quinta-feira, novembro 30, 2006

A Naifa

A Naifa
3 MINUTOS ANTES DE A MARÉ ENCHER
Digressão nacional 2006

Dezembro
01 - 21h30 Lisboa Teatro Maria Matos
06 - 21h30 Aveiro Teatro Aveirense
07 - 21h30 Braga Teatro Circo
09 - 21h30 Faro Teatro Municipal


TLEBS - as damas do xadrez

A mais recente jogada no tabuleiro de xadrez da TLEBS passou-se ontem no PÚBLICO, com dois artigos lado a lado, das damas de cada lado.

Maria Helena Mira Mateus, Terminologias: a nova e a antiga, a doce rainha das abelhinhas, à sombra da sua boquilha, mostra de onde emana a fonte da providencial arrogância dos linguistas (apesar da estrutura discursiva com reminiscências camoneanas Cale-se/Cesse/Cesse) concluindo, à boa maneira de Cavaco, afirmando: "deixem-nos trabalhar" (que outro valor mais alto se alevanta)
  • "Certamente, as pessoas, "famosas" ou não, que se pronunciaram sobre a questão não sabem do que estão a falar, tantas e tão ingénuas são as afirmações erradas."
  • "Lamento, mas não perceberão nada de qualquer livro que aborde a prosódia das língua"
  • "não falem do que não sabem e deixem-nos trabalhar sobre a actualização da Terminologia, tirar conclusões da experiência em curso e tornar o ensino da gramática do português menos obsoleto e integrado nos programas actuais que, evidentemente, não sofrerão qualquer alteração."
Mais palavras para quê? A língua portuguesa aos linguistas, esta é a mensagem silenciosa da revolução tlebática em curso de apropriação do português para o domínio da linguística.

Do outro lado do tabuleiro, Helena Carvalhão Buescu, em TLEBS e discussões, desmonta o discurso dos linguistas e coloca os pontos nos iis relativamente a uma série de coisas, desmascarando a tentativa de apropriação do português pelos linguistas e a falta de ponderação na implementação da TLEBS:
  • "No preciso momento em que a pouco subtil passagem para o terreno do Ensino Básico e Secundário é efectuada, e é mesmo reclamada por um grupo, o que acontece é que essa auto-designação passa a integrar o objectivo com que de facto foi elaborada: não "apenas", como alguns dos seus defensores dizem agora, produzir novas formas de estabilidade numa linguagem técnica, mas antes legislar para o Ensino Básico e Secundário e, nele, para a disciplina de Português."
  • "A partir desse gesto de apropriação (porque o é), a TLEBS passou a dever (emprego o termo de forma ponderada) ser discutida por todos os que são agentes, intervenientes e interessados no ensino da disciplina do Português no Ensino Básico e Secundário, e não apenas por linguistas. Porque o Português do EBS não é nem pode ser concebido (gostaria tanto de reforçar esta afirmação!) como domínio único e especializado da Linguística."
  • "Que alguns (sublinho alguns) linguistas confundam Português com apenas Língua Portuguesa, e que além disso considerem que sobre esta apenas se podem pronunciar os "técnicos da língua" que a Linguística formaria, como tem sido várias vezes repetido neste debate, apenas atesta a absurda redução (e reacção) tecnocrática que afecta alguns linguistas, mas que qualquer reflexão ponderada e séria manifesta como capciosa."
  • "A pergunta central, no quadro de uma terminologia para o EBS, é: quem deverá saber tudo isto? Os docentes? Os alunos? Quais? Será este saber algum dia testado em exame nacional (o que o transformaria em virtualmente obrigatório)? Ou efectivamente, como se diz, em comentário à TLEBS, no site do Ministério da Educação, é deixado aos "docentes no terreno" latitude decisória (qual?) para "aplicar" esta terminologia, consoante o Programa?"
  • "A TLEBS não é perfeita ainda (ainda?), e de que está a ser alvo de alterações. (...) Não é isto sinal de precipitação e falta de ponderação na forma como a TLEBS foi implementada? Que tal um aluno a quem foi ensinado, até ao ano passado, que havia orações; que este ano está a aprender que deixaram de existir; e que talvez para o ano volte a aprender que afinal regressaram? É isto sinal de reflexão ponderada, pelas implicações que tem, inclusivamente nos manuais escolares, que correm o risco de ser hoje publicados para daqui a seis meses estarem desactualizados? E os pais? Terão de comprar manuais diferentes de cada vez que a TLEBS resolver introduzir uma alteração a algo que acabou de entrar em vigor? "
Só posso partilhar as conclusões de Helena Carvalhão Buescu:
  • "a TLEBS manifesta uma inexplicável (e inaceitável, quando se trata de perceber que ela afecta dezenas, centenas de milhares de crianças e jovens) precipitação na forma como foi concebida e aplicada;
  • a TLEBS manifesta uma míngua de bom-senso, ao confundir uma Terminologia Linguística com uma TL para o Ensino Básico e Secundário;
  • a TLEBS manifesta uma mais do que criticável aceitação de que o terreno da experimentação aplicada é a realidade escolar universal, que está assim sempre concebida sob o signo da flutuação, mais ou menos insensata;
  • da TLEBS (e das discussões a seu propósito) se infere a terrível confusão, que ela permite, entre Português, Língua Portuguesa e perspectiva linguística da Língua Portuguesa - confusão extremamente grave e com consequências redutoras, e por isso empobrecedoras, da concepção daquilo que o Português é: muito mais do que apenas a (importante) perspectivação linguística que integra, mas a que felizmente não se reduz."

Polícia para as escolas, rapidamente e em força!

A Ministra da Educação revelou ontem que vai reavaliar o modelo de segurança nas escolas, tendo para isso criado uma equipa de missão para a segurança escolar. A nova estrutura será constituída "predominantemente por oficiais pertencentes à Polícia de Segurança Pública".

Coordena a equipa Paula Peneda, intendente da PSP com uma comissão na Direcção-Geral de Divisão de Segurança dos Serviços Prisionais no currículo (está por isso mais qualificada do que qualquer outro polícia, além de ser mulher e, como mostra o exemplo da ministra, mais sensível às coisas da educação...).

Com a sua habitual sensibilidade para as coisas da educação, a ministra anunciou que: "Não sei se haverá necessidade de ter agentes de segurança no interior das escolas. Se for necessário, teremos de encarar essa possibilidade com naturalidade"; o mais importante, frisou a ministra, é que, nas escolas, se "reduzam os níveis de tolerância à indisciplina e a comportamentos socialmente inaceitáveis".

Para as escolas, rapidamente e em força!

Recomendação da Educação Cor-de-Rosa: não esperem pela Primavera para fazerem a limpeza ao cacifo...

Os pais e a escola

Manuel Carvalho, em editorial hoje no PÚBLICO, a propósito das reacções à polémica das aulas de substituição, põe o dedo na ferida e aponta os pais como "os principais responsáveis pelo desastre educativo que nos envergonha":

"(...) a maioria dos pais deve sentir-se confortável por saber que os seus filhos estão, de facto, na escola e não em qualquer lugar -, mas é suficiente para se perceber até que ponto o espírito de resistência a tudo o que implique esforço, disciplina e rigor continua vivo. Entre a reivindicação de mais e melhores condições para o exercício das aulas de substituição e a vontade dos adolescentes em lutar pelas delícias dos "furos", os pais, ou melhor, alguns pais, preferem a segunda via. Os pais, ou melhor, uma boa maioria dos pais, são hoje os principais responsáveis pelo desastre educativo que nos envergonha e nos tolda o futuro. Não acompanham os filhos, não participam no quotidiano e olham para escola como um edifício simpático, porque é onde podem depositar os filhos. Para muitos, o sucesso educativo é tão ou menos relevante que a vitória do clube do coração no fim-de-semana futebolístico.

