos de trabalho?
- As férias de Verão, no fim, já irritam...
O inconveniente deste sistema é o de sempre: e os pais, onde é que deixam os filhos?
Aqui é que está o problema. Mas existe sempre uma solução. E as soluções são mais fáceis de encontrar quando há abundância (excesso) de recursos humanos.
Existem professores desempregados. Contrate-se esses professores para ATL/OTL durante essas férias. Esses professores ganhavam dinheiro durante esse tempo e depois seriam priveligiados nas colocações.
Fácil, barato, productivo, bom para todos. Faça-se.
segunda-feira, junho 11, 2007
Mais exames! Os argumentos de quem lá quer andar
A notícia diz que os exames são feitos "from the age of seven".
Eu não pedia tanto. Eu concordo com exames
- nacionais
- com avaliação nacional
- a todas as disciplinas
- feitos para a média, e com os objectivos disciplinares, por um organismo de estado competente
- que contem 50% da nota, ou mais(nunca ultrapassando os 65%...)
- no 6º, 9º e 12º ( em que os alunos vão ter, respectivamente, 11/12, 14/15 e 17/18 anos ou mais)
Isto não é abusivo.
O que é abusivo é ter em períodos de 2 meses e meio, 2 testes à mesma disciplina, que contam 100% da nota (há que reconhecê-lo...), e em que a matéria é reduzida. Pior: é muitas vezes avaliado pelo cabeçalho.
Quando digo que conta 100% da nota, estou a falar da realidade, e não dos papelinhos que nos dão no início do ano, onde o teste conta 55%. Outros chegam à hipócrisia de dizer que o teste só conta 45% da nota (teoricamente, um aluno pode ter nega nos dois testes e ter 4 na pauta...). Toda a gente sabe que os testes contam 100% (vá lá 90%) da nota. Esta é a realidade e este é o stress que representa fazer um teste.
E mesmo que o teste só contasse 55%, contava mais do que os 30% que os exames contam actualmente.
Quanto ao argumento das "outras capacidades". Digam-me quais são. Suponho que, quem concorda que o único meio de avaliação deve ser a avaliação subjectiva de um professor, ache que estas outras capacidades são a simpatia forçada, o graxismo, as aparências etc... São realmente capacidades úteis nas empresas, acredito que sim. Sobretudo em Portugal...
As funções da Escola são ensinar conteúdos, preparar para a vida adulta, proporcionar experiências sociais com vista ao crescimento social do aluno, educar à cidadania, democracia, respeito, liberdade e responsabilidade e ser uma descoberta de vocações (profissionais, sobretudo).
Se existem "outras capacidades" a avaliar, façam-se disciplinas a avaliá-las e exames nacionais que provem que os alunos têm essas outras capacidades (ninguém disse que tinham de ser escritos...)
quarta-feira, junho 06, 2007
E se o professor não deu a matéria?
Resposta do meu co-blogger Ctrl.Alt.Del.: "O professor não dá matéria, segundo o ME é um "facilitador de aprendizagens" e um "criador de situações de aprendizagem"; assim, se há matéria que o aluno não aprendeu, o problema é, obviamente, dele ;-)"
A culpa não é, obviamente, do aluno. A culpa é, obviamente, do professor que não deu a matéria.
Mas essa não era a minha questão. A minha questão é "se o professor não deu matéria, o que é que fazem os alunos?". Não podem fazer nada. Nem os que estiveram nas aulas. Eu, a esta pergunta, queria respostas, não ironias...
Sinceramente não sei. Pode um aluno ser prejudicado pela incompetência de outra pessoa? Não, certamente. Como resolver este impasse? A pergunta da Semana mantem-se.
P.S.: O professor dá matéria. É um facilitador de aprendizagens, é um criador de situações de aprendizagem, é um estimulador do pensamento, mas tem de dar matéria.
terça-feira, junho 05, 2007
Pergunta da Semana
sexta-feira, junho 01, 2007
Queremos exames!
Cerca de zero vezes, para ser preciso. Porque é que eu acho que os alunos beneficiam dos exames? Porque é que eu quero ser avaliado por exames?
- Antes de mais nada, é uma questão de princípio. Eu quero ser avaliado pelos meus conhecimentos, e não quero ser prejudicado pela avaliação subjectiva de um professor. Os professores são humanos, têm sentimentos. E esses sentimentos podem levar a um erro na avaliação, ou a alguma parcialidade. Por isso a avaliação deve ser feita por um exame nacional, igual para todos os alunos. Só assim se pode avaliar objectivamente os conhecimentos dos alunos.
