segunda-feira, abril 28, 2008

"Lideranças fortes"

Repare-se que o ME não se refere à eficácia ou à qualidade das lideranças. Não: uma liderança tem de ser forte. Isto pode parecer só uma diferença de maneira de dizer, mas não é. Isto incentiva o pequeno poder (o conselho executivo, o conselho geral, os professores titulares...) a exercerem prepotentemente o seu pequeno poder. Isso já está a acontecer em muitas escolas, e com a pessoalização das listas para o Conselho Directivo, acreditem que vai aumentar.

Este espírito da "liderança forte" tem sido aquilo que o governo e particularmente o ME têm andado a pregar. A imagem de "coragem" (no sentido de fazer tudo contra todos), a recusa em se admitir um recuo, o "quem manda aqui sou eu", têm sido imagens associadas a qualidades e não a defeitos. Têm sido exemplos para aplicar nas escolas.

O caminho que foi traçado para a Escola foi este: fim da eleição democrática dos órgãos da escola, pessoalização dos mesmos, para que sejam nomeados pelo poder central, exclusão dos alunos de qualquer influência (ainda que simbólica) nos assuntos da escola, diferentes carreiras para os professores, repressão da actividade sindical (para os professores) e associativa (para os alunos).

Tudo começa por dar mais poder ao pequeno poder, para que este comece a habituar professores e alunos para o que aí vem. A estratégia é boa, e parece estar a resultar.

Para contrariar, fiquem com o descurso de José Soeiro (BE) na comemoração do 25 de Abril.
Parte 1
Parte 2

sexta-feira, abril 25, 2008

quinta-feira, abril 17, 2008

Semana pela Democracia

Associações de estudantes do Básico e Secundário promovem Semana pela Democracia

Quanto mais se abre a Escola à "comunidade", mais se fecha à comunidade escolar.

Na minha escola são proíbidas as Reuniões Gerais de Alunos e as manifestações não são autorizadas pelo Conselho Executivo (embora sejam feitas à mesma...)
Mas o pior não é isto. O pior é que, à medida que se tira representatividade aos alunos, dá-se a gente que nada tem a ver com a Escola: os municípios e as empresas.

Já agora, o comunicado . da Associação de Estudantes do Ensino Básico e Secundário alerta para uma coisa: ao passo que o Governo acusa a oposição de aproveitamento político de casos específicos e mediáticos, é o próprio Governo que aproveita estes casos para reforçar a autoridade do professor e reformular a gestão das escolas.

Para uma sociedade democrática é necessário uma escola democrática.

quarta-feira, abril 02, 2008

Dois vídeos



e



Vejam mais no site dos Incorrigíveis, manifestamente melhor assim do que com apenas dois comediantes por semana...

Desde segunda-feira

já ouvi aí uns 4574 professores dizerem "se fôsse comigo levava logo uma chapada".
Também ouvi (isto só uma vez) que a turma tinha de ser toda expulsa, pois não tentaram resolver a situação (mesmo que isso fôsse verdade, não sabia que éramos obrigados a ser boas pessoas. nem boas pessoas com tomates...). De referir que essa professora deu como exemplo "se virem um pessoa com mais autoridade a levar - por exemplo um polícia a levar de um gatuno - têm que ir lá ajudá-lo, não é!"

segunda-feira, março 31, 2008

Novo vídeo de Björk

Saiu finalmente o novo vídeo de Björk, para o tema Wonderlust, realizado pelos Encyclopedia Pictura. O vídeo foi gravado em 3D com uma mistura de animação digital, modelos em tamanho real de plasticina e, claro, Björk...

domingo, março 30, 2008

sexta-feira, março 28, 2008

Gostava de ter escrito isto:

Vítor Dias, no blogue O Tempo das Cerejas:

