sábado, janeiro 13, 2007

Os fora-da-lei


São José Almeida sintetiza hoje no PÚBLICO a carreira de fora-da-lei lançada pela senhora Ministra (fazemos a ressalva que ainda estão a decorrer muitos processos, pelo que este post poderá ficar desactualizado rapidamente):

"As decisões da ministra da Educação declaradas ilegais ou anuladas pelos tribunais parecem ser como as cerejas: o problema é começar... O seu mandato começa a assemelhar-se a uma cascata de actos ilegais e arbitrariedades a que os tribunais têm de pôr cobro. Desde a repetição de exames até ao pagamento como horas extraordinárias das aulas de substituição, passando pela implosão da ordem de regresso às escolas de origem dada a meio do ano lectivo aos professores destacados por razões de saúde, não há medida, no voluntarismo da ministra, que não esbarre ou não exceda as fronteiras da legalidade.

É evidente que no Ministério da Educação há um gabinete jurídico que tem obrigação de assessorar a ministra e de lhe dizer quando as suas vontades não são compagináveis com a lei, em vez de fazerem pareceres martelados em que manipulam a legalidade para agradar as chefias e ao poder. Mas a responsabilidade política é da ministra e dos seus secretários de Estado. E a ideia que transparece do Ministério da Educação, neste momento, é de que é ocupado por uma equipa que age fora da lei."

Videovigilância nas escolas

A Ministra quer generalizar a videovigilância nas escolas. Parece genuinamente preocupada com o efeito, será que consegue perceber as causas de a violência dentro das escolas ter aumentado 15% no ano passado? O comentário de uma leitora do PÚBLICO parece-me elucidativo:

Fazem o mal e a caramunha. Promoveram a violênci...
Por Maria José de Almeida - Lisboa
Fazem o mal e a caramunha. Promoveram a violência nas escolas, ao insultarem os professores, acusando-os de nada fazerem e de serem incompetentes. Continuaram a promover a violência nas escolas ao criarem as tais aulas de substituição, em que um professor ou professora é colocado numa turma que não conhece e que não o quer. E acentuaram ainda mais a violência, ao promoverem uma política que aumenta a miséria das famílias, que descarregam nos filhos e estes nos professores. De modo que a violência atingiu nalgumas escolas expressão inaudita. E agora avançam com os sistemas de videovigilância. A actual equipa da Educação devia era ir a banhos, deixando o Ministério a alguém mais competente. "

sexta-feira, janeiro 12, 2007

TeLEtuBbieS.

"A TLEBS é uma grande invenção. Inicialmente concebida para uniformizar a terminologia da gramática portuguesa, pode agora ser adaptada pelas escolas às condições de cada turma e grau de ensino, é ignorada pela população adulta que continua a raciocinar de acordo com a terminologia antiga e desconhecida nos países onde vive 95% dos falantes da língua portuguesa. É o costume. Como no caso do Esperanto, a criação de uma linguagem universal acabou por contribuir para criar mais uma linguagem que só será falada por uma pequena facção de entusiastas.".

JoaoMiranda no Blasfémias

Não podia estar mais de acordo.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

TLEBS - comentário (convidado) à Petição contra a TLEBS

Achei que o comentário exaustivo que a Luísa Santos fez sobre a Petição contra a TLEBS merecia destaques de post, de maneira que fica aqui na íntegra, esperando a sua condescendência por não ter como pedir a sua autorização prévia para a republicação.
Ctrl.Alt.Del

Aproveitando a liberdade de expressão que me concede, aqui ficam a famosa petição e as minhas razões para não a subscrever:

" - A TLEBS (Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário) veio propor toda uma nova terminologia para a Gramática Portuguesa, em moldes experimentais. A experiência visa avaliar a adequação científica e pedagógica dos novos termos e definições linguísticas propostas, usando para tal os alunos como campo de experiência. A TLEBS faz dos alunos dos Ensinos Básico e Secundário cobaias de validação de teorias linguísticas consideradas desajustadas por muitos especialistas em Educação e em Língua e Literatura Portuguesas."