Quando todas as responsabilidades pelo fracasso se dirigem para as escolas, era bom que se reconhecesse que os professores nada podem fazer, se os flancos da sua actividade não estiverem devidamente protegidos pelos pais. Era, por isso, bom que, juntamente com o novo Estatuto da Carreira Docente, o Governo pudesse aprovar um estatuto da carreira de pais. Não pode, como é óbvio, mas podia e devia eleger o tema como uma das suas principais mensagens políticas. O alheamento dos pais em relação ao desempenho educativo é um problema grave que exige outras respostas e mais energia. Como o comprovam as entrelinhas do discurso de Rosa Novo, o estatuto dos professores é apenas uma pequena parcela do problema da educação."

PS: Por que motivo a CONFAP, sempre pronta a criticar, ainda não se pronunciou sobre a implementação da TLEBS? Um dos argumentos recorrentes é a posição dos pais, mas a sua confederação parece ocupada com outros problemas maiores...

segunda-feira, novembro 27, 2006

Mário Cesariny - 1923-2006

you are welcome to elsinore

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar

Mário Cesariny

2000 page-views na EC-D-R




Ainda não somos o "Abrupto" (nem o Pacheco), mas aos poucos, vamos lá.

15 segundos de Sérgio Godinho

Nunca vivi nada em vão

Cada qual sabe do que tem

Ninguém pertence a ninguém

Seja inimigo ou irmão.

Seja inimigo ou irmão

Temos a nortada na pele

A discutir do farnel

Já se perdeu muito pão

Já se perdeu muito pão

E as bocas ainda a sonhar

A ver esperanças no ar

Quando há certezas no chão

E pr’aqui estamos em salamaleques

A lamber mãos feitas para abanar leques

A pedir bis, a grita’ brava, a aplaudir

Muito bem!

Até Domingo que vem!

Sérgio Godinho,
"Até domingo que vem"
Pré-histórias

domingo, novembro 26, 2006

The Gift - Fácil de Entender

A melhor banda portuguesa da actualidade com álbum novo. E o Natal mesmo a chegar...

Véus

O Vaticano está preocupado com a utilização do véu pelas mulheres muçulmanas. Como dizia o Daniel Oliveira no seu “Arrastão”, lata não lhes falta! Então, a Igreja que incentivava (não há muito tempo) as mulheres a usarem um véu, que cobre freiras com um véu, que adora a virgem Maria (que usa véu)... diz agora que o véu islâmico é uma preocupação para a cultura “ocidental”?

Esta questão do véu já foi analisada por muita gente em muitos artigos, blogues, conversas com o taxista etc... mas, já que estamos num blogue sobre educação, a pergunta que se coloca é: E nas salas de aula, deverá ser permitido ou proibido o véu?

Um dos principais argumentos que levam muitos a estar a favor da proibição do véu islâmico é que este esconde a cara (nos casos de alguns tipos de véu) e isso pode não ser “socialmente aceite” por todos.
Nas aulas, é verdade que o eye-contact influi muito no relacionamento entre professor e aluno. Mas a liberdade de cada um de ter as suas crenças e de se vestir segundo a sua vontade supera, na minha perspectiva, qualquer convenção social.
Diz-se que o véu é rebaixante para a mulher. Talvez, mas isso cabe à mulher decidir. Talvez para muitas muçulmanas a não utilização do véu pode ser, isso sim, rebaixante. A liberdade individual tem de ser preservada.

O véu deve poder ser utilizado por quem o entender. Assim como o boné, o chapéu ou os óculos de cor... cada indivíduo deve poder escolher a sua maneira de vestir, mesmo dentro da sala de aula.

A globalização traz-nos novas responsabilidades e novas liberdades. Com a chegada de novos povos ao nosso território temos que saber conviver com as novas culturas, mesmo que isso nos custe, durante um tempo.

Só podemos exigir democracia nos países árabes quando cá tivermos a plena democracia.

Na França, berço da democracia europeia, é proibido o véu islâmico, crucifixos explícitos e t-shirts com o símbolo da marijuana... tão triste confundir-se leicidade com autoritarismo cultural!

Porque hoje é domingo: o outro lado da moeda...

sábado, novembro 25, 2006

TeLEtuBbieS

O que é mais giro nisto das TLEBS é que eu estou a dar coisas novas, difíceis e importantes e, vai-se a ver, e vou ter de reaprender tudo como estava antes. É que as TLEBS para o ministério são uma coisa "experimental". "Experimental"?!?!?!?! Então e quem já está a dar esta nova terminologia? E porque é que é experimental? Porque é que nesta burocratolândia que é Portugal é sempre necessário em tudo um "estudo", depois um "período experimental" e só depois se define (em princípio... se tudo correr bem...) as coisas?
O governo que dialogue, mas em outras coisas mais dialogáveis... uma terminologia linguística ou é ou não é!

Deixo-vos com esta questão levantada por Violante Saramago Matos, no site (Bloco de) esquerda.net: E bactéria? Será um nome comum e contável? Animado ou inanimado? É que há bactérias móveis e outras imóveis. Em que ficamos?

TLEBS - relatório da frente de batalha

Esta semana a dupla improvável Graça Moura/Prado Coelho voltaram à carga, na meritória função de mata/esfola da TLEBS (Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário).


No DN, 4ª feira, Graça Moura faz a "Autópsia do Gioneu", dissecando o tristemente famoso material de apoio à TLEBS disponibilizado pelo ME, pondo a nu a vacuidade, absurdo e fraco nível dos materiais que por ali se encontram (e calando, bem, os que insinuavam a sua incapacidade de lidar com o assunto).

Preocupa-me a este propósito outra coisa: quem tramou os colegas da Escola Básica 2,3 José Régio - Portalegre, autores do dito material? O que os terá levado a (slide 25 do powerpoint) "absorver sobretudo a metodologia de análise linguística" para chegarem à conclusão que a "manipulação e comutação de constituintes se veio a revelar um método fundamental para resolver a ambiguidade do texto camoniano" (como demonstra Graça Moura...) e, principalmente pretender com este material "conceber uma técnica de análise textual, capaz de ajudar os alunos a resolverem os problemas inerentes à compreensão escrita (?!)"?

Seria a ilustre linguísta formadora (porque não sai em sua defesa?)? A linguísta supervisora (havia uma?)? A linguísta do DGICD que validou os materiais (oops, acho que resolveram poupar no sítio errado...). É que estas coitadas é que devem acordar por estes dias do sonho que foi terem os seus materiais publicados como referência nacional para o pesadelo de que na realidade aquilo só serve para sessões masturbatórias de linguístas...

No PÚBLICO, 6ª feira, Prado Coelho tenta lançar as redes de "uma situação enredada" para trás, à boa maneira cor-de-rosa, para a anterior equipa do PSD que lançou a TLEBS, tentando desculpar o actual governo, que já encontrou a situação assim... Se bem me recordo, a Ministra encontrou um Estatuto da Carreira Docente supostamente "enredado" e não teve problemas em resolver o "problema"... Ficamos falados quanto a metodologia de abordagem de redes... De qualquer maneira, fica o seu justo apelo: "Donde, a parar, teria de ser já. Repito: já. Indo além das pressões num ou noutro sentido e escolhendo aquilo que parece justo."

Pode ser que amanhã...

sexta-feira, novembro 24, 2006

Beleza Matemática...

Tou a puxar a brasa à minha sardinha...
Isto é simplesmente uma beleza!
Ficamos a pensar "Como é possível?"...e ainda há pessoas que não gostam de números!!! Eles são mágicos!!!

