sexta-feira, dezembro 01, 2006

TLEBS - a sua polémica diária

A TLEBS (Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário) arrisca-se a tornar-se a próxima fórmula de sucesso da estação de televisão que perceber o potencial desta polémica para animar as audiências dos jornais da noite. Pronto, talvez só da Sic Notícias. Ou do canal Viver.

A doutoranda Helena Soares voltou a escrever ao director do PÚBLICO, comentando o artigo de 4ª feira de Helena Buescu (ver comentário na ECdR). Reparei que deixou de assinar como doutoranda, talvez os préstimos que tem dado à Causa tenham acelerado (talvez tenham mesmo sido) as suas provas de doutoramento, ou então decidiu baixar o perfil para contrariar a acusação recorrente e generalizada de arrogância.

Será que funcionou?
  • "Que reacção paranóica, que mania da perseguição é esta?"
  • "Tretas! Foi precisamente por isso que se fez a TLEBS."
Bom, talvez valha a pena experimentar outras estratégias... Tentativa e erro... De qualquer maneira, conta-nos coisas extraordinárias:
  • "foram os professores de Português dos departamentos desses níveis de ensino que tiveram a iniciativa de rever os termos usados para o ensino da gramática da língua".
Apesar de não conhecer um único de qualquer escola que tenha formulado tal pedido (talvez o presidente da Associação de Professores de Português, mas será que a APP representa realmente alguém? Quantos associados tem realmente?), fiquei comovido com o facto de o ME reagir tão eficazmente a um pedido dos professores, mandando um batalhão de formiguinhas linguistas para tratar do assunto.

Que pena que não reaja da mesma maneira aos pedidos para os portáteis, professores para as prisões, pavilhões desportivos, ou mesmo papel higiénico. Prioridades são prioridades! E bolas, parece um tratamento de choque: senhor doutor, doi-me um bocadinho a cabeça, podia receitar-me uma aspirinazinha? Qual que, mulher, tome lá uma marretada na cabeça! Tomem lá, para aprenderem a ficar calados!

A pérola escondida do seu texto, que mostra o lobo por baixo da pele de cordeiro desta classe dos linguistas é:
  • "Há alguma razão para se acreditar que os "intelectuais" e estudiosos da literatura são referência quando se fala de regras da língua? Pelo que se viu até agora, não"
A língua é de quem a analisa, não de quem nela produz criativamente! A língua portuguesa aos linguistas, esta é a mensagem cada vez menos silenciosa da revolução tlebática em curso de apropriação do português para o domínio da linguística.

Eduardo Prado Coelho, um pouco mais à frente no PÚBLICO, dedica o seu texto de hoje à brevemente-numa-direcção-geral-ou-cátedra-de-linguística-perto-de-si-(doutoranda)-Helena Soares, descascando a sua carta anterior.

Também ele se surpreende com os 15 mil que teriam feito a TLEBS (quantos a terão pedido, além do presidente da APP?)
  • "Que esta terminologia, a famosa TLEBS, tenha sido feita por 15 mil professores, gostaria de saber com que secretismo isto aconteceu. Conheço escolas em que todos os professores de Português estão contra e nunca ouviram falar neste perturbante número de 15 mil."
Depois de questionar que escritores conhecerá Helena Soares para tecer considerações sobre as suas preferências terminológicas (está a ser generoso, os linguistas não lêem literatura, autopsiam constituintes da língua), conclui:
  • "Trabalhem à vontade, mas não se esqueçam que ensinar não é a mesma coisa que trabalhar em Linguística e fazer de alunos, que resistem à própria leitura, cobaias indefesas de uma experiência científica."

3 comentários:

JN disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
JN disse...

Como pai, pergunto-me se serão os jornais o espaço certo para debater uma questão tão fundamental como esta. Mas parece não haver outro. É triste. Até disso o Ministério da Educação se demitiu, de promover o debate. A TL ao ser EBS tem de ser alargada a todos os intervenientes no processo educativo. Como pai tenho o direito e o dever de ter uma opinião e uma palavra a dizer. Mas isso seria se não estivessemos perante métodos de trabalho que mais parecem aqueles do tempo do PREC. Tudo é um permanente work in progress, assim é que é giro e intelectualmente estimulante....
Chamo a vossa atenção para o que está a suceder em França num processo similar: um recuo em toda a linha na implementação do jargão pseudo-cientifico-hermenêutico. E eles vão uns anos valentes à nossa frente. O resultado da implementação destas experiências em França foi desastroso. Ver notícias no Le Monde e no Le Fígaro . Acho deliciosas as conclusões a que chegaram e que, tudo indica que sim, serão implementadas pelo Ministro Gilles de Robien.

"« Les parents ne comprennent rien à des termes comme locuteur ou situation d'énonciation. » Ces dérives sont liées à un apprentissage qui consiste trop souvent à se calquer sur celui, très complexe, qui existe à l'université."

"La terminologie doit être fixée dans une liste et "permettre aux parents ou aux grands-parents d'accompagner la progression des enfants"."

Não se pode contratar este senhor Alain Bentolila para vir cá arrumar a casa? E já agora, também o próprio Ministro da Educação, Gilles de Robien. Um Ministro da Educação que preconiza o regresso ao cálculo mental no ensino básico da Matemática só pode ser um excelente Ministro da Educação. Poupava-se muito dinheiro. E tempo. Para além de os alunos aprenderem o realmente necessitam de saber.

E parabéns pelo blogue, voltarei.

José Nunes

lourinhã disse...

Recomendo a leitura do seguinte blog:

semrede.blogs.sapo.pt

Esclarecedor!