  • Aconteceu exactamente o mesmo após a publicação da Nomenclatura de 1967. Os alunos não estão a ser cobaias de validação de teorias linguísticas. Tanto quanto sei, uma teoria linguística é validada na própria área. Está a ser testada é a capacidade de se didactizar determinados termos.


"- A TLEBS, definida na Portaria n.º 1488/2004, de 24 de Dezembro, como “experiência pedagógica” foi este ano lectivo de 2006/2007 alargada a todas as escolas do Ensino Básico e secundário - Portaria n.º 1147/2005 de 8 de Novembro."
  • Falso. A experiência pedagógica foi generalizada. A TLEBS não foi. Cada departamento tem a liberdade de gerir a introdução da TLEBS até à sua generalização.
"- Os alunos abrangidos pela “experiência pedagógica” TLEBS são:
Em 2006/2007 – os alunos do 3º, 5º, 7º, 9º e 12º anos de escolaridade, a nível nacional.
Em 2007/2008 – todos os níveis de escolaridade, do 1º ao 12º ano, ou seja, todas as crianças e jovens portugueses em idade escolar."
  • Como já sabemos o que é "experiência pedagógica", esta informação torna-se supérflua.
"- Os pais e encarregados de educação não foram chamados a dar a sua autorização para que os seus filhos e educandos integrassem a experiência TLEBS. O Estado Português fez uso abusivo da autorização implícita inerente à frequência da Escolaridade Obrigatória."
  • Demagogia em estado puro. Se os autores deste texto se tivessem dado ao trabalho de ler a documentação sobre a experiência pedagógica, percebiam que esta é definida como o processo de gestão dos termos por nós. Não me parece que precise de pedir autorização por escrito aos pais dos meus alunos para ir daqui à Faculdade de Letras fazer uma acção de formação que até sou eu que pago...Também não me parece que precise de lhes pedir autorização por escrito para ler uma base de dados...E também não me parece que precise de autorização por escrito para decidir se ensino aos meus alunos como identificar o sujeito em Novembro ou em Janeiro. Mas talvez precise. Desde há alguns anos que os pais mandam na escola. Mandam no funcionamento, mandam na disciplina e agora até querem ser quem decide o que se ensina.
"- O Estado Português permitiu-se introduzir na Escolaridade Obrigatória conteúdos experimentais não validados ou em fase de validação."
  • Já percebemos que há aqui uma certa confusão entre experiência pedagógica e conteúdo experimental...
"- O Ministério da Educação afirma que a TLEBS não é um conteúdo programático. Contudo os alunos estão a ser avaliados na disciplina de Língua Portuguesa / Português pelo conhecimento que têm da TLEBS, no respeitante ao funcionamento da Língua. Por Lei, apenas os conteúdos programáticos podem ser sujeitos a avaliação."
  • Acredito neste argumento! Façam queixa dos colegas que fazem perguntas sobre a TLEBS aos alunos. Eu faço avaliação sobre os conteúdos do programa. Agora se há quem faça avaliação sobre a TLEBS, é claro quem está errado.
"- A TLEBS confunde métodos experimentais de ensino com conteúdos experimentais."
  • Olhe que não... A confusão está na petição.
"- O esforço de aprendizagem que é exigido aos alunos pode ser inconsequente: o Ministério da Educação já admitiu parar ou rever o processo no final deste ano lectivo."
  • Mas como não admitiu rever os programas, os conteúdos vão ser os mesmos, pelo que o esforço de aprendizagem não é inconsequente.
