sábado, janeiro 05, 2008

Que acabe o rally da vergonha

O Dakar é o pior evento desportivo no mundo. Por causa do Dakar, já morreram várias pessoas do Norte de África, que nunca pediram para serem invadidos por jipes e camiões.

Além disso, pelo que representa, o Dakar deve ser banido. O rally Dakar é o equivalente a comer bolos alarvamente em frente a um mendigo esfomeado. Pior: depois disso, matamos o mendigo ou os seus filhos.

África é o continente mais pobre e a Europa é o continente mais próspero. É um ultraje o dinheiro que se gasta em África para entertenimento dos europeus, em vez de se gastar na sobrevivência dos africanos. É abjecto ter publicidade a grandes empresas ao lado da extrema pobreza.


Que esta edição falhada (pelos piores motivos) seja uma oportunidade para se acabar com a exibição de neo-colonialismo e morte que é o Rally Dakar.


18 comentários:

Range-o-Dente disse...

http://range-o-dente.blogspot.com/2008/01/rali-paris-cidade-do-cabo.html

Entretanto, essa mania de querer decidir o que os africanos querem ou não ver passar é uma pura manifestação de racismo.

Eles têm o direito de recusar a passagem, têm o direito de reclamar que é uma manifestação de alarvismo. Mas o Baldassare não tem o direito de se substituir a eles.

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Range-o-Dente disse...

"Que esta edição falhada (pelos piores motivos) seja uma oportunidade para se acabar com a exibição de neo-colonialismo e morte que é o Rally Dakar."

O colunialismo decidia o que os africanos queriam. O Baldassare idem.

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Range-o-Dente disse...

"O rally Dakar é o equivalente a comer bolos alarvamente em frente a um mendigo esfomeado."

Os africanos conhecem isso muito bem. Os seus dirigentes exibem a alarvidade a uma escala que remete o rali para o casal ventoso.

tenciona o Baldassare dinamizar uma petição para afastar os dirigentes africanos de África?

A não tencionar, defende a petição que defende como forma de encapotar a real alarvidade.

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Range-o-Dente disse...

"O Dakar é o pior evento desportivo no mundo. Por causa do Dakar, já morreram várias pessoas do Norte de África, que nunca pediram para serem invadidos por jipes e camiões."

Já que o Baldassare não lhes dá a oportunidade de decidir se querem, ou não o rali na terra deles, já que não lhes reconhece idoneidade para decidirem se assistem, ou não, à passagem do rali pelos locais onde os seus sebentos dirigentes lhes dão, por enquanto, oportunidade para vegetar, talvez se possa interrogar a razão pela qual eles se aproximam das caravanas sem receio de serem baleados como lhes acontece se, mesmo que inadvertidamente, se aproximarem dos membros de suas elites, as mesmas elites cujo comportamento alarve não incomoda o Baldassare.

baldassare disse...

"as mesmas elites cujo comportamento alarve não incomoda o Baldassare."

Se calhar cabe-me a mim decidir o que me incomoda... os dirigentes africanos corruptos preocupam-me ainda mais que o rally Dakar, como é óbvio... só que, como não sou neo-colonialista, acho que devem ser os africanos a tirarem essa gente do poder por eleições (onde as há) ou por golpes de estado (como fizeram os europeus para acabar com o nazi-fascismo e com o comunismo militarista).

Quanto ao Dakar, caso não tenha reparado, passa também por território europeu, mais especificamente em edições recentes, por território português.
Penso que eu como europeu, mais especificamente como português, tenho o direito a ser contra este rally. E pelos motivos que eu entender.

"Entretanto, essa mania de querer decidir o que os africanos querem ou não ver passar é uma pura manifestação de racismo."

Eu não quero decidir o que os africanos querem, eu quero decidir o que eu não quero, por um motivo que, enquanto ser humano me toca: já morreram vários inocentes na rota do Dakar, incluindo crianças de 10 e 12 anos. Sejam eles africanos, sejam eles europeus, isto faz-me ser contra o Dakar. Posso?

"O colunialismo decidia o que os africanos queriam. O Baldassare idem."
Eu não decido nada. Eu não quero impor nada aos africanos. Eu quero é que os europeus deixem de permitir que esta prova comece em território europeu, dadas as circunstâncias que já expliquei. E essa vontade é um direito que me assiste, enquanto você não subir ao poder para mo retirar.

Eu recuso o complexo neo-colonialista que diz que não se pode falar nada de África, porque isso é querer impor a nossa vontade. Posso debater os problemas de África, como o posso fazer em relação à Ásia, à América ou às ilhas do Pacífico. Recuso essa lógica ainda mais quando, na realidade, estou a falar da Europa. Repare que o meu texto é um apelo aos europeus, nomeadamente no terceiro parágrafo.