1 x 8 + 1 = 9
12 x 8 + 2 = 98
123 x 8 + 3 = 987
1234 x 8 + 4 = 9876
12345 x 8 + 5 = 98765
123456 x 8 + 6 = 987654
1234567 x 8 + 7 = 9876543
12345678 x 8 + 8 = 98765432
123456789 x 8 + 9 = 987654321

1 x 9 + 2 = 11
12 x 9 + 3 = 111
123 x 9 + 4 = 1111
1234 x 9 + 5 = 11111
12345 x 9 + 6 = 111111
123456 x 9 + 7 = 1111111
1234567 x 9 + 8 = 11111111
12345678 x 9 + 9 = 111111111
123456789 x 9 +10= 1111111111

9 x 9 + 7 = 88
98 x 9 + 6 = 888
987 x 9 + 5 = 8888
9876 x 9 + 4 = 88888
98765 x 9 + 3 = 888888
987654 x 9 + 2 = 8888888
9876543 x 9 + 1 = 88888888
98765432 x 9 + 0 = 888888888

E esta simetria:

1 x 1 = 1
11 x 11 = 121
111 x 111 = 12321
1111 x 1111 = 1234321
11111 x 11111 = 123454321
111111 x 111111 = 12345654321
1111111 x 1111111 = 1234567654321
11111111 x 11111111 = 123456787654321
111111111 x 111111111=12345678987654321

...meninos, aprendam a gostar dos números!
São eles que nos regem...em TUDO!

Temporal no Texas...


A inspiração não tem andado muito "em cima"...ainda para mais, com o dilúvio que atravessou hoje Torres Vedras e as redondezas, as ideias estão completamente alagadas...por isso, quando eu conseguir chegar a casa, tento publicar algo sobre educação...até lá encontro-me em alto rio pelas bandas do Ramalhal...mas lá consegui arranjar um timoneiro...o Sol é mera ilusão de óptica...

A central de desinformação

Em "Silêncios que falam", hoje no PÚBLICO, Vítor Dias faz o balanço da central de desinformação governamental e da (falta) de reacção no momento de confronto com a verdade dos factos, alguns dos quais já abordados aqui na Educação Cor-de-Rosa:

"(...)
Alguns exemplos, colhidos aqui e além, permitem perceber que o Governo e José Sócrates, bem como a sua anexa "central de informação", estão empenhados em aproveitar um sistema organizado e oleado para que, na sucessão e vertigem dos factos e acontecimentos, no que toca ao essencial, tudo se esqueça e nada se aprenda. Assim, podemos citar o caso do artigo do prof. Santana Castilho, publicado neste jornal em 6/11, onde, em frontal contraposição a ideias postas a circular, veio afirmar que os vencimentos líquidos dos professores "em início de carreira são cerca de 760 euros, 1000 ao fim de 13 anos de serviço, 1400 ao fim de 23 anos de trabalho" e que "com 30 anos de serviço chegam aos 1700 euros", o que, opinou, dificilmente pode ser tido por escandaloso.

O mesmo colaborador do PÚBLICO, a 20/11, desmascarava a operação que, com base em estudos da OCDE, apresentou os professores portugueses como os mais bem pagos da Europa, explicando que a base para essa operação tinha sido "um gráfico que se refere apenas aos professores do secundário com 15 anos de serviço, em função do PIB por habitante, que é dos mais baixos da Europa". E acrescentava que, nessa campanha, foi ignorado um outro gráfico "bem mais relevante que ordena os professores em função do valor absoluto do salário" e que desvenda que, "num total de 31 países estudados, os portugueses ocupam a 20ª posição". E, entre outros dados, este especialista comparava ainda os cortes orçamentais de 4,2 por cento na educação básica e secundária e de 8,2 por cento no ensino superior com os aumentos "de 71 a 108 por cento" nos "subsídios pagos pelo Estado a alguns colégios privados".

Entretanto, a verdade é que, em relação a tudo isto, nem mesmo com o recurso aos motores de busca da Internet conseguimos encontrar qualquer reacção ou resposta do Governo, do Ministério da Educação ou dos círculos mediáticos ou personalidades activamente defendem e valorizam o actual Governo."

PS: A referência à aprovação, sem acordo, do Estatuto da Carreira Docente não passou despercebida à Educação Cor-de-Rosa. Estamos só a adoptar a mesma técnica de ignorar com silêncio, para ver se deixa de existir...

Técnicas de copianço

quinta-feira, novembro 23, 2006

Os materiais de apoio à TLEBS

Na Educação do meu Umbigo, Paulo Guinote, destaca um material de apoio à TLEBS, disponibilizado no site da DGIDC (Direcção-geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular), onde ficamos sem saber se é para rir ou para chorar.

Uma observação atenta do site de apoio à TLEBS, da DGIDC, suscita mais alguns comentários, principalmente quanto à sua relação com a tecnologia.

Apresentada com grande pompa no Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, com direito a "congresso" e tudo, as "conclusões do 1º ano, princípios e sugestões para a generalizção" mereceu ditribuição de pastinha aos participantes, onde muito originalmente foram disponibilizados os documentos e CDs - de tudo o que estava já no site para consulta e download...

O mais hilariante vem depois, em destaque no site: "Por motivos alheios à DGIDC, os CD Materiais Didácticos elaborados pelos docentes da experiência piloto, distribuídos no Congresso de dia 27 de Setembro, apresentam falhas técnicas, abrindo apenas 20 dos 137 materiais elaborados. Carregue aqui para aceder à versão completa ou envie o CD para esta Direcção-Geral, para troca."

Afinal os CDs dos materiais distribuídos não funcionavam... Se calhar era melhor assim... Mas a originalidade não termina aqui; para resolver o problema inventado, em plena era da Internet, oferece-se a hipótese de enviar o CD (pelo correio ou pela Internet?) para troca...

Só uma dificuldade de ajuste aos novos tempo pode levar igualmente a que a Errata à dase de dados da TLEBS seja publicada no site (só uma correcção?! Surpreendente...), ao mesmo tempo que o ficheiro disponível para download mantenha esse erro. Isto não é um livro, bolas, será assim tão difícil corrigir o ficheiro, para que as pessoas não pensem que estão a fazer o download da última versão corrigida?!

O conjunto de materiais de apoio disponibilizados no site (Alterações, destaques e propostas, Perguntas frequentes e Materiais didácticos) premeia o utilizador com uma imagem animada que demora 20 segundos a carregar, independentemente da velocidade de ligação. É só webdesign! É claro que se o utilizador pensar que há algum problema com a página (o que normalmente acontece aos 7-10 segundos) e clicar em actualizar, começa tudo de novo. E da próxima vez que lá for, idem. É uma boa ideia, é uma maneira de dar tempo ao utilizador para pensar: "quem sou eu? De onde venho? Para onde vou? Será que quero mesmo ver isto?".

Finalmente a GramáTICª.pt. Lançada pomposamente no referido congresso, como um sítio de acompanhamento "em linha", nas palavras da sua responsável (apesar de ser corrigida sistematicamente pelo público pois referia-se sempre a acompanhamento online...), disponibiliza: os mesmos recursos que já lá estavam... Com a distinção do prémio para "plataforma moodle com o nome mais foleiro 2006": Dispositivos de interacção directa: fóruns, notícias,....(para isto não precisavam de uma plataforma, já repararam?).

Os génios que nos governam aproveitam a tecnologia para alcançar os seus objectivos. Curiosamente, parece a tecnologia nem sempre colabora. Quem disse que a tecnologia é neutra?

quarta-feira, novembro 22, 2006

That's my president!