"- Vários responsáveis do Ministério da Educação já afirmaram publicamente que a TLEBS não é para ser aplicada aos alunos, sendo dirigida apenas aos professores. É do conhecimento geral que inúmeros testes de Português efectuados neste início de ano lectivo nos anos abrangidos, continham perguntas de avaliação – qualitativa e quantitativa – sobre a TLEBS."
  • Falem com os docentes em causa. Estão em clara desobediência. Para quê culpar o Ministério por uma falha de um colega? Há tanto por onde pegar no Ministério.
"- Uma das linguistas responsáveis pela TLEBS, a Professora Catedrática Maria Helena Mira Mateus, afirmou à Antena 2, em entrevista transmitida no programa Um Certo Olhar, haver termos na TLEBS com os quais “não concorda muito”. A gravação áudio da entrevista está disponível nos arquivos da Rádio Difusão Portuguesa e também em http://www.goear.com/listen.php?v=992ab36 e em http://www.bolt.com/contratlebs/music/TLEBSEntrevista_Maria_Hel/2773513"
  • Maria Helena Mira Mateus "não concorda"... Daí ao erro vai um pulo imenso!
"- A Associação de Professores de Português é a entidade responsável pela formação de professores no âmbito da TLEBS, acreditada enquanto tal pelo Ministério da Educação."
  • Falso. Não é.
"- A Associação de Professores de Português, apesar de ser a favor da TLEBS, “não sabe ainda se esta terminologia é a terminologia de que o sistema educativo tem necessidade” e manifestou-se publicamente contra o alargamento da experiência pedagógica a toda a população escolar: “não se pode testar uma vacina da gripe inoculando toda a população”, foram palavras do seu Presidente."
  • Mas se se ler o documento da experiência pedagógica, é muito claro que cada escola decide a data da introdução de termos...
"- A formação de professores ainda está em curso. A nova TLEBS está a ser ministrada aos alunos sem que tivesse sido completada a formação dos professores. Os professores estão a ensinar o que ainda não sabem."
  • A minha formação é contínua. Tenho a certeza de que não sei tudo e que nunca saberei. Por este argumento, suspende-se todo o ensino...
"A Associação de Professores de Português está com dificuldades em conseguir dar formação a todos os professores, atempadamente."
  • Mas como a APP não é a entidade para o efeito... há mais oferta por aí.
"- Os alunos de 12º ano, depois de 11 anos a aprenderem Gramática Portuguesa fazendo uso da terminologia tradicional, vão ser avaliados, já este ano, pelo conhecimento que têm da Gramática Portuguesa segundo a nova TLEBS. Os exames de 12º ditam o acesso à Universidade. Há um futuro em jogo. Há um passado de estudo, esforço e trabalho que é deitado ao lixo."
  • Duvido que seja deitado ao lixo, porque os conteúdos dos programas são os mesmos. As mudanças verdadeiras são pontuais: algumas nas funções sintácticas, algumas nas classes de palavras, muitas na morfologia. Mas como o programa do 12º só inclui pragmática e semântica, se calhar o problema não é real.
"- Ninguém parece saber verdadeiramente o que é a TLEBS."
  • É a Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário.
"E no entanto… Os alunos são obrigados a aprender a TLEBS e estão a ser avaliados pelo que sabem da TLEBS;"
  • Já foi dito.
"Os professores não têm uma posição comum e há situações reportadas de professores que declaram, em sala de aula, não concordar com a terminologia proposta pela TLEBS;"
  • Pois é. Eu também não concordo com o ECD, mas não gasto tempo de aula a declarar aos meus alunos as minhas convicções. Não é para isso que me pagam.
Já agora... Quando uma carta é assinada, deixa de ser anónima!

