terça-feira, janeiro 08, 2008

O 319 morreu! Viva o 3/2008

Com a saída em Diário da República da lei 3/2008, acabou a mama do 319. Criado para dar conta das necessidades educativas especiais dos alunos com necessidades educativas especiais, cedo se tornou na aspirina das escolas para os alunos que batiam menos bem, desde aqueles que só precisavam de um apoio individualizado, ou em pequeno grupo, às adaptações curriculares. Enfim, um bordel!

A nova lei expressa que todas as medidas se aplicam aos alunos que têm necessidades educativas especiais com carácter permanente. Em teoria, ficam excluídos os NEEs "normais". Em teoria, também o 319 era assim...

Ficam a ganhar, para já, os alunos surdos, cegos ou com multideficiências comprovadas. Que até podem matricular-se na escola à sua escolha (momento cínico: será que veremos os papás a arranjar certificados de NEE para os meninos, só para escolherem as escolas?)

Ficam a perder, para já, todos os outros que mamavam da mesma teta...

7 comentários:

ProfContratado disse...

Por um lado, concordo com o conteúdo do teu post, pois existiam por aí muitos NEE´s que de NEE´s nada tinham. Tinham era a sorte de conseguir arranjar comprovativos para algo que não existia. No entanto, existem alunos que vão ficar claramente prejudicados por esta nova lei. Mas pensando bem, temos de passar os alunos todos, por isso vai dar ao mesmo. Quanto às necessidades especiais de caracter permanente são sem dúvida uma minoria, mas que merece toda a nossa atenção. BOM ANO NOVO.

Anónimo disse...

Sou mãe de uma menina com 11 anos a frequentar o 4º ano e que "beneficia" dos apoios para crianças com nee's.
É portadora de uma perturbação do espectro autista que, embora ligeira, é incapacitante no que diz respeito à matemática e demais raciocínios lógicos, estando neste momento ao nível das aprendizagens do 1º / 2º ano.
Que posso eu esperar com esta nova legislação ? Será que a formação que os professores irão ter para dar aulas a estas crianças vai ser igual à formação que a profª do ensino especial que foi colocada quando ela andava no terceiro ano, que era especificamente dirigida para os JARDINS DE INFÃNCIA ?? e que foi embora passados 2 meses por manifesta impossibilidade de continuar aquele projecto ??
Que devo eu esperar da tal escola inclusiva quando a minha filha não é escolhida pelos colegas para brincar porque não tem a mesma destreza que eles? e que a marginalizam porque ela não fala correctamente e troca algumas palavras ? e dos professores que têm que dar a matéria do programa e a quem, estes alunos, são um estorvo ? que devo eu esperar ?

Anónimo disse...

Quem comenta assim o DL. 319 que, desgraçadamente, não chegou a entrar sequer em muitas escolas nos seus 16 anos de vida, só pode mesmo ter uma visão cor-de-rosa da educação...
Santa ignorância!

Ctrl.Alt.Del disse...

Caro anónimo,
Em que país vive?!
"não chegou a entrar sequer em muitas escolas nos seus 16 anos de vida"?! O 319 foi o abono de família da maior parte dos apoios nas escolas deste país na última década. Ultimamente, até servia para enquadrar apoios individualizados a língua portuguesa a alunos estrangeiros, que após 2 anos de permanência no país perdem direito a apoio.
Por isso, volte lá ao seu colégio de freiras, de onde deve ter vindo e onde não há NEEs nem 319s...

Ctrl.Alt.Del disse...

Cara anónima (o comentário anterior não era para si, como compreendeu)

Penso que as unidades de referência, com equipas especializadas, podem trazer uma mais-valia a meninos e jovens como a sua filha, ao nível do apoio que a escola pode prestar. Daí a falar de escola inclusiva vai uma grande distância, porque a desvantagem das unidades de referência é a concentração em grupos de "deficiência", criando as "escolas dos surdos", as "escolas dos cegos", as "escolas dos autistas", etc... O que há de inclusivo nisto???

E com o que vem aí para a formação de professores, de modo geral, não é de augurar nada de bom, infelizmente...

Anónimo disse...

CEHEHEHEHEH!
ctrl.alt.del (é mesmo para interromper alguma coisa que corre mal...) E o burro sou eu?!
Trabalho com NEE desde 1975 (desde as Cercis a Escola Inclusiva, passando pela era da Integração)...
Nunca o/a vi a si (creio eu...) nem sequer em colégios de freiras (ou de padres)...
O que tem andado pelas escolas deste país NÃO É o 319 (mas muitas interpretações abusivas da sua letra e filosofia educativa)...
Será que o menino/ou menina de coro que assina por Alt Ctrl Del sabe o que é uma NEE?

Anónimo disse...

Um dia destes, depois de começarem os "abusos habituais", com o aparecimento de atestados médicos a referenciarem autismos, deficiências visuais (para quem usar óculos) e outras deficiências a justificarem apoios a crianças com NEE "que tenham o asar de não possuirem qualquer deficiência", vou ver o/ a ALT CTRL DEL a dizer Morreu o 3/2008 Viva o quê?!