A França já disse não ao Dakar. Este triste evento foi descendo para Barcelona, e depois Lisboa.
Este evento é patrocinado em milhões pelo Estado, quer através do Turismo de Portugal, quer através das Câmaras Municipais (Lisboa já pagou 400 mil euros e Portimão quer reaver os 1.5 milhões que investiu), quer através do patrocínio pela Santa Casa da Misericórdia.

Este é um evento pago por todos nós, e portanto, tenho o direito a não o querer, mesmo que as razões não sejam propriamente os custos, mas a repulsa por tudo o que está envolvido nesta competição que é, a meu ver, o pior espetáculo desportivo do mundo.

E, claro, o Range-o-dente também tem direito a ser a favor do Dakar.
Infelizmente para si, desta vez, os africanos disseram que não (para além das autoridades francesas terem desaconselhado o rally, as autoridades do Mali rejeitaram a passagem do rally... este "desaconselho" com a usual desculpa do terrorismo foi para não se notar quem realmente boicotou o rally: as aultoridades malianas).

Range-o-Dente disse...

A alarvidade fica acima bem expressa.

A forma de pensar do Baldassare em nada se distingue à do colonialista.

Basicamente o Baldassare pensa que o mundo é o Baldassare, Portugal e a Europa, e o resto são trocos.

O Baldassare pode pensar o que quiser mas, se expressar o desejo que determinada coisa seja como pretende, não se pode refugiar no argumento de que nada decide. Isso é apenas cobardia.

O Baldassare continua a afirmar que eu afirmo coisas que nunca afirmei. Enfim, tiques de labrego. Eu estou-me nas tintas para o Dakar.

O Baldassare reclama que os africanos recusam o Dakar. Farão o que entenderem. Mas o Baldassare não só nem tocou inicialmente no assunto. Ignorou-o, preferindo sobrepor-lhe a sua opinião.

O Baldassare expressa a sua opinião, da de tudo e de todos e só no último parágrafo aborda a vontade dos africanos.

(Actualizei o link http://range-o-dente.blogspot.com/2008/01/alarvidade.html)

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Range-o-Dente disse...

baldassare disse...

Há malta que não quer ver o óbvio: o rally dakar é um evento assassino, que já foi banido pela França, essa cambada de 50 milhões de histéricos.

https://www.blogger.com/comment.g?blogID=5504978&postID=2439094135844133532&isPopup=true

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Range-o-Dente disse...

"A França já disse não ao Dakar."

"essa cambada de 50 milhões de histéricos."

Então o Bldassare é um histérico que, como os franceses, defende o adeus ao Dakar.

Olha que novidade.

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baldassare disse...

1º comentário: "Basicamente o Baldassare pensa que o mundo é o Baldassare, Portugal e a Europa, e o resto são trocos."

Não. Simplesmente eu, como português e europeu, não posso impor a minha vontade e os meus valores aos países africanos. No entanto, posso rejeitar o apoio a eventos que começam na Europa. Eu não sou colonialista, por isso não posso querer mandar em África. Eu só posso querer intervir no que à Europa diz respeito, e o Dakar diz respeito à Europa, pois começa na Europa.

Repare a incoerência: Você disse: "Eles [os africanos] têm o direito de recusar a passagem, têm o direito de reclamar que é uma manifestação de alarvismo. Mas o Baldassare não tem o direito de se substituir a eles."
Depois, por eu dizer "acho que devem ser os africanos a tirarem essa gente do poder por eleições (onde as há) ou por golpes de estado", o Range-o-Dente chama-me colonialista porque "o Baldassare pensa que o mundo é o Baldassare, Portugal e a Europa, e o resto são trocos".
Então, o colonialista é o que mete o nariz em África ou é o que pensa que os africanos devem fazer as suas escolhas por voto ou por golpe de estado (quando não há democracia)? Se eu defender a ajuda da Europa aos estados africanos sou colonialista? E se eu defender que isso não deve acontecer, porque os chefes de estado são corruptos?
Ambos os casos podem ser, segundo os dois range-o-dentes que por aqui passaram, neo-colonialistas.

2º e 3º comentários: "50 milhões de histéricos" era uma ironia... Como o comentador que veio antes de mim achou que ser contra o Dakar é uma histeria, as autoridades francesas que recusaram a passagem do rally em solo francês são concerteza histéricas... (mais uma vez utilizo uma conclusão falsa para, ironicamente, provar a falsidade das premissas. Vou começar a usar estes avisos...)

Range-o-Dente disse...

Há anos que, no Dakar, se instalam radares nos troços que atravessam aldeias. Quem fôr apanhado é desclassificado. Em África como na Europa como, aliás, na fórmula 1 na zona das boxes. Você não sabe do que fala - nada de novo.