Beijinhos (como diz, quem sabe se não estamos agora lado a lado no CRE da minha escola)
Luísa

Em teoria...

Pegando no comment de Ctrl.Alt.Del à Pergunta da Semana de Terça feira passada (Porque é que existem TPCs, se uns têm explicadores e outros não?), onde respondia que era "porque em teoria, os tpcs são para ser feitos pelo aluno sozinho, tenha ou não explicador, computador ou pão com manteiga à mesa...", conto-vos o que se passou na minha última aula de Economia A.

Recebemos um convite para um concurso promovido pelo ISEG (Instituto superior de Economia e Gestão) e pelo SantanderTotta, em que se pedia para, individualmente, quem quisesse participar fizesse um trabalho de 20 páginas sobre qualquer tema de Economia A do programa.

Os prémios eram aliciantes: 1500€, isenção de propinas no 1º ano e, no caso de ter uma nota igual ou superior a 14, isenção de propinas até ao 3º.

E, alem disto... tcharan... oferta de um acesso gratuito a uma pós graduação no ISEG para o professor. Então se o trabalho é feito pelo aluno! (E não me venham com a história que o professor que deu a matéria tem mérito... 20 páginas!!! Ó setor, ajude-me aí!)

Isto é mesmo feito para os dos colégios privados, que têm ajudinha preciosa dos professores!
Deixo então uma segunda Pergunta da Semana para quem me quiser esclarecer:

Se é um trabalho feito por um aluno, porque é que o professor recebe uma pós-graduação?

quarta-feira, janeiro 10, 2007

TLEBS - big brother is watching you

No site de apoio à implementação da TLEBS Gramaticª.pt, uma questão colocada no Fórum Geral _Experimentação da Tlebs por um participante mereceu a seguinte resposta por parte de uma das principais responsáveis pelo site, Assunção Caldeira Cabral:

"Colega Filinto, boa noite!
Em primeiro lugar, deixe-me cumprimentá-lo e desejar-lhe as boas vindas a esta plataforma, onde entrou pela primeira vez há 5 dias, a 5 de Janeiro deste novo ano de 2007. De então para cá, contam-se 148 registos, uma média de 30 por dia, tendo mesmo atingido os 58 no dia 9, ontem, o que é óptimo. Tanto entusiasmo deixa-me muito contente, a mim e a toda a comunidade que frequenta e alimenta este projecto desde Setembro. Nestas circunstâncias, o colega Filinto há-de concordar que as queixas quanto à falta de respostas às suas questões revelam uma impaciência só desculpável pela ansiedade e nervosismo que nos tem apoquentado."

Este tipo de informação sobre os utilizadores está oculto aos outros participantes, é normalmente reservado aos responsáveis pelo espaço. É extremamente deselegante a sua revelação pública, como que a reduzir o participante à sua insignificância de novato no site, por um lado, e a mostrar a este (e a todos os outros) que os responsáveis pelo site vigiam os movimentos dos utilizadores na plataforma, não hesitando em revelá-los, se for caso disso.

Considerando as inflamadas indignações de uma leitora, na nossa caixa de comentários, sobre a protecção da privacidade dos autores deste blogue, é caso para perguntar: é isto que prefere?

Cuidado com o que dizem e com o que vêem no Gramaticª.pt, tudo o que disserem ou onde (e quanto tempo) estiverem pode e será utilizado contra si...

terça-feira, janeiro 09, 2007

Pergunta da semana?

Porque é que existem TPCs, se uns têm explicadores e outros não?

Liberdade de Escolha- sim ou não

Será que é legítimo a escolha de escolas?

Eu considero que sim. É claro que todas as escolas deviam ser boas, ter a mesma qualidade de ensino, as mesmas actividades, os mesmos professores, os mesmos continos e até... os mesmos alunos. Mas isso é uma utopia irrealizável. Existem diferentes realidades sociais, diferentes tipos de professores etc... portanto as escolas são diferentes.

Mas a lei actual não reconhece isso. A lei parte do pressuposto que todas as escolas públicas têm o mesmo programa, todos os professores são de igual qualidade e, no fundo, todas as escolas públicas são iguais, logo, não há motivo para a escolha da escola a pertencer se todas têm a mesma qualidade. Como já disse anteriormente a realidade é bem diferente.

Portanto, acho que deveria existir a possibilidade de escolha de uma escola, mesmo que não fosse a da área de residência.