"A educação é um problema central em portugal (...) e não é só por causa dos números do EuroStat"
Jorge Sampaio.

Aulas de substituição - afinal o que diz a lei?

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO - Gabinete da Ministra
Despacho n.o 13 599/2006 (2.a série).
12º - Ocupação plena de tempos escolares
1—O agrupamento/escola é responsável pela organização e execução das actividades educativas a proporcionar aos alunos durantetodo o período de tempo em que estes permanecem no espaço escolar.
(...)
4—Tendo em vista criar condições para o efectivo cumprimento dos programas, o docente que pretenda ausentar-se ao serviço deve, sempre que possível, entregar ao órgão de direcção executiva do respectivo agrupamento/escola o plano de aula da turma a que irá faltar.
(...)
6—Em caso de ausência do docente titular de turma às actividades lectivas programadas, a direcção executiva do agrupamento/escola deve providenciar para que a aula correspondente seja leccionada por um docente com formação adequada, de acordo com o planeamento diário elaborado pelo professor titular de turma/disciplina, sendo atribuída preferencialmente a docentes do quadro cuja componente lectiva possa ser completada.
7—Quando não for possível realizar as actividades curriculares nas condições previstas no número anterior, devem ser organizadas actividades de enriquecimento e complemento curricular que possibilitem a ocupação educativa dos alunos.
8—Para efeitos do disposto no número anterior, devem ser consideradas, entre outras, as seguintes actividades educativas:
a) Actividades em salas de estudo;
b) Clubes temáticos;
c) Actividades de uso de tecnologias de informação e comunicação;
d) Leitura orientada;
e) Pesquisa bibliográfica orientada;
f) Actividades desportivas orientadas;
g) Actividades oficinais, musicais e teatrais.

Afinal de quem é a culpa da escolha das actividades de substituição, quando o professor não é da área disciplinar, nem da turma, nem sequer do mesmo ciclo?

Aulas de substituição - os culpados

Hoje ao PÚBLICO, a directora da DREN afirmava que "No geral, as aulas de substituição estão a funcionar bem, mas se há problemas vamos resolvê-los", mas à TSF deixou a língua correr mais fluente, ou não fosse do Norte, e disse que vai investigar os professores que não estão a cumprir o seu papel nas aulas de substituição.

Os culpados, afinal, são é os suspeitos do costume: os professores, que se limitam a cumprir as instruções do Ministério e as dos Executivos das escolas.

A Maria de Lurdes que se cuide, esta senhora quer o lugar dela. Se uma diz mata, a outra diz esfola! E partilham a mesma estima pelos professores...

terça-feira, novembro 21, 2006

Pergunta da Semana

Porque é que, nas estatísticas, os estudantes não são considerados população activa, tendo em conta que os desempregados e os que procuram o primeiro emprego o são?

domingo, novembro 19, 2006

Porque hoje é domingo... One world



Respostas:



Ou também:



Mais em youtube

Nova Zelândia legitima abreviaturas nos exames do secundário

PÚBLICO, 19.11.2006, [link]

"2moro" para "tomorrow" ou "gr8" para "great" são duas das muitas abreviaturas usadas pelos estudantes neozelandeses. A txt speak - designação para o código usado na escrita em teclado, seja no telemóvel ou no computador - é como que uma segunda língua para centenas de milhares de adolescentes neozelandeses. Esta pode ser, adianta a imprensa do país, uma das justificações possíveis para a decisão do Governo de autorizar, já este ano lectivo, que os estudantes possam escrever assim nos exames no final do ensino secundário.
A New Zealand Qualification Authority (NZQA), o organismo responsável pelos exames, desencoraja por um lado os estudantes a usar txt speak, sobretudo a Inglês e nas outras línguas; mas por outro afirma que serão cotadas as respostas que sejam perceptíveis, mesmo que o estudante tenha recorrido a abreviaturas. O fundamental é que os professores correctores compreendam o que foi escrito. "Para os alunos, a prioridade é que escrevam da forma mais clara possível", informou o porta-voz do organismo, Steve Rendle, citado pelo The New Zealand Herald.
Para o Partido Nacional, na oposição, a decisão é "ridícula". "Em vez de exigir elevados padrões na sala de aula, o ministro da Educação e o NZQA estão a tentar parecer muito cool aos olhos dos alunos", afirmou o porta-voz do partido, Bill English. A Associação de Professores Pós-Primários considera que a decisão reflecte um problema com que os docentes se confrontam diariamente na sala de aula e contra o qual lutam. Agora temem que possa tornar a linguagem SMS aceitável em todos os trabalhos e provas. Há escolas que já vieram a público dizer que vão insistir junto dos alunos para que continuem a escrever em inglês correcto. B.W.

Dos comentários aos posts da TLEBS

lourinhã disse...

Este post é um belíssimo exemplo de demagogia.
Tenho acompanhado os vários textos e parece-me que este é um exemplo de "tresleitura". Não me parece que João Costa diga que se devem calar os ignorantes. o que ele diz e bem é que a discussão em torno da TLEBS não deve desviar-se daquilo que a TLEBS é. Isso não tem nada a ver com linguística comparada. Tem a ver com a necessidade de comparar os dois documentos em causa.
Os que argumentam contra a TLEBS vão mudando os argumentos conforme dá jeito. Não me lembro de haver materiais de apoio de jeito por parte do ME para ensinarmos gramática até aqui. Será que é mesmo obrigação do ME produzi-los só para a TLEBS.
Sou professora e faço a transposição didáctica da TLEBS, em cumprimento dos programas. Se calhar, se estes fossem conhecidos e seguidos, a TLEBS não estava a causar tanta guerra. Não leio, portanto, em nada do texto de João Costa, um ataque aos professores.
É bom que esta guerra seja séria e não pautada pela demagogia.

11/19/2006 3:05 AM

Cara professora Lourinhã
Obrigado pelo elogio ;-)

João Costa (e Lourinhã) bem podem querer que a discussão fique dentro da TLEBS, mas esse é exactamente um dos problemas, como se tem vindo a perceber pela discussão pública: não é possível que uma alteração terminológica, tão complexa como a TLEBS, seja generalizada a todo o ensino básico e secundário sem que se discuta para além da TLEBS, sobre as implicações ao nível da família, dos PALOP, do Brasil, dos manuais, dos professores, etc...

Lourinhã pode e deve fazer a transposição didáctica da TLEBS, mas que não o faça por favor em "cumprimento dos programas", conhecidos ou desconhecidos! Como afirma peremptoriamente João Costa no seu artigo: "não [é] um documento que revogue os programas em vigor. Assim, o que é ensinado nas escolas depende dos programas e do Currículo Nacional (CNEB, DEB: 2001) e não da TLEBS. Não havendo alteração destes documentos, não há alteração do peso relativo da gramática nos programas, nem dos conteúdos a ser leccionados, nem transformação das aulas de Português em cursos de linguística"...

O ME não tem obrigação de fazer materiais de apoio para a TLEBS?! Uma alteração tão complexa, sujeita a interpretações e transposições diferentes, em que os próprios especialistas não se entendem quanto às explicações, não pode falhar por cada professor resolver implementar como acha, entende e interpreta melhor (vai acabar por cair na situação que temos agora, em que o predicado pode ser uma coisa diferente dependendo da escola, ou mesmo do professor)...