"Não. Simplesmente eu, como português e europeu, não posso impor a minha vontade e os meus valores aos países africanos."

O colonialista (e racista) segrega uma comunidade.

O Badassare pretende impor uma medida a uma comunidade e essa comunidade não rejeita aquilo de que o Baldassare os quer privar.

Ah, é verdade. parede que a Al Qaeda rejeita, tal como o Baldassare. Coincidência, ou niilismo?

""50 milhões de histéricos""

Também a minha observação era um a ironia. Não tendo o Baldassare percebido, deixa (a minha observação) de ser ironia.

Se o Baldassare defender o mesmo que as populações locais defendem, não é colonialista. Se defender o contrário, também não ´+e colonialista. Mas se defender algo que é contra o interesse das populações e em moldes que elas não podem evitar, é colonialista, manifestamente o caso.

Tratado-se ainda de um manifesto certificado de menoridade que passa aos africanos, é uma atitude racista e xenófoba.

O que você pretende é tão imbecil como pretender evitar que os portugueses visitem Espanha para evitar acidentes rodoviários. Quer melhor exemplo?

Range-o-Dente disse...

"Não. Simplesmente eu, como português e europeu, não posso impor a minha vontade e os meus valores aos países africanos."

Então não queira impor. Se as populações o não rejeitam, deixe circular o rali.

Range-o-Dente disse...

"No entanto, posso rejeitar o apoio a eventos que começam na Europa."

Pode rejeitar o que começa na Europa e pode levar nas orelhas pela mesma razão: basta que tente passar por cima da opinião dos directamente afectados pela sua rejeição.

Mas repare que o Baldassare começou por rejeitar por razões de ordem estética. A si, de barriga cheia, pode parecer abjecto. Aos africanos, você pretende priva-los da oportunudade de uns dias de alívio.

O Baldassare "pode" sempre tudo. Mas também pode também ter que se haver com o ricochete.

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baldassare disse...

"Mas se defender algo que é contra o interesse das populações e em moldes que elas não podem evitar, é colonialista, manifestamente o caso."
Está portanto cientificamente provado que o fim do Dakar vai contra os interesses das populações...

É verdade que a opção que eu defendo que a Europa tome (o fim do Dakar a começar em território europeu) implica inevitavelmente as populações africanas. Mas a Europa tem o direito de não querer um rally destes a começar no seu continente e isso não a faz colonialista. Então, tudo o que possa implicar o dia-a-dia das populações africanas é colonialista? Assim, no estado actual de globalização, não há uma única opção política que não o seja...

Eu penso que os africanos têm todo o direito a recusar o Dakar, assim como os Europeus têm esse direito, porque o Dakar passa pelos dois continentes. Não sei como é que vê colonialismo na recusa de um rally (ou aceitam o rally ou são colonialistas...)

Temos aqui duas visões do colonialista: a minha, que vê o colonialista como o que se apropria de um território que não é o seu, ou o neo-colonialista, que explora os recursos desse território sem os partilhar com a população local.
Para si alguém que, mesmo que só tome medidas a nível interno, se essas medidas internas afetarem a vida dos de outros territórios, é colonialista (ou seja, pouquíssimas medidas não são colonialistas, porque são raras as medidas cujas implicações acabam na fronteira...)

Depois fica aqui acente o conceito de "algo que é contra o interesse das populações". Não sei qual é que é o seu conceito, mas o conceito dos Direitos Humanos é que levar com um jipe é... "desinteressante". Longe de mim impor os Direitos Humanos a África (eles, como povo soberano, que o façam), mas à Europa eu exijo que se evite todo o apoio a eventos que os desrespeitam, mesmo que as violações só comecem fora da Europa. Não aceito a exportação do que temos vergonha de fazer cá, porque isso é neo-colonialismo.

"Se as populações o não rejeitam, deixe circular o rali."
Você vê o Dakar como uma competição africana, e vê-me a mim como o europeu que quer acabar com essa competição africana. Acontece que o Dakar é uma competição euro-africana. Passa pela Europa e passa por África, logo a Europa tem algo a dizer. Eu, como europeu faço parte d "as populações" que referiu. Eu, como europeu, posso querer que o meu país ou que o meu continente não permita o Dakar em solo europeu. Se isso acontecesse, e se África quisesse muito o Dakar, faziam um Rabat-Dakar... e aí a Europa não tinha nada que se meter (embora os europeus podessem opinar sobre isso, como é óbvio). Enquanto o Dakar fôr Lisboa-Dakar, Barcelona-Dakar ou Paris-Dakar, as autoridades desses países podem não permitir que o rally comece nessas cidades. E não são colonialistas por isso.

Range-o-Dente disse...

