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quinta-feira, novembro 01, 2007

sábado, outubro 06, 2007

Recortes do discurso do Presidente no dia da República

" [Ao longo destes anos] tratámos a escola como um problema de governo e não como um problema de regime. E concentrámo-nos em demasia na relação entre o Estado e a escola, sem atender ao papel e às responsabilidades próprias da sociedade civil."

A Escola é um problema de regime e os valores do regime estão espelhados na Escola. A Escola de hoje é a sociedade de amanhã. Se queremos que o regime seja hoje e amanhã um regime democrático e livre, há que ensinar a democracia e a liberdade.
Isso tem de ser feito na óptica da liberdade de expressão da opinião e com o máximo de neutralidade possível. Respeitar as diferentes opiniões, incentivando-as.

"Encontrar uma estratégia nacional para a educação das novas gerações, que a todos mobilize, é a melhor homenagem que podemos prestar aos valores republicanos."

A Escola tem de ser um regime democrático. E republicano...

"Nesta ocasião, gostaria de propor aos Portugueses um novo olhar sobre a escola, sobre um modelo escolar construído à luz da ideia de inovação social. Não quero dirigir-me especialmente ao Governo e à Assembleia da República. Quero dirigir-me a todos os Portugueses. A ideia de inovação social impõe-nos novas estratégias, conceitos e práticas para a satisfação de necessidades sociais. A ideia de «inovação» não é um exclusivo das actividades empresariais. É possível inovar – e inovar socialmente – nos mais variados campos, incluindo a educação. "

A Escola só consegue ter alunos e professores inovadores quando ela própria inovar, no modo como está estruturada. Menos hierarquia entre professores e alunos estimula um ambiente de trabalho, em vez de um ambiente de guerrilha. Mais liberdade individual para os alunos cria aprendizagem social, que não pode ser ensinada em salas de aula. Formação cívica e democrática produz uma sociedade tolerante, democrática, liberal. Republicana. A Educação centrada no Aluno foca os esforços nos interesses presentes e futuros do aluno, que é, no fundo, o originador da Escola e o futuro cidadão.

"Devemos começar por afirmar que uma escola republicana é uma escola plural e aberta, que cultiva a convivência entre as mais diversas convicções, credos ou ideologias. É também uma escola neutra, no sentido em que não se encontra ao serviço de uma qualquer ideologia oficial patrocinada pelo Estado ou qualquer organização"

Esta é a parte do discurso que gostei mais. Enquadra-se no Tema deste mês: como educar para a democrcia? Resposta do Presidente: cultivar "a convivência entre as mais diversas convicções, credos ou ideologias", nunca esquecendo que a escola é neutra. Ah Grande Cavaco!

"Por outro lado, importa sublinhar que a educação é a base da verdadeira inclusão social, pois esta encontra-se associada, em larga medida, às qualificações e competências de que cada um dispõe. Mas também num outro sentido se deve salientar o carácter inclusivo da escola: a democratização do ensino e a escolaridade obrigatória são factores de igualdade e elementos de convivência interclassista, interracial ou interconfessional. Para que essa convivência não se limite à superfície da realidade, é necessário que existam condições materiais para uma efectiva igualdade de oportunidades, a qual só pode alcançar-se através de um maior e mais activo envolvimento da comunidade com a escola."

Só falta isto para que os melhores, e não os mais ricos, fiquem com as melhores escolas (as que têm melhores condições materiais e humanas).

"Temos, de facto, de adoptar uma nova atitude perante a escola. Temos de perceber que aí residem os activos mais importantes do nosso futuro. É imperioso ter a consciência de que o investimento mais reprodutivo que poderemos fazer é nas crianças e nos mais jovens."

A última frase é a melhor do discurso. Investir na Escola é investir no futuro.

Depois disto, o Presidente fala dos pais e dos professores. Essa parte já foi muito comentada, sobretudo pelos sindicatos. Por isso, quem quiser ler o discurso integralmente, siga o link

Este foi o melhor discurso presidencial que já ouvi. Cavaco costuma surpreender nos discursos. Fê-lo no último 25 de Abril, mostrando-se bastante à esquerda do governo e fê-lo ontém, com um discurso idealista, muito republicano e com umas frases que ele sabia que iam ser utilizadas contra o governo. Nunca pensei que Cavaco Silva desse um presidente tão bom. Pelo que ele já vetou e pelo que ele já disse ao longo deste mandato, faz-me cada vez mais acreditar que o sistema democrático de escolha do chefe de estado é o melhor. Falo da República.

Um bom discurso. Um bom presidente. Um bom regime. Viva a República!

sexta-feira, outubro 05, 2007

Real Televisão Portuguesa

Ontém, na RTP, às 22:20 foi para o ar um programa chamado "Duas Dinastias, Duas Gerações". Depois de ver o genérico é que percebi que se tratava de uma transmissão de uma tourada, no Campo Pequeno.


Questiono o interesse público e até o interesse comercial de uma transmissão de uma tourada. Para quem não gosta de tourada, não lhe interessa. Para quem gosta de tourada, penso que é muito mais emotivo ver na arena...
Mas agora não vou falar dessa questão. O que eu quero chamar à atenção é o nome do programa. "Duas dinastias"... e em que dia aparece o programa cujo nome começa por "Duas dinastias"? Dia 4 de Outubro.
Um dia antes da comemoração da instauração da república, na televisão paga por todos nós, na televisão do Estado Republicano, surge um programa tauromático com o nome "Duas Dinastias, Duas Gerações". Não estou a dizer que a RTP faz apologia da monarquia. Apenas acho inapropriado dar esse nome a um programa no dia 4 de Outubro...

Mas o que vale é que hoje não é 4 de Outubro. Hoje é 5 de Outubro e comemora-se o dia em que foi implementado em Portugal o único sistema que garante que o chefe de estado é democraticamente eleito. Portanto, o único sistema verdadeiramente democrático.

Viva a República!