"Ontem, na Quadratura do Círculo
O velhíssimo truque

Ontem, na "Quadratura do Círculo", na SIC Notícias, apenas com a participação de Pacheco Pereira e Jorge Coelho discutiram-se fundamentalmente dois assuntos : a liberalização dos horários de comércio, sobretudo a abertura ao domingo reclamada pelos hipermercados e a questão da violência e autoridade nas escolas a propósito do recente e conhecido caso, aliás infindávelmente falado e com a repetição do famoso vídeo até à exaustão ( e «banalização» como muito bem disse Pacheco Pereira).
Repare-se agora no que aconteceu : em matéria de liberalização dos horários dos supermercados (designadamente a sua abertura ao domingo) tanto Pacheco Pereira como Jorge Coelho, cada um no seu estilo, teceram loas a esta possibilidade, sublinharam o enorme apoio que conta entre os consumidores e enfatizaram o seu apoio a tudo o que represente uma maior liberdade para estes e uma maior adequação às suas conveniências ou apetências. Jorge Coelho, referindo-se aos trabalhadores do sector, deu-se mesmo ao luxo de invocar que há muitos sectores sujeitos a horários especiais (ele falou mesmo em serviços de 24 horas) exquecendo-se entretanto da distinção que importa fazer entre serviços públicos essenciais à vida da comunidade (transportes, hospitais, energia, etc) e horários de consumo. E tudo isto e muito mais que disseram não impede que, um dia destes noutra onda, possam convictamente verberar o excesso das derivas consumistas depois de ontem quase terem proclamado a legitimidade de uma espécie de «ditadura dos consumidores» sobre todos os outros valores e interesses. E já que falaram da petição, posta a circular nas grandes superfícies pelos seus donos, e que teria recolhido 250 mil assinaturas, então eu sinto vontade de contar o caso de um amigo meu que, convidado pela caixa de um hipermercado a assinar a petição, se recusou e teve a grata recompensa de receber um sorriso de simpatia e agradecimento da referida empregada.
Entretanto, logo de seguida, Pacheco Pereira e Jorge Coelho (e o moderador Carlos Andrade) passaram ao tema da violência nas escolas e aí, entre muitos outros aspectos, ambos não deixaram de referir como muitas mudanças (relativas ao emprego, aos transportes, aos horários, a feminização da mão-de obra etc.) que vêm de trás modificaram poderosamente as condições para os pais acompanharem devidamente a educação dos seus filhos e o seu comportamento e atitudes na escola.
E a nenhum dos dos dois passou pela cabeça por um segundo que o que tinham dito sobre a liberalização dos horários das grandes superfícies só podia via a agravar, em certa escala e pelo menos quanto aos e às profissionais do sector, o fenómeno que, passados uns minutos, estavam a reputar de muito influente nas situações de indisciplina e outras das escolas.
Bem vistas as coisas, o que ontem aconteceu na "Quadratura do Círculo" foi pura e simplesmente mais uma manifestação de um velhíssimo truque usado por algumas forças políticas (designadamente o PS e o PSD), órgãos de soberania e incontáveis personalidades: ou seja, sempre lamentarem as consequências e contra elas inflamadamente protestarem e sempre generosamente absolverem as causas que as provocam."

quarta-feira, março 26, 2008

Por isto é que eu digo... mandem-nos para a rua!

O vídeo da disputa do telemóvel já foi falado e re-falado. Já serviu para aproveitamento político e para muita demagogia e generalização. Até já deu negócio.

Eu acho que os professores deviam usar mais frequentemente o mandar para a rua como método de evitar estas cenas deploráveis. O aluno é avisado, se volta a abusar simplesmente sai e assim só se prejudica a si próprio, e não aos outros todos. Prejudica-se na matéria que não vai aprender e prejudica-se no número de faltas injustificadas, e possivelmente com processo disciplinar. Mas entretanto, deixa os outros ter a aula...

Mais do que autoridade, falta aos professores credibilidade perante os alunos. Quando há professores que avisam três ou quatro vezes numa aula que mandam o aluno para a rua e nunca o fazem, os alunos deixam de acreditar.

O ir para a rua devia ser o normal para alunos que estão a prejudicar o decorrer da aula, e isto sem nenhum drama. O aluno prejudica, o aluno sai, a aula continua.
Mandar o aluno para a rua é muito mais lógico do que tirar-lhe o telemóvel ou outros métodos que vão, em vez de devolver serenidade à aula, aumentam a tensão.

Eu sei que nos dias de hoje isto vai soar demasiado politicamente correcto para a ditadura do politicamente incorrecto que se instaurou na blogosfera. Vai parecer que eu estou a fazer o jogo do "coitadinha da aluna, que a culpa é da sociedade". Não. A aluna tem culpa e deve ser punida, isso nunca esteve em causa. O que eu estou a dizer é que, se a professora a tivesse mandado para a rua, em vez de lhe tirar o telemóvel, tudo isto se tinha evitado.
E quantas aulas "perdidas" não seriam "perdidas" se houvesse menos burocracia e mais vontade de expulsar da aula quem a perturba...