Sugiro que consulte as perguntas frequentes do site gramaTICª.pt para ver que, por ex, apesar de a TLEBS acabar com a designação de "oração", estabelecendo que é tudo "frase", um especialista responde a uma dúvida complexa (e comparada...) de um professor dizendo laconicamente: "Estamos a considerar a reintrodução do termo "oração" na revisão da TLEBS."...). É claro que o ME tem obrigação de apoiar os professores, garantindo uma implementação coerente em todas as escolas, tal como o fez sempre que implementou uma reforma. Aliás, o ME lançou vários materiais de apoio, esse facto não é posto em causa no meu post, o que é questionado é a sua qualidade (mas isso será tema outro dia).

Também não me parece que nada mova João Costa contra os professores. O que irrita é o tom com que pretende fechar a discussão na sua capela, como se só aos eleitos fosse permitido discutir a TLEBS; a língua e a gramática não são propriedade exclusiva dos linguístas, nem dos que têm necessidade de comparar os dois documentos em causa...

O que era bom mesmo, minha cara, não é que isto fosse uma guerra séria, era que fosse um processo consensual, que correspondesse às necessidades básicas de uniformização, que ninguém põe em causa...

sábado, novembro 18, 2006

Portáteis nas escolas?!

O Ministério da Educação, através do CRIE (Equipa de Missão Computadores, Redes e Internet na Escola) promoveu um concurso para equipar as escolas com computadores portáteis, para professores (10 portáteis em média, salve-se quem poder) e para alunos (14 portáteis).

Em 21 de Agosto, foi adjudicado pela DREL (Direcção Regional de Educação de Lisboa) à HP a entrega dos portáteis às escolas, num prazo de 60 dias.

No final de Outubro, algumas escolas receberam os portáteis, outras não. As que receberam, trataram da longa lista de procedimentos iniciais, e puseram-nos a uso. As outras, não. Reclamaram, telefonaram, mandaram email e fazes. Mas nada. Nem um para amostra. Apenas a informação: "houve um pequeno contratempo com a distribuição dos portáteis na região da DREL, o que levou à suspensão temporária da mesma"...

Finalmente resolveu-se o mistério do "pequeno contratempo":

Afinal era para entregar às escolas metade dos portáteis agora, e a outra metade em Janeiro, mas alguém na DREL se enganou na instrução à distribuidora e foram entregues todos os portáteis a metade das escolas! Dá para acreditar?!

Mais genial foi a solução encontrada pela CRIE: chamou todos os coordenadores TIC a Lisboa e explicou-lhes que as escolas que receberam todos os portáteis vão ter de os devolver, para serem dados às escolas que não receberam nada! Afinal tudo está bem quando acaba bem...

Agora, será que alguém podia explicar a estes génios que os portáteis que estão nas escolas que os receberam estão a uso há um mês, a servirem os projectos para que estavam destinados, e que as escolas já se encontram organizadas em função desses recursos tic?! E que as escolas que não receberam também estavam a contar com eles e esta trapalhada complicou (ainda mais) a vida nas escolas?!

Pequeno contratempo... Embalar e devolver... E ninguém se demite?

A guerra da TLEBS

A guerra da TLEBS conheceu ontem mais desenvolvimentos, com jogadas de peões e movimentos de bispos. Interessante.

No PÚBLICO, Helena Soares, Doutoranda de Linguística Portuguesa, numa carta ao director intitulada "Está aberta a caça à TLEBS", tenta mostrar serviço, porque afinal sendo doutoranda ainda não acabou o doutoramento. Anuncia que afinal "a TLEBS é um dicionário que qualquer pessoa pode ter no seu computador"! Opps! Uma terminologia é um dicionário?! E não é um documento que substitui a Nomenclatura Gramatical Portuguesa de 1967?! Um documento é um dicionário?!

Movidos os peões, registe-se a jogada do bispo das brancas: João Costa, presidente da Associação Portuguesa de Linguístas, saiu em defesa da dama, também em carta ao director do PÚBLICO (que deve estar a tornar-se no português mais informado sobre o assunto) e na revista Visão desta semana: "qualquer comentário à TLEBS é, portanto, inútil se não tomar como referência uma comparação com a NGP (nomenclatura gramatical portuguesa, de 1978). Ora aí está, calem-se os ignorantes, só quem tiver arcaboiço para linguística comparada é que está habilitado a dar palpites, o resto é ruído de fundo! Este é aliás um tom recorrente nos seus textos, o que contribui em muito para a irritação que a TLEBS causa em tanta boa gente...

Queixa-se que a TLEBS não revoga os programas foi "despejada" nos manuais, mas esquece-se que foi igualmente "despejada" na grande maioria das escolas, praticamente sem materiais de apoio do ME...

Recorda ainda João Costa que "qualquer leitor informado sobre teoria linguística [sim, esses que podem realmente intervir] não reconhece na TLEBS a assunção de um modelo teórico específico". Pois, se calhar esse é mesmo um dos problemas, a salganhada de perspectivas...

Termina dizendo "cabe aos professores fazer a transposição didáctica desses saberes" - mas quais professores? A resposta está por todo o artigo: os professores que falam comparando a TLEBS com a NGP (os outros são inúteis), os professores informados sobre teoria linguística e aqueles que têm "alguma informação sobre o trabalho que os linguistas fazem" (carta ao PÚBLICO). Ora se nas nossas escolas só temos incompetentes, que nos fazem descer nas médias internacionais, restam, portanto, e notem bem o alcance desta revelação vindo de quem vem: os professores de linguística! A TLEBS aos professores de linguística, já!

Finalmente, Eduardo Prado Coelho, que leu o Graça Moura e o João Costa, mostra-se "inteiramente de acordo com este excelente artigo de Vasco Graça Moura" e confessa que "este texto de João Costa não me convenceu minimamente"... Jura pelo ensino dos "usos da língua, e por exemplo a sua dimensão argumentativa" e termina pedindo à "senhora ministra, minha cara amiga, suspenda este processo e repense tudo"... Caro Eduardo, a TLEBS não mete contas nem poupança de dinheiro, não vale a pena bater a essa porta...

quarta-feira, novembro 15, 2006

Aulas de substituição no secundário.

Mais uma vez este tema...

Um professor de matemática que nos deu uma aula de substituição (no secundário!), quando lhe perguntaram se estava de acordo ou não com as aulas de substituição disse:

"Claro que sou a favor! É claro que para os «matarros» [ele utilizou mesmo esta expressão] quanto menos aulas melhor! E depois os vossos paizinhos andam a pagar-vos explicações quando as têm dentro da escola e gratuitamente! Essa malta, se quer ir para a merda [ele utilizou mesmo esta expressão], ao menos não arraste os outros para a merda [ele utilizou mesmo esta expressão duas vezes]"

Depois, ficou toda a gente espantada e ninguém respondeu. Acho que todos tinhamos receio de sermos chamados "matarros", ou então estavamos todos espantados com a sua maneira de falar à Chico Zé e ninguém respondeu...

Mas agora vou responder.
1) Aqui a questão é: não estamos no ensino obrigatório, estamos no secundário e só vamos às aulas porque queremos... se nos apetecesse ficavamos em casa ou iamos trabalhar. Ora, os pais não podem dizer, como era argumento no básico, que "se os filhos estão à guarda da escola, os pais têm de ter a certeza que os miúdos estão bem guardados, e não andam por aí na má vida e mais não sei o quê". Agora, só estamos na escola porque queremos, ou seja, nem somos obrigados a ir às aulas, mas temos de ir às aulas de substituição... não faz sentido!
2)Sou a favor de a escola ter actividades complementares e de ajuda ao estudo, com professores de todas as disciplinas (ou quanto mais não seja, de todas as áreas) para ocupar os tempos em que não há aulas ou os tempos pós-aulas, desde que essas horas sejam facultativas. Porquê? Para já, porque ninguém é obrigado a estudar. Mas, sobretudo, porque quando está uma turma inteira a ter uma aula de substituição obrigatória, há sempre alguns que não querem lá estar e fazem distúrbios, não deixando estudar os que o querem realmente fazer. Afinal, se as aulas de substituição não fossem obrigatórias, livravam-se dos "matarros" que queriam ir para a merda, deixando "os outros" a aprender.
3)Se os professores soubessem que iam faltar, podiam passar muitos trabalhos de casa, e assim quem quisesse aproveitar a aula de substituição para fazer os TPC, podia fazê-lo. Era uma maneira de se saber quem foi à aula ou não.
4)Isto seria muito mais útil do que pôr um professor de Português a substituir um de Matemática, ou o contrário... é que eu estou farto de SuDokus e palavras cruzadas nas aulas de substituição!
5) Qualquer dia temos aulas de substituição na universidade! Não vão os estudantes universitários entrar no mundo do alcool ou das drogas!