Porque o que acontece agora é que os meninos dos bairros ricos vão para as escolas do bairro rico e os meninos dos bairros pobres vão para as escolas dos bairros pobres. Os meninos do Interior vão para as escolas do interior e vão ter os professores que não conseguiram ir para a escola de Lisboa ou do Porto.

As escolas deviam poder ser escolhidas pelos pais e alunos e só entravam os melhores alunos (os que tivessem melhores notas numa espécie de exame diagnóstico). Haveriam depois segundas, terceiras, quartas... opções de escola. É claro que haveria sempre possibilidade de ir para uma escola não muito longe de casa.

Este sistema de escolha não seria perfeito. É claro que os piores alunos ficariam com piores escolas. Mas neste sistema são os mais pobres que ficam com as piores escolas. Ambos os casos são uma injustiça, mas como as escolas não são iguais, eu prefiro o critério “melhor/pior aluno” do que o critério “melhor/pior família” (ou “melhor/pior bairro”).

segunda-feira, janeiro 08, 2007

TLEBS - a contra-petição

A nossa leitora Catarina teve a gentileza de partilhar connosco o endereço de uma carta em género de petição para enviar directamente à senhora Ministra, a favor da TLEBS.

Os proponentes, anónimos, tratam a TLEBS por tu (aliás, por Tlebs, a sigla é para os ignorantes), assumem-se como professores de Língua Portuguesa e de Português que têm "estudado e trabalhado directamente com a Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário, (TLEBS) utilizando-a como referência no trabalho directo em sala de aula, na construção de materiais de apoio sobre conteúdos relativos ao funcionamento da língua, na elaboração de respostas sobre conceitos gramaticais a professores, alunos e outros consulentes, na formação de professores do 1.º ciclo, de professores de Língua Portuguesa do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e de professores de Português do ensino secundário."

Se formos a ver bem, só haverá cerca de 14 professores em Portugal que façam isto tudo, por isso, não é tão anónima assim... Apesar do apelo a que os professores subscrevam e enviem para a Ministra, além dos 14, poucos mais poderão em consciência subscrever uma carta que identifica os seus signatários nestes termos...

A que se deve esta contra-petição? Da ladaínha do costume sobressai o pormenor: a TLEBS permite "descrições mais rigorosas e abrangentes da língua portuguesa, que arrastam mudanças conceptuais e metodológicas fundamentais no ensino do funcionamento da língua". Reparem que estas pessoas não falam do ensino de Português ou de Língua Portuguesa, mas do ensino do funcionamento da língua... Já estão a ver quem são estes cromos?

Depois, os iluminados proponentes tendo em conta a possibilidade do cenário da revogação da TLEBS se concretizar, apresentam à Ministra as 10 consequências que daí poderiam advir (serão estas as 10 razões anunciadas no exórdio, com 6 das quais teríamos de concordar claramente para poder assinar? Por que não estão numeradas? Afinal são consequências ou razões?! Estes linguistas estão muito à frente...):

• A revogação instalaria, de forma legal, a desorientação conceptual e metodológica nos professores do 1.º ciclo e das disciplinas de Língua Portuguesa e de Português, únicos profissionais que, em Portugal, ensinam a disciplina.

  • Tenho dúvidas: "de forma legal" até é bom, porque a "desorientação" já reina com a generalização da TLEBS, assim era uma maneira de legalizar as coisas, tipo como o abordo ou as drogas leves... Ou será um brasileirismo, tipo "na boa", "tudo legal"?

• A revogação implicaria a destruição de um trabalho que é composto por uma lista de termos e por uma base de dados. Ao revogar-se a lista, a base de dados, que pode constituir valioso instrumento de trabalho, deixaria de ter suporte legal.

  • Tenho dúvidas: a revogação implicaria a destruição da base de dados, tipo explosões e tudo? É pena, porque até acho que eles podiam continuar a brincar com ela, nos seus tempos livres. Ou eles têm medo por deixar de ser legal e não querem ir presos por mexer nela depois de revogada?