"Está portanto cientificamente provado que o fim do Dakar vai contra os interesses das populações... "

E que se a parvoíce pagasse imposto, estaríamos muito melhor.

"Acontece que o Dakar é uma competição euro-africana."

Então oponha-se a que ela se desenrole na Europa e explique porquê. Pode ser que volte a levar na mona.

"e se África quisesse muito o Dakar, faziam um Rabat-Dakar..."

Suponho que o Baldassare defenda a proibição do uso de telemóveis. É que, sabe, nenhum se fabrica em Portugal. Olhe, atire o computador pela janela: se você quisesse um, construi-lo-ia, semicondutor a semicondutor. Deixe de ver filmes estrangeiros: só deve ver os que sejam feitos aqui.

Baldassare, faça o que lhe digo: ponha mais gelo no whisky. Você de cada vez que abre a boca, ou entra mosca ou sai asneira. às vezes consegue até fazer as duas coisas em simultâneo.

Alternativamente experimente apanhar uma monumental bezana para ver se os seus neurónios fazem reset.

Enfim, você é um excelente exemplo da "educação centrada nos interesses do aluno". A sua lógica de raciocínio está ao nível da do Wile E. Coyote (http://en.wikipedia.org/wiki/Wile_E._Coyote).

Veja se aprende algo. Olhe que os anos passam.

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baldassare disse...

"Então oponha-se a que ela se desenrole na Europa e explique porquê."

Pelos motivos que já apresentei (não é preciso repetir pois não?).
Os problemas causados pelo Dakar começam em África, mas isso não faz do Dakar um assunto não-europeu.

Embora, enquanto passa pela Europa, não causa problemas, causa problemas depois de estar em África, e isso devia ser motivo suficiente para a Europa deixar de permitir a passagem do rally em solo europeu. É uma questão que prejudica África, mas que também diz respeito à Europa.

Se a Europa recusasse o Dakar e África sentisse a necessidade de ter um rally destes (duvido), poderia fazer um Rabat-Dakar... isto para dizer que a regeição do Dakar pela Europa não é colonialista, pois não impede a realização de um rally, se os países africanos assim quisessem.

Não lhe peço para se embebedar, mas peço-lhe para ver a lista das vítimas confirmadas pelo rally:

http://pimentanegra.blogspot.com/2006/02/lista-completa-das-vtimas-mortais-do.html

Pode ser que a sua opinião quanto a este assunto faça reset...

Range-o-Dente disse...

Baldassare.

Experimente fazer a lista do nº de crianças que morreram durante o trajecto, em transporte próprio, para a escola.

Experimente contabilizar o nº de crianças mortas que condutores africanos, enquanto turistas, já fizeram na Europa.

Experimente contabilizar o número de crianças mortas por atropelamento por condutores africanos em África.

Já fez contas ao número de vítimas que os ralies fazem pelo mundo fora, em função o nº de quilómetros percorridos?

Já fez contas ao número de vítimas que qualquer tipo de desporto motorizado faz em África, por africanos?

Já fez contas ao número de crianças africanas mortas por africanos em acidentes rodoviários?

O Baldassare quer pelas impingir a sua aparvalhada moral àqueles que a não querem comprar.

Você quer à viva força que o seus "valores" sejam os das outras pessoas. Quer e pode querer. O que o Baldassare não pode é forçar os africanos às consequências daquilo que defende, em especial quando eles defendem o contrário.

O Baldassar não pode defender que os africanos se vejam privados de comer na presença de moscas, pelo simples facto do Baldassare não gostar de moscas. Neste caso a coisa agrava-se porque eles morreriam à fome se não pudessem comer por causa das moscas, o que remeteria o Baldassare para uma classificação bem mais grave.

A verdade é que começa a ser difícil evitar essa classificação porque o Baldassare insiste no absurdo dos absurdos.

Em boa verdade o Baldassare está-se adsolutamente nas tintas para os africanos. O Baldassare procura apenas um alívio da sua apalermada consciência.

Olhe, Mao teve também uma ideia genial: matar todos os pardais para que não comessem uma parte das culturas. E matou todos os pardais. O problema é que os pardais também comiam os insectos que comiam as culturas e, desaparecendo os pardais, deixaram as culturas à mercê dos insectos. Resultado: 20 milhões de mortos.

Está a perceber que entre pós e contras, as coisas são o que são? Está perceber em que classificação o Baldassare se arrisca a ir parar, apenas por razões de ordem estética?

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Range-o-Dente disse...

Há aqui uma matéria excelente a que o Baldassare se pode dedicar:
http://www.thepeoplescube.com/red/viewtopic.php?t=1668

Tem tudo você adora, exactamente à medida da sua realidade.

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Range-o-Dente disse...

It is quite gratifying to feel guilty if you haven't done anything wrong: how noble! (Hannah Arendt)