Com isto quero dizer que o que se está a fazer nas escolas secundárias deste país é o maior absurdo na educação desde a "Lição de Salazar".

P.S.- uma sugestão: porque é que não metem os professores desempregados a dar as aulas de substituição (não obrigatórias, é claro!) em troca de algum dinheiro para além do subsídio de desemprego e currículo para entrarem no ensino? Assim talvez conseguissem ter professores de todas as disciplinas nas salas de estudo...

Como construir um avião Manta


How To Build The Manta Paper Plane - video powered by Metacafe

TLEBS: chega-lhe, Vasco!

Vasco Graça Moura, hoje no DN, volta à carga com a TLEBS (Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário) para questionar se os génios que nos governam e nos educam pensaram em:

1. Reutilização dos manuais: "se a TLEBS começar a ser consagrada nos manuais, as coisas tornam-se irreversíveis (...) os pais, esses, lá voltarão a desembolsar mais dinheiro de ano para ano, porque os manuais anteriores deixam de servir! "
[e se vissem os manuais de 7º que apareceram nas escolas para escolha, supostamente de acordo com a TLEBS...]

2. Apoio da família aos alunos: "para os pais, então, a gramática portuguesa tornar-se-á uma espécie de sânscrito ou de chinês."
[não vai variar muito do que já se passa, pois não?]

3. Aprendizagem de línguas estrangeiras: "no tocante à aprendizagem de línguas estrangeiras, nomeadamente do inglês logo no básico e, depois, ao longo do secundário, que é uma das bandeiras da política educativa do Governo, está à vista a confusão que acabará por se gerar, ao longo dos curricula escolares, com o recurso simultâneo a nomenclaturas gramaticais completamente diferentes..."
[isto também não é nada de novo, caro Vasco. E só se resolvia ensinando novamente Latim às criancinhas! Ai o bem que isso fazia!]

4. Cooperação com os PALOP: "Em África, onde o português é uma língua veicular, as estruturas do ensino são frágeis, os professores são poucos, a preparação pedagógica é deficiente, os livros são difíceis de obter e, muitas vezes, os instrumentos imprescindíveis de trabalho nesta matéria são aproveitamentos de materiais que já não são utilizados em Portugal. (...) Já se pensou na trapalhada sem nome que a TLEBS ali vai gerar? Na confusão indescritível em que professores e alunos africanos vão ser lançados? Nos custos editoriais desnecessários em que as autoridades desses países terão de incorrer?"
[Se não se pensou sequer em fazer isto com os brasileiros, a que propósito se havia de pensar nos PALOP?! A parte boa é que, como usam os materiais que são descartados em Portugal, vão ficar imunes à trapalhada por mais meia dúzia de anos... Preocupe-se primeiro com os professores e alunos portugueses, a carne para canhão da primeira linha de trincheiras...]

segunda-feira, novembro 13, 2006

Os limites

O Jumento, sempre atento à actualidade, deu com uma agressão a uma professora, que lhe fez perder a compostura. E eventualmente, um processo disciplinar que lhe custaria o emprego... E já agora, caro Jumento, a resposta ao seu despacho é "Sim!", nem vale a pena incomodar a Ministra com isto. Este e os outros todos como este.
Ela até deve ficar contente por alguém fazer o seu trabalho sujo...

"HÁ LIMITES

Eu seria rapidamente enviado para a aposentação compulsiva mas se a professora agredida fosse minha colega este puto (uma criança vulnerável na acepção do pedopsiquiatras) levava "um tabefe bem dado" e nem tão cedo voltava a agredir uma professora grávida:

«Com apenas 13 anos, R. conta já com um vasto passado de violência. Descrito como um “miúdo inteligente que sabe mais do que muitos adultos juntos”, o rapaz voltou a protagonizar um episódio de agressão, apenas um dia depois de ter regressado de um castigo de suspensão. Desta vez, a vítima foi a professora de Inglês, grávida, da Escola Básica de Cabeça Santa, em Penafiel, agredida por R. com um murro na cara depois de lhe ter chamado a atenção para o seu mau comportamento na aula.» [Correio da Manhã Link]

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à ministra da Educação se os professores vão ter que aturar esta "encomenda" até que conclua a escolaridade obrigatória ou até atingir o limite da idade, e quem se responsabiliza pelos estragos na educação das dezenas de alunos das turmas em que o rapaz vai participar até que o sistema educativo se livre dele por limite de idade.»

Porque hoje é segunda-feira...

sábado, novembro 11, 2006

Ainda a TLEBS...

Os comentaristas da praça começam a despertar para o tsunami da Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário (TLEBS). Hoje, no PÚBLICO, é a vez de Helena Matos:

"Tendo em conta o que sei até agora sobre a TLEBS é natural que registe com agrado o facto de algumas escolas terem encerrado graças à greve dos trabalhadores da função pública. Pior do que uma aula não dada é uma aula onde se ensine isto.
(...)
A TLEBS arrisca-se a repetir no início século XXI o mesmo desastroso processo protagonizado pelas "árvores" nos anos 80 e ambos os desastres partem do mesmo erro: o de confundir as aulas dos ensinos básico e secundário de Português com um curso abreviado de Linguística. Aliás, um dos aspectos mais perturbantes de toda a concepção das aulas de Português subjacente à TLEBS é que ela sobrevaloriza a fala, a oralidade em detrimento do texto e da literatura.

Primeiro arreigou-se nos espíritos a convicção de que os alunos não se sentiam estimulados com textos literários antigos. Posteriormente já nem os escritores modernos serviam. Os textos literários foram dando lugar a prosas actuais de jornalistas. Por fim nem esses. Seguiram-se-lhes os regulamentos dos concursos televisivos... Com a TLEBS e este império da linguística os alunos vão acabar a analisar os actos de fala da conferência de imprensa da véspera ou da conversa do autocarro. Contudo, ninguém perceberá a conferência de imprensa da véspera, se não tiver lido autores como o Padre António Vieira. E qualquer conversa em português ganha outro brilho quando se leu Eça."

sexta-feira, novembro 10, 2006

Manipulação dos factos

Que imprensa amordaçada temos que permite que a ministra e a sua corja mintam descaradamente sobre factos, intoxicando a opinião pública com as ideias de que (1) Portugal investe mais do que outros países da UE na educação, (2) os professores portugueses são dos mais bem pagos do mundo e (3) os professores portugueses passam menos tempo na escola do que os outros?!

Já que o governo manipula tão habilmente a imprensa e a opinião pública, consulte-se o relatório da OCDE, Education at a Glance 2006, disponível aqui:

1. Na *página 32* verifica-se que, quanto a investimento na educação em relação ao PIB, estamos num modesto 19º lugar (em 31 países) e que estamos em 23º lugar (em 31 países) quanto ao investimento por aluno (p. 30)...

