quarta-feira, fevereiro 14, 2007

terça-feira, fevereiro 13, 2007

A carneirada cor-de-rosa

Na 1ª versão do concurso para professores titulares, que acabei de ler via Educação do meu Umbigo, a classificação final apresenta os seguintes critérios de desempate:

Artigo 18º
4. Em caso de igualdade de classificação no concurso, preferem sucessivamente:
a) O candidato com mais assiduidade no período a que se refere o n.º 6 do artigo 10º;
b) O candidato que detenha o grau académico mais elevado;
c) O candidato com mais tempo de serviço docente.


Isto significa: não se preocupem em adquirir um grau académico mais elevado, o que pode implicar faltar eventualmente para participar em congressos ou encontros, seminários ou apresentações, porque quando chegar a hora, aquele vosso colega que ficou quietinho o tempo todo no seu canto a dar as suas aulinhas, uma atrás da outra, sem faltar, vai ficar à vossa frente.

Se não gostaram do resultado do concurso, o melhor é começarem um blog para destilar a azia:
Artigo 20º
1. No procedimento do concurso não há lugar a reclamação.

Qualificação do corpo docente?! Bah! É mais é qualificação do corpo dormente!

Pergunta da Semana

Os melhores professores vão ser professores titulares, e os professores titulares vão trabalhar menos, ou seja, os melhores professores são os que vão dar menos aulas, logo os alunos vão ter mais aulas com... os piores professores. Porquê?

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

O "milagre estranho"

Admira-se o nosso Jumento favorito com a notícia do JN que dá conta de que os professores estariam a faltar menos desde que entraram em vigor as aulas de substituição. O absentismo dos professores desceu para quase metade, assegurou, ao JN, fonte do Ministério da Educação.

Ora isto leva o Jumento a solicitar aos sindicatos dos professores uma explicação "pois não quero acreditar que o professor que deixou de faltar esteja mais preocupado com o incómodo que traz a um colega do que deixar trinta alunos sem aula."

Não quer nem deve. O milagre estranho não deve ser assim tão difícil de entender: basta ir ao bolso dos professores, no imediato e a médio prazo (aliás, funcionaria com qualquer profissão, aposto...):
  • Faltou, fica para trás na fila para aceder ao topo da carreira, mesmo que tenha faltado por licença de maternidade (antes tivesse abortado...) ou tivesse uma doença prolongada...
Confira-se a notícia do PÚBLICO sobre o concurso para professor titular lançado pelo ME:
  • "(...) Segundo a proposta do Ministério da Educação (ME), o processo de selecção para a categoria de titular, a mais elevada da nova carreira, vai ter em conta todas as faltas, licenças e dispensas dos candidatos entre os anos lectivos 2000/01 e 2005/06, mesmo que tenham sido dadas por doença ou maternidade, por exemplo."
A ameaça já paira há muito tempo, ei-la agora concretizada.

Está desvendado o "milagre": são rosas, senhores, são rosas...

Leia-se hoje no Jumento a carta a um jovem licenciado candidato a juncionário público. Tem assustadoramente muito a ver com o que se tornará a fantochada da avaliação e subsequente carreira dos professores...

Agora sim

A edição do novo PÚBLICO em pdf, para download gratuito.

Só o título... não sei porquê, mas aquele P gorduchinho não me diz nada. Quero o título antigo de volta. Que tal uma petição?

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Funções nucleares do Estado

O governo prepara-se para redefinir as funções nucleares do Estado, deixando de fora áreas como a EDUCAÇÃO ou a saúde, noticia hoje o DN.

Embora apresentado como mais um estratagema para poupar dinheiro, através da redefinição das carreiras dos funcionários destas áreas (contrato individual em vez de contrato colectivo), agradecemos que venham assumir aquilo que já todos tínhamos percebido:
  • para este governo, a educação não é considerada uma função nuclear.
Tudo o resto é demagogia.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

O novo PÚBLICO: aperitivo

"Esta é uma primeira “simulação” (número zero) do novo PÚBLICO. Não está perfeito, longe disso. Parte da “reedição” de uma edição do jornal, com algumas adaptações, mas mostra já por onde queremos ir. Queremos o mesmo PÚBLICO enquanto jornal de referência, com textos que aprofundam os temas, com outras abordagens, com boa opinião. Queremos um PÚBLICO que sirva melhor os leitores, dando-lhe mais notícias, necessariamente num registo mais sintético. Queremos um PÚBLICO bem editado, com mais elementos de apoio à leitura e onde o leitor se oriente melhor. E queremos desafiar-nos e desafiar-vos a interagir com o jornal."

Para “provar” este aperitivo basta aceder na internet ao seguinte link: www.publico.pt/homepage/publico_numero_zero.pdf

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Pergunta da Semana

Se existe uma Ordem dos Médicos, uma Ordem dos Advogados, uma Ordem dos Engenheiros etc..., porque é que não existe uma Ordem dos Professores? Ou uma Ordem dos Alunos?