P.S.: A professora em causa estava numa situação de stress, onde já era difícil agir racionalmente e mandar saír a aluna. O problema é quando temos professores e muita opinião pública e publicada, em sangue frio, a aplaudir a professora. Ou seja, temos muitos professores que numa situação daquelas fariam o mesmo, em vez de mandar a aluna para a rua... é disso que o post trata.

sábado, março 22, 2008

Notícias do Tibete

Recebido por email, de um colega de Torres:
---------- Mensagem encaminhada ----------
From: MIGUEL SACRAMENTO
To:
Date: Fri, 21 Mar 2008 09:30:06 -0800
Subject: URGENTE - NOTICIAS DO TIBETE
Namaste (ou Bom Dia) Caros Amigos,
Acabei de chegar a Kathmandu no Nepal.
Conseguimos sair ha 7 dias de Lassa, no Tibete (um autêntico cenário de guerra). Arranjamos um Land Cruiser e percorremos toda a Friendship Highway, cruzando os Himalaias e fazendo uma escala obrigatória no Everest Base Camp.
Foi uma das viagens mais espectaculares que já fiz, mas ao mesmo tempo uma das mais complicadas e tristes da minha vida.
Fomos o último grupo de estrangeiros a conseguir sair de Lassa sem sermos enviados de volta de avião e também os únicos a conseguir a licença (missão quase impossível) entrar no Everest Base Camp.
A minha viagem ao Tibete deixou-me um sabor muito amargo na boca. Se por um lado realizei um sonho de infância, estar na base do Everest (ainda não foi desta que fui lá cima), por outro, pude ver ao vivo com os meus próprios olhos o medo com que o Povo Tibetano vive e a brutalidade que o governo chinês usa para os controlar, silenciar e oprimir. Para nós, alem de violento psicologicamente, tornou-se mais complicado porque acabou por se saber que Eu e a Clara fomos as duas únicas testemunhas do princípio de tudo (no mosteiro de Drepung, onde estávamos no dia 10 de Março, por acaso). Ficamos imediatamente controlados pela polícia ao ponto de, a caminho para o Nepal, nos dizerem que estávamos presos no hotel. O nosso mail e telefone ficaram, também, imediatamente controlados e as nossas maquinas fotográficas bem inspeccionadas.
Vimos a maior violência policial que podem imaginar, sobre pessoas desarmadas. Não vimos ninguém morrer, mas sabemos que muitos dos monges com quem estivemos durante todo o dia 10 morreram depois, nesse mesmo dia.
A situação que se vive no Tibete é verdadeiramente séria e complicada e testemunhámos pessoalmente situações muito graves e violentas.
Durante estes últimos dias, na viagem de Lasa-Everest-Kathmandu, fomos completamente controlados pelos policias e militares chineses.
No Tibete, como no resto da China, toda a informação é controlada e censurada. Por isso só agora pude enviar este mail.
Peco-vos um grande favor, divulguem o que se está a passar no Tibete a todos os vossos contactos.
A constante violação dos direitos humanos pelas autoridades chinesas, a propaganda, e a manipulação de toda a informação, é algo de inacreditável para nós Portugueses do pós 25 de Abril.
Os Tibetanos, como um dos povos mais pacíficos, acolhedores e generosos que já conheci, merecem ser Livres e Felizes!!!
Volto a referir: por coincidência, estávamos no Mosteiro de Drepung, precisamente no local e hora a que tudo começou e assistimos pessoalmente à forma como os militares chineses trataram os monges que apenas queriam celebrar, pacifica e ordeiramente, o 10 de marco - o mesmo dia em que no ano de 1959 os militares chineses assassinaram centenas de pessoas que se manifestavam pacificamente na praça principal de Lassa pela falta de liberdade de expressão e violação contínua dos Direitos Humanos pelo governo chinês.
Devido aos cortes de energia, tenho muito pouco tempo e a ligacao à net está também muito complicada. Mais tarde contarei mais pormenores,
Muito obrigado pela atenção e também pelos vossos mails e comentários no nosso blog.
Espero que esteja tudo bem com vocês. Nós estamos muito bem, ao contrário dos Amigos que deixámos no Tibete.
Grande Abraço e Beijos
Miguel

--
Miguel Sacramento

www.historiasdomundo.blogspot.com
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sexta-feira, março 21, 2008

Telemóveis fora das escolas, já!

A 8 de Dezembro de 2006, num post a propósito da proibição dos telemóveis nas escolas da Grécia (Grécia proíbe telemóveis nas escolas), perguntava-me o seria preciso acontecer por cá para alguém com tomates tomar a mesma medida.

Parece que não chega a "brutalização de uma professora" e os piercings são certamente uma ameaça mais séria para a segurança pública.

Lá teremos que esperar mais um pouco pela violação. Ainda bem que não tenho filhas...