quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Uniformização ou escolha. Das duas, uma.

Nos meus posts (este) e Perguntas da Semana (esta e esta), tenho apontado para um problema que afecta inevitavelmente qualquer sistema de ensino: as diferenças de escola para escola.

Não existe em Portugal iguais infra-estruturas de ensino, nem iguais recursos humanos (nem em termos de qualidade nem em termos de quantidade de pessoal docente e não docente), nem mesmo iguais regulamentos.

Perante esta situação só existem, a meu ver, duas saídas possíveis: Uniformização ou Escolha.

Ou criamos iguais condições de aprendizagem (e convívio) para todas as escolas, ou damos possibilidade às famílias de escolher qual a escola a frequentar (num sistema de vagas em que entram primeiro os melhores alunos... em vez do actual critério, em que entram primeiro os alunos que vivem na boa/má zona da cidade ou na boa/má região do país...)

Sinceramente, acho mais exequível a segunda opção.

Neste momento parte-se do pressuposto que todas as escolas são iguais, todos os professores são iguais, todas as famílias são iguais, todos os bairros são iguais e, portanto, não faz sentido escolher as escolas. Isto não é verdade.
Basta conhecer minimamente o sistema nacional de escolas para se chegar a esta conclusão: os alunos dos bairros “finos” ficam com as melhores escolas (que estão nos bairros “finos”, onde moram os filhos dos autarcas e ricalhaços lá da terra), ao passo que os outros todos, por muitas capacidades que tenham, ficam sempre com as piores infra-estruturas, com a pior qualidade de ensino e com todos os professores que não conseguiram entrar na escola do bairro “fino”.

A crença na igualdade de todas as escolas é muito bonita, mas não é real. Existem diferenças e, para as combater, temos que arranjar novos critérios de entrada nas melhores escolas públicas, e eu prefiro que o critério seja o das notas da pauta do que o das notas no bolso do pai...

2 comentários:

Ctrl.Alt.Del disse...

Para encontrar os filhos dos autarcas e dos ricaços da terra é preciso ir um pouco mais longe, até ao colégio privado mais perto... por que será?

A luta pelas boas escolas públicas trava-se entre a classe média e a populaça, que na maior parte dos sítios até a classe média-alta faz um esforço adicional para pôr os meninos no colégio...

baldassare disse...

podemos chamar-lhe "luta de classes"?