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

15 segundos de Will Durant: Para que serve a filosofia?

O leitor ocupado perguntará para que serve a filosofia. Pergunta vergonhosa, que não fazemos à poética, essa outra construção imaginativa de um mundo mal conhecido. Se a poesia nos revela a beleza que os nossos olhos ineducados não vêem, e se a filosofia nos dá os meios de compreender e perdoar, não lhes peçamos mais - isso vale todas as riquezas da Terra. A filosofia não enche a nossa carteira, não nos ergue às dignidades do Estado; é até bastante descuidosa destas coisas. Mas de que vale engordar a carteira, subir a altos postos e permanecer na ignorância ingénua, desapetrechado de espírito, brutal na conduta, instável no carácter, caótico nos desejos e cegamente infeliz?
A maturidade é tudo. Talvez que a filosofia nos dê, se lhe formos fiéis, uma sadia unidade de alma. Somos negligentes e contraditórios no nosso pensar; talvez ela possa classificar-nos, dar-nos coerência, libertar-nos da fé e dos desejos contraditórios.
Da unidade de espírito pode vir essa unidade de carácter e propósitos que faz a personalidade e dá ordem e dignidade à vida. Filosofia é conhecimento harmónico, criador da vida harmónica; é disciplina que nos leva à serenidade e à liberdade. Saber é poder, mas só a sabedoria é liberdade.

Will Durant, in "Filosofia da Vida"
via citador

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Uniformização ou escolha. Das duas, uma.

Nos meus posts (este) e Perguntas da Semana (esta e esta), tenho apontado para um problema que afecta inevitavelmente qualquer sistema de ensino: as diferenças de escola para escola.

Não existe em Portugal iguais infra-estruturas de ensino, nem iguais recursos humanos (nem em termos de qualidade nem em termos de quantidade de pessoal docente e não docente), nem mesmo iguais regulamentos.

Perante esta situação só existem, a meu ver, duas saídas possíveis: Uniformização ou Escolha.

Ou criamos iguais condições de aprendizagem (e convívio) para todas as escolas, ou damos possibilidade às famílias de escolher qual a escola a frequentar (num sistema de vagas em que entram primeiro os melhores alunos... em vez do actual critério, em que entram primeiro os alunos que vivem na boa/má zona da cidade ou na boa/má região do país...)

Sinceramente, acho mais exequível a segunda opção.

Neste momento parte-se do pressuposto que todas as escolas são iguais, todos os professores são iguais, todas as famílias são iguais, todos os bairros são iguais e, portanto, não faz sentido escolher as escolas. Isto não é verdade.
Basta conhecer minimamente o sistema nacional de escolas para se chegar a esta conclusão: os alunos dos bairros “finos” ficam com as melhores escolas (que estão nos bairros “finos”, onde moram os filhos dos autarcas e ricalhaços lá da terra), ao passo que os outros todos, por muitas capacidades que tenham, ficam sempre com as piores infra-estruturas, com a pior qualidade de ensino e com todos os professores que não conseguiram entrar na escola do bairro “fino”.

A crença na igualdade de todas as escolas é muito bonita, mas não é real. Existem diferenças e, para as combater, temos que arranjar novos critérios de entrada nas melhores escolas públicas, e eu prefiro que o critério seja o das notas da pauta do que o das notas no bolso do pai...

A carta da APP

O PÚBLICO noticia hoje que a Associação de Professores de Português (APP) tem perguntas a fazer ao Ministério sobre a TLEBS e enviou uma carta ontem à Ministra. Sabemos agora quanto tempo demora a escrever uma carta (ou a pensar) na APP: 4 dias...

A APP está ainda preocupada "com a formação dos professores - como vão ser formados cerca de 50 mil, quando as associações vão deixar de poder fazer formação contínua?" - com a formação dos professores ou "a propósito" com o futuro do seu Centro de Formação e o abono dos seus ilustres formadores, como o próprio presidente da APP (formador 50), a tesoureira (formadora 10), a vogal do conselho fiscal (formadora 6), o presidente da mesa (formador 14) e a secretária (formadora 31) da assembleia geral?

Aliás, o cruzamento dos nomes dos formadores do Centro de Formação da APP com os órgãos sociais da APP atrás feito, só é suplantado e, espanto pelo cruzamento com a Comissão Pedagógica do Centro de Formação da APP, onde se encontram além do seu ubíquo presidente (formador 50), a formadora 9 e o formador 49... (nota de curiosidade: como formadoras 27 e 40 encontram-se ainda as responsáveis pelo site gramaticª.pt, dedicado à conversão e iluminação dos infiéis e descrentes nas lides da TLEBS.

Portanto a Comissão Pedagógica aprova à segunda as acções que vão ser dadas por eles próprios à terça... Não admira que o ME queira acabar com a formação nas Associações...