2. Na *página 56*, verifica-se que os professores portugueses estão em 21º lugar (em 31 países) quanto a salários...

3. Na *página 58*, é apresentado no estudo o tempo de permanência na escola, onde os professores portugueses estão em 14º lugar (em 28 países), com tempos de permanência superiores aos japoneses, húngaros, coreanos, espanhóis, gregos, italianos, finlandeses, austríacos, franceses, dinamarqueses, luxemburgueses, checos, islandeses e noruegueses!
Será assim tão difícil ir ler o relatório? Está em inglês, se calhar é por isso, os senhores jornalistas ainda não são da geração cor-de-rosa, que teve inglês na primária...

quinta-feira, novembro 09, 2006

As promessas de Sócrates

Os formadores dos professores

Desculpem lá, mas não são supostamente estes senhores que vão avaliar os professores para poderem vir a ser professores titulares?!

"(...) Os formadores de professores são tipicamente os professores do ensino superior, universitário e politécnico. E quem são estes professores? São professores das áreas das ciências naturais e das ciências da educação. Têm graus de mestre e de doutoramento, fazem investigação, deslocam-se ao estrangeiro, estão dentro das mais modernas ideias científicas e das tendências actuais da educação em ciências, progridem na carreira através da avaliação por pares ... e, frequentemente, não se mostram capazes de preparar os seus alunos, futuros professores, para pôr em prática uma educação científica exigente e de elevado nível. Parece que é outra a formação que os formadores de professores necessitam.
(...)
É cómodo e é fácil colocar o ónus de tudo o que vai mal em educação nos professores do ensino básico e secundário. Mas por de trás deles estão os professores do ensino superior, os formadores de professores, a nível da formação inicial e contínua. Claro que aos professores do ensino básico e secundário resta sempre a autoformação, coisa que alguns, mas não todos, até fazem com grande eficiência. E os professores do ensino superior? Formadores de formadores é algo que não existe. Resta a autoformação, numa atitude de humildade e esforço individual e colectivo."
Ana Maria Morais, professora Universitária, in PÚBLICO, Opinião.
E, dado o seu efeito reprodutor, é a formação de formadores que é uma urgência. São precisos formadores que promovam a excelência. São esses os formadores essenciais."

Faz de conta

Em carta do director do PÚBLICO, o leitor Júlio Marques, de VNGaia, põe o dedo na ferida do faz de conta que governa a educação cor-de-rosa em Portugal...


"(...) Estou igualmente em crer que os fracos resultados que obtêm se devem a uma política educativa desastrosa desde há muitos anos e que leva a que às organizações onde trabalham não sejam pedidas contas. Porque de contas se trata. Faz de conta o governo que governa, fazem de conta os alunos que aprendem, fazem de conta os professores que ensinam. Fazem de conta os sindicatos que os professores são todos tão bons, que todos em carreira chegam ao topo. Fazem de conta que as leis, nomeadamente a do Estatuto da Carreira Docente, sempre foi cumprida e que pelos seus brilhantes resultados deveria ser mantida.

Faz-se de conta que para a educadora que dá de comer às criancinhas enquanto canta o Come a papa Joana come a papa e o professor que ensina a Fenomenologia do Espírito se requer igual grau académico e igual retribuição. Faz-se de conta que a boa vontade proposta por Kant deveria ser o único imperativo a reger a actividade docente. Faz-se de conta que na carreira docente alguns professores, para transitarem ao 8.º escalão, não tiveram que prestar provas públicas (como a memória é curta!). Faz-se de conta que muitos professores que estão agora no topo da carreira não se licenciaram num ano sem precisarem sequer de deixar de trabalhar. Faz-se de conta que não havia escolas públicas a esvaziarem-se de alunos onde os professores com poucas horas iam leccionar para os colégios ao lado que se iam enchendo. Faz-se de conta que a formação contínua dos professores era uma resposta aos seus problemas profissionais e das suas escolas. Faz-se de conta que não houve professores que se reformaram aos cinquenta anos porque compraram tempo de serviço que faz de conta que existiu. Faz-se de conta que existiu uma coisa chamada "Área-Escola?", uma disciplina chamada Desenvolvimento Social e Pessoal (DPS), um movimento da Escola Cultural (como seria possível uma escola não ser cultural?!). Faz-se de conta que é normal um aluno de 7.º ano ter 15 (quinze) disciplinas. Faz-se de conta que é normal os ministros da Educação terem muito boas ideias sobre o assunto depois de terem sido ministros e escreverem livros interessantes.

De tanto fazer de conta até fazemos de conta que a conta que contamos há-de ser levada a sério.(...)"

quarta-feira, novembro 08, 2006

Legislação...

É só para deixar um "big advice" a todos os professores...LEIAM TODA A LEGISLAÇÃO QUE VOS DIGA RESPEITO...eu também não gostava mas agora tou viciada...e mais não posso dizer!
Bem hajam!

Primeiro colégio chinês

Depois dos Ucranianos criarem a sua escola em Lisboa, agora é a vez dos chineses.

Por um lado, congratulo-me com este acontecimento: é bom que os encarregados de educação destes alunos se mobilizem para assegurarem o que acreditam ser um acompanhamento melhor para os filhos.

Por outro lado, não deixa de ser muito triste ver que as escolas não estão a fazer tudo o que podiam para apoiar estes alunos. No ano passado, o ME decidiu que os alunos estrangeiros com mais de 2 anos de escola portuguesa não poderiam beneficiar de apoios específicos e tinham que fazer o exame nacional de língua portuguesa. Com honrosas excepções, os resultados foram terríveis... Será que alguém no ministério se preocupou em avaliar as consequências desta medida, que continua em vigor?!

Será que, já agora, todas as escolas estão a cumprir as indicações do ME (acertadas, desta vez) de organizar o ensino da língua portuguesa por grupos de nível?


"Aulas arrancam na próxima semana
Primeiro colégio chinês do Porto é inaugurado hoje
08.11.2006 - 08h38 :Marta Vieira/PÚBLICO

A comunidade chinesa do Norte do país tem a partir de hoje um espaço onde os seus filhos podem aprender mandarim. As aulas arrancam já na próxima segunda-feira no Colégio Chinês, o primeiro espaço do género no Porto. O objectivo é divulgar a língua e a cultura chinesas, aproximando os filhos dos imigrantes das suas raízes."

http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1275849

sábado, novembro 04, 2006

A escola do futuro???

Ontem, no passado dia 3 de Novembro, os representantes dos alunos na E.C.d.R. (eu e o baldassare) estiveram no SITIC(Salão Internacional das Tecnologias da Informação e Comunicação) na FIL, a assistir a uma aula de Biologia e a uma exemplificação daquilo a que se chama a sala de aula do futuro, em que os conteúdos das disciplinas são leccionados virtualmente a partir de um CD-Rom e é projectado atravéz de um Data Show.
O engenho chama-se "MagicBoard" e já há escolas que benificiam do uso do mesmo. Como em tudo, existem prós&contras, aqui vão os prós:
  • Já não existem problemas com alergias ao giz (como tinha o meu professor de português do ano passado e a minha professora de Fisico-Quimica).
  • Pode perceber-se os desenhos "geométricos" que os professores de Matemática fazem no quadro atravéz de uma ferramenta chamada "caneta inteligente" que faz com que ao desenhar um objecto geométrico, o "MagicBoard" faz com que fique perfeito.
  • Dá para inserir mapas e clip-arts.

Contras:

  • O Preço

Para mais informações...