• A revogação implicaria aceitar a generalização de que a Tlebs não presta, no seu conjunto, a partir dos casos particulares que todos, incluindo autores, aceitam que sejam reformulados na base de dados e na lista de termos.

  • Tenho dúvidas: é que me deve ter escapado o artigo (deve ter saído em revista científica da APL, que pornografia não entra cá em casa) com os termos que "os autores aceitam que sejam reformulados"...

• Da revogação, pressupor-se-ia que os professores não têm capacidade para, conhecendo explicações sofisticadas, conseguirem transmitir aos alunos o entusiasmo pelo funcionamento da língua.

  • Tenho dúvidas: então as explicações sobre linguística que aprendi na Faculdade há alguns anos não eram "sofisticadas"?! (Quero o dinheiro das propinas de volta!) E não consegui à mesma transmitir "entusiasmo pelo funcionamento da língua" (não é pelo português nem pela língua portuguesa, entenda-se)?

• A revogação implicaria desperdícios muito elevados, humanos e materiais, em trabalho e empenhamento.

  • Tenho dúvidas: então o director-geral da DGIDC, Luís Capucha, não veio há dias dizer que não houve ainda formação suficiente para todos os professores? Aproveitava-se para poupar no que falta gastar. Ou será que o que os preocupa é o desperdício do seu "trabalho e empenhamento" em sacar mais uns cobres a dar formação e coisas tais? Ou será que o presidente da APL, João Costa, está a fazer a revisão da TLEBS à borla?

• A revogação alimentaria o erro de se considerar que, em educação, é pela destruição que se resolvem as coisas.

  • Tenho dúvidas: então não significaria que, em democracia, os cidadãos podem ter por vezes mais poder que as corporações, sejam de mafiosos, sejam de linguistas?

Bom, lamentavelmente, tenho dúvidas em pelo menos 6 das 10 razões e não poderei subscrever a carta. Pode ser que amanhã...

15 segundos de Manuel Bernardes


Não há modo de mandar, ou ensinar mais forte, e suave, do que o exemplo: persuade sem retórica, impele sem violência, reduz sem porfia, convence sem debate, todas as dúvidas desata, e corta caladamente todas as desculpas. Pelo contrário, fazer uma coisa, e mandar, ou aconselhar outra, é querer endireitar a sombra da vara torcida.

Manuel Bernardes, in 'Luz e Calor'

Estou de volta

Depois desta interrupção de quase um mês devido a problemas técnicos na minha Internet ADSL e à minha preguiça em ir ao EspaçoInternet, voltei à Educação Cor-de-Rosa.
Comigo voltam as rubricas "15 segundos de..." à Segunda-feira e "Pergunta da Semana" à terça.
E de maneiras que é isto.

sábado, janeiro 06, 2007

TLEBS - o rosto político

O actual rosto político responsável pela TLEBS, Luís Capucha (director-geral da DGIDC - Direcção Geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular), apareceu hoje (finalmente) pelas páginas do PÚBLICO a debitar a cartilha oficial.

Reconhece que a TLEBS tem deficiências (que bem que lhe fica - ainda que tardiamente - a humildade deste reconhecimento) e divulga os nomes que estarão a revê-la: o nosso conhecido e recém-empossado presidente da Associação de Professores de Línguística, João Costa, e o reputado professor de literatura e análise literária Vítor Aguiar e Silva.

A adaptação da TLEBS aos diferentes níveis de ensino deverá ser feita por Olívia Figueiredo e Vítor Manuel Oliveira e fica prometido debate público antes da homologação, em termos não definidos. Fica ainda a ideia genial de "sujeitar a TLEBS a um teste prático: saber se os alunos que aprenderam com a terminologia têm melhores resultados a Português", comparando os resultados dos exames do 9º e 12º anos (como se as turmas das escolas-piloto tivessem as mesmas condições que a generalidade das outras).