- Muitos alunos beneficiariam dos exames nacionais como elemento principal da avaliação. Porque existem muitos professores incompetentes, ou que não nasceram para a docência. Mas vivem dela. E porque muitos alunos podem não ter aquela imagem de "estudiosos" que os professores querem, mas realmente estudam. Com os exames, é que se vê quem é que é mesmo "aplicadinho". Não é pela postura corporal e olhar interessado...
- O exame é nacional, e isso ajuda à justiça.
- Integrado na Educação centrada no Aluno, os exames como principal instrumento avaliativo fazem ainda mais sentido. Eu acho a "avaliação contínua" uma hipocrisia. Porque defendo um modelo em que as aulas são opcionais até que o aluno deixe de ter boas notas. Avaliação aula a aula é avaliação de nada. É subjectividade, é simpatia e graxismo. Na Escola deve-se avaliar concretamente os conhecimentos, de onde quer que eles venham. Se eu acho que tiro maior proveito de uma hora e meia a estudar na sala de estudo do que a ter aula, e se acho que assim consigo obter mais conhecimentos, e realmente consegui-lo, qual é o problema? O problema é a indepenência e autonomia, que são pouco toleradas na Escola de hoje.
- Depois, os exames são feitos por uma comissão que deve criar exames adequados à média e com os conhecimentos que ache que os alunos devem ter. Por exemplo, o exame de Matemática do 9º ano do ano passado tinha muito mais de raciocínio do que de matéria. Porque o GAVE achou que era essa a parte mais importante da Matemática. Concordo. Outros discordarão. É por isso que a avaliação tem de ser nacional. Porque uns fazem a avaliação de uma maneira e outros de outra... e isso assim não pode ser...
P.S.: Para que fique claro: defendo exames nacionais no 6º, 9º e 12º, a valer, no mínimo, 50% da nota. E regeito o sistema de há uns anos, em que se podia não ir a exame, se se tivesse boa nota atribuida pelo professor. Vai contra tudo o que ennumerei anteriormente.
Já agora, leiam isto, que mostra que os exames a valer 50% seria mais vantajoso para os alunos, do que o actual modelo, em que contam 30%. É um raciocínio matemático (podia estar na Teuria dus Numaros). Se quiserem comentar, façam-no neste post e não no antigo...
P.P.S.: A próxima Pergunta da Semana será novamente sobre este tema.
terça-feira, maio 29, 2007
Pergunta da Semana
quinta-feira, maio 17, 2007
Praxes...BAHHHH!
Nada como no meu tempo...deixem-me contar!! Foi no ano de 1984! creeeedo...que kotinha...uns camolas do 4º ano QUERIAM-ME OBRIGAR a subir para uma mesa para cantar o hino de Portugal...vejam só a simplicidade e a inocência!
E eu? RECUSEI-ME, claro!
E o que é que me aconteceu? NADA! Claro que me chamaram logo "trombuda, antipática, corte, atrasada, e blábláblá..." mas não levaram a deles! Mas também não me tocaram porque havia uma coisa que hoje não há...respeito pela diferença!
Aos poucos lá me foram conhecendo e eu aos outros mil-e-não-sei-quantos do meu rico ISCTE e o que é certo é que no ano a seguir estavam-me a pedir para fazer de enfermeira para montar uma enfermaria falsa...eu ía fazer os toques...achei um escândalo! Não sou puritana mas acho essas brincadeiras uma verdadeira estupidez! Que se brinque sim, mas sem violência e sem pornografia! Isso fica para outros filmes...
A cena mais gira que os do 4º ano fizeram, e que todos os caloiros de 84 caíram que nem patinhos lerdinhos, foi um gaijo curtidissimo, o Paulo Pinto (se leres isto considera-o um grande abraço de saudade daqueles belos tempos) aparecer todo engravatado, com um paleio absolutamente incrível numa aula de História Económica e Social...até tirámos apontamentos!
Mas o mais engraçado é que eu via aquela figura a jogar às cartas (ai o que nós jogávamos às cartas naquele bar...campeonatos de King...fui a exame a 3 cadeiras por me baldar às aulas no 1º ano...para jogar king...) no bar e achava que devia ser um professor muito fixe...quando eu descobri que era um camolas super-repetente que estava a fazer cadeiras do 1º ao 4º ano, passei-me! que figura mais carismática! e havia outras! Foram 5 anos muito bem passados!
E durante esses 5 anos as praxes "evoluiram"..para pior! Cada vez com mais falta de respeito!
É triste!
O meu irmão entrou para o IST em 1991 e queriam obrigá-lo a dar duas voltas à volta do técnico, em cuecas, num dia em que, por acaso, estava a chover...azar...também não cumpriu...mas já foi ameaçado! Mas ninguém lhe tocou!
Há brincadeiras giras que se podem fazer sem magoar ninguém...por isso, que se façam praxes, porque é um baptismo único mas, SEM VIOLÊNCIA!