Será caso para alargar o programa de troca de seringas previsto para as prisões?

quase seis mil doses de droga capturadas perto de escolas

04.11.2006, PÚBLICO

A PSP apreendeu em zonas escolares 3358 doses de haxixe, 1406 de cocaína e 1159 de heroína, somando 5923 unidades, entre 11 de Setembro e 27 de Outubro, durante a operação Escola Segura/Abertura do Ano Lectivo.
Segundo a PSP, a operação, que decorreu no Continente, nos Açores e na Madeira, incidiu nas zonas envolventes às escolas, com o objectivo de "reforço do sentimento de segurança por parte dos principais actores da comunidade educativa", refere a PSP em comunicado.

A vingança da "Geração Rasca"

Rui Tavares, hoje no PÚBLICO ("Grelha queimada"), surpreende-se com o desempenho da chamada geração rasca:

"Segundo o PÚBLICO, o número de artigos assinados por portugueses nas revistas-padrão do mundo científico, a Nature e a Science, ultrapassou as quatro dezenas no último ano, ou seja, a Nature e a Science publicaram mais artigos de portugueses no último ano do que em toda a história de ambas as revistas. Os números não estão pormenorizados por idade dos cientistas, mas como a quase totalidade dos nomes de portugueses não aparece (ainda) como primeiro autor dos textos, a conclusão natural é a de que se trata de investigadores "júnior", ou seja, em torno dos 30 anos. Aposto que, se fôssemos a olhar mais de perto, descobriríamos que grande parte destes cientistas fez os seus estudos durante os anos 80 e 90, precisamente aqueles que a opinião dominante considera terem sido de "terra queimada" na educação.
(...)
se a geração rasca é assim tão rasca, como é que publicam nas revistas de referência internacionais como nenhuma geração de portugueses antes dela o fez?
(...)
a minha ideia jamais seria dizer que tudo é maravilhoso na educação portuguesa dos últimos anos - o que além de falso seria pernicioso -, mas que há coisas boas que demoram tempo a acontecer, investimentos que já estão a dar certo e uma progressão que se arrisca a ficar pelo meio do caminho, se a grelha da "terra queimada" não tiver contraditório.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Aulas de substituição, toda a verdade!

A ministra admitiu, do contacto com diversos alunos, que em alguns casos, as aulas de substituição são encaradas como “meros espaços para jogos ou entretenimento”


quarta-feira, novembro 01, 2006

Em relação ao meu último post

Eu sei muito bem a dificuldade de dar aulas, de as preparar, de corrigir os testes e até de aturar alguma arrogância por parte dos alunos. Claro que é muito mais difícil do que estar em frente a uma secretária a despachar papéis, pois envolve uma coisa chamada “relacionamento humano”. O meu último post era, assumo, uma provocaçãozinha aos dois professores deste blogue. Só para ver o que eles diziam.

Mas também vos digo: criar animais numa quinta 12 meses por ano, pescar estando sujeitos aos perigos do mar, cavar a terra com enxadas, trabalhar numa fábrica metalúrgica ou mecânica, trabalhar nos têxteis, estar sentado todo o dia do lado de dentro de uma repartição de finanças, servir num restaurante etc... também não é pêra doce. Isto é como se costuma dizer: cada um na sua! Todas as profissões têm as suas dificuldades e se alguém escolheu ser professor devia saber o que o espera, devia ter consciência que vai viver a vida inteira a comunicar com jovens, que vai ter de fazer e corrigir os testes, que vai ter de preparar aulas de maneira a estas serem apelativas e esclarecedoras etc...
O pior é que ainda há muitos professores que não escolheram ser professores. Simplesmente não arranjaram emprego noutra área. Tinham o curso de engenharia e, se não pudessem ser engenheiros, iam para professores. Tinham o curso de música no conservatório e, se não pudessem ser músicos, iam para professores. Tinham o curso de economia e, se não conseguissem ir para economistas ou gestores, iam para o ensino.
Isto antigamente era assim que funcionava!
Bastava ter um curso qualquer e, sem qualquer formação para professor, ia-se para o ensino! (era no tempo em que havia falta de professores... )
Partia-se do pressuposto que, sabendo um assunto, estamos habilitados para o leccionar, o que não é bem assim.
Por isso, muitos dos professores das nossas escolas entraram para o ensino sem terem escolhido ir para o ensino, e portanto não tiveram a consciência que este era o seu trabalho: relacionar-se com alunos, fazer e corrigir testes, preparar e dar aulas.
Portanto, alguns não gostam nem sabem ensinar.
O ensinar é uma arte muito difícil, mas quem escolheu enveredar por essa arte, deve ter em conta os seus custos. Àqueles que dizem “coitadinho de mim, a minha profissão é tão difícil” e respondo “escolhesse outra!”

P.S.- Em relação às férias dos professores eu acho que não faz nenhum sentido os professores estarem a cuidar dos alunos durante as férias. É impressão minha ou isso é estragar completamente as férias aos alunos???Quer dizer... férias+professores= não é férias!!! As famílias que aproveitem as férias para passarem tempo com os filhos. E se não podem, deixem-nos no ATL!

A imergência da TLEBS


A TLEBS (terminologia linguística para o ensino básico e secundário) avança inexoravelmente no seu processo de asfixia mental dos professores de português.

"Na Visão de 5ª feira passada foi Maria Alzira Seixo, hoje no Diário de Notícias é Vasco Graça Moura." E também Paulo Guinote se sente menos desacompanhado para desabafar.

A emergência (do Lat. emergentia, s. f., acto de emergir, não confundir com o sentido figurado sucesso casual; conjuntura, ocorrência, incidente; situação crítica;), a emergência da TLEBS, dizia, era inevitável por várias razões:

1: a saída de inúmeros licenciados em linguística das faculdades de letras, com saídas profissionais limitadas e fechadas (ensino), levou a que se fossem acomodando em gabinetes e direcções gerais, onde foram urdindo em segredo a teia que lançam agora.

2: a sonolência pateta dos poetas e artistas das letras em geral, que nos mesmos gabinetes e direcções gerais aceitaram de bom grado o voluntarismo dos linguístas para fazerem as tarefas necessárias para ter a máquina em movimento para ler mais um romance, não dando sequer conta do trabalho de minagem em curso.

3: a obsessão da ministra em não deixar pedra sobre pedra do que encontrou, recrutando os trabalhadores mais formiguinhas implacáveis do mercado (os linguístas), dando-lhes carta branca para (des)fazer.

4: o sentimento vago de que havia a necessidade de harmonizar a terminologia linguística para os ensinos básico e secundário, de maneira a andarmos todos a chamar os mesmos bois pelos mesmos nomes.

Resultado: generalização progressiva da TLEBS em todos os níveis de ensino até 2008-09, supostamente acompanhada de formação para todos os professores (que tanto quanto me dizem saem de lá aperceber ainda menos), com materiais de apoio fraquíssimos, complexa de mais para as necessidades reais, feita sem falar com os linguístas brasileiros (só para nos afastarmos um pouco mais...), cozinhada no Olimpo dos departamentos de linguística, sem ouvir os professores.

Entretanto, nas escolas regista-se o entusiasmo moderado dos foram estudar a TLEBS e vêem vantagem em algumas das propostas (o fim dos Complementos Circunstanciais, por ex.), a incrudelidade dos que ainda pensam que a generalização não vai chegar ao fim e, pasme-se dos que afirmam alto e bom som que vão continuar a fazer exactamente o que faziam ("afinal ninguem vai saber..."!!).

Resumindo: (mais) uma oportunidade perdida, de harmonizar as termonologias portuguesa e brasileira, ao encontro (em vez "de encontro"...) às necessidades das escolas e dos professores.

Será tarde de mais para imergi-la?