Só mais duas citações:
  • "A TLEBS pode ajudar a combater o insucesso." (pois, é isso e bolos...)
  • "Não queremos que a TLEBS seja um corpo estranho nas escolas." (já é um bocado tarde para isto...)
Por que será que não surpreende que o senhor seja (à imagem da sua - nossa - patroa) sociólogo e do ISCTE...

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Como aprendem as crianças?


01:31
NAPCAN, Australia's National Association for the Prevention of Child Abuse and Neglect, launched a thought-provoking television/cinema campaign this year with "Children See, Children Do".

quinta-feira, janeiro 04, 2007

O Ministério Pimba da Educação

Desidério Murcho, em artigo de opinião hoje no PÚBLICO, remete a falta de vontade que se ensine o que quer que seja que emana do ME para o universo Pimba do entretenimento, defendendo que "o conhecimento tem valor intrínseco, em si e por si, e é do maior interesse público protegê-lo e transmiti-lo, e ensinar a produzi-lo - e só a escola pode fazer isso, ainda que infelizmente o tenha de fazer contra o Ministério pimba da Educação".

Algumas citações:

  • "O cerne da excelência do ensino é a solidez científica dos currículos e a formação científica dos professores, mas as discussões públicas nacionais sobre educação nunca abordam estes aspectos centrais. Até parece que tudo o resto é que é a finalidade do ensino, quando na verdade são apenas meios."
  • "As desastrosas doutrinas pedagógicas que imperam em Portugal, algo pós-modernaças e "construtivistas", são elitistas - apesar de fingirem o contrário - e têm por denominador comum um ódio visceral às Ciências, à Matemática, à História, à Gramática, à Literatura, à Filosofia; enfim, a tudo o que se pareça com verdadeiros conteúdos escolares. Em vez de conteúdos, fala-se de competências - como se pudesse haver competências sem conteúdos. E em vez de se distinguir cuidadosamente o que são verdadeiros conteúdos escolares do resto, procura-se transformar a escola numa espécie de entretenimento com ademanes de educação para a cidadania - tudo, menos ensinar seriamente Matemática ou Geografia ou Filosofia ou História ou Música."
  • "Ao mesmo tempo que os estudantes são massacrados com inúmeras disciplinas vácuas sem qualquer centralidade escolar, não têm uma educação básica em Música, nem em Literatura ou Filosofia ou Geografia. Se um estudante de 15 anos quer saber alguma coisa sobre estas coisas, tem de o fazer fora da escola. Mas se quiser brincar aos índios, pode fazê-lo nas chamadas "actividades educativas", em substituição das aulas de Matemática. É esta a educação pimba que temos."

  • "Os pedagogos ministeriais vão passando de governo para governo, conseguindo ora mudar a Gramática toda, prejudicando gravemente a possibilidade da excelência do ensino do Português (se antes poucos professores sabiam e ensinavam Gramática, agora ainda menos - ou será que a ideia é mesmo essa?), ora suspender documentos que introduzem conteúdos científicos sérios num programa que carece deles (como foi o caso da badalada suspensão das Orientações de Leccionação do Programa de Filosofia). "

  • "Mas quando é o próprio ministério da educação que não acredita no valor intrínseco do conhecimento, dificultando cada vez mais o estudo aos muitos professores sérios que temos por esse país fora, afogando-os em trabalho burocrático e em horas contabilizadas nas escolas só para marcar ponto, que se pode esperar do nosso futuro? Como poderemos recuperar o tempo perdido, tanto no que respeita ao ensino da Matemática como no que respeita às outras disciplinas? Seja qual for a estratégia, o primeiro axioma tem de ser este: o conhecimento tem valor intrínseco, em si e por si, e é do maior interesse público protegê-lo e transmiti-lo, e ensinar a produzi-lo - e só a escola pode fazer isso, ainda que infelizmente o tenha de fazer contra o Ministério